| A
Santiago de Compostela 27 a 30 de Julho de 2004 A. Augusto de Sousa |
Esta humilde página reporta uma viagem ou
peregrinação de dois amigos, pelos Caminhos de Santiago,
feita pelo chamado Caminho Português Central. Para um deles, eu
próprio, seria a terceira experiência; para o outro, o
"Zé Manel" Ferreira, era a primeira vez.
As palavras são propositadamente poucas, sendo as imagens as
principais vedetas. São cerca de 220 fotografias das muitas que
fiz, quase tantas como os quilómetros percorridos, nas quais
tentei captar, nem sempre com sucesso, as belezas d'O Caminho. A
responsabilidade das mais belas cabe a uma "mãe natureza"
criadora, a quem dou cada vez mais apreço, e a alguns homens que
souberam, ao longo dos séculos, desenhar, realizar e manter
edifícios e outros monumentos de beleza indescritível.
Para ver as imagens em tamanho maior, pode pressionar o botão do rato com o cursor sobre elas. A partir daí, pode optar por visualizá-las todas em sequência, sem acesso ao texto.
Tudo começa no interior da Sé Catedral do Porto, onde as "credenciais de peregrino" são carimbadas pela primeira vez.
As credenciais pretendem ser uma prova de que o caminho foi percorrido e por isso devem ir sendo carimbadas em várias localidades do percurso, em igrejas, albergues, hotéis, ou mesmo lojas. Dão direito a utilizar as instalações dos Albergues dos Peregrinos (gratuitos, na sua maioria) e a receber, no final, a Compostela, uma espécie de diploma escrito em Latim que certifica que o seu portador foi peregrino a Santiago de Compostela.
No exterior, no Terreiro da Sé do Porto, começam a seguir-se as célebres setas amarelas, pintadas em muros, postes de iluminação e mesmo no chão. São muitas centenas (quase três milhares, segundo um peregrino que se deu ao trabalho de as contar) e quem as seguir, desembocará, cerca de 240Km depois, na Praza do Obradoiro, em frente à Catedral de Santiago.
Começa-se descendo as inclinadas escadas que levam ao Largo do Colégio, em frente à Igreja dos Grilos e, depois de atravessar toda a cidade do Porto, passa-se ao Monte dos Burgos, na Estrada da Circunvalação. Aqui, haveria paragem obrigatória em outra catedral, desta feita do BTT (ou não viajássemos de bicicleta): a "boutique" MaiaCycles, para obtenção de um carimbo para as credenciais e feitura de umas fotos com os amigos Paulo e Andreia.
O percurso por estas bandas é um pouco monótono, passando em várias freguesias dos concelhos de Matosinhos, Maia e Vila do Conde. Padrão de Moreira e Macieira são seguidamente ilustradas, assim como a bela (e finalmente recuperada) ponte de D. Zameiro sobre o rio Ave.
S. Pedro de Rates é uma localidade importante no contexto d'O Caminho. A igreja, muito antiga, marca vincadamente a sua presença, num enquadramento arquitectónico novo e interessante, ao qual não falta agora um museu que lhe é dedicado. Como curiosidade, S. Pedro de Rates possui o primeiro albergue português, inaugurado precisamente dois dias antes de ali passarmos.
Os caminhos e trilhos de terra começam agora a aparecer e, no meio deles, sempre aparecem portais e muros antigos, com trabalhos de escultura esquecidos ou mesmo ignorados e, claro, as omnipresentes igrejas, capelas e cruzeiros, a fazer lembrar que se trata de um percurso de carácter religioso.
Chegada a Barcelinhos (com paragem para almoço) e travessia da bela ponte para Barcelos. As ruínas de um palácio ali presentes constituem uma base museológica a não perder, mesmo de passagem apressada, com um brinde paisagístico interessante sobre o rio Cávado.
O taquímetro marca já 54Km percorridos mas não estamos cansados. Resolvemos continuar e percorrer mais uns anunciados 33Km, por experiência própria não muito difíceis, que nos levarão a Ponte de Lima. Assim, pedem-se mais uns carimbos nas credenciais, desta feita na casa paroquial, e há que seguir viagem.
