O Vale do Douro

Quando as vinhas começam a impor a sua presença e a paisagem se transforma numa imensa teia de linhas paralelas rasgadas nas encostas, chega-se então a uma das mais deslumbrantes paisagens portuguesas: o "País Vinhateiro do Alto Douro".
São 250 mil hectares de superfície numa mancha que se prolonga desde Barqueiros até Barca de Alva, dividida em três partes: o Baixo Corgo, o Cima Corgo e o Douro Superior; mas sempre com o rio Douro a servir de coluna vertebral.
A proximidade deste rio reforça a protecção e assegura ao longo do vale a convergência dos caminhos, do vaivém das pessoas e das mercadorias.
A cidade perde a função dele resultante, cresce a segurança no mar e a variedade produtiva das zonas adjacentes que valorizam, transformando-se rapidamente em "empórios do Norte de Portugal", isto é, da "parte do país mais densamente povoada e produtiva". Daí a importância do tráfico maritimo para a cidade.
A azáfama ribeirinha, com o intenso tráfego fluvial e maritimo, a actividade de embarque e desembarque nas duas margens do douro, os armazéns do vinho do porto, sobretudo em Gaia, dão ao Porto uma imagem de dinamismo de grande cidade mercantil. O comércio do vinho do porto é então um negócio próspero que concentra atenções e capitais de negociantes ingleses e portuenses, o que não admira, já que o principal produto nacional de exportação.
No Douro a paisagem distingue-se por ser simultaneamente humana, inóspita, bela e viril. O Douro, sua paisagem e patrimónios, é um desafio que se renova em cada bardo de videiras, em cada trilho poeirento que rasga os vinhedos em diagonal, em cada quinta ou miradouro.
A região demarcada do Douro nunca existiu: os homens tiveram de a inventar para o milagre do vinho do Porto. E o que era um deserto àrido apenas coberto de matos e arbustos deu lugar a uma das mais fascinantes paisagens humanizadas de Portugal e do mundo. Uma aventura com três séculos que transformou essa ilha de xisto e climas mediterânicos no "mais doloroso monumento ao trabalho do povo português".
Do Marquês de Pombal a Forrester, da Ferreirinha a uma multidão anónima de minhotos, trnasmontanos e galegos, dá-se conta como nasceu, cresceu e evoluiu a primeira região demarcada e regulamentada para a produção de vinho em todo o mundo e o seu produto maior, o " Port Wine".

O Douro é vinho, é vinha, é vida...

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

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