Versão portuguesa (english version below)

À conversa com Daniel Alves (Embaixador Alumni FEUP no Luxemburgo)

O Luxemburgo não era o país dos seus sonhos, mas Daniel Alves decidiu partir à aventura. Hoje, com família e um casa em construção, vê este país como um ótimo local para trabalhar e morar. O Embaixador Alumni FEUP é natural de Chaves, concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação na FEUP em 2008 e atualmente é Project Director na ARHS Spikeseed. Conheça melhor o Engenheiro que já teve um blogue dedicado à crítica de “francesinhas”!

Como surgiu a oportunidade de ir para fora?
Quando acabei o curso estava interessado numa carreira internacional, mas por vários motivos isto não se proporcionou e comecei a trabalhar no Porto na área de informática para saúde.
Passados uns anos, e eu já com algumas empresas no percurso, recebi um contacto inesperado que me fez equacionar. Na altura eu trabalhava com tecnologias Oracle e uma das pessoas de maior renome internacional, nas tecnologias em questão, contactou-me para ver se eu teria interesse em me juntar à empresa dele (na altura ainda uma startup com 15 pessoas a nível mundial). A possibilidade de trabalhar com ele e adicionar essa experiência ao meu currículo falou mais alto e decidi embarcar na nova aventura. Quanto ao país destino, bem, esse não era um dos países que figurava na minha lista de destinos, mas trabalhar com alguém tão reconhecido falou mais alto, e lá vim eu. Prometendo então à família que voltaria a Portugal passados 2 ou 3 anos, no máximo, depois de ter no currículo esta aventura. País de destino? Luxemburgo… País com muita imigração portuguesa e sem muita comunidade internacional fora das instituições europeias, pelo menos na minha visão na altura. Posso dizer que a mudança para o país foi o que inicialmente mais me custou aceitar, mas a ambição falou mais alto. Virados quase 8 anos desta aventura, ainda no Luxemburgo, fiz família e amigos aqui e posso dizer que o Luxemburgo é um excelente destino para fazer carreira (o mercado é bem maior do que pode aparentar e muito mais internacional) e vida. Bem… é um país muito calmo, logo se o vosso estilo de vida é mais agitado e com muito ênfase na vida noturna, não será para vocês.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Como disse anteriormente gostaria de me ter aventurado fora do país antes do que realmente fiz, mas comecei a minha carreira no Porto, onde trabalhei 5 anos, antes de ter saído. No entanto, o trabalho na área da Saúde permitiu-me viajar bastante internamente em Portugal, podendo dizer que conheço bem os departamentos de informática da maioria dos hospitais em Portugal continental, podem não ser os sítios turísticos que se imaginaria mas mesmo assim deu-me a possibilidade de visitar também algumas cidades que não seriam um destino principal na vida pessoal.