A partir daqui, o percurso é marcante. Sempre acompanhados dos motivos religiosos, vamos encontrando de tudo um pouco, até animais pastando nas valetas da estrada. Não se esperaria, provavelmente, passar exactamente pelo meio de um campo de milho, e as altas ramadas minhotas são triviais... mas são tão frescas para os músculos aquecidos!
Infelizmente, um pequeno engano, cometido algures, leva-nos a trocar de caminho e os fáceis 33Km transformam-se em uns penosos (por muito ascendentes, em grande parte) mais de 45Km. Sem perceber como e sempre seguindo as setas amarelas (devíamos ter desconfiado logo, estas eram aqui muito menos bem marcadas), passámos do caminho pretendido para outro que, creio, segue por Viana do Castelo e Vilar de Mouros. Com algumas boas paisagens pelo meio, a melhor de todas acabou por ser mesmo a do areal do rio Lima... que teríamos de seguir ainda durante uns bons 8Km até ao nosso destino de etapa.
No final, o meu taquímetro marcava algo como 101Km...
Esta é reconhecidamente a mais dura etapa do percurso, com a travessia da Serra de Labruja. Sabia-mo-lo de antemão e estávamos prontos para vencer aqueles cerca de 40Km (tão pouco...).
Faz-se a saída da cidade de Ponte de Lima através da monumental ponte que lhe dá o nome, felizmente vedada ao trânsito. Depois de uns trilhos no meio do monte e com cerca de 8Km percorridos, atingimos a freguesia de Labruja, no sopé da subida que haveríamos de fazer. Após merecida hidratação em oportuna mercearia, lá vamos, serra acima, primeiro por estradão alcatroado, depois empedrado rural...
...e finalmente o monte, puro e duro.
A certa altura, o piso deixa de ser ciclável e há que empurrar a bicicleta à mão. Não é fácil, com o peso que transporta! Eles são regos, pedregulhos, inclinações que nos fazem andar de gatas, piso escorregadio... tudo é a favor do "sentido contrário", mas nós temos é de subir... Por vezes, somos dois homens para uma bicicleta!
Um cruzeiro (sugestivamente conhecido por Cruz dos Mortos...) permite um descanso e, com mais ou menos dificuldades, lá atingimos o alto, a "Casa do Guarda Florestal" (sem fotos...).
A descida... é radical, embora "mão amiga" tenha por ali andado a amaciar o piso de terra e pedra, principalmente no início! Ao fundo, o piso passa a ser pedra gasta pela erosão de muitas rodas e muita água, que mesmo no pino do calor, continua a enlamear o caminho.
Aparece a ponte de Agualonga, velha e gasta, atravessando um rio limpo onde ainda se vê o peixe... Mais subidas e descidas, mais monte, mais campo, mais trilhos, a ponte romana de Piorado sobre o rio Coura e, a partir da localidade de S. Bento da Porta Aberta (Paredes de Coura), quase sempre a descer, lá se atinge Valença do Minho com a sua ponte metálica, com ligação a Tui.
A zona histórica da cidade de Tui é bonita, há que ali voltar com tempo para passear e ver as velhas pedras do casario. A catedral, onde fomos carimbar as nossas credenciais, situa-se num ponto alto ao qual dá acesso uma rampa muito inclinada (demasiado inclinada, para umas pernas já cansadas), toda ela coberta com lajes graníticas recentes. O interior esconde belas peças, tendo-me chamado a atenção o trabalhado complexo da talha que envolve o órgão de tubos.
Dali seguimos para o albergue de peregrinos, muito próximo, instalado numa velha casa, devidamente refeita no seu interior. As nossas companheiras de duas rodas ficam confortavelmente instaladas num pátio interior onde há quem aproveite para descansar os pés da caminhada e nós vamos conhecer a camarata mista onde dormiremos nessa noite.
Esta etapa contém pontos com grande interesse. Globalmente, atrever-me-ia a afirmar que é a mais bela das quatro.
Comecemos as actividades com um abundante pequeno almoço, ali mesmo, junto ao albergue, no Café Central, devidamente integrado na paisagem urbanística de antiguidade. Seguem-se mais algumas compras na urbe, onde a feira do dia domina o espaço e voltamos à Catedral, de onde partimos finalmente, descendo alguns degraus das velhas ruas e outras vias, até atingirmos um caminho campestre. Seguir-se-ia um troço em alcatrão e, finalmente, os primeiros trilhos galegos, no meio de um belo parque e, como que a anunciar as belezas vindouras, o belo local da Ponte das Febres, devidamente coberta com um tapete de madeira que a protege do desgaste.
