Curiosidades

Carlos Pereira Cardoso
A primeira exposição de BPI no Porto
Outra exposição de BPI no Porto
A primeira exposição de BPI em Portugal
O Phonopostal
O BPI particular mais antigo

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O retrato de Carlos Pereira Cardoso, um dos principais editores de bilhetes postais ilustrados do Porto, surge na p. 115 do 9.º volume, 2.ª série, da Ilustração Portuguesa (1910), a propósito de uma sua publicação, em que compilou uma "copiosa série de documentos fotográficos referentes à primeira viagem do Chefe de Estado ao norte do país". Assinale-se que CPC era um colaborador habitual da Ilustração Portuguesa, na qual assina a autoria de bastantes fotografias, relativas ao Porto e ao norte do país (não tantas como Benoliel, mas ainda assim sem que seja difícil encontrar clichés da sua autoria).

[APT] A primeira exposição de BPI no Porto
A primeira exposição de BPI realizada no Porto teve lugar entre os dias 8 e 29 de Novembro de 1985, na Casa do Infante. Foi editado um interessante BPI alusivo à exposição (reproduzido no catálogo Neudin de 1986 com palavras elogiosas) e feita uma brochura-guia para os visitantes (que foram muitos), com uma introdução sobre o bilhete-postal, escrita pelo Dr. Manuel Real, director da Casa do Infante. Salvo exemplares pontuais, os BPI pertenciam às colecções de António Mendes, António Sá Pinto, Mário Marques e António Pinheiro Torres. Os media deram importância ao facto, tendo mesmo António Mendes dado uma entrevista à televisão e Pinheiro Torres uma outra à Radiodifusão. No seguimento desta iniciativa, o casal francês Neudin (Joelle e Gerard) deslocou-se em 1987 a Portugal para conhecer a Cartofilia Portuguesa, pela qual se manifestaram agradavelmente surpreendidos.

[APT] Outra exposição de BPI no Porto
Realizou-se no Ateneu Comercial do Porto, entre 9 e 18 de Novembro de 1990, uma importante exposição de BPI: A CIDADE DO PORTO ATRAVÉS DO BILHETE POSTAL (1898-1930). Com o patrocínio exclusivo da AFINSA-PORTUGAL, foi organizada por três importantes coleccionadores: Dr. Jaime de Oliveira, Prof. José Frade e Eng.º Mário Marques, com postais cedidos também por outros grandes coleccionadores da temática topográfica PORTO. Foi editado um bonito catálogo com a descrição dos BPI mostrados nos 42 painéis da exposição, bem como com a reprodução a P/B de alguns exemplares considerados mais significativos e raros (a Afinsa comercializava este catálogo através do seu portal na web, à data em que este artigo foi escrito). 

[APT] A primeira exposição de BPI em Portugal
A primeira feira de bilhetes postais antigos realizada em Portugal parece ter tido lugar em Lisboa, entre os dias 1 e 17 de Fevereiro de 1979, organizada pela Audimagem, com a denominação de Primeira Feira Portuguesa do Postal Ilustrado Antigo. Editou pelo menos 2 postais ilustrados, com tiragens de 1350 e 3000 exemplares.

[JMF] O Phonopostal
A Ilustração Portuguesa publicou a pp. 462-467 do 2.º volume, 2.ª série (trata-se do número 38, de 12 de Novembro de 1906), um artigo intitulado "O Bilhete Postal Ilustrado", da autoria de B. de M.. Apesar de o conteúdo nada acrescentar para o conhecimento dos editores existentes à época, e da respectiva produção, apresenta ainda assim algumas particularidades curiosas, entre elas a referência que apresenta ao phonopostal. A descrição apresentada, tal como se depreende igualmente de vários anúncios publicados nesta revista por esta altura, indica que se trataria de um dispositivo que permitia a gravação / reprodução de som em postais ilustrados especiais, que desta forma transmitiriam a mensagem na forma oral, em vez da escrita.phono.jpg (11202 bytes)

