3 - Comercio Electrónico
Uma definição possível de Comércio Electrónico seria: "qualquer tipo de transacção comercial, em que as partes envolvidas interajam electronicamente e não através de trocas ou contactos físicos". Nesta definição estão incluídas as seguintes operações de negócio:
O Comércio Electrónico também abarca uma grande variedade de tecnologias, incluindo :
pagamentos electrónicos.
3.2 Tipos
O Comércio Electrónico pode-se dividir em quatro tipos:
Um exemplo do tipo negócio-negócio, é uma empresa que use uma rede global (como a Internet) para procurar catálogos de produtos, encomendá-los aos seus fornecedores, receber as facturas e efectuar o pagamento. Este tipo de Comércio Electrónico já se pratica há alguns anos, nomeadamente, usando EDI em redes privadas de valor acrescentado.
A classe negócio-consumidor é a secção de retalho do Comércio Electrónico e tem-se desenvolvido enormemente, devido ao advento da Web. Neste momento, já existem vários centros comerciais na Web, que comercializam todo o tipo de bens de consumo, tais como áudio/vídeo, comida, computadores, carros, etc.
A categoria negócio-administração pública cobre todas as transacções entre empresas e estado. Por exemplo, a divulgação e condução de concursos públicos de aquisição nos EUA, já é feita através da Internet; e mesmo o pagamento/devolução de impostos entre empresas e a administração pública, pode ser feita electronicamente. Apesar desta categoria ainda estar na sua infância, pode expandir-se rapidamente, à medida que os governos começarem a usar as suas próprias operações para promover o Comércio Electrónico.
Ainda por emergir, está o tipo consumidor-administração pública. No entanto, a evolução dos dois tipos de Comércio Electrónico anteriores, deverá permitir num futuro muito próximo, o pagamento de contribuições por parte dos indivíduos, e também a devolução de impostos individuais.
3.3 Motivações
Conforme ilustra a tabela apresentada e se explica de seguida, o Comércio Electrónico traz várias oportunidades para os fornecedores, e origina benefícios correspondentes para os consumidores.
3.3.1 Presença global / Escolha global
Os limites do Comércio Electrónico não são definidos geograficamente ou através das fronteiras dos países, mas sim pela cobertura das redes computacionais. E como as redes mais importantes são de natureza global, o Comércio Electrónico permite até ao mais pequeno fornecedor, estabelecer a sua presença e conduzir os seus negócios, no mundo inteiro.
O benefício para os consumidores é uma escolha global - poder escolher produtos ou serviços de todos os potenciais fornecedores, independentemente da sua localização geográfica.
3.3.2 Maior competitividade / Qualidade do serviço
O Comércio Electrónico permite aumentar a competitividade dos fornecedores, por os "colocar mais próximos" do consumidor. Várias empresas estão a aproveitar esta tecnologia para, por exemplo, melhorar os seus níveis de suporte pré e pós-venda, disponibilizando mais informações sobre o produto, instruções de uso e respostas rápidas às questões dos clientes.
O consumidor consegue assim, uma melhoria na qualidade do serviço, porque sente que a sua importância foi reconhecida (pode-se fazer ouvir fácil e rapidamente).
3.3.3 Especialização em massa / Personalização de produtos e serviços
Com a interacção electrónica, os fornecedores conseguem recolher informações detalhadas dos gostos e necessidades, de cada um dos seus clientes, e automaticamente, fornecer produtos e serviços que se adeqúem a esses requisitos individuais. O melhor exemplo disto, são as publicações electrónicas que, além de excluir os artigos já lidos por determinado utilizador, contemplam o seu perfil, fornecendo apenas as notícias que sejam do seu interesse.
O consumidor beneficia porque tem acesso a produtos específicos, comparáveis com os fabricados por empresas especializadas, mas a preços de produção em massa.
3.3.4 Reduzir/Eliminar cadeias de distribuição / Resposta rápida às necessidades
O Comércio Electrónico permite reduzir as cadeias tradicionais de distribuição, de forma dramática. Há vários exemplos de empresas bem sucedidas, que enviam os seus produtos directamente para o consumidor final, curto-circuitando os tradicionais importador, grossista e retalhista. É claro que isso também se pode fazer com meios convencionais (catálogos impressos e encomendas postais ou telefónicas), mas o Comércio Electrónico permite uma distribuição directa muito mais eficiente, tanto em termos de custos, como em termos de atrasos no processamento.
Esta característica é ainda mais vantajosa, quando os artigos se podem enviar electronicamente, caso em que a cadeia de distribuição é eliminada por completo. As implicações são profundas para as indústrias: do entretenimento (cinema, vídeo, música, revistas, jornais); da informação e educação (incluindo todas as formas de publicação electrónica); e do desenvolvimento e distribuição de software.
O benefício associado ao cliente está na possibilidade de obter o artigo pretendido, de forma rápida e sem estar limitado ao stock disponível nos fornecedores locais.
3.3.5 Reduções de custos substanciais / Reduções de preços substanciais
Uma das maiores contribuições do Comércio Electrónico consiste em reduzir o custo das transacções. Se uma transacção comercial envolvendo interacção humana custar alguns dólares, a versão electrónica dessa mesma transacção custará alguns cêntimos. Assim sendo, qualquer processo comercial em que as pessoas interajam de forma rotineira, é um bom candidato a ser desenvolvido electronicamente, conseguindo-se reduções de custos e consequentemente de preços ao cliente.
