Versão Portuguesa  (English version below)

À CONVERSA COM… Diana Abrunhosa (Embaixadora Alumni FEUP na Irlanda)

Terminou o Mestrado Integrado em Engenharia Civil na FEUP em 2015 e pouco depois rumou a Dublin, onde, neste momento, trabalha como Design Engineer na Arup. Diana Abrunhosa é uma das nossas Embaixadoras Alumni FEUP na Irlanda. Fique a conhecer melhor a engenheira hidráulica, que nasceu no Porto, mas que se denomina uma cidadã do mundo.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Durante o meu percurso académico tive a oportunidade de ir de Erasmus duas vezes para a Dinamarca o que me fez abrir os horizontes e ganhar curiosidade pelo que há pelo mundo. Depois de terminar o curso e mesmo já estando a trabalhar no Porto, continuei à procura de oportunidades no estrangeiro até que um dia abri o meu email da FEUP para ir ao encontro de um email de recrutamento da Mota-Engil para o Reino Unido e Irlanda. Enviei o meu CV por curiosidade, e um dia após a entrevista recebi uma oferta de emprego para a Irlanda, que decidi aceitar. Por ser algo que já quisesse há algum tempo, não tive necessidade de pensar e repensar no assunto. A Engenharia em Portugal ainda necessita de um empurrão e tendo em conta que tinha a noção da necessidade de Engenheiros noutros países, decidi que seria uma boa oportunidade – o que se revelou ser verdade. Até agora a experiência tem sido incrível, há imensas oportunidades na minha área e tenho aprendido imenso. Algo que se nota bastante é que há progressão de carreira e que se nos esforçarmos, conseguimos chegar onde queremos.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Tive emprego no Porto logo após terminar o curso, o que em Engenharia Civil e tendo em conta a situação do país, foi algo bastante positivo. No entanto, passado meio ano de terminar o curso já estava de malas feitas e pronta para me mudar para a Irlanda com contrato permanente.

Como correu a integração na Irlanda? Quais foram os principais desafios? A integração não foi difícil. A empresa para onde fui trabalhar quando me mudei para a Irlanda faz parte do Grupo Mota-Engil o que significava que havia portugueses, talvez uns 6 na altura em que me mudei, que me ajudaram bastante, especialmente sendo a primeira Graduate portuguesa a integrar a empresa. No geral os irlandeses são bastante recetivos a novas pessoas e, até certo ponto, parecidos connosco. O único senão do país, e provavelmente será algo que já estão à espera de saber, é o tempo… O mês de janeiro e os meses de verão são os mais difíceis de ultrapassar. Primeiro porque é o regresso após o Natal com família e amigos, de um clima ameno para um com muito poucas horas de luz e bastante frio e os meses de verão porque estamos à espera que sejam os meses de maior calor, no entanto, não dispensamos um bom casaco… Tirando este ponto, a Irlanda é um óptimo país para viver!

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
O meu objetivo inicial era tentar a minha sorte na Dinamarca após um ano de experiência na Irlanda, no entanto, os planos mudaram e já cá estou há 3 anos! Não sei se a Irlanda será o meu país para o futuro, mas tenciono viajar em trabalho e descobrir novos lugares. O destino é sempre uma incógnita!

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Na verdade, tudo. Mesmo das aulas teóricas obrigatórias às 8h depois de um FEUP Caffe! O convívio faz parte do curso e durante 5 anos convivemos com imensas pessoas e encontramos amigos para a vida. O DEC passou a ser o ponto de encontro com amigos mais novos, mais velhos, que fomos conhecendo nas aulas, onde íamos tomar um café nos intervalos para por a conversa em dia, com as pessoas com quem deixámos de ter aulas juntos. A universidade não pode ser apenas estudar, há um conjunto enorme de coisas que aprendemos, tanto a nível técnico como a nível pessoal.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Não sou apologista de dizer que gostava de ter feito algo diferente. Obviamente que às vezes penso que devia ter estudado mais, ter tido melhores notas a algumas cadeiras… Mas o conjunto da vida académica e vida social que tive durante o curso fizeram com que a minha pessoa se moldasse ao que sou hoje.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
A FEUP é uma grande parte do que somos hoje. Conhecimento, ambição e amigos. Poder continuar a fazer parte da mesma e mostrar que temos orgulho onde estudamos é sempre recompensador.
É sempre bom permanecer em contacto com pessoas/ instituições/ organizações que nos ajudaram no nosso percurso!

