Grupo de tanques abertos na rocha para preparação do "garum"


Tanques de salga romanos- Praia de Angeiras


Tanque escavado junto do Penedo da Borrenta -Praia de Angeiras


Mosaico encontrado no Fontão - Lavra (período Luso-Romano), por volta de 1900.

 

LAVRA romana e pré-romana

Lavra é uma povoação muito antiga, seguramente anterior ao domínio de Roma, como o prova, através do estudo da toponímia e da arqueologia, o falecido pároco desta freguesia, Padre António Francisco Ramos, no seu livro "Lavra - apontamentos para a sua monografia". Sabe-se que Lavra foi uma importantíssima vila rural romana pelos belos mosaicos que foram desentulhados por volta de 1900, aquando da remoção de areia que cobria um prédio, remoção essa mandada executar pelo proprietário, a fim de pôr a descoberto a terra boa para cultura e que se destinavam a ornamentar as vivendas ricas, pelos fustes de colunas que outrora ornamentavam pórticos sumptuosos, pelas moedas, pelas peças de cerâmica e alabastro encontradas.
Após exaustiva pesquisa, o citado pároco argumenta:"Há perto de Angeiras diversos prédios contíguos chamados Crasto situados num alto, o que dá a entender que antigamente houve aí uma fortaleza, um castro. Ora os castros não são obra dos romanos, mas sim dos povos que por aqui habitavam antes do domínio de Roma. Não há portanto dúvida alguma de que esta terra, que hoje cha- mamos freguesia de Lavra, foi habitada pela raça humana desde tempos antiquíssimos, talvez muitos séculos antes de Cristo. Não se sabe, porém, quando foi fundada. A sua origem perdeu-se na escuridão dos tempos".
Passamos a referir o que se sabe acerca da origem da palavra Lavra e que não é muito, embora nos pareça fidedigno e plausível. Trata-se da hipótese aventada pelo Dr. Alberto Sampaio, à semelhança da origem de Abremar, e registada na obra Portugalia, II, 215: "...a palavra labra, que se lê no Diploma nº 12 (pág 17) e actualmente se escreve Lavra, quer dizer La-abra, isto é, a abra, a angra, o pequeno porto.
Ao longo da praia de Angeiras (Lavra), encontram-se quatro grupos de tanques abertos na rocha. No entanto, devido à sua proximidade do mar, estas vinte e duas cavidades estão quase sempre assoreadas. Atribuídas ao Baixo Império Romano (sécs. II e IV d.C.), destinar-se-iam à fabricação de "garum", produto resultante da maceração de determinadas espécies de peixe-caro, aperitivo muito do gosto romano. Contudo, pelas suas dimensões, pouca profundidade e verticalidade das paredes internas, há quem defenda que serviram para salmoura.
Este agrupamento de tanques insere-se, provavelmente, no conjunto de estruturas e construções mais complexas, nomeadamente uma "vilae" de que há vestígios significativos. Pela sua importância e raridade, foram classificados como monumento nacional em 1970.