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Regresso por um rioAs gentes da aldeia, sempre ouvi dizê-lo, têm um rio nos olhos, entra-lhes pelos ouvidos dentro o rumor das suas águas, nas narinas o cheiro dos limos e das romãs, na boca o sabor da terra. É gente estranha, coleccionam cronologias das pedras que tocaram, uvas maduras no seu tempo.
No meio da aldeia passa um rio, esse rio que fica gravado no coração de quem o vê por isso não é sangue que corre pelas veias das gentes da aldeia, mas uma torrente danada, um rio que lhes canta nas artérias, como se um rio cantasse eternamente ao longo das estações. Saberá isto quem demorar o olhar pelas pequenas quintas espalhadas ao longo do vale, entre as pedras que mergulham um dia no rio, à procura de antigos mortos, entre os limos, sabor de ervas, sol, laranjas pintadas sobre os pomares.
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Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner. |
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