Versão Portuguesa (English version below)

À CONVERSA COM… Daniel Ferreira (Embaixador Alumni FEUP na Austrália)

Daniel Ferreira nasceu em Melgaço, viveu no Porto e em Paris, França, mas atualmente vive em Perth, na Austrália, onde é Embaixador Alumni FEUP. Terminou o curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores em 2014 e é Engenheiro de Projeto e Automação na indurad. Adora praia, calor e natureza… requisitos que encontrou no país dos cangurus (e de outros bichos), que vai encontrar certamente na sua próxima aventura: percorrer as paisagens australianas a bordo de um 4×4…

Como surgiu a oportunidade de ir para fora?
A Austrália é a minha segunda experiência de emigrante. A primeira vez que emigrei foi para a França onde já tinha participado no programa ERASMUS, alem de colegas de universidade tinha também bastantes amigos a residir aí. Nessa ocasião a motivação foi a vontade de me tornar independente aliado às melhores condições de trabalho e financeiras, mas também a ambição de viver numa grande capital europeia. Durante a minha estadia em Paris consegui atingir um posto como engenheiro numa das minhas áreas de sonho para uma grande marca automóvel. Contudo, senti que ainda não estava preparado para me estabelecer indefinidamente aí, e que queria experimentar algo diferente, e que se não saísse nessa altura, talvez nunca mais arriscasse a uma tal mudança.
Tinha três países em mente, Estados Unidos da América, Canada ou Austrália. Acabei por vir para Austrália por já ter família ca e o calor e as praias.
Assim, vir para a Austrália foi fruto principalmente da vontade de arriscar, explorar, experimentar uma realidade diferente, conhecer gente nova e desconectar-me do Mundo.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Sim, comecei a trabalhar em Aveiro ainda durante o curso para a dissertação realizada numa multinacional, e continuei após terminar o curso. Após essa boa primeira experiência profissional saí para Paris onde residi e trabalhei durante dois anos numa multinacional de automação e robótica para linhas industriais e onde tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos por toda a Europa.

Como correu a integração na Austrália? Quais foram os principais desafios?
A integração correu bastante bem, tive grande ajuda do meu irmão que já estava instalado por cá. Contudo, em geral, o povo australiano é bastante relaxado, praia, surf e café. A sociedade está extremamente habituada à migração e a culturas diferentes, isso ajudou bastante. O principal desafio foi lidar com o processo do visto e direitos de trabalho, no primeiro ano foi um stress, uma vez que tinha entrado na Austrália com visto temporário de um ano. Havia sempre a dúvida se ao final poderia ficar ou se teria que regressar, foi tentar aproveitar ao máximo o que este país tem de oferecer entre papelada e burocracia.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Pela Austrália, tornei-me recentemente cidadão australiano, o que abre mais umas portas, e encontro-me a frequentar uma pós-graduação em Tecnologia Aplicada a Exploração e Mineração numa universidade da Austrália. Apesar, de nunca ter pensado trabalhar na exploração e recursos, este sector tem um grande peso e importância na Austrália e tem-me proporcionado experiências e oportunidade de aprender muito.
Num futuro mais longínquo o regresso a Portugal será sempre uma possibilidade, sentiria orgulho em poder integrar projetos na área de transformação energética, que na minha opinião são de grande importância, e trazer um bocado do conhecimento que adquiri ao longos dos anos a trabalhar.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
O FEUP Café, a Queima da Fitas são a primeira coisa que me vem à memória. Mas mais importante o companheirismo e o bom ambiente entre colegas de engenharia e das outras faculdades da UP, partilha de apontamentos, as noites de estudo no edifico B.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Sim, algumas pequenas coisas. Considero que vive ao máximo a minha maneira a Universidade. Contudo, agora mais adulto e consciente acho que me teria envolvido mais na comunidade da universidade, principalmente na associação de estudantes, ou grupos de trabalho e em projetos liderados por professores tal como futebol robótico. A FEUP, e no meu caso o Departamento de Engenharia Eletrotécnica, incorpora estas iniciativas fantásticas, e sinto que devia ter dado devido valor e participado mais.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Sim, a FEUP abriu-me muitas portas e sinto que não custa nada retribuir, tenho orgulho de poder representar esta Instituição. Além, disso já tinha participado em eventos organizados pela embaixada Alumni FEUP em França, e senti o mesmo companheirismo dos tempos da FEUP, há este sentimento de entreajuda e partilha de oportunidades e amizade entre alumni. Não havendo ainda uma embaixada cá na Austrália, era importante criar essa comunidade. Infelizmente o COVID não nos ajudou com atividades regulares, mas foi feito um trabalho importante de identificação de alumni a residir por cá.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
A FEUP sempre foi sinónimo de excelência, e tem feito um trabalho magnífico nas parcerias com os institutos de R&D e empresas à sua volta. Que continuem este trabalho e que expandam horizontes e relações para outros mercados, criem estágios de Verão em países fora da Europa, aliados a um ambiente empresarial, de estudo, mas também de solidariedade.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Sinto sempre o meu país Portugal, o Porto e o Alto Minho em especial, a saudade que nos define como Portugueses. Desde a música no carro, a procurar produtos portugueses nos supermercados, a acordar a madrugada para assistir aos jogos da Seleção ou do FC Porto.
Adoro praia e calor, e tenho a sorte de viver num país com praias magnificas e 300 dias de sol por ano, recentemente embarquei na aventura de preparar um 4×4 para acampar e explorar o interior e as zonas remotas deste imenso país, brevemente terei muitas mais histórias e encontros com bicharada selvagem.