Alumni, profissional, embaixadora… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Eu gosto bastante de estar envolvida em muita coisa ao mesmo tempo. Quer seja um hobbie, como algo que faça parte da minha vida profissional. Fui uma de três finalistas em setembro passado para um prémio para o “Environmentalist of the Year 2018” pela CIWEM, uma instituição inglesa de gestão de água e ambiente, em que fiquei bastante contente. Quando posso também estou envolvida em projetos pro-bono com os “Engineers Without Borders” da Irlanda. Recentemente participei num programa entre engenheiros e escolas irlandesas onde tínhamos de responder às perguntas dos alunos sobre engenharia de modo a promover as áreas mais tecnológicas, onde no final do dia podiam votar no engenheiro com que mais se idenficaram. Após duas semanas acabei por ganhar o desafio no qual recebi 500€, que irei usar com o apoio dos Engineers Without Borders em workshops em escolas para, mais uma vez, promover as áreas das ciências. No meu tempo livre, acho que me posso considerar uma viajante do mundo.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Penso que ainda há um mito de que quem vai de Erasmus não aprende nada e acaba por atrasar o curso. Tive estudantes a falarem comigo depois de eu voltar de Erasmus pela primeira vez a dizer que gostavam, mas que queriam terminar o curso em 5 anos. Eu fiz Erasmus duas vezes, aprendi bastante, cresci imenso e terminei o curso em 5 anos (algo que na verdade é só um número) e o facto de ter experiência internacional foi uma mais valia. Eu desafiaria a FEUP e/ou a U. Porto a criarem uma ligação aos alumni que estão fora do país, mas também a quem fez Erasmus nos tempos de Faculdade e que tem tido sucesso na carreira profissional e transmitir essa informação aos estudantes. Para mim o Erasmus foi, talvez, o ponto alto dos meus 5 anos de Faculdade. É algo que recomendo vivamente a quem tem a possibilidade de ir, pois é um grande investimento no nosso futuro, mas que, se o soubermos aproveitar a todos os níveis, compensa!

English Version

Talking to… Diana Abrunhosa (Alumni FEUP Ambassador in Ireland)

She completed her Master’s degree in Civil Engineering at FEUP in 2015 and shortly after went to Dublin, where she works today as a Design Engineer at Arup. Diana Abrunhosa is one of our FEUP Alumni Ambassadors in Ireland. Get to know better the environmentalist, who was born in Porto, but considers herself a citizen of the world.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
During my academic path, I had the opportunity to do 2 semesters abroad under the Erasmus Programme. I did both exchange semesters in Denmark which made open my eyes, broaden the way I see the world and increase my curiosity on what is going on around the world. After graduating and even though I had already a job in Porto, I kept looking for opportunities abroad. One day I decided to open my FEUP e-mail where I came across an email from Mota-Engil saying they were looking to recruit for either UK and Ireland. I decided to send on my CV out of curiosity and got a job offer to Ireland one day after my interview which I decided to accept.
I didn’t need to think about it over and over again as going abroad was something I wanted for a while. Engineering in Portugal still needs a push forward and knowing the demand of engineers abroad I decided that this could be a good opportunity for me – and I was right.
The experience has been great until now, there are several opportunities in my area and I have learning a lot. There is something than can be notice very clearly in Ireland compared to Portugal, there is a clear and deserved career progression and hard works actually takes us where we want and gives us whatever we want to achieve.

Did you go to other places after leaving FEUP?
I got offered a job in Porto right after graduating, which taking in account the financial situation of Portugal it was positive. However, half a year later I had already packed and was ready to move to Ireland with a permanent contract, something quite difficult to get in Portugal.

