Versão Portuguesa (English version below)

À CONVERSA COM… Daniel Campos ( Embaixador Alumni FEUP no Qatar)

Daniel Campos licenciou-se em Engenharia Civil pela FEUP em 2004 e antes de embarcar numa aventura pelo Médio Oriente, ainda passou por Moçambique. Atualmente é Gestor de Projetos na WorleyParsons. Nesta entrevista apresentamos-lhe o Embaixador Alumni FEUP no Qatar, nascido no Porto, e que um dia já pensou em ser piloto da Força Aérea.

Como surgiu a oportunidade de ir para o Qatar?
A oportunidade de vir para o Qatar surgiu através de um headhunter no LinkedIn. Contactaram-me do Reino Unido a dizer que procuravam um Gestor de Projetos no Médio Oriente para uma consultora multinacional australiana.
Foi uma altura caricata, pois fui contactado em simultâneo para oportunidades em sítios completamente díspares: Escócia, África do Sul e Qatar. Lembro-me de estar um dia à noite a fazer um mapa comparativo em Excel a pesar os prós e contras de cada oportunidade. Parecia que estava a decidir a adjudicação de uma subempreitada.
A Escócia era uma escolha segura. África do Sul tinha tanto de bom como de mau. O Qatar era-me completamente desconhecido e tinha muitas dúvidas. Era sítio que nunca tinha pensado em visitar, muito menos trabalhar. Coincidências da vida, uma amiga que está na Nova Zelândia, conhecia um engenheiro que trabalhava no Qatar e colocou-me em contacto. Depois de um serão de Skype com mil e uma perguntas, escolhi o destino que à partida parecia o menos provável – Qatar. Um mês depois estava a aterrar em Doha.

Como está a ser a experiência no estrangeiro?
O balanço é muito positivo.
Primeiro de tudo é um abrir de olhos. Percebemos que há muito mais Mundo para além de Portugal, em termos de mercado e oportunidades. Começamos a dar valor àquilo que achamos serem dados adquiridos. Aprendemos muito mais sobre a história dos Descobrimentos de Portugal e quanto ela se cruza com a história de tantos outros países.
Segundo, é uma oportunidade única de interagir com pessoas e culturas de todos os cantos do mundo. A título de exemplo, na minha equipa de trabalho tenho colegas dos Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Espanha, Inglaterra, Egipto, Palestina, Líbano, Iraque, Índia, Nepal, Paquistão, Quirguistão, Filipinas, Austrália, Nova Zelândia e muitos mais. Convém referir que apenas 10% a 15% da população no Qatar é efetivamente Qatari. Na sede na minha empresa quase todos os meses há uma festa para celebrar: Páscoa, Ramadão, Primeiro e Segundo Eid, Diwali, Natal…
Em termos familiares, claro que há sempre a saudade para gerir. Mas se tivermos a nossa família direta connosco – mulher e filhos – tudo fica muito mais fácil. Diria até que é essencial.
Para as crianças tem sido uma experiência incrível. Começam a perceber desde muito cedo que o mundo é feito de pessoas muito diferentes e é isso que torna o mundo interessante. Falar múltiplas línguas no dia-a-dia torna-se uma coisa normal. O meu filho de 6 anos fala português, inglês fluente, já arranha o árabe e sabe palavras em finlandês e espanhol. A minha filha de 2 anos percebe português e inglês. Isto é algo que eu valorizo imenso. Uma boa parte do nosso trabalho diário é comunicar e para tal, dominar múltiplas línguas é essencial para que possamos comunicar de forma eficiente.
O ato da mudança em si para um novo país é sempre o período de maior turbulência. Saímos da nossa zona de conforto, somos bombardeados com muita informação nova num curto espaço de tempo e temos de nos adaptar muito rápido. Mas eu diria que o mais difícil é a primeira mudança, a primeira experiência no estrangeiro. A partir daí tudo parece mais fácil. Pelo menos essa é a minha experiência pessoal.

