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O veleiro da FEUP
(siga
a construção passo-a-passo)
O veleiro da FEUP foi desenhado usando um programa livre
para desenho de barcos ( www.delftship.net), partindo do desenho típico do casco
de veleiros actuais usados em competição oceânica. O
comprimento e deslocamento foram determinados reduzindo à
escala esses parâmetros de veleiros reais, de forma a satisfazer as
regras estabelecidas para a competição. O desenho final contou também com inúmeras sugestões de pessoas
ligadas à vela e à construção naval.

As
características gerais do veleiro da FEUP são as seguintes:
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LOA (comprimento total)
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2.50m |
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LWL (comprimento na linha
de água) |
2.48m |
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Largura
máxima
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0,67m |
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Área molhada |
0,949m2 |
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Deslocamento (massa)
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50Kg |
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Altura do
patilhão
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1.25m |
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Bolbo de chumbo no patilhão
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20Kg |
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Área vélica
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2.2m2
(vela grande)
1.5m2
(genoa) |
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Altura do
mastro |
3.4m |
A construção do veleiro está a ser feita na fábrica de
kayaks Élio, em Crestuma (www.elio-kayaks.com), que
conta com larga experiência na construção de kayaks de
competição em materiais compósitos ultra-leves e com elevada
resistência estrutural.

O contra-molde foi inicialmente construído na FEUP a partir
dos desenhos das suas secções transversais, gerados pelo
programa FreeShip. A estrutura foi montada colando as várias
secções transversais recortadas em contraplacado, sendo
depois revestido com réguas de madeira. Seguiu-se um
processo longo de regularização da superfície, à custa da
aplicação de várias camadas de massa de enchimento (betume)
e alisamento com lixa. No final obteve-se um modelo com a
forma e acabamento final pretendidos para o casco, que
serviu de matriz para fazer o molde final.

O casco está a
ser construído em materiais compósitos, seguindo os
processos industriais que são usados na produção dos kayaks
de competição que a empresa Élio Kayaks fabrica. O casco foi
construído em sandwich de fibra de carbono e fibra de vidro,
com núcleo de ninho de abelha. Para proteger a estrutura e
amortecer eventuais colisões frontais, o "nariz" foi
construído em borracha sendo facilmente substituído. O peso
final do casco (ainda sem a cobertura superior) é de apenas
5.4Kg. Mastro, retranca e velas
Para a construção do
mastro e retranca foram re-utilizadas partes de remos em
fibra de carbono, cedidos por um fabricante de remos
conhecido da empresa Élio Kayaks. Algumas das ferragens para
o mastro foram adquiridas numa loja de material naútico e
outras foram recuperadas de mastros velhos.
As velas serão
fabricadas na empresa Velas Pires de Lima situada em Santa
Cruz do Bispo, Leça da Palmeira (www.velaspl.com),
em tecido de vela convencional (Dracon) da mesma forma
que são feitas as velas de veleiros tamanho real.
Sistema
electrónico de controlo
O veleiro autónomo da FEUP será
comandado por um microcomputador de baixo consumo (Suzaku
SZ130), correndo uma versão do sistema operativo Linux
vocacionada para sistemas embutidos (uCLinux). Esse
microcomputador usa um processador implementado num
dispositivo FPGA da XILINX (Microblaze) e integra também
vários controladores dedicados responsáveis pelos interfaces
com os vários periféricos (sensores e actuadores) que o
sistema tem. O sistema tem também uma ligação de rede
permitindo disponibilizar uma ligação de rede sem fios
através de um "router" convencional. Apesar do alcance desta
ligação ser bastante limitado, será fundamental para a
realização de ensaios na água e monitorar os vários
parâmetros de controlo e navegação. O sistema inclui ainda
um receptor de rádio-comando comercial, para possibilitar o
seu controlo manual à distância durante as fases críticas do
lançamento e recolha do veleiro.
Sensores
O veleiro
inclui inclui sensores para determinar a direcção e
velocidade do vento, uma bússola electrónica com
inclinómetro (Honeywell HMR3300) e um receptor GPS (U-Blox).
O anemómetro foi construído com um "switch" de efeito Hall,
produzindo um impulso por cada volta de um rotor de copos
com um íman acoplado. O catavento foi construído em torno de
um circuito integrado codificador de posição absoluta
(AS5040) que mede a posição rotacional de um íman colocado
sobre o circuito, garantindo uma precisão de cerca de 1º.
Actuadores
Na sua primeira versão, o veleiro possui
apenas dois actuadores: lemes e posição das velas. O
controlo dos dois lemes é feito por 2 servomotores
comerciais. A opção por dois servomotores em vez de apenas
evitou a necessidade de os acoplar mecanicamente, o que foi
dificultado pelo ângulo que fazem os dois eixos entre si.
Além disso, permite que o controlo dos dois lemes seja
totalmente independente, possibilitando regular, por
software, o ângulo entre eles ou desligar um quando não
estiver a ser necessário (se o barco navegar inclinado).
O
servomotor que comanda a posição da vela foi montado usando
um motor eléctrico com caixa redutora de cremalheira, um
potenciómetro multivolta para dar a indicação da posição do
eixo e um sistema de controlo implementado como um
periférico do processador. Apesar do rendimento deste tipo
de caixa redutora ser bastante baixo, tem a grande vantagem
de se manter travado sem precisar de alimentar o motor.
Melhoramentos futuros poderão incluir outros motores
eléctricos para permitir a redução da área vélica
enrolando parcialmente as velas ou montar uma vela adicional
quando a navegar a favor do vento.
Software
O software
de controlo está a ser desenvolvido em linguagem C,
suportando a comunicação com um computador pessoal através
de uma ligação de rede sem fios. O programa permitirá operar
o veleiro em 3 modos principais: rádio-comandado, comandado
através da ligação da dados WiFi ou autónomo. Em modo
rádio-comando comanda-se manualmente a posição dos lemes e
das velas, tal como um veleiro rádio-comandado convencional.
O modo de comando através da ligação da dados WiFi permite
definir, em tempo real, parâmetros de navegação como o rumo
a seguir, coordenadas geográficas de pontos de passagem,
afinar parâmetros dos processos de controlo dinâmico e
activar manobras de mudança de direcção (virar de bordo ou
cambar). Em modo autónomo o veleiro deverá definir o seu
próprio rumo de forma a passar num conjunto de pontos
previamente programados.
Em paralelo, está a ser
desenvolvido um simulador que permite avaliar o
funcionamento dos processos de navegação implementados
simulando condições de vento com direcção e velocidade
variáveis e tendo em conta diversos factores como o abatimento
(deslizamento transversal devido à acção do vento), corrente
e velocidade do barco em função do vento aparente.

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