Como correu a integração no Luxemburgo? Quais foram os principais desafios?
A integração no Luxemburgo correu muito bem, bem melhor do que eu esperava. A empresa, apesar de muito pequena, já tinha 3 portugueses quando eu cheguei (1 deles Alumnus FEUP) e eles ajudaram-me bastante a compreender como as coisas funcionavam e a ter uma vida social mais ativa. Por curiosidade acabei por ir residir na Bélgica e não no Luxemburgo porque a localização do escritório da empresa na altura assim me permitia (e os custos de residência na Bélgica são muito mais atrativos que no Luxemburgo 😉 ) O maior desafio foi a adaptação ao ritmo de vida desta zona da Europa. Em Portugal assumimos que tudo está disponível a qualquer hora. Ir ao supermercado pelas 22h? Possível claro… ir fazer compras num domingo? Porque não? Aqui a realidade é completamente diferente… As lojas fecham pelas 19h, ao domingo (e apenas recentemente) existem poucos supermercados abertos e só pela manhã. Visto que o meu estilo de vida quando me mudei era muito, acabar o trabalho e com tempo ir fazer as tarefas do dia a dia, tudo teve de mudar e uma nova organização teve de imperar. Um bom exemplo foi quando cheguei ao Luxemburgo. Para não andar muito carregado na viagem decidi trazer o mínimo possível e mandar por carrinha todos os meus pertences. Como tal, deveria ao chegar comprar bens essenciais (produtos higiénicos, roupa de cama, etc…)… Bem, eu cheguei na véspera de um feriado… Tudo fechado, dei por mim às voltas de carro (felizmente deram-me carro mal cheguei) até ter encontrado uma bomba de gasolina com minimercado (o que não foi fácil de encontrar) onde consegui comprar o mais básico das coisas… Felizmente, visto ser um país muito português, amigos da família arranjaram-me roupas de cama para sobreviver até poder comprar.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Neste momento sinto que estou bem no Luxemburgo e como tal pretendo aqui ficar pelos próximos anos. Faz em breve 3 anos que decidi experimentar e emigrar para o oásis no deserto que são os Emirados. A empresa na qual trabalhava tinha aberto escritório e precisava de apoio para o expandir e suportar clientes locais, assim lá fui eu de malas feitas tentar perceber se os Emirados seriam o meu próximo destino. Ali fiquei perto de 1 ano, mas o Luxemburgo chamava por mim… Os amigos e estilo de vida são completamente opostos nos 2 países e eu sou mais do frio e chuva do que sol e temperaturas muito altas  durante 8 meses por ano. No entanto vejo a aventura nos Emirados como uma etapa positiva que me permitiu crescer a nível pessoal e profissional. Agora com família feita, mulher que não é Portuguesa e uma casa em construção, por aqui vou continuar. A nível de carreira, o Luxemburgo ainda tem bastantes oportunidades de evolução e a economia, para já, pouco foi afetada pelo Covid-19.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Os amigos, camaradagem, o auditório… sim o auditório… 🙂 Enquanto estudante trabalhei no auditório central como técnico de iluminação e gostei bastante. Permitiu-me complementar os meus estudos com uma vertente profissional completamente diferente. Contacto com clientes, capacidade de improvisação, organização pessoal são algumas características que lá adquiri e que complementaram bem os estudos. As noitadas/diretas na B208, B213 ou no Departamento de Informática a fazer projetos em cima da hora (espero que no vosso caso consigam evitar, mas para nós na altura fazia parte) em que toda a gente se entreajudava. Amigos que tenho para a vida e que mesmo sem às vezes falar durante longos períodos ainda considero como irmãos e com quem sei que posso contar para qualquer situação.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
No geral gostei bastante do meu tempo de estudante, e aproveitei para experimentar muitas possibilidades que a FEUP me proporcionou. Se pudesse mudar algo, possivelmente teria feito Erasmus… Na altura estava demasiado focado nas atividades que eu tinha e decidi que não tinha “tempo” para fazer Erasmus. Arrependi-me um bocado depois de ver as oportunidades de crescimento que os meus colegas tiveram… As aventuras, e o conhecimento completamente diferente que adquiriram.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Mesmo depois de ter saído da FEUP sempre vi com bons olhos manter o contacto. A FEUP deu-me bastante e, como tal, ter a possibilidade de retribuir e ajudar “Feupinhos” como eu agrada-me bastante. Inicialmente fiz parte da AlumniEI, a associação de antigos alunos do curso de Engenharia Informática e de Computação, onde ajudei a organizar múltiplos eventos para aproximar as empresas dos alunos antes de acabarem os seus cursos. Vejo com agrado que a Associação continua ainda mais ativa do que quando eu a deixei. Tendo saído do país e, com a FEUP a criar o “Programa de Embaixadores”, foi automático para mim que gostaria de participar e ajudar no que pudesse. Estou sempre disponível e estejam à vontade para me contactar, caso queiram, por questões ou ajuda sobre o Luxemburgo (Emirados também) ou acerca da carreira…