Reza a lenda que aqui, S. Telmo, em peregrinação a Santiago de Compostela, terá ficado enfermo, com febres que o obrigaram a regressar, tendo mesmo falecido pouco tempo depois. Disto dá conta uma lápide ali colocada, mesmo ao lado de um cruzeiro sobre o qual, inevitavelmente, colocamos uma pedrinha.
Durante todo o percurso, cruzamos imensas linhas de água. Esta zona galega é fértil em ribeiras, pelo que outras pontes, mesmo de maior porte, são também atravessadas.
Porriño é a próxima localidade, onde aproveitamos para almoçar. À saída, ou um pouco depois, um local dedicado ao peregrino contém um monumento monolítico, um relógio de sol e umas inscrições em pedra com as coordenadas geográficas do local; e claro, como não poderia deixar de ser, mais um marco e respectivo azulejo com um desenho em forma de vieira dos muitos que, em território espanhol, também apontam para o caminho a seguir.
Segue-se-lhe Redondela, cujo atravessamento é marcado pelo albergue de peregrinos, bem no centro histórico, e por um tão belo quanto inesperado espigueiro de granito. Um pouco depois, uma difícil subida com mais um cruzeiro e, a meio, sugerindo descanso, uma fonte de água fresca.
Local de paragem obrigatória é, sem dúvida, a descida para a localidade Ponte Sampaio. A meio de um estradão de terra batida, exposto ao sol tórrido na vertente poente de um monte, a vista para a ria, lá em baixo, é surpreendente e faz um magnífico cenário de fundo para uma fotografia com a minha 'Zulinha de duas rodas.
Lá ao fundo, a ria é agora rio e a ponte, de grande porte, permite a travessia. É linda, na sua pedra velha de centenas de anos, ainda mais pela paisagem que deixa perceber, para um lado com uma praia fluvial e, para o outro, com o início da ria anteriormente vislumbrada e barcos atracados num pequeno porto de pesca. Segundo a História, ali se venceu uma dura batalha contra as tropas napoleónicas, facto de orgulho evidenciado pelos locais.
A saída do local faz-se por umas ruas estreitas de alcatrão, ascendentes, com uma inclinação enorme. Quando se inicia a descida respira-se fundo e diz-se "já foi"... Engano redondo; aí vem mais uma, igual de inclinação mas com um comprimento três ou quatro vezes maior...
Depois vem a descida final por um trilho cheio com pedra solta proveniente de obras (realmente não é pedra mas sim bocados de cimento) que tem ao fundo um rego transversal semi-escondido por vegetação: pumba, lá vai mais uma pancada para a roda de trás que por pouco não provocou danos no pneu. Para trás ficava a curiosidade de um cavalo branco pastando num pequeno terreno de uma habitação, ainda dentro da localidade (julgo que já não seria o de Napoleão :-)...).
De seguida, aparece outro local dos mais marcantes para mim: "A Ponte Nova". Pelo nome parece ser uma ponte recente... mas não o é! Trata-se dos restos de uma ponte medieval, tão degradada pelo tempo, que já só resta, basicamente, o seu arco principal (dá até a entender que nunca foi acabada). Este, de há um ano a esta parte, encontra-se protegido por um conjunto de degraus de madeira que, aliás, não são utilizados, pelo menos na época de verão, dado que a água é pouca e todos preferem sentir-lhe a frescura. Não sei se existe algum caminho que ali vá ter facilmente, mas mesas de merenda também lá existem.
Um pouco adiante, havia que fazer um trilho pouco soft, ascendente e com muita pedra, à moda das calçadas romanas, mas muito irregular. Só uma parte daquela "trialeira" é ciclável, pelo menos para mim e com a bicicleta a pesar o dobro... Mas o pouco que se consegue já é um contento para a alma de um BTT'ista!
Dali a pouco e após um trecho de estrada, entra-se em Pontevedra. Mesmo à entrada, o albergue de peregrinos dá por terminada a jornada. Com alguma pressa, ainda é possível fazer umas fotografias ao ambiente no centro da cidade, bem vivo, por sinal.