Então passou por outras paragens antes do Qatar?
Sim. O meu batismo internacional foi em Moçambique. Morei em Maputo, onde fui abrir a sucursal da empresa de construção onde trabalhava.
A realidade era completamente diferente. Conforme alguém disse um dia: é um local exótico em todos os sentidos do termo. Um povo super alegre e relaxado, onde amanhã é sempre dia para fazer o que hoje não foi feito. Uma comida fantástica, uns cajus do outro mundo, umas praias fenomenais e um país com um potencial brutal, com todos os recursos naturais imagináveis, mas onde ao mesmo tempo faltava muita coisa básica.
Em Moçambique aprendi que efetivamente a necessidade e a falta de recursos aguçam o engenho. Tornei-me perito em reparações em casa com fita-cola, a ajeitar janelas com tesouras e folhas de papel e a mudar pneus de carros sem macaco.
Aprendi a dar valor à segurança que temos em Portugal. Em Maputo ter o carro fechado ou não, era indiferente. Só não me levavam da mala os garrafões de água e fraldas de bebé, mas deixavam sempre o canhão da fechadura no sítio a funcionar na perfeição. Assaltaram-me a casa e até o secador do cabelo e a torradeira me levaram.
Conduzir na cidade nos primeiros meses era uma pequena aventura. Havia sempre um polícia em cada canto a tentar inventar uma contra-ordenação e a pedir “refresco”. Foram muitas horas perdidas em conversas mirabolantes. Mas valeu o esforço, pois ao final de 4 meses já ninguém me mandava parar.
Moçambique foi um misto de sentimentos. No final deixou muitas saudades e histórias para contar.