3.3.6 Novas oportunidades de negócio / Novos produtos/serviços
O Comércio Electrónico permite, não só redefinir o mercado dos produtos existentes, mas também criar novas oportunidades de mercado, através de produtos e serviços sem precedentes. Alguns dos novos serviços que se podem apontar como exemplo, incluem: fornecimento e suporte de redes, serviços de directoria e de contacto (i.e. estabelecer o contacto inicial entre potenciais clientes e fornecedores), e todo o tipo de serviços de informação online.
Apesar de todas estas oportunidades e benefícios serem distintas, elas estão inter-relacionadas. Por exemplo, o aumento da competitividade e da qualidade do serviço pode ter origem na especialização em massa; e a redução da cadeia de distribuição pode fazer poupar nos custos e preços ao cliente.
3.4 Questões em Aberto
Apesar do Comércio Electrónico continuar a crescer, existem alguns aspectos a refinar, de forma a aproveitar o seu máximo potencial.
3.4.1 Globalização
Potencialmente, as redes globais tornam tão fácil, negociar com um parceiro do outro lado do mundo, como com um do outro lado da rua. No entanto, o meio de comunicação por si só, apesar de necessário, está longe de ser suficiente. Como é que empresas de diferentes continentes, tomam conhecimento umas das outras e dos produtos pretendidos? Como é que uma empresa pode aceder às regras de conduta empresarial de determinado país, quando grande parte delas nem sequer estão escritas? E como é que se pode respeitar e suportar a diversidade linguística e cultural de determinada comunidade de utilizadores? Estas e outras, são questões que se inserem no capítulo da globalização - tornar realidade o Comércio Electrónico verdadeiramente global.
3.4.2 Aspectos contratuais e financeiros
Imagine que uma empresa tailandesa consulta o catálogo online de uma congénere russa e lhe encomenda alguns produtos, recebendo-os e pagando-os electronicamente. Este cenário simples levanta algumas questões fundamentais, ainda por resolver. Em que momento foi estabelecido um contrato vinculativo entre as duas empresas? E qual o estado legal desse contrato? Que entidade tem jurisdição sobre ele? Dadas as diferentes regras e práticas financeiras, como é feito e confirmado o pagamento? Que impostos e encargos aduaneiros se aplicam aos produtos? E como é que eles são fiscalizados e cobrados? Poder-se-iam evitar recorrendo a um intermediário electrónico num terceiro país?
3.4.3 Propriedade
Particularmente para os artigos distribuíveis electronicamente e que por isso, podem ser copiados facilmente, a protecção dos direitos autoral (copyright) e da propriedade intelectual, representa um grande desafio.
3.4.4 Privacidade e segurança
O Comércio Electrónico sobre redes abertas requer mecanismos efectivos e confiáveis para garantir a privacidade e a segurança das transacções. Estes mecanismos devem suportar a confidencialidade, a autenticação (i.e. permitir que as partes envolvidas numa transacção se certifiquem da identidade uma da outra), e a não-repudiação (i.e. garantir que as partes envolvidas numa transacção não possam, subsequentemente, negar a sua participação). Como os mecanismos reconhecidos de privacidade e segurança dependem da certificação por parte de uma terceira entidade (governamental, por exemplo), o Comércio Electrónico para ser global, necessitará do estabelecimento de um sistema de certificação, também ele global.
3.4.5 Aspectos de interconexão e interoperação
Para atingir o máximo potencial do Comércio Electrónico é necessário que o acesso seja universal, ou seja, que cada empresa ou consumidor possa aceder a toda e qualquer organização comercial, independentemente da localização geográfica ou da rede específica a que essa organização estiver conectada. Isso requer a existência de normas universais para a interconexão e interoperação de e entre redes.
3.4.6 Aplicação prática
Um dos factores que pode limitar a emergência do Comércio Electrónico é a falta de consciencialização para o mesmo. Existe o perigo de muitas empresas (principalmente PMEs) ficarem para trás e em situação de desvantagem, simplesmente por desconhecerem as possibilidades e oportunidades do Comércio Electrónico. Portanto, torna-se urgente consciencializar a sociedade em geral, e o mundo empresarial em particular, para os benefícios do Comércio Electrónico, tal como divulgar exemplos da sua aplicação, e providenciar treino e formação.
3.5 Conclusão
Este documento introdutório deu ênfase ao conceito geral de Comércio Electrónico, como veículo que vem revolucionar o mundo os negócios. Destacou a importância de adoptar uma perspectiva global para esta matéria; e deixou antever que o seu impacto será profundo, tanto nas empresas, como na sociedade em geral.
Apesar de haver uma série de questões em aberto, o Comércio Electrónico já está em curso e desenvolve-se rapidamente. É essencialmente uma revolução da base para o topo. Empresas do mundo inteiro, começam por estabelecer a sua presença online numa rede aberta e global, e à medida que vão aprendendo com a experiência, vão avançando para usos mais sofisticados das tecnologias. Apesar dos níveis mais avançados de Comércio Electrónico, apresentarem grandes desafios, os mais básicos estão completamente definidos e existem soluções largamente difundidas para a sua implementação.
A melhor maneira de ganhar mestria, num tema tão vital para os futuros mercados, como é o Comércio Electrónico, é desenvolvê-lo hoje.
observação:
Cabe aqui referir, que este documento é baseado no original "An Introduction to Electronic Commerce" do projecto G7: "A Global Marketplace for SMEs".
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