Vindima

Nos primeiros dias de Primavera, as vinhas começam a rebentar e então inicia-se um período de infindável labor e azáfama que não abranda até que o último tonel dê entrada nas caves de Vila Nova de Gaia. Os rebentos verdes são atados aos suportes de arame com o fim de evitar que os ventos os quebrem e os cachos entrem em contacto com os solos onde se poderiam danificar. O terreno tem de ser tratado e limpo - sucessivas mondas - e as árvores constantemente polvilhadas e regadas com insecticidas, como protecção para as várias epidemias que ameaçam as vinhas. Os terraços têm de ser verificados e reparados por causa das chuvas que ameaçam constantemente arrastar todo o vinhedo para as encostas do vale.

 

As diferentes vinhas são classificadas de A a F em função da qualidade do seu produto e avalidas segundo um sistema de pontuação que tem como dados a localização, a altitude,natureza do solo e exposição ao sol. Chega finalmente a época das vindimas, que vai determinar o resultado de todo um ano de trabalho.
O trabalho das vindimas é efectuado por camponeses que, geração após geração se dirigiram para as mesmas plantações, quando a época se aproxima. Vêm em famílias completas. As mulheres, auxiliadas pelas crianças, cortam os cachos maduros e colocam-nos com cuidado em grandes cestos de vime. É então a vez dos homens intervirem, transportando as cargas para os lagares, amplos tanques de granito onde se inicia a corta. Em tempos antigos, quinze a vinte homens supervisionados por capatazes saltavam para dentro dos tanques, davam braços, avançavam e recuavam numa longa fila, de um lado para o outro, esmagando as bagas num ritmo cadenciado; actualmente, esses homens foram substituídos por métodos de esmagamento mecânico de efeitos suaves. Os engaços e as grainhas não se emassam e o mosto mantém-se em movimento, produzindo óptimo resultado. Após a corta e a primeira esmaga, o mosto fica em repouso para ser trabalhado no dia seguinte. O período de fermentação vai estabelecer o valor do produto. Finalmente o vinho é cuado e vazado e a fermentação interrompida pela adição de aguardente vínica, utilizada em geral na percentagem de um quinto de vinho extraído. O vinho fica então apto a permanecer em repouso nos meses frios de Inverno; no princípio do ano é trasfegado para remover os sedimentos e procede-se então ao enchimento dos cascos que serão transportados para as caves de Vila Nova de Gaia.

   

Trabalho realizado no Colégio Nossa Senhora da Bonança pelas alunas, com orientação do Prof. José Guerner.

   

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