Como correu a integração nos dois países? Quais foram os principais desafios e diferenças?
Como já mencionei, Moçambique e Qatar são duas realidades completamente distintas.
A integração pessoal em ambos foi relativamente rápida, pois tive a sorte de ter gente conhecida que me apresentou os cantos à casa nas primeiras semanas e me deu as dicas essenciais. O Jóni Barroso em Maputo e o Alfredo Marques em Doha foram pessoas-chave na minha adaptação.
Depois ter um grupo de amigos próximos em ambos os sítios, ajudou bastante. Os amigos acabam por ser a nossa segunda família quando estamos no estrangeiro.
Em termos familiares, os principais desafios foram em Moçambique. Num espaço de poucos meses tivemos de lidar com o nascimento do primeiro filho, com a primeira mudança para o estrangeiro e com tudo o que isso acarretava: nova casa, novas rotinas, novo ambiente, etc.
O meu filho foi para Moçambique com um mês de idade e, portanto, as preocupações eram muitas: era a rede mosquiteira por causa do risco de malária; era a água da torneira que não podia ser consumida pelo risco de apanhar tétano; era a falta de fraldas que nos obrigava a ir África do Sul todos os meses fazer compras; era a falta de energia todos os domingos à tarde que me obrigava a carregá-lo 12 andares acima depois de almoço; eram os hospitais públicos que não ofereciam condições. Curiosamente, acabou por nunca ter nenhum problema de saúde e assim que voltou a Portugal ficou logo doente por causa do frio.
No Qatar encontrei um país seguro, uma cidade que era um autêntico estaleiro a céu aberto, com obras em cada canto, e uma imensurável diversidade de culturas.
Na primeira semana esqueci-me da carteira na mesa da esplanada e passadas duas horas ainda lá estava. Na primeira noite decidi ir visitar a cidade a pé e rapidamente descobri que Doha não era propriamente sítio para caminhadas. Saí às sete da tarde e só consegui voltar às onze da noite, pois as passadeiras são uma raridade e a travessia de faixas de rodagem com quatro vias é o verdadeiro desafio.
Depois temos a religião muçulmana bem intrínseca. Cinco vezes ao dia ouve-se a chamada para a reza, seja na rádio, nos altifalantes das mesquitas, nos shoppings e até nos despertadores dos telemóveis. Consumir bebidas alcoólicas, só em hotéis. Comprar para beber em casa, só no “supermercado do pecado”, designado por QDC, onde é preciso ter uma licença especial do nosso sponsor. No Ramadão, durante cerca de um mês, não podemos comer ou beber em público durante o dia. Mas à noite tudo ganha uma nova vida. Toda a gente sai à rua. Os cafés, os restaurantes, as lojas, tudo está aberto até de madrugada. Digamos que é o São João todos os dias após as seis da tarde.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Boa pergunta.
Por um lado, gostava de ficar pelo Qatar mais uns anos, porque nos sentimos bem cá, o miúdo mais velho tem cá os amigos e gosta da escola. Eu tenho o prazer de fazer o que gosto, gerir projetos de uma escala invulgar e trabalhar com uma equipa fantástica, multicultural e multidisciplinar, com muito bom humor e com quem aprendo coisas novas todos os dias.
Por outro lado, gostava de mudar e ir pregar para outra freguesia… talvez para os lados do Sudeste Asiático. Tanto eu, como a minha mulher somos fãs da cultura asiática, portanto gostávamos de ter a experiência de viver em locais como Singapura, Hong Kong ou Bangkok. São sítios que conhecemos enquanto turistas, mas em que viver seria o verdadeiro desafio.
Voltar a Portugal não está neste momento nos planos a curto prazo. Gostava de voltar, é certo, daqui a uns anos, mas a falta de oportunidades interessantes, a mediocridade dos salários e a mentalidade da gestão familiar das empresas não ajudam.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Os amigos e o espírito definitivamente. Em 1999 entramos 200 alunos para o primeiro ano de Civil, por isso tive a oportunidade de fazer muitos amigos. Amizades que duram até aos dias de hoje.
A nossa fornada ainda teve a oportunidade de conhecer a FEUP da Rua dos Bragas. As instalações eram velhas, mas carregavam orgulhosamente o peso da história como um carro clássico. O colégio Almeida Garrett podia ter o reboco das paredes a cair em plenas aulas, mas as paredes de granito centenárias não se mexiam. As ruas da Invicta tinham outro sabor. Havia sempre por onde passear quando faltávamos às aulas teóricas de Análise Matemática.
Depois ao longo do curso tivemos a oportunidade de encontrar grandes professores e algumas personagens. Pedro Pacheco, Francisco Calheiros, Mota Freitas, Aníbal Costa e Raimundo Delgado são alguns dos nomes que me marcaram.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Sim, teria feito Erasmus.
Tenho a certeza que me teria aberto os olhos muito mais cedo para o resto do mundo. Muitos dos colegas que fizeram Erasmus nunca chegaram sequer a trabalhar em Portugal. Eu só percebi isto muito mais tarde.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
No fundo é uma maneira de não perder a relação com uma instituição que me diz muito. Tento sempre que possível retribuir, como por exemplo dando conselhos aos alunos interessados em se internacionalizar.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
O mesmo que lancei há alguns anos: conseguirem fazer acordos com Universidades a nível mundial para que haja equivalência direta das formações universitárias. Isso facilitaria muito a vida dos FEUP Alumni espalhados por esse mundo fora.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Ora bem. Uma das características que melhor me define é interessar-me um pouco por tudo.
Do negócio de família carrego o interesse pelo áudio e a acústica. Ajudei o meu pai a fabricar muitas colunas PA e ajudei a montar muitas discotecas e palcos de espetáculo nas férias. Em miúdo já tinha um estúdio de gravação multipistas onde gravava os meus originais com voz, guitarra, piano e loops de baterias roubados de músicas da rádio. Mais tarde a habilidade serviu-me para trabalhar em part-time na primeira equipa que geriu o Auditório da FEUP das atuais instalações. Dava para ganhar uns trocos ao fim de semana para pagar as prendas para a namorada, a minha atual mulher, e os presentes de Natal para a família.
Quando me candidatei em 1999 a Engenharia Civil, também tinha em mente a Engenharia Eletrotécnica, Arquitetura e ser Piloto da Força Aérea. A Engenharia Civil acabou por se revelar a opção ideal, porque tinha novamente uma ramificação enorme de especializações.
A curiosidade e o interesse generalizado também se revelou importante na minha atividade como Gestor de Projetos, onde tenho de saber um pouco de tudo para coordenar equipas multidisciplinares, como Master Planning, Ambiente, Transportes, Obras de Arte, Ferrovia, Obras Marítimas, Proteção Costeira, Portos Marítimos, Aeroportos, Arquitetura, Estruturas, Redes de Abastecimento de Águas, Redes de Drenagem, Estações de Tratamento, AVAC, Eletricidade e Redes de Transporte de Energia, Telecomunicações, Automação e Controlo… enfim um leque vasto de disciplinas.
Nos últimos anos tenho-me interessado em particular por planeamento urbano, planeamento estratégico de infraestruturas, gestão de empresas, psicologia e carros clássicos. Uma mistura estranha, não?

