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Passeio dos Dadores de Sangue da Maia (50 imagens)
Data: September 2006
Autor: A. Augusto de Sousa

Ao dia 17 de Setembro, lá fomos ao passeio organizado pelo grupo de BTT da ADSM - Associação de Dadores de Sangue da Maia, com início em S. Pedro de Avioso. Começou como de costume, com muita gente a (re)encontrar-se, cumprimentos e abraços. Quantos eram? Assim por contas redondas seriam... "N+1", em que o "+1" era feminino e tinha o nome Chuva.

O Luis da ADSM usou da batuta de maestro e lá foi a orquestra, estrada fora. Dali a pouco o palco era já formado pelos tão amados trilhos que os músicos devoravam com prazer. A primeira escala ascendente aparecia, sem grandes dificuldades, logo de seguida do "Charcu dos Patus", desta feita ainda pouco enlameado,mas mesmo assim dando para alguns: "não, não é para aí... ui... ai... para a frente, para a frente... raios, que isto escorrega. Caio? Não caio? ... Pronto, já passou."

E alguns percalços surgiam: "vejamos, isto não está a dar muito rendimento... mas o que é que a bicla tem hoje? hum... o senhor que é mecânico, tem por aí alguma ferramenta?" ... Desaperta daqui, vira dali, aperta bem acolá... "Boa, agora sim, está muuuuito melhor, vai ser só dar gás... a caminho de casa!"

Vai agora uma subidinha a preceito! "Vá lá, oh meu, sai-me da frente, que eu quero andar... a pé, claro..." Isto de multidões a subir dá sempre nisto, não é? Mas pronto, a organização, eficiente e atenta, providenciou a limpeza do mato, pedras inclusas, de forma a que uma paragem de descanso se torna bem vinda. Sim, até porque a subida continua e ainda pior... ou melhor... exige a técnica que poucos têm e, em consequência, lá ficam no chão as marcas da borracha... dos sapatos. Os penedos, esses teimosos habitantes locais, redondos e musguentos, também marcam uma presença bonita, alegram a paisagem; mas, realmente, não deixam que a normal "pedalação" se faça.

 

Para quem sobe muito... há sempre o prémio da descida! Os irmãos dos pétreos indígenas anteriores dão agora a permissão do prazer do domínio da máquina, durante uns metros que muitos conseguem fazer montados, nomeadamente os mais jovens que estão sempre prontos para belas demonstrações. O caminho coincide  com o percurso que à tarde os (verdadeiros) atletas farão na prova de BTT, pelo que muita técnica é precisa para descer aqueles taludes de pedra e de terra batida...

E os participantes femininos, como é que se comportam? Hum... é só "valentia", está visto!

Depois desta "festa" toda, seguir-se-iam mais uns trilhos de beleza ímpar. Ali no meio, aproveita-se para mais umas fotos a caras conhecidas, mal disfarçadas por detrás dos respectivos protectores oculares, e a estrada, escorregadia pelas primeiras águas, regressa. O grupo desagrega-se, uns perdem-se, outros telefonam a pedir informações se orientação, mas no fim tudo se compõe.

 

Santa Maria de Avioso foi palco, há alguns meses atrás, de uma memorável prova de BTT do Campeonato Interfreguesias da Maia. De belo que era, o circuito não podia deixar de ser visitado pelo grupo que o percorreu de forma memorável. Assim se passaram os trilhos dos tombos, a lama da subida, o campo, agora transformado em belo e verde milheiral, a vala de água, inesperadamente seca mas sempre dada a aventuras e outros espectáculos, e aquela descida em ziguezague que termina numa ponte improvisada. E para que ficasse mesmo inesquecível, o maestro (Luís de nome, ainda se lembram?) deu ordem de "a capo" e lá se voltou a passar ali...

 

Um pouco adiante, a excursão levaria o grupo a um portão... fechado, é claro! Não é que seja obstáculo, mas sempre demora um tanbto a que umas dezenas de pares de pés e de rodas desçam do local... Aproveitar-se-ia para uma paragem de descanso, na margem do alcatrão da estrada que, naquele local, tem frequência peculiar...

O passeio seguia agora no seu trajecto de regresso, mas algumas boas surpresas estavam ainda reservadas... Uma subida íngreme e a exigir alguma técnica voltava a retirar dos pedais a maioria dos pés... mais uns trilhos descansados a proporcionar alguma conversa...

...e surgia o "grande prémio da montanha".

Por estrada empedrada mas muito, muito inclinada, o grupo partia-se definitivamente. Os dianteiros entram em "regime de competição" e desaparecem nas primeiras curvas, por entre os muros de velas pedras... Encontrar-se-iam novamente lá no alto, "de rabinho no chão" a descansar do esforço. A pressa terá sido muita; tanta, que não terão concerteza visto o "anúncio" que, à margem direita da estrada, marca a entrada para uma quinta. "Está porreiro, não está?", perguntava o provável proprietário de tão sugestivo objecto...

 

Haveria agora que descer dali, visitar em sentido contrário o "Charcu dos Patus", e fazer a descida final, a grande velocidade por entre calhaus, lajes e drops, até ao local de partida. Pelo caminho, um certo Robin Patood, todo esticadinho sobre o quadro da sua montada, roubava alguns bagos para dar aos (às) pobres.

Sensacional, este passeio da ADSM. Apesar da chuva, mais ameaçadora do que molhadora, correu muito bem, num trajecto bonito e variado, bem ao gosto dos verdadeiros BTTistas. Penso que todos os seus muitos participantes partilharão desta opinião.

E pronto, se ainda me é permitido, resta-me despedir com um abraço especial para o Luis e para toda a ASDM, deixando este humilde testemunho para as memórias do evento.

Adeus e até ao próximo empeno,

A. Augusto de Sousa