Muitos de nós lembrar-se-ão de, nos tempos de escola, ter lido (a cultura nunca fez mal a ninguém) este belo exemplar da velha poesia lírica de Camões:

 

Descalça vai para a fonte

Lianor pela verdura;

Vai fermosa, e não segura.

 

Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata,

Sainho de chamelote;

Traz a vasquinha de cote,

Mais branca que a neve pura.

Vai fermosa e não segura.

 

Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro entrançado

Fita de cor de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta.

Chove nela graça tanta,

Que dá graça à fermosura.

Vai fermosa e não segura.

 

                  Vaz de Camões

 

 

Pois afinal a coisa era outra e, qual cena digna do Código da Vinci... aparecem, no manuscrito original, marcas decalcadas do verdadeiro texto, da verdadeira história: a saga das alcunhas de José Moreira:

 

De maço vai para o monte,

S'or José e a pendura;

Ao Px ninguém segura!

 

Leva na cabeça o casco,

Na cara um grande lata.

A Nicotina já não se escapa,

O maço, no bolso, é fiasco.

Tira da farmácia uns selos,

E a vontade o vício empurra.

Ao Nãocotina , ninguém segura.

 

Mas nem descansa a garganta,

Volta a cheirar a queimado.

Do Zeca, meio atolado,

Já no bolso o maço anda.

Chove nele boca tanta,

Que a velha alcunha não dura.

Ao Bicotina , ninguém segura.

 

                 A.S. dos Empenões

 

Isto sim, é ter visão de... séculos!