Introdução

Porto não é apenas vinho perfeito, sem paralelo no mundo; é um culto e um mistério. A sua característica especial não resulta somente do infinito cuidado com que é tratado e de séculos de experiência nos processos de cultivo, mas também da perícia do armazenista. O vinho é um organismo vivo e complexo que não pode atingir a perfeição senão pela arte e experiência que tornaram famosas as caves do Vinho do Porto.
O cultivo do Porto é o resultado de uma série impar de fenómenos naturais que ocorrem apenas nos vales do Douro e não em qualquer outra parte do mundo. Um dos paradoxos ligados ao vinho do Porto é que as cepas de origem são produzidas nos vales do Alto Douro, a quarenta milhas ou mais para leste da cidade. Numa região que parece, à primeira vista imprópria para qualquer espécie de plantação. O Douro é uma região violenta, dilacerada por profundos desfiladeiros, varrida por ventanias infernais e com temperaturas que, nas épocas frias descem abaixo de zero, enquanto no Verão o termómetro atinge facilmente os 40º graus. Frequentemente a região é assolada por violentíssimas trovoadas, e no Inverno os vales podem apresentar uma névoa gelada. Mas é isto que dá corpo ao paradoxo de que se falou, é que quanto piores são as condições, melhor sairá o vinho.
Não é possível a mecanização da lavoura, pois a região é muito acidentada; as cepas têm de ser plantadas em terraços delimitados e apoiados em muros de pedra, sem os quais o solo seria continuamente arrastado pelas chuvas. As raízes têm de ser metidas a três ou quatro pés e todos os anos os novos rebentos são envoltos em arame que se apoiam em pilares de granito. A característica da região com vinhas que produzem menos cachos, corresponde o vinho de melhor qualidade.
Tentativas de criar um vinho deste tipo noutras regiões do mundo têm fracassado, uma vez que o segredo não está nas cepas utilizadas, mas na própria região. Por isso, além da sua importância financeira, esta bebida de características únicas é um motivo de orgulho para todo o Portugal.

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

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