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Uma coisa que noto estando fora é que, apesar da grande qualidade dos estudantes/futuros profissionais, as empresas fora de Portugal não conhecem bem o ensino superior em Portugal. Apesar de termos grande reconhecimento a nível académico acho que a UP e a FEUP poderiam apostar mais em apresentar a qualidade académica junto de empresas internacionais. Quando, em conversas sobre estudos superiores, falo que fui formado na melhor escola de engenharia de Portugal, todos assumem que é de uma instituição da capital e não falam/reconhecem a UP/FEUP da mesma maneira.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si?
No passado tive uma aventura como crítico de francesinhas num blog popular na sua altura (Projeto Francesinha) com outros Alumni da FEUP. Foi uma aventura interessante, que começou como uma desculpa para 4 amigos manterem contacto no final do curso, e que gostaria que não tivesse acabado. No entanto, dos 4 membros originais, apenas um ainda está em Portugal o que torna esta iniciativa mais complicada. Gosto de experimentar coisas novas e de longe a longe encontro um hobby novo que se mantem comigo durante uns tempos. Neste momento estou focado em aprender a jogar golf.

English Version

Talking to… Daniel Alves (FEUP Alumni Ambassador in Luxembourg)

Luxembourg was not the country of his dreams, but Daniel Alves decided to go on an adventure. Today, with family and a house under construction, he sees this country as a great place to work and live. The FEUP Alumni Ambassador is from Chaves, completed the Integrated Master in Informatics and Computing Engineering at FEUP in 2008 and is currently Project Director at ARHS Spikeseed. Get to know better the Engineer who already had a blog dedicated to the critique of “francesinhas”!

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
When I finished my degree I was interested to have an international career, but for several reasons this was not possible and I started working in Porto in the area of ​​health informatics. After a few years, and I already had some companies on the way, I received an unexpected contact that made me think about it. At the time I worked with Oracle technologies, and one of the most internationally renowned persons, in that area, contacted me to see if I would be interested to join his company (at the time still a startup with 15 people worldwide). The possibility of working with him and adding this experience to my resume spoke louder and I decided to take on this new adventure. The destination country, well, that was not one of the countries on my list of destinations, but working with someone so recognized spoke louder, and I accepted. I promised my family that I would return to Portugal after 2 or 3 years, at most, after having this adventure in my curriculum. The destination country? Luxembourg … A country with a lot of Portuguese immigration and without a lot of international community outside of the European institutions, at least that was my vision at the time. I can say that the move to the country was what initially cost me the most to accept, but the ambition spoke louder. After almost 8 years, I continue to live in Luxembourg, I made family and friends here and I can say that Luxembourg is an excellent destination to make a career (the market is much bigger than it may appear and much more international) and life. Well … it’s a very calm country, so if your lifestyle is more hectic and with a lot of emphasis on nightlife, it won’t be for you.

Did you go to other places after leaving FEUP?
As I said, I wish I had ventured out of the my country earlier, but I started my career in Porto, where I worked for 5 years, before I left. However, working in the Health sector allowed me to travel a lot through Portugal, and I can say that I know the IT departments of most hospitals in mainland Portugal. Well, they may not be the tourist sites that you would have imagined but even so, it gave me the possibility to visit some cities that would not be a main destination in my personal life.

How was the integration in Luxembourg? What were the main challenges?
The integration in Luxembourg went very well, much better than I expected. The company, although very small, already had 3 Portuguese when I arrived (1 of them FEUP Alumnus) and they helped me a lot to understand how things worked and to have a more active social life. Out of curiosity I ended up going to live in Belgium and not in Luxembourg because the location of the company’s office at the time allowed me to do so (and the costs of residence in Belgium are much more attractive than in Luxembourg ;)) The biggest challenge was adapting to the pace of life in this part of Europe. In Portugal we assume that everything is available at any time. Go to the supermarket at 10 pm? Of course, it is possible … Go shopping on a Sunday? Why not? Here the reality is completely different … Shops close at 7pm, on Sunday (and only recently) there are only a few supermarkets open and only in the morning. Since my lifestyle when I moved was based on having time for all my daily tasks after work, everything had to change and a new organization had to prevail. A good example was when I arrived in Luxembourg. In order to be less loaded on the trip I decided to bring as little as possible and send all my belongings by van. I should, on arrival, buy essential goods (hygiene products, bed linen, etc …)… Well, I arrived on the eve of a holiday … Everything was closed, I found myself driving around (happily they gave me a car when I arrived) until I found a gas station with a mini market (which was not easy to find) where I managed to buy the most basic of things … Fortunately, since it is a very Portuguese country, family friends got me bedding to survive until I was able to buy those things.