 

English Version

Talking to… Daniel Campos (FEUP Alumni Ambassador in Qatar)

Daniel Campos graduated in Civil Engineering from FEUP in 2004 and before going on an adventure through the Middle East, he passed through Mozambique. He is currently a Project Manager at WorleyParsons. In this interview, we present you the FEUP Alumni Ambassador in Qatar, who once thought of being an Air Force pilot.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
The opportunity to come to Qatar came through a headhunter on LinkedIn. They contacted me from UK looking for a Project Manager to be based in the Middle East, working for an Australian multinational consultant.
It was a cheesy time because I was contacted at the same time for multiple opportunities in entirely different locations: Scotland, South Africa, and Qatar. I remember one evening I prepared a comparative map in Excel to weigh the pros and cons of each opportunity. It seemed like I was deciding a subcontract award.
Scotland was a safe choice. South Africa had both good and bad aspects. Qatar was completely unknown to me and I had many doubts. It was a place, which I had never thought to visit, even less to work. Coincidences of life, a friend who lives in New Zealand, knew an engineer who worked in Qatar and put us in touch. After a Skype call with a thousand and one questions, I chose the destination that at first glance seemed the least likely – Qatar. A month later I was landing in Doha.

How is the experience abroad?
The experience is very positive.
First, it’s an eye-opener. We realize that there is much more World beyond Portugal, in terms of market and opportunities. We begin to value the most basic things. We learn much more about Portuguese Discoveries and how much of it crosses with the history of so many other countries worldwide.
Second, it is a unique opportunity to interact with people and cultures from every corner of the world. As an example, I have colleagues from the United States, Canada, South Africa, Spain, England, Egypt, Palestine, Lebanon, Iraq, India, Nepal, Pakistan, Kyrgyzstan, Philippines, Australia, New Zealand, and many other locations. I must note that only 10% to 15% of the population in Qatar is effectively Qatari. At my company’s headquarter there is a celebration almost every month: Easter, Ramadan, First and Second Eid, Diwali, Christmas…
In terms of family, there is always of course the nostalgia to manage. However, if we have our direct family with us – wife and children – everything becomes much easier. I would even say it is essential.
For the kids, it has been a fantastic experience. They start to realize at a very early stage that the world is made up of very different people and this is what makes the world interesting. Speaking multiple languages on a daily basis becomes a regular thing. My six-year-old son speaks Portuguese and English fluently, basic Arabic and knows some words in Finnish and Spanish. My two-year-old daughter understands Portuguese and English. This is something I value tremendously. A good part of our daily work is communicating, therefore speaking multiple languages is essential to communicate efficiently.
The act of moving to a new country is always the most turbulent period. We get out of our comfort zone, we receive a lot of information in a short time and we have to adapt very fast. But bear in mind that the most difficult move is mainly the first one, the first experience abroad. From there onwards, everything becomes easier. At least that’s my personal experience.

