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A filatelia é o coleccionismo dos selos postais e, por extensão, de outras peças relacionadas como carimbos, cartas circuladas, inteiros postais, etc. Tendo começado como um passatempo, adquiriu atributos de arte e até características de ciência. |
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Segundo ela, Hill teria presenciado uma cena entre uma camponesa e o carteiro, que lhe trazia uma carta vinda de Londres. Como a distância entre a capital e esse local, situado na região dos lagos da Escócia, era considerável, o preço a pagar era elevado. A jovem mirava a carta de um e outro lado, parecendo lamentar não poder pagar a alta taxa, pelo que Rowland Hill, apiedado, se ofereceu para pagar o porte. Contudo, a rapariga recusou firmemente e despediu o carteiro. Intrigado, Hill interrogou-a e conseguiu apurar que, afinal, a carta só trazia uma folha em branco e a jovem se limitava a identificar uns pequenos sinais que o seu noivo, operário em Londres, colocava no verso do sobrescrito e lhe permitiam concluir que estava bem de saúde e continuava fiel. Desta forma, sem qualquer despesa, os dois jovens conseguiam trocar as suas mensagens. |
(reprodução) |
A proposta de Rowland Hill não implicava necessariamente a criação do selo postal e a verdade é que até ao seu surgimento ainda haveriam de passar cerca de três anos. Quando, a 6 de Maio de 1840, se começaram a usar os primeiros selos postais, com as taxas de 1 penny, preto (o famoso "pennyblack) e 2 pence, azul, iniciava-se uma verdadeira revolução dos serviços postais. O sucesso da inovação está bem patente nos seguintes números: de 73 milhões de cartas enviadas em 1838 passou-se para 642 milhões em 1863. Mais impressionante é ainda o lucro obtido, que subiu, no mesmo intervalo de tempo, de 1,66 para 1,79 milhões de libras e isto apesar da drástica redução do valor dos portes. |
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A Rowland Hill ficámos pois a dever, senão a invenção do selo postal e das medidas inovadoras que o acompanharam, pelo menos, e não é pouco, o mérito de ter pugnado pela sua implantação. |
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Não tardou muito que o bom exemplo britânico fosse seguido, pois em 1 de Março de 1843 o cantão suíço de Zurique aderiu ao novo sistema, emitindo dois selos. Trata-se, porém, de uma emissão local, uma vez que se destinavam apenas a circulação interna. |
(reprodução) |
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Assim, é o Brasil, ao fazer a sua primeira emissão, em 1 de Agosto de 1843, o segundo país a emitir selos postais para uso em todo o território nacional e estrangeiro.
(reprodução) Trata-se dos famosos "olho-de-boi", nome sugerido pelo seu desenho. É curioso notar que estes selos, à semelhança dos britânicos, não indicavam o nome do país emissor. Com o tempo, todos os países passaram a fazê-lo à excepção da Grã-Bretanha que, até hoje, se limita a exibir no selo a efígie do soberano como elemento indicativo do Estado responsável pela emissão. Diz-se que os britânicos, na sua qualidade de inventores do selo postal, consideram que apenas os outros países têm necessidade de indicar a nacionalidade dos seus selos! |
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Em Setembro de 1843, outro cantão suíço, o de Genebra, emitiu os seus primeiros selos e, em 1 de Julho de 1845, o cantão de Basileia entrou para a história filatélica ao emitir os primeiros selos do mundo com mais de uma cor, as célebres "pombas de Basileia". |
(reprodução) |
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A partir de 1847, sucedem-se as emissões pelo mundo inteiro. Em Julho de 1853, foram emitidos os primeiros selos portugueses, durante o reinado de D. Maria II, cuja efígie constitui o motivo principal. (Reimpressões de 1953) |
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Criado o selo postal, não demorou muito a aparecerem os primeiros coleccionadores. O primeiro teria sido o Dr. John Edward Gray, que iniciou a sua colecção ainda em 1840! Por isso, é conhecido como o "Pai dos Filatelistas". Já em 1841 aparecia no Times um anúncio em que uma jovem pedia selos usados! Em 1850, apareceu o primeiro comerciante de selos, o sr. J. B. Moëns, em Bruxelas. A primeira publicação filatélica surgiu em 1861, com a edição do Catalogue de Timbres Poste - 1861, em Estrasbugo, da autoria de Potiquet. A primeira revista de Filatelia, "Stamp Collector's and Monthly Advertiser", foi editada em Liverpool, em 1862, e, no mesmo ano, os alemães lançaram o primeiro álbum de selos, por G. Wuttig, em Leipzig. A palavra Filatelia, derivada da combinação de duas palavras gregas (filos - amigo e atéleia - franquia, ou mais exactamente, isenção de imposto), foi inventada pelo francês G. Herpin, no nº 15 do "Collectioneur de Timbres-Poste", de Novembro de 1864. Rapidamente, a filatelia foi-se expandindo e ganhando características de ciência. O primeiro estudo, dedicado a falsificações, tinha já sido publicado em 1860. Outros se lhe foram sucedendo e, quando em 1884, o Dr. Emílio Diena tentou reunir uma bibliografia de literatura filatélica de todo o mundo, mas teve de desistir, tal a quantidade de publicações já existentes! Depois, vieram os clubes e associações (o primeiro foi fundado em 1869, em Londres) e as exposições filatélicas. Até 1894 já se tinham realizado 15 exposições! |
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Os primeiros coleccionadores começaram por coleccionar selos de todo o mundo, mas depressa concluíram que se tratava de uma tarefa impossível de prosseguir. Reduziram o seu objectivo a alguns poucos países e, mesmo apenas ao seu país natal. Mais tarde, até o propósito de coleccionar todos os selos de um só país se tornou muito difícil e acessível apenas às bolsas (muito) bem recheadas! Por esta razão, e sem prejuízo de outras motivações, surgiram as colecções temáticas, com as quais se pretende coleccionar selos com motivos subordinados a um tema definido. Neste tipo de colecção, embora a raridade e, portanto, o valor dos selos seleccionados não deixe de desempenhar papel de relevo, existe uma larga margem de realce para a originalidade do tema, a forma como é desenvolvido, a pluralidade das peças filatélicas, etc., deixando assim a possibilidade de, com talento e sensibilidade, se realizar uma colecção muito interessante mesmo quando não se dispõe de uma carteira muito abonada. O meu percurso como filatelista seguiu exactamente esta tendência geral. Comecei por querer coleccionar selos de todos os países, depois restringi-me a Portugal e Ultramar e, finalmente, ainda que não abandonando os selos portugueses, deixei-me seduzir pelas temáticas de Mamíferos e de Aves. Não são muito originais, devem ser mesmo dos temas mais coleccionados, mas aí interveio outro factor decisivo: tem de se gostar muito do tema! Ora, eu sinto-me especialmente atraido por estas duas classes animais! Devoro tudo quanto encontro que me fale destes animais e extasio-me com as séries televisivas sobre eles. |
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Todas as imagens desta secção, salvo as que exibem a menção "reprodução", ilustram peças filatélicas minhas e foram digitalizadas por mim. Todos os direitos de utilização destas imagens estão reservados. Ó 2002-2006 Franclim Ferreira. |