Aqui é Douro, rio e região

A descrição de Eça sobre a paisagem de Tormes (em "A cidade e as serras") mantém-se precisa e actual, se quisermos definir a sensação provocada por alguns percursos deste itinerário.
Aqui é Douro, rio e região.
Caminhos serpenteando pelas montanhas, escondidos na vegetação que tudo unifica. Aldeias em linha ao longo das estradas. Casais de casas amontoadas. Terrenos de socalcos, sustidos por muros, construídos com milhões de pedras, onde o "vinho fino" amadurece nas vides tratadas pelas mesmas mãos carinhosas que dominaram as montanhas e os cachões do rio, sem os degradar. Terra também de solares e casas grandes. Naquele tempo o Douro era quase um fio de água, coleando entre margens de pedra escalamada, com os seus poços e as suas praias de areia branca, os seus ribeiros com moinhos, os seus ancoradouros dos rabelos. O carácter das paisagens desta faixa duriense é marcado tanto pela existência de pequenas capelas, de dimensão discreta e de desenho simples, como das casas das quintas - os belos solares rústicos dos séculos XVII e XVIII. Alguns destes solares são: a Casa de Arouce, em Loivos do Monte, setecentista, e, em Santa Cruz do Douro, as Casas da Capela, de Cabeção, de Agrelos e a de Tormes, construída no século XVIII onde viveu Eça de Queirós. Para além das famosas casas solarengas das encostas sobre o Douro, a arquitectura da região é característica pelas suas casas de alvenaria maciça, em geral baixas, com ar possante e, curiosamente, de paredes caiadas. Os fundamentos históricos da região mergulham num passado milenário. Em alguns montes encontram-se numerosas mamoas. No lugar de Eirô, ou Airô, que queria dizer airoso, freguesia de Penha Longa, foram encontradas grandes pedras com inscrições e desenhos e também pias abertas nas rochas.

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

Voltar