 

English Version

Talking to… Daniel Ferreira (FEUP Alumni Ambassador in Australia)

Daniel Ferreira was born in Melgaço, lived in Porto and Paris, France, but he lives nowadays in Perth, Australia, where he is FEUP Alumni Ambassador. He graduated in Electrical and Computer Engineering in 2014 and he is a Project and Automation Engineer at indurad. He loves the beach, heat and nature… requirements that he found in the country of kangaroos (and other animals), which he will certainly meet on his next adventure: traveling through the Australian landscapes aboard a 4×4…

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
Australia is my second migration experience. The first time I migrated was to France, where I had already attended university under the ERASMUS and had many close friends. At this early stage leaving Portugal was mostly motivated by the desire to become independent adult and looking for better working and financial conditions. Moreover, I was quite looking for live in a large European capital. After a while living in Paris, I had achieved to be part of a major organization as an engineer in one of my dream areas for a major car brand. Nevertheless, I felt that I was not yet ready to settle at it indefinitely, and that if I didn’t go abroad at that time, I might never take the risk of such a huge change again. At the time I had three countries I really would love to try: USA, Canada, or Australia. I ended up choosing Australia cause of the sun, and the fact I already had family over here. So, coming to Australia was mainly a result of the desire to explore, experience a different reality, meeting new people, and disconnecting.

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes, I did. I first started working in multinational company in Aveiro under a partnership from the university to develop my thesis on a work R&D environment. After completion of my thesis, the company offer me a full-time position with them where I stayed for a while. After this excellent first professional experience, I left for Paris where I lived and worked for two years. There I hold a role at a multinational automation and robotics company for industrial lines where I had the opportunity to do some work throughout Europe, but also a short role in Automotive manufacturer.

How was the integration in Australia? What were the main challenges?
The integration went very well. I had great help from my brother who was already settle in Australia. Nevertheless, the Australian people are very relaxed, beach, surf, and cafe. The society is extremely used to migration and open to different cultures and this helped a lot. The main challenge ended up being dealing with the visa process and working rights, the first year was a stress as I had entered Australia with a temporary one-year visa. There was always the question whether in the end I would be able to stay or if I would have to return. I had to balance between make the most of what this country has to offer and paperwork bureaucracy.

What are your future plans?
Around Australia for sure. I have recently become an Australian citizen, which gives me more opportunities. Also, I am currently attending a postgraduate degree in Applied Technology for Exploration and Mining at university here. Although I never thought of working in exploration and resources, this sector has a great weight and importance in Australia economy. So far it has provided me with great experiences and opportunities to learn a lot. In a more distant future, returning to Portugal will always be a possibility, I would be proud to be able to integrate projects in the area of energy transformation, which in my opinion is one biggest challenges of our times, and to able to share a bit of knowledge acquired over the years.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
“FEUP Café”, “Queima da Fitas” are the first things that cross my mind. But most important is the fellowship and the good atmosphere between engineering colleagues and those from other UP Universities. The long nights studying in the B building.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
Yes, a few little things. I reckon I did live great times and got the most out of it. However, now that I have become more responsible, I think I would have tried to get more involved in the university community, particularly with the Students Association, or teacher-led work and development groups such as robotic football. The FEUP, and in my case the Electrotechnical Engineering Department, incorporates many of these fantastic initiatives, and I feel that I should have given them the correct value and participated more.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
Yes, FEUP has opened many doors for me, and I feel that I must give back some way. Moreover, I am proud to be able to represent this Institution. Also, I had already participated in events organized by the FEUP Alumni embassy in France, and I felt the same companionship from the FEUP times, there is this feeling of help and sharing of opportunities and friendship between alumni. As there was not an embassy in Australia, it was important to create this community. Unfortunately, COVID did not help us with regular activities, but an important job was done identifying alumni that live here.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
FEUP has always been synonymous with excellence and has done a magnificent job in partnerships with R&D institutes and companies around it. I hope it continues this work and expand its horizons and relationships to other markets, create summer internships in countries outside Europe combined with a business environment, study, but also solidarity initiatives.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I always feel my country Portugal, Porto and “Alto Minho” region in particular, the home sick that defines us as Portuguese, also known as “Saudade”. From the music that I listen in the car, always searching around wholesalers for Portuguese products, or to waking up at dawn to watch the national team or FC Porto soccer matches. I love beach and the warm days, and I am lucky to live in a country with magnificent beaches and 300 days of sun a year, I recently embarked on the adventure of preparing a 4wd to camp and explore the outback and remote areas of this immense country, soon I will have many more stories and encounters with wild animals to share.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Hello everybody. My name is Daniel Ferreira, I am FEUP Alumni Ambassador here in Perth, Australia, capital of Western Australia. Today is a fantastic day and I thought it would be great to make this video outside, these little tips based on my experience out here. The University represents 5 years, but those 5 years flies. There’s really a lot of partying, but also a lot of knowledge to be gained. The most important thing for me I would say is the group of friends. Try to find a good group of friends, those friends who are ready to go to the party but also when it is to study are completely available to share, to help you. I think one of the reasons why I finished the course in 5 years was having this working group that helped me a lot.  The second advice is: go for Erasmus, choose a country that you don’t know the language or that you see the language with a lot of potential. Erasmus allows us to choose the best universities in the world, so take this opportunity and try to take advantage of the 5 years between the engineering work groups and the parties, that are also important. Good luck and have a good 5 years at FEUP!