A título de curiosidade, reproduzem-se a seguir os excertos deste artigo que se referem ao fonopostal (adoptando a ortografia actual):
"Olhava-o quando o meu dragão me trouxe um embrulho muito selado, com grandes manchas de lacre e que parecia uma máquina. Abri-o e vi uma espécie de fonógrafo; dentro, um pequeno livrinho estava cheio de instruções e eu à medida que ia lendo toda me agitava.
"- O que é isso?! Perguntou a minha madrasta cheia de curiosidade.
"- Que era uma máquina para bordar.. volvi, e enquanto o meu dragão revolvia os parafusos, pus-me a reprimir a minha impaciência.
"Logo que a vi sair, fechei bem as portas, coloquei o bilhete postal sobre o prato do aparelho como o livrinho indicava.
"Possuía o fonopostal, o aparelho que fonografa as vozes nos bilhetes postais pelo mais simples dos processos e que, depois, sendo enviados através do mundo e entrando noutra máquina do mesmo género, nos transmitem as palavras queridas, trechos de óperas, pedaços de diálogos, ruídos de festas em aldeias distantes, notícias, tudo que podemos escutar embevecidos.
"Daquela vez, ao fazer girar o aparelho, ouvi claramente a voz dele a dizer-me como se realmente estivéssemos à beira-mar, por uma tarde linda, vendo as gaivotas adejando:
"- Queria viver sempre assim.
"Outro bilhete postal trazia os mesmos noivos que se beijavam e volteando  no aparelho dizia:
"- Mas melhor seria assim.
"Foi então que, olhando-me no espelho, me vi mais ruborizada.
"Ao meu espírito chegou mais do que nunca a certeza de que o bilhete postal ilustrado, se demais o gravarmos no fonopostal, é não só o mais lindo mas também o mais seguro pagem de amor, sobretudo se duas pessoas que muito se queiram tiverem especiais aparelhos, gravados de forma que sejam como uma grade de cifras misteriosas, ao que chegaremos em breve, estou segura.
(...)
"E tudo isso é uma fortuna que se faz mover no mundo, de indústrias novas que se criam, de obreiros que se habilitam, de máquinas que se inventam, de gente que se emprega, de dinheiro que se põe em giro, pois só em Portugal, ainda antes do fonopostal que apenas agora se vai usar, subia esse negócio a perto de cinquenta contos anuais.
(...)
"Todo o meu consolo se vai diante de um bilhete postal que recebi. Deu-se o que nunca pensei se pudesse dar. Recebi hoje um bilhete em que peguei a tremer. Era uma mulher, a eterna mulher que eu receava, bela como nenhuma outra, de rosto tão puro que nunca acreditaria na sua má conduta. Os rostos mentem. É certo que o diabo também foi um belo anjo. Mas esta mulher desesperou-me. Li o seu nome e vi os seus modos. Cléo de Merode com ares de púdica! E já se venderam dois milhões de exemplares dos seus retratos!
"Ele pregou ali o seu olhar...Que dirá no fonopostal? Que desculpa arranjará?!
"Como sou louca!... O bilhete girou e a voz muito amada que eu esperava disse:
"- Dizem-na a mais bela das mulheres, mas esse lugar é o que tu ocupas para mim!... - e logo duma maneira rouca, apagada, como se não fosse dito para o bilhete, ouvi: A Cléo vai envelhecendo... Só nos bilhetes postais é sempre bela...
"Tive então pena de que os meus pagens de amor algumas vezes fossem mentirosos e pensei que antes me tivesse ele mandado um retrato de algum grande homem que para demais são sempre feios!... Porque não o fez?...
"É o que espero me diga brevemente - quando humanizar o meu dragão com o seu pedido de casamento - mas de viva voz, porque embora o postal seja um discreto pagem eu começo a desejar junto de mim o meu noivo imensamente falador!..."

[APT] O BPI particular mais antigo
Apesar de o BPI de edição particular circular já em vários países da Europa durante a década de 80 do século passado, a sua introdução em Portugal é mais recente, considerando-se (até prova em contrário) que o primeiro BPI deste tipo circulou em Portugal no ano de 1895. Estão identificados dois BPI Comemorativos do VII Centenário do Nascimento do Santo António (edição da Companhia Nacional Editora), existindo um que circulou de Lisboa para o Cadaval em 23/7/1895, onde chegou a 24/7/1895 (correio azul?...), tendo sido escrito pelo administrador-gerente da Companhia Nacional Editora (a imagem de Santo António é de cor castanha / magenta). O segundo BPI referido não está circulado e a imagem de Santo António é de cor azul.