Mais uma vez somos os últimos a abandonar o albergue. Os restantes habitantes, peregrinos a pé, iriam já longe quando nos fizemos ao caminho, após um energético pequeno almoço.
Ao passarmos pelo centro da cidade, aproveitamos para conhecer o interior da Igreja da Virgem Peregrina, curiosamente construída segundo uma planta em forma de vieira.
A praça em frente, apropriadamente chamada de "A Peregrina", e o restante centro da cidade, vivendo a calma de uma manhã ainda sem movimento, com as esplanadas vazias, são interessantes. Até mesmo o mercado, visivelmente recuperado em tempos recentes, chama a atenção dos passeantes, ainda que tenham, para isso, de se desviar do normal caminho.
Sair da cidade seguindo as setas ou vieiras não é fácil, já o tinha sentido anteriormente. É que, na confusão de cores das fachadas, publicidade, sinais de trânsito e outros, as ditas ficam como que camufladas, transformando o passeio numa espécie de "onde está a seta?" ao vivo. Uma vez encontrado o caminho, atravessa-se a ponte e dali a pouco lá estamos nós percorrendo os tão desejados trilhos.
Encontram-se animais pastando...
...caminhos de bom piso que até permitem fotografar em movimento...
...mais linhas de água, sempre apetecíveis pela frescura que nos deixam e até figuras tornadas conhecidas pela televisão portuguesa. O Sr. José percorreu inúmeras vezes estes caminhos e os outros que conduzem a Santiago de Compostela, assim como os de Fátima e continua. Terá de concretizar a sua promessa de perfazer seis mil quilómetros em agradecimento por ter sido o único sobrevivente de um naufrágio quando era pescador, na Nazaré. Viaja com uma bicicleta simples, não tem capacete, e carrega uma mochila sobre a qual estende, para secar, uma das duas camisas que traz consigo e que troca regularmente.
A estrada N-550 vai-nos agora acompanhando com mais frequência, sucedem-se os quilómetros, reencontram-se peregrinos mais madrugadores do que nós e os temas mantêm-se: cruzeiros, locais de culto, trilhos, estrada... e calor! Este aperta tanto que, em certo local, apetece ficar ali mesmo, sob as altas ramadas, gozando um pouco da sua sombra.
Uma velha fonte, datada de 1880, aparece no meio, permitindo o merecido refrescamento. Enquadra-se num pequeno largo rodeado de vinhas e algumas, poucas, casas, um pouco ao lado de um velho cruzeiro.
Atingimos Caldas de Reis e passamos em frente à Igreja. É então obrigatória a visita, em frente à instância termal, à pia "Las Burgas", datada 1881, onde os peregrinos, reza a tradição, lavam os pés em água quente termal.
Atravessa-se a bonita "Calle Real", bem decorada e admira-se a fachada do mercado local. O tecto da sua porta principal não passa despercebido.
Finalmente... a ponte medieval de Caldas de Reis sobre o rio Bermaña e todo o seu enquadramento circundante. Não tinha ainda passado ali, mas conhecia o local de o ver anunciado em prospectos e revistas. É bonito! É tão bonito que decidimos, apesar de ser ainda algo cedo, almoçar ali mesmo, na esplanada de um pequeno restaurante.
Á saída, após um pouco de estrada, regressa-se aos caminhos rurais, com vistas sempre belas.
Mas a melhor das paisagens viria agora, na forma de um bosque que permanece na minha lembrança desde a primeira viagem, em 2002. Este ano, talvez pela luz que era diferente, ou mesmo pelos restos do mato recentemente cortado, castanhos de secos, não senti o mesmo fulgor da visão anterior, mas é sempre bonito, este local.
As duas imagens seguintes mostram um troço que possui umas bermas curiosas... Será que pretendem empedrar o resto? Não entendo a razão...
Seguir-se-ia Cesures e a sua ponte...
...e finalmente Padrón. A entrada nesta localidade faz-se por uma bem decorada avenida coberta de plátanos que dá ao viajante, à laia de boas vindas, uma sombra fresca e retemperadora. Ao lado, está o rio Sar que é atravessado por uma ponte, lá ao fundo da avenida.