What are your future plans?
Right now I feel that I am doing well in Luxembourg and I intend to stay here for the next few years. Three years ago, I decided to try and I emigrated to an oasis in the desert, the Emirates. The company I worked for had opened an office and needed support to expand it and support local customers, so I went with my bags packed trying to figure out if the Emirates would be my next destination. I stayed there for about a year, but Luxembourg called for me … Friends and lifestyle are completely opposite in both countries and I am more from cold and rain than sun and very high temperatures 8 months per year. However, I see my adventure in the Emirates as a positive step that allowed me to grow on a personal and professional level.Now with a family, a woman who is not Portuguese and a house under construction here, I will continue in Luxembourg. At a career level, Luxembourg still has plenty of opportunities for evolution and the economy hasn’t been, until now, much affected by Covid-19.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
Friends, fellowship, the auditorium … yes the auditorium … 🙂 As a student I worked in the central auditorium as a lighting technician and I really liked it. It allowed me to complement my studies with a completely different professional aspect. Contacts with customers, improvisation skills, and personal organization are some characteristics that I acquired there and that complemented well my studies.
The nights at B208, B213 or in the Informatics Department doing projects until the last minute (I hope that in your case you can avoid it, but for us at the time it was part of our life) when everyone helped each other.
Friends that I have for life and that even without speaking for long periods I still consider them as brothers and I know I can count on them for any situation.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
In general I really enjoyed my time as a student, and I took the opportunity to try out the many possibilities FEUP offered me.
If I could change something, I might have done Erasmus … At the time I was too focused on the activities I had, and I decided that I didn’t have “time” to go in Erasmus. I regretted it after seeing the growth opportunities my colleagues had … The adventures, and the completely different knowledge they acquired.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
When I left FEUP, I always looked forward to keep in touch. FEUP gave me a lot and I always wanted to give back. Being able to help “Feupinhos” is something that pleases me.
Initially, I was part of AlumniEI, the association of former students of the Informatics and Computing Engineering degree, where I helped to organize several events to approach companies and students before finishing their courses. I am pleased to see that the Association remains even more active than when I left it.
Having left the country and, with FEUP creating the “Ambassadors Program”, it was natural  for me that I would like to participate and help wherever I can. I am always available. Feel free to contact me for questions or help about Luxembourg (Emirates also) or about career …

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
One thing I notice while being abroad is that, despite the high quality of students / future professionals, companies outside Portugal do not know higher education in Portugal well. Although we have great recognition at the academic level, I think that UP and FEUP could bet more on presenting academic quality to international companies. When, in conversations about higher studies, I say that I graduated from the best engineering school in Portugal, everyone assumes that it is from an institution in the capital and does not speak / recognize UP / FEUP in the same way.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
In the past I had an adventure as a critic of “francesinhas – a Porto popular dish“ on a popular blog at the time (Project Francesinha) with other FEUP Alumni. It was an interesting adventure, which started as an excuse for 4 friends to keep in touch at the end of the degree, and I wish it hadn’t finished. However, of the 4 original members, only one is still in Portugal which makes this initiative more complicated to go on.
I like to try new things and from far to far I find a new hobby that stays with me for a while. Right now I’m focused on learning to play  golf.

The advice to FEUP students (On Video)
Hello, my name is Daniel Alves, I am an alumni ambassador in Luxembourg. FEUP asked me to give some advices to the current students of the Faculty of Engineering. What I can tell you is to make the most of it. There are many opportunities in the Faculty, not only as students, in your studies, but also other initiatives that allow you to see other areas, gain other skills that will distinguish you in the labor market and that will really make you the engineers that everyone is looking for. At the same time, seeing these other realities you will be able to redefine what you like, what you want to do. Enjoy your time there. The 5 years  go by very fast and I believe that you will have a bright future ahead of you! Goodbye!