Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… Ana Feliciano Afonso (Embaixadora Alumni FEUP em Espanha)

Nasceu no Porto, mas é em Madrid que vive há seis anos. Terminou o Mestrado Integrado em Engenharia Química em 2008 e depois de ter passado pela Galp, ainda em Portugal, é atualmente Oil Downstream Lead Knowledge Analyst no Boston Consulting Group. Conheça melhor a Ana Feliciano Afonso, nossa Embaixadora Alumni FEUP em Espanha, adepta do Futebol Clube do Porto e apaixonada pela família e amigos.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Da forma menos esperada… O Pedro (meu marido, também da FEUP) foi o primeiro a ir além-fronteiras, primeiro Paris e depois Madrid, com a ANSYS. Estivemos assim 3 anos e quando pensamos que era hora de voltar à base (numa perspetiva familiar), ele enviou o meu CV para uma oferta da BCG (só mo disse depois de o fazer…) e 7 entrevistas/testes depois… aqui estou eu, há 6 anos! Foi uma boa oportunidade para mim, a nível pessoal porque estávamos cansados da distância e profissional porque eu vinha de engenharia de processo em refinação de petróleo, na Galp, e na BCG pude continuar na cadeia de valor com uma perspetiva ainda técnica, mas mais de mercado, estratégia e tendências a nível global. Tem sido uma experiência extremamente construtiva.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Andei sempre pelo Porto depois de acabar o curso, o que me permitiu continuar os estudos na UP, na vertente de Economia. Algo que, além do conhecimento específico na área do petróleo, foi elemento diferenciador para entrar na empresa em que trabalho hoje.
Atualmente, trabalho num ambiente internacional, e viajo com frequência, o que me possibilita ter contacto com diferentes culturas e ver a realidade de diferentes formas.

Como correu a integração em Espanha? Quais foram os principais desafios?
A integração foi bastante rápida. Costumo dizer que emigrar para o país de nuestros hermanos é uma emigração fácil. Numa perspetiva Ibérica, é um “vá para fora cá dentro”. Em particular, falando em distâncias até 600km, que facilmente se fazem de carro no mesmo dia em que se decide fazer a viagem, muda muito a ideia de emigração. Não anula a saudade e o facto de estarmos ausentes no dia-a-dia da nossa família e amigos (e eles da nossa) – este foi e é o primeiro e mais duro desafio -, mas permite que ainda assim, estejamos bem mais presentes de que em outras localizações.
Os espanhóis são um povo animado e integrador, apesar de uma forte ala conservadora, são também desempoeirados e positivos. A semelhança da língua e a proximidade, fizeram com que tudo fosse bastante fluído.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Quando vim para Madrid o objetivo eram 2 anos, entretanto passaram 6 e os desafios continuam a surgir, a um ritmo avassalador.
Enquanto continuar a crescer profissionalmente e sentir que os meus filhos têm um bom entorno educativo, de recursos e humano (disfrutando da proximidade à família e amigos), reconheço que Madrid continua a ser estratégico para nós. Mas o horizonte é um dia voltar a Portugal.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Com saudade e nostalgia… os bons professores, sempre disponíveis para nos ajudar e desafiar, o ambiente construtivo e de estímulo pelo desenvolvimento e até mesmo as alturas de desespero em exames que ficaram impressas com um sorriso pela interajuda que se vivia.
Do café nas escadas do DEQ com os amigos (que ainda hoje fazem parte das nossas vidas), as chamuças do sr. Jorge e os jogos de cartas nos intervalos das aulas, o bolo de chocolate do bar da biblioteca, o tomar de assalto a biblioteca em época de exames (altura em que fila da frente e última fila se sentava à mesma mesa – um bem haja a todos os organizados e solidários, parte importante no sucesso de muitos), a simpatia da D. Beatriz, a boa praxe, a semana de Engenharia, o FEUP café no bar do meio, podia continuar…
Tudo com conta, peso e medida, faz uma feliz memória e a vontade de continuar o vínculo com esta casa.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Teria sido mais proactiva na utilização dos recursos à disposição, do contacto com os diferentes profissionais e grupos existentes na FEUP. Lembro-me de já no 5º ano da faculdade ter finalmente aberto um email do grupo BEST e me ter candidatado, ter conseguido um curso de Verão em Istambul, de ter voltado e pensado “porque é que eu não fiz isto antes???”.
Como o meu objetivo não era fazer investigação, não alimentei tanto esta frente e hoje acho que só teria ganho se o tivesse feito, independentemente do rumo profissional que queria. Teria ganho ainda mais conhecimento, contactos e amizades, outro tipo de exposição e provavelmente um leque mais amplo de oportunidades.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
É com muito orgulho e prazer que encaro a posição de Embaixador Alumni. Dá vontade fazer parte (de alguma forma) de uma instituição que admiramos, que faz parte de nós e contribui para um mundo melhor. Enquanto puder (nem sempre é fácil alinhar agendas e astros, mas…), é bom saber que a FEUP conta connosco (comunidade Alumni) e nós com a FEUP.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U. Porto?
Depois da implementação do sistema de Mestrado Integrado, notei uma grande mudança no aumento do contacto com o mundo empresarial/industrial, que era o que realmente faltava.
Neste momento, vê-se o esforço por manter o contacto com os profissionais que saíram da FEUP e creio haver grande oportunidade de simbiose entre ambos, tanto numa perspetiva de aproveitar os conhecimentos e oportunidades do contacto empresarial em prol das novas gerações e desenvolvimento dos cursos, como na promoção de cursos complementares, muitos via web, para melhoria de qualificações dos que já estão no mercado de trabalho.
Fica a vontade de que a presença da FEUP (na figura dos seus professores, alunos e alumni) a nível internacional cresça cada vez mais, seja mais visível e proeminente.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
O meu coração só tem “uma cor” Azul e Branco! 😀
Adoro costura, comer uma boa francesinha e jogos de tabuleiro.
Gosto daquele cheirinho a terra quente quando se chega ao Algarve…
E… adoro a minha família e amigos, são definitivamente o meu combustível.

