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Introdução
Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a beber os quatro cantos do mundo..."
(Miguel Torga, "Portugal", 1950)
São casas expostas ao sol, que decoram as encostas do rio e das ribeiras, habitações responsáveis pelo desbravamento das terras próximas do Douro e dos seus afluentes, lugares ideais para a produção de um vinho forte, encorpado e vigoroso, cobiçado por todas as bocas que este nectar adoça
Por toda a região do Cima Corgo, desde Cambres até à fronteira de Vila Real, nas encostas xistosas dos vales de Távora, do Torto e do Pinhão, se moldavam casas, cardanhos, armazéns, lagares, quintas ao compasso paralelo dos socalcos. Numa memória que se deve situar no último terço de setecentos, informa-nos o Visconde de Perraguião, as margens do Douro cobriram-se de boas casas, despindo-se de matos silvestres que ainda se conservam em muitas partes e "vestindo-se" de vinhas. Por todo o lado se erguiam palacetes e armazéns, se roteavam montes inacessíveis e se cintavam muros.
Actualmente, é na zona do Baixo Corgo, na linha imaginária que liga Lamego a Vila Real, que se encontram a maioria da casas vocacionadas ao turismo, que resultam de velhos patrimónios familiares recuperados e acrescidos de motivos de interesse.
Os solares setecentistas ou casas senhoriais dão hoje lugar a casas tipicamente durienses com a sua arquitectura singela, funcional e plenamente enquadradas na paisagem.
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