Casa (Barqueiros)  

Os materiais e o mobiliário

A pobreza de materiais, em especial nas zonas de xisto, aliada ao posterior fenómeno emigratório, tem vindo a alterar a fisionomia dos espaços das aldeias durienses. Os marcos, os francos, os dólares, associados ao sentido de ostentação, por vezes exuberante, ao desejo legítimo de bem-estar, mas sobretudo à falta de políticas de defesa da casa tradicional como património cultural, têm vindo a alterar significativamente as formas, os volumes, os matreriais, e sobretudo as cores das construções das aldeias durienses. Por toda a parte começa a predominar a garredice provocadora e incaracterística à luz dos modelos tradicionais, dos alumínios e azulejos policromados, da telha preta, ou até das casas pintadas às riscas com telhas de duas cores, formando xadrez. É uma nova marca que está a inscrever na paisagem fenómenos colectivos da emigração e do amor à terra; é o símbolo da vitória do emigrante regressado ou que sonha com o seu regresso.

Varanda (Moncorvo)  

Mas, se os materiais, os volumes e as formas ou até as cores da casa popular actual vêm subverter os cânones da casa tradicional, as suas componentes simbólicas e funcionais internas mantêm-se. O mobiliário é agora comprado nas vilas da região, vindo das fábricas, onde é feito em série. Os laminados e os alumínios, os estofos de napa ou plástico substituem as peças em castanho ou nogueira da região, mas conservam as funções tradicionais. Apenas duas mudanças parecem mais significaticas - a introdução da casa de banho e, em menor grau, da garagem.

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

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