![]() |
As casas nas cidades e nas vilasNas cidades e nas vilas da região, os tipos de casas são ainda mais heterogéneos. Aqui, um maior poder económico, a dissociação das funções agrícolas, a concentração de artistas construtores especializados, fez com que a casa urbana, aproveitando alguns elementos da casa rural da região, os alterasse substancialmente, utilizando materiais mais nobres e elementos decorativos mais ricos. Em certas vilas e cidades nota-se mesmo a influência estética de alvenéis e arquitectos de escola, em determinadas épocas, ligados à construção dos grandes edifícos públicos e religiosos. É o caso mais visível de Freixo de Espada-à-Cinta, onde a decoração de bom gosto quinhentista de muitos portais e janelas se deve à presença dos artistas que trabalham na igreja matriz. É nas cidades e vilas que se concentra a maior parte dos solares e casas ricas, normalmente em granito aparelhado, reflectindo, na imponência e decoração das fachadas, o poder económico e a importância social da aristocracia do Vinho do Porto e do ouro vindo do Brasil. É certo que alguns desses solares podem apar4ecer-nos em aldeias, como Trevões, Almendra, Cedovim, Vilarouco ou Provesende, mas tal facto deve-se à importância que algumas dessas localidades tiveram no passado. |
|
|
Ao percorrermos as zonas antigas de cidade e Vilas como o bairro do Castelo ou o bairro da Ponte em Lamego, ou o bairro do Cemitério em Vila Real, podemos reparar que a relação da casa urbana de carácter popular com a casa rural é mais estreita. As habitações são em geral térreas ou com um andar, as paredes são de pedra solta, por vezes não rebocada, sendo o andar superior em tabique. A varanda, de ressalto ou recuada em relação à parede mestra, está sempre presente. Nas cidades e vilas é também significativa a difusão de formas e elementos arquitectónicos importados de outras regiões – do Porto em particular, dada a ligação que o rio Douro criou através dos séculos. É visível esta influência nas clarabóias, nos varandins e portões de ferro forjado, nos arranjos de entablamentos e beirais rendilhados e na inclinação dos telhados que o dinheiro e o gosto dos emigrantes brasileiros de fins do século passado difundiram na Régua, Lamego, Vila Real, Fozcôa e outras vilas. |
||
Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner. |
||
|