English version below

Talking to… Ana Feliciano Afonso (FEUP Alumni Ambassador in Spain)

She was born in Porto but lives in Madrid for six years now. Ana Feliciano Afonso finished her MSc in Chemical Engineering in 2008, and after having worked at Galp, in Portugal, she is currently Oil Downstream Lead Knowledge Analyst at Boston Consulting Group. Get to know better our FEUP Alumni Ambassador in Spain, a fan of Porto Football Club and in love with family and friends.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
In the least expected way… Pedro (my husband, also a FEUP alumnus) was the first to go abroad, first Paris and then Madrid, in ANSYS. We have been three years like that, and when we thought that was time to go back home (from a family perspective), he sent my CV for a BCG job offer (he only told me that afterwards) and seven interviews/tests later … I’ve been here for six years! It was a good opportunity for me on a personal level because we were tired of the distance and on a professional level because I came from process engineering in oil refining, in Galp Energia, and in BCG I was able to continue in the value chain with a still technical perspective, but more focused in market, strategy, and trends at a global level. It has been a very constructive experience so far.

Did you go to other places after leaving FEUP?
I stayed in Porto after finishing my degree. This allowed me to continue my studies at Porto University in the Economics area. That was something, besides the specific knowledge in the area of petroleum, that stood out to enter the company in which I work today. I am currently working in an international environment, and I frequently travel, which allows me to meet different cultures and see the reality from different viewpoints.

How was the integration in Spain? What were the main challenges?
The integration was quite fast. I use to say that emigrating to the country of nuestros hermanos is an easy emigration. In an Iberian perspective, it’s a “going inland.” In particular, speaking at distances up to 600km, which are easily made by car on the same day you decide to make the trip, changes the idea of emigration very much. It does not nullify our homesickness and the fact that we are absent from the day-to-day of our family and friends (and them absent from ours) – this was and is the first and hardest challenge – but it allows us to be more present than in other locations.
The spaniards are lively and inclusive people, despite a strong conservative wing, they are also relaxed and positive. The similarity of language and closeness made it all quite fluid.

What are your future plans?
When I came to Madrid, the goal was to stay for two years. However, six have passed, and the challenges continue to arise, at an overwhelming pace. While I continue growing professionally and feel that my children have a good educational, resource and human environment (enjoying the proximity to family and friends), I recognize that Madrid continues to be strategic for us. But the horizon is to return to Portugal one day.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
With longing and nostalgia … the good teachers, always available to help and challenge us, the constructive environment and stimulus for development and even the times of despair in exams are remembered with a smile by the mutual help that existed back then.
From the coffee on the DEQ stairs with friends (who are still part of our lives today), Mr. Jorge’s   “chamuças” and the card games in the class breaks, the chocolate cake in the library bar, the running to the library at exams time (the time, in which the front row and last row sat at the same table – thank you to all organized and supportive colleagues, an essential part in the success of many), Ms Beatriz’s sympathy, the positive freshmen rituals, the Engineering week, FEUP coffee in the middle bar, I could continue … Everything with account, weight, and measure, makes a happy memory and the desire to continue connected to this house.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
It would have been more proactive in the use of the resources available, the contact with the different professionals and groups that exist in FEUP. I remember that in the 5th year of the degree having finally opened an email from the BEST group and having applied to a summer course in Istanbul, and coming back and think “why haven’t I done this before?”. As my goal was not to do research, I did not feed this front so much, and today I think I would have only won if I had done it, regardless of the professional course I wanted to pursue. I would have gained even more knowledge, contacts, and friendships, another type of exposure, and probably a wider range of opportunities.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
It is with great pride and pleasure that I view the position of Alumni Ambassador. It makes us willing to be part (in some way) of an institution that we admire, that is part of us and contributes to a better world. As long as I can (it is not always easy to align agendas and stars, but …), it is good to know that FEUP counts on us (Alumni community) and vice-versa.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
After the implementation of the Integrated Master’s system, I noticed a great change in the increase of the contact with the business / industrial world, which was missing.
At the moment, we can see an effort to keep in touch with the professionals who left FEUP and I believe there is an excellent opportunity for symbiosis between both, in terms of taking advantage of the knowledge and opportunities of business contact for the new generations and the development of the courses, and in the promotion of complementary courses, many via the web, to improve the qualifications of those already in the labour market.
I wish that the presence of FEUP (in the figure of its teachers, students, and alumni)  grows more and more at the international level, becoming more visible and prominent.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
My heart only has “one colour”: Blue and White! : D
I love sewing, eating a nice “francesinha”, a Porto speciality, and board games.
I like that smell of hot land when you arrive at Algarve …
And … I love my family and friends. They are definitely my fuel.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Hello, my name is Ana, and I am a FEUP Alumni Ambassador in Madrid. My advice to FEUP students is: go to classes and make the most of the teachers. Create proximity with them. They are there to teach and help to create opportunities, without a doubt. Enjoy the international exchange and conferences opportunities, meet different people and cultures… within your possibilities. Take advantage of courses at other UP faculties, for example, language courses, consolidate English, eventually learn a third language, if possible, among different course variants, either with a physical presence or online. It is a great complement to your graduation. Join the Students Association and the freshmen activities, these are activities where you can develop resources, people, and conflict management skills in a very natural way. Create a good group of friends who will walk with you during the course and reinforce your life after faculty.
Take a chance, sow early and enjoy!