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes. My international baptism was in Mozambique. I lived in Maputo, where I went to open a branch office of the construction company I worked for.
The reality was completely different.
As someone stated once: it is an exotic place in every sense of the word. A place full of super happy and relaxed people, where tomorrow is always a day to do what wasn’t finished today. Fantastic food, some otherworldly cashew nuts, phenomenal beaches and a country with a brutal potential, with all the imaginable natural resources, but where, at the same time, many basic things were missing.
In Mozambique, I learned that effectively the need and the lack of resources sharpen the ingenuity. I became an expert on home repairs with scotch tape, fixing windows with scissors and sheets of paper, and changing car tires without a jack.
I learned to value the security we have in Portugal. In Maputo, it was indifferent to have the car locked or not. The only things that they did not take from the trunk were bottles of water and the baby diapers, but they always left the door lock working perfectly. My house was robbed and they took everything, including the hairdryer and the toaster.
In the first months, driving in the city was a small adventure. There was always a police officer in every corner trying to find imaginative fines and ask for “refreshment.” I lost uncountable hours in crazy conversations. Nevertheless, it was worth the effort because four months later no one else stopped me anymore.
Mozambique was indeed a mix of feelings. At the end, the country left a lot of nostalgia and stories to tell.

How was the integration in both countries? What were the main challenges and differences between them?
As mentioned, Mozambique and Qatar are two completely different realities.
The integration in both was quite easy, because I was lucky to know people who presented me the location in the first weeks, and that gave me essential hints. Jóni Barroso in Maputo and Alfredo Marques in Doha were vital to my fast adaptation.
Having a group of close friends in both places was also very helpful. Friends end up to be our second family when we are abroad.
In terms of family, the main challenges happened in Mozambique. In a very short term, we had to deal with the birth of our first child, the first move abroad and with all the challenges that came with: new house, new routines, new environment…
My son went to Mozambique with only one month old and so, there were many concerns: the use of mosquito net because of malaria risk, the water from the tap that we couldn’t drink due to tetanus risk, the lack of diapers, that made us go shopping in South Africa every month, the lack of energy every Sunday afternoon, that lead to carry him 12 floors after lunch, the public hospitals that didn’t offer any conditions. The curious part is that my son never had any health problems there and, as soon as we came back to Portugal, he got immediately ill because of the cold weather.
In Qatar, I found a secure country, a city that was an authentic open-air jobsite, with construction everywhere and a vast diversity of cultures.
In the first week, I forgot my wallet at a table and 2 hours later it was still in the same place. On my first night I decided to walk through the city and I quickly understood that Doha was not a place for walks. I left the hotel at 7 PM and was only able to return at 11 PM… Crosswalks are a rarity and to cross a four-way lane is a challenge.
Then, we can sense the Muslim religion environment everywhere. Five times a day we hear the call to pray on the radio, in the mosque’s loudspeakers, at the malls and even on people’s cell phones. Alcoholic drinks are only available at hotels or at the “sin supermarket” known as QDC, where you need a special license from your sponsor. During Ramadan month, we cannot eat or drink in public during daytime. But in the evening, the city gains a new life and everyone goes out. Cafes, restaurants, shops, everything is open until dawn. It’s like São João festival, every day after 6 PM.

