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Portuguesa BERD cria 125 pontes no Peru

Portuguesa BERD cria 125 pontes no Peru

O contrato vale €17 milhões e promete abrir novas portas à construtora no segmento das pontes modulares

A BERD — Bridge Engineering Research & Design ganhou um contrato de €17 milhões para construir 125 pontes no Perú com o novo sistema MBS — Modular Bridge Solutions. É tudo engenharia portuguesa. A inspiração vem das velhas pontes pré-fabricadas Bailey da II Guerra Mundial, consideradas uma das cinco inovações militares do século XX, mas a equipa de Pedro Pacheco, presidente e fundador da BERD, levou o sistema um passo à frente, para oferecer soluções à medida do problema.

Havia uma oferta standard no mercado, muito utilizada em países subdesenvolvidos, em situações de catástrofe, mas que obriga a adaptar o problema à solução. Nós trabalhamos soluções flexíveis, com base no lema: uma ponte uma solução”, explica.

Foi assim que a unidade de negócio de MBS da BERD, liderada por José Pedro Matos Fernandes, decidiu estudar o caso de Peru, onde mais de 70 pontes ruíram em 2017, na sequência do fenómeno climatérico “El Niño”. Percebeu que “parte significativa das precisa de apoio intermédio no meio do rio para vãos de 60 metros” ou que houve estrangulamento do leito e tudo falhou com a subida rápida do caudal.

Depois houve uma abordagem direta ao Governo do Peru. No concurso para oito pontes de grande vão, a BERD ficou em segundo lugar, mas conseguiu um contrato para 125 pontes com vãos dos 15 a 60 metros. Terá de as fornecer até agosto e espera abrir portas num sector tradicionalmente pouco recetivo à inovação.

Estas pontes estão a ser fabricadas na Turquia, com um parceiro do sector metalomecânico, uma vez que potenciais produtores nacionais estavam sem capacidade de resposta no momento, explica. Oferecem uma solução tipo lego, com otimização da logística de transportes para levar até ao Peru 6 mil toneladas de aço em 300 contentores, com um livro de instruções que permite juntar as peças para montar uma ponte de forma rápida, com equipas de seis homens.

Disposta a responder a um mundo em que as catástrofes naturais são cada vez mais frequentes, a BERD está a negociar contratos noutros países e assume que o Governo peruano conseguiu uma poupança de 25% face a contratos anteriores. “Alterámos o mercado”, assume Pedro Pacheco, sublinhando que esta solução também permite consumir menos aço e reduzir, assim, a pegada ecológica de uma ponte.
Num projeto de 4 viadutos na Turquia, com outra tecnologia desenvolvida na BERD (M1), garante ter conseguido cortar 35 mil camiões de betão e mais 20 mil toneladas de CO2.

Focada na inovação (ver caixa ao lado), a empresa está já a trabalhar novos sistemas com o objetivo de “continuar a apresentar soluções mais simples, eficientes, seguras, sustentáveis, rápidas e económicas”, diz Pedro Pacheco que no dia 26, em Guimarães, deverá entregar o primeiro Prémio Mundial de Inovação em Engenharia de Pontes “BERD-FEUP WIBE 2017”, numa iniciativa conjunta com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

O Porto, com seis pontes construídas, uma pronta a avançar e muitas propostas de travessias para Gaia no papel “é uma cidade que interessa naturalmente aos engenheiros de pontes”, diz o empresário, que quis aproveitar este potencial para colocar a empresa “em contacto com a melhor inovação do sector”. Avaliou candidaturas de 200 autores de 50 países. A maior surpresa nas propostas foi uma que não venceu: impressão 3D de pontes.

Data: 
27/03/2019