O Entreposto de Gaia

Verdadeira extensão da Região Demarcada do Douro, situada junto à foz do rio do mesmo nome, a um passo do mar, é também como que a sua porta, aberta ao oceano, a todos os continentes e a todas as nações; pequena área, primeiramente delimitada por lei de 1926, mas onde tradicionalmente, e a partir dessa data por força da lei, se situam os armazéns dos Exportadores de Vinho do Porto; diminuto enclave na muito antiga vila de Gaia, frente ao Porto, alcandorado nas íngremes e húmidas encostas, cobertas de velho casario e riscadas por pitorescas calçadas, que descem para o cais.
Ligado ao Porto e de certa modo enquadrado pela ponte D. Luís a montante e pela Ponte da Arrábida a jusante, o Entreposto, vigiados os seus acessos por guardas que não deixam entrar nem sair vinho algum sem o consentimento do Instituto do Vinho do Porto, funciona como uma espécie de clausura onde o Vinho do Porto, nos armazéns dos «Exportadores», calma, solene e honradamente envelhece até atingir aquela perfeição e refinamento a que deve a sua merecida fama.
Há presentemente cerca de 70 firmas de «Exportadores»; todas elas, por lei, possuem armazéns privativos e se agrupam no Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto, cuja sede se localiza no Palácio da Associação Comercial do Porto.
Finda a vindima no Douro os vinhos descansam temporariamente nos armazéns dos lavradores ou nos que as casas exportadoras lá possuem para esse efeito; alguns meses depois são embarcados para o Entreposto, obrigatoriamente acompanhados por um «Certificado de Procedência» passado pela Casa do Douro.

 

Era então que, outrora, antes do caminho de ferro ter absorvido a maior parte desse transporte, numerosas flotilhas de «rabelos» navegavam as perigosas águas carregando rio abaixo os bojudos cascos de carvalho. Chegado ao Entreposto, e depois de previamente verificado pelos competentes serviços do Instituto do Vinho do Porto, o vinho vai para o armazém da firma a que pertence. aí, com a cautela e o saber feito de longa experiência e de todos os modernos ensinamentos, ele envelhece e é educado. Em seguida... em seguida é o mundo inteiro que lhe abre as portas: acompanhado e garantida a sua pureza e qualidade pelos Certificados de Origem passados pelo Instituto, vai à conquista de todos os mercados, e devidamente afiançado pelos Selos de Garantia é lançado também no mercado interno para usufruto e delicia da nação que o produz.

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

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