How was the integration in Ireland? What were the main challenges?
The integration was not difficult. The company I joined when I moved makes part of the Mota-Engil Group which meant there were some Portuguese around, maybe 6 by the time I moved to Ireland. They have helped me a lot in the first couple of months, and especially by being the first Portuguese Graduate to join the company.
In general, Irish are quite welcoming to new people, an in a certain way, similar to us. To be honest, the only downside of the country, and might be something that will pop up in your heads when talking about Ireland, is the weather… January and the summer months are the hardest to break through. The first because we come back after Christmas time with the family and friends, good food and from a mild weather to one with only a few daylight hours and pretty cold, and the summer months as we were expecting them to be the warmest of the year and still, we need a jacket all the time. Other than that, is a great country to live in!

What are your future plans?
My initial goal was to try my luck in Denmark after getting a year or so of experience in Ireland. However, the plans have changed and I ‘m here for 3 years now. I don’t know if Ireland will be my country in the future, but I want to travel and to discover new places. Destiny is always a mystery!

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
In fact, everything. Even the mandatory theoretical classes at 8AM, after a FEUP Caffe! Socializing is part of the course and during 5 years, we meet a lot of people and find friends for life. DEC (Civil Engineering Department) became the meeting point with younger and older friends that we had been meeting during classes, where we went for a coffee during the breaks to chat with people that we no longer had classes with.. University cannot be only studying, there is a whole lot of things that we learn by attending university, from technical to social skills.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
I am not an apologist of saying that I would like to have done something different. There are times that I obviously think that I should have studied more, gotten better grades in some subjects, but the whole academic life and social life that I had during the course shaped me into who I am today.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
FEUP is a big part of what we are today. Knowledge, ambition and friends. Being able to continue to be part of it and show that we are proud of where we studied in is always rewarding. It is always good to keep the contact with people/institutions/organizations that helped us in our path.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
I think that there is still a myth that those who decide to go abroad under the Erasmus Program do not learn anything and end up delaying the course. After coming back from my first exchange semester, I had students coming to me saying that they would like to go on Erasmus but they wanted to finish the course in 5 years. I went on Erasmus twice, I learned a lot, I grew up and I finished the course in 5 years (something that in a matter of fact is only a number) and having international experience was a big asset while looking for a job. I would challenge FEUP and /or the University of Porto to create a bond between the alumni that are abroad, but also between the ones that have gone in Erasmus during their academic years and that have been successful in their careers and spread that information to students. Erasmus was probably the pinnacle of my education in the 5 years I spent in university. It’s something that I truly recommend to the ones that have the chance to do it. It is a great investment in our future and if we know how to enjoy it at all levels, it is definitely worth it!

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I like to be involved in several things at the same time. Whether it is a hobby or something that is part of my professional life. Last September, I was one of the three finalists to the award “Environmentalist of the Year 2018” promoted by CIWEM, an English institution of water and environment management where I was very happy with the outcome. When I have the opportunity, I like to be involved in pro-bono projects with the “Engineers without Borders” (EWB) of Ireland. I have recently joined a project between engineers and schools where we had to reply to children’s questions regarding engineering to promote STEM (Science, Technology, Engineering and Maths) subjects and at the end they could vote for their favorite engineer. I actually won the challenge and received 500€, that I will be spending with EWB helping with workshops at schools. In my free time, I consider myself a world traveler.

 
The advice to FEUP students (On Vídeo)

Hello Everybody!
Having good grades along university is important, but it’s not everything. There’s a huge set of soft skills that you will not learn in a class room and sometimes they can be more important than the technical knowledge you get during your academic course at FEUP. Reunions are part of an engineer’s day and to know how to communicate is crucial and important. Join students associations, extracurricular activities, do the presentation of your group work, because in the end you will be more confident with your presentations, you will feel, in the future, more comfortable in a reunion. While you are studying, don’t be afraid to ask because if no one answers you, or if you don’t know the answer, you will be with the question until someone else asks it and that could take a week, two months… or it can take forever. So don’t be afraid to ask! Enjoy the time at the faculty and good luck! Good luck in your academic path! If you have the chance, take the Erasmus Program, it will open your horizons. See you somewhere around the world!