Trata-se da ponte de Carmen que, juntamente com a Igreja com o mesmo nome, lá no alto, e até mesmo a sua fonte, dominam a paisagem. Mas o núcleo histórico da cidade é também bonito, com notoriedade para as belas janelas ornamentais, trabalhadas em madeira ou ferro fundido (sem fotos).
Havia algum tempo que eu via anunciado um local aprazível, nas imediações, conhecido por Santiaguinho do Monte e tinha intenção de ali passar, finalmente. Mas quando resolvi perguntar onde seria, recebi um redondo "já passaram, é lá atrás"! Com cerca de 20Km para percorrer ainda naquele resto de tarde, resolvemos que ali voltaríamos oportunamente. As imagens seguintes foram tomadas no dia seguinte, na viagem de volta, mas servem bem para mostrar que o local vale bem uma visita.
Passam-se agora, num ziguezaguear constante, várias pequenas aldeias. Embora de aspecto bem tradicional, já se por lá vê algum cimento que estraga as vistas...
Lá mais para o final, numa descida de terra algures no meio do monte, vê-se à direita um grande casario: finalmente já se vislumbra o destino final, a cidade de Santiago de Compostela! Faça-se com as duas bicicletas um improvisado suporte para a câmara fotográfica e memorize-se o momento.
Depois... bem, depois foram alguns quilómetros mais, passando ainda pela íngreme entrada no alcatrão, junto ao hospital (aqui aperta-se-me sempre a garganta, estou a entrar definitivamente em Santiago de Compostela...) e finalmente, em abraço firme com o Zé Ferreira, a entrada triunfal, sempre pedalando, na Praza do Obradoiro, em frente à Catedral que serve de túmulo ao Santo.
Uns minutos, poucos, dedicam-se a esta praça para ver o ambiente. Peregrinos de todas as idades, a pé, de bicicleta, alegres, chorosos, doridos, cansados, sentados, deitados... Chegam a uma cadência impressionante, como se pode constatar também pela longa fila à porta da Oficina do Peregrino, onde se espera imenso tempo para se obter a tão desejada Compostela (no dia seguinte fa-lo-íamos). Após uma visita rápida ao interior da Catedral é necessário sair para se procurar o sempre difícil alojamento, e à noite lá estaríamos novamente.
Na manhã do dia seguinte, após a obtenção da Compostela (a fila tinha voltado...), foi a missa dos peregrinos, com a conhecida prática do "Botafumeiro". É realmente impressionante, ver aquela peça com fumegante incenso, pesando provavelmente algumas dezenas de quilos, ser balançada por uma corda puxada por um grupo de vários homens. A fotografia (além do mais efectuada com o atraso natural a uma máquina digital) é difícil e só depois de várias tentativas se consegue apanhar aquele balancé a meio do seu amplo movimento, quase tocando o tecto. É, asseguradamente, um espectáculo a não perder...
Encontrada a família que nos iria trazer de volta (em veículo bem mais confortável do que a minha 'Zulinha), far-se-iam mais umas fotos finais do local, para a memória de mais uma inesquecível viagem, ou peregrinação, a Santiago de Compostela. A curiosidade de último momento era a "máquina de duas rodas" em que aquele senhor tinha vindo desde a Áustria. Pedalando em posição de quase deitado, pés para cima e o guiador sob o corpo...
E agora? Bem, como se diz, "uma vez peregrino, para sempre peregrino", provavelmente lá estarei outra vez no próximo ano, quem sabe, para fazer algum caminho diferente! Este foi feito com o meu amigo Zé Manel. Companheiro de longa data, faltava-nos esta experiência marcante. Obrigado Zé e desculpa qualquer coisinha...
Ao leitor desta página (se é que há algum que tenha chegado ao fim): espero ter conseguido mostrar algumas das belezas d'O Caminho, que é simplesmente o meu objectivo. E se, dessa forma, vier a acordar "algum bichinho", então melhor ainda :-) Não há lugar a comentários elaborados às sensações do caminho, porque essas, cada qual vive-as como quer e são suas. Lamúrias não as teço, até porque não as tenho.
E para terminar, como eu costumo dizer em coisas de bicicletas: adeus e até ao próximo empeno!
A. Augusto de Sousa