What are your future plans?
That´s a good question.
On one hand, I would like to stay in Qatar a few more years, because we feel good here, my eldest son friends are here and he loves his school. I have the pleasure to do what I like, to manage projects in an unprecedented scale and work with a fantastic team, multicultural and multidisciplinary, with an excellent humor, and with whom I learn new things every single day.
On the other hand, I would like to move and take a hike… maybe to Southeast Asia. My wife and I are fans of Asian culture, so we would like to have the experience of living in places like Singapore, Hong Kong, or Bangkok. These are places that we know as tourists, but where living would be the real challenge.
Returning to Portugal, at this moment, it’s not on my plans in short term. I would like to go back for sure in a few years, but the lack of interesting opportunities, the mediocrity of wages and the family management mentality of most Portuguese companies do not help.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
Definitely the friends and the spirit. In 1999 we were 200 students in the first year of Civil Engineering, so I had the opportunity of making lots of friends. Friendships that last to this date.
Our class still had the chance to meet the old FEUP facilities located at Bragas Street. The facilities were old, but the walls carried the weight of history like a classic car proudly. The old Almeida Garrett College building could had the wall plaster falling during classes, but the centenary granite walls did not move.
The Oporto streets had another flavor. There was always a place to go when we skipped the Mathematical Analysis theory classes. Then, during the course, we had the opportunity to find great lecturers and unique personalities. Pedro Pacheco, Francisco Calheiros, Mota Freitas, Aníbal Costa e Raimundo Delgado are some of my references.

And if you could go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
Yes, I would have applied to Erasmus Programme.
I’m sure it would have opened my eyes earlier to the rest of the world. Many of my colleagues that have done the programme, never worked in Portugal. I realized this much later.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
It’s a way of maintaining the relationship with an institution that I value. I try, whenever possible, to contribute, like for example advising students interested in going abroad.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
The same challenge I raised a few years ago: to make agreements with other Universities worldwide, to ensure direct equivalence of university degrees. This would make the life easier for all the FEUP Alumni across the world.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
Well, let’s see. One of my best attributes is my interest in all subjects.
From the family business, I carry the interest in audio and acoustics. When I was kid, I helped my father build many PA Loudspeakers and set up many discotheques and stage shows during vacations. I already had my personal multi-track recording studio where I recorded my originals with voice, guitar, piano and drum loops stolen from radio music. Because of this skill, I was able to work part-time in the first team that managed the FEUP Auditorium of the current facilities. I was able to earn some money during the weekends to pay my girlfriend gifts, nowadays my wife, and the family’s Christmas gifts.
When I applied for Civil Engineering in 1999, I also had in mind Electrical Engineering, Architecture and Air Force Pilot. Civil Engineering turned out to be the ideal option because it had a huge ramification of specializations.
My curiosity and generalized interest in everything have also proven to be valuable in my activity as Project Manager, where I have to know a little bit of everything to coordinate multidisciplinary teams, such as Master Planning, Environment, Transportation, Works of Art, Railways, Maritime Works, Coastal Protection, Sea Ports, Airports, Architecture, Structures, Water Supply Networks, Drainage Networks, Waste Water Treatment Plants, HVAC, Electric Transmission and Distribution Networks, Telecommunications, Automation and Control… a wide range of disciplines.  Over the past years, I have been particularly interested in urban planning, strategic infrastructure planning, business management, psychology and classic cars. A strange mix, isn’t it?

 

The advice to FEUP students (On Vídeo)

Hi everybody!
FEUP Alumni challenged us to give some advice to FEUP students. So, the next two minutes are full of wise words.
First of all, enjoy it, because it passes quickly. In the first year invest in the new friendships, they are important through out your course path and afterwards through out the rest of your life.
Starting the second year, gradually focus on the technical part.
Do not worry about the specialization choice in the last year. In fact, the last year must be a year of discovery. Apply to Erasmus programme, choose an unusual country that will make as less as comfortable possible. The adaptation process will give you an essential skill for your future career.
Then, it is also important to realize that the learning process never ends. The engineering degree is just the starting point. Even before you finish the course, you will realize that you need to learn more about certain tools, especially software ones like Autocad, Revit, Microsoft Project, Primavera… Oh… and by the way always remember that Excel is your best friend, so please become a master in Excel.
After finishing the degree, the learning will continue driven by the ambition of new roles, by professional challenges or by personal tastes.
Speaking fluently multiple languages is also very important for an increasingly global job market.
Finally, remember the key principles for your professional and personal success: do what you love, what you are really good at, what people need and are willing to pay well.
Regards and all the best!