Balança Comercial Favorável

    Após 1875, devido ao alastrar da filoxera, manifestam-se em especial intensidade dificuldades de viticultura. Estas coincidem com um momento de grande expansão comercial. Entre as décadas de sessenta e oitenta quase duplica o volume do Vinho do Porto exprtado anualmente (de pouco mais de 30 mil para cerca de 60 mil pipas).
A crise dos vinhedeos do sul de França, paralela à expansã o do seu mercado interno de vinhos facilita o escoamento de vinhos de outros países.
Estas dificuldades comerciais conduzem a uma expansão da viticultura em Portugal, em particular no Litoral e no Sul, mais concretamente, nas planícies do Ribatejo e da Estremadura, num momento em que a importação de trigo americano barato leva a que as áreas cerealíferas produzam vinho, sendo este mais compensador e de mais fácil escoamento.
Entre 1874 e 1878 há importantes alterações no sector vitivinícola nacional: aquisição de novos mercados; extensão do vinhedeo a novas áreas produtoras; diversificação, em qualidade e em preços, dos tipos de vinhos exportados; desenvolvimento dos estudos ampelográficos e enológicos, com vista ao aperfeiçoamento da qualidade do produto.
Entre a segunda metade da década de cinquenta e meados da década seguinte, em resultado da crise de oídio, a produção vinícola atinge volumes muito baixos, recuperando depois. Chegando a ultapassar os níveis de meados do século. A importância da viticultura nortenha é ultrapassada pela do sul, menos tocada pelas doenças e onde o movimento de expansão do vinhedo é mais intenso.
Até aos anos oitenta, na fase de prosperidade comercial dos vinhos, e em regime de liberdade, os exportadores do Porto, procuram utilizar outros vinhos da região, valorizando alguns deles até então destinados à venda como vinhos de consumo corrente ou ao fabrico de aguardentes.
é certo que as facilidades comerciais terão permitido também processos fraudulentos no fabrico do Vinho do Porto, com a utilização de vinhos de outras regiões e de álcool industrial.
Entre os anos sessenta e oitenta, não só aumentam as exportações de vinhos do Douro para a Grã.-Bertanha, mas abrem-se também e ampliam-se outros mercados, diminuindo a dependência face ao mercado inglês. A inglaterra, que durante cerca de dois séculos se establecera como mercado quase exclusivo do Vinho do Porto, vê reduzir a sua hegemonia, face ao crescimento de outros mercados impportadores, tendência que não mais deixará de se acentuar.
O Brasil, que constituíra um mercado estratégico no sistema pombalino e que se tornara insignificante após a independência, reaparece como um grande mercado de Vinho do Porto após os anos sessenta, em grande parte devido ao regime da liberdade comercial, mas também fruto do novo fluxo de relações luso-brasileiras, resultante da corrente emigratória que se intensifica desde meados do século.
No início dos anos oitenta chega a representar mais de 40% das exprtações do produto. Outros mercados, como a Alemanha, os Países Nórdicos, a Holanda, a Bélgica e a França, ganham também importância.

Em suma, verificou-se um grande desenvolvimento e expansão da viticultura em Portugal no séc. XIX.

   

Bibliografia

  • Dicionário da História de Portugal - Joel Serrão
  • História de Portugal vol. V

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.