Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM…  Diana Lopes (Embaixadora Alumni FEUP na República do Gana)

Diana Lopes terminou engenharia civil na FEUP em 2007, mas percebeu desde cedo que a carreira a levaria para longe do Porto, onde nasceu. Aventureira por natureza, está há 7 anos no Gana, em África, onde é Project Manager na Vamed. Saiba mais sobre a engenheira que não conseguiria viver sem música, sem viajar e sem os pratos típicos do Porto.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Assim que terminei o curso já havia vontade de ir para fora. Uns meses em Portugal, seguidos por uma experiência de um estágio pela Europa, na Roménia com a Martifer. Após este estágio, e de volta a Portugal o bichinho continuou, mas ainda fiquei pelo Porto mais uns anos. A crise económica, e no sector da construção, acabou por facilitar a abertura de portas, e até “empurrar” muitos portugueses para ofertas no estrangeiro.  Na altura estava na Ferreira Build Power, empresa que estava a investir e a começar projetos na Líbia, Gana e Brasil. Na verdade, o que queria mesmo era o projecto da Líbia, um museu militar, mas… infelizmente veio a guerra e ficou tudo na movimentação de terras. Com as restantes opções, tive a oportunidade de ser convidada para um novo desafio e de poder escolher o Gana. E não me arrependo nada da escolha. Tenho trabalhado e convivido com pessoas e colegas de diferentes países e culturas, vivo num pequeno Globo local. Agora estou com uma empresa austríaca do ramo da saúde, a Vamed, e por aqui vamos construindo hospitais. A experiência tem sido extremamente positiva a todos os níveis.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Sim. Quando deixei a FEUP ainda estive um ano pelo Porto. Entre entrevistas e trabalho tive a oportunidade de abraçar o Programa Inov Contacto na Roménia. Aconselho vivamente a quem estiver interessado ou curioso, numa aventura no estrangeiro, a concorrer. Foi uma experiência bastante enriquecedora e positiva.

Como correu a integração no Gana? Quais foram os principais desafios?
Na verdade, muito melhor do que estava à espera.
Quando vim para o Gana, havia muitos colegas a dizerem: “Vais para África? Credo!”, “Gana é África para principiantes… é a Suíça lá do sítio”. Havia comentários do mais entusiasta ao mais desmotivador. Na verdade é tudo isso e muito mais. Aprendemos a valorizar tudo de maneira diferente, chegando mesmo à conclusão de que não precisamos de metade daquilo que achamos tão indispensável no dia a dia. Não era a primeira portuguesa… era só mais uma… o país está cheio de castelos e marcas dos nossos antepassados.
O maior desafio e descoberta é a capacidade de interagir com toda uma nova cultura, costumes, língua e hábitos. Criar novos amigos e moldar as nossas expectativas à realidade que nos rodeia. Os Ganeses são um povo bastante simpático e recebem os expatriados de uma forma positiva, acreditam no desenvolvimento do país e que todos podemos ajudar. (Claro que há sempre exceções). Mas como tudo tem um lado menos fantástico… são muito “lentinhos” na generalidade! Paciência é uma habilidade que tem que ser desenvolvida por aqui. Tudo tem o seu próprio ritmo. Desde os procedimentos com instituições, ao implementar dos projetos, ao trabalho diário, a uma simples tarefa. Nas zonas de interior mão de obra qualificada é quase inexistente, o que dificulta muito a progressão dos trabalhos. As frases mais usadas por aqui sao o “i’m coming oo” e o “i dey go come oo”, e sempre referentes a várias horas e nunca minutos. 🙂
O tempo maravilhoso, mesmo quando cai uma tempestade e inunda tudo. O trânsito caótico. Bem mais limpo do que o que esperei encontrar. A comida está a melhorar. Os supermercados há sete anos atrás tinham uma oferta bastante limitada e eram muito poucos, agora já começa a haver muito mais. Já só se traz na mala os nossos queijos e enchidos e o de sempre bacalhau e vinho. As rendas das casas caríssimas e muitas ainda com acessos por estradas de terra. Na verdade, tudo pode ser um constante desafio.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Quando vim para o Gana a ideia era um, dois anos… na verdade, dia 3 de novembro fez sete anos que estou por cá, e, parece que cheguei ontem. E desafios novos vão surgindo todos os dias. Não sei quanto tempo mais fico por aqui ou se passo por outro país num futuro próximo, uma vez que a minha empresa está representada um pouco por todo o mundo, e a mobilidade não me assusta assim tanto.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Da FEUP na Rua dos Bragas… onde tudo começou. A praxe, os amigos, a proximidade entre os diferentes cursos, a disponibildade e sentido de humor de muitos professores, das conversas de corredor, os panikes do Sr. Jorge e as cartas batidas no bar do parcauto, a boa disposição da D. Beatriz, das pequenas coisas que nos fazem esboçar um sorriso sempre que as recordamos.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Normalmente não me arrependo muito daquilo que fiz, talvez às vezes daquilo que não fiz. Na verdade, acho que não mudava muita coisa, ou quase nada. Um pouco mais de estudo e compromisso era capaz de não ter sido má ideia, mas eu gostava de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e de estar envolvida ainda em mais… e…ainda gosto, continuo igual. Mas, sendo realista, foi o que me moldou e me fez chegar aqui.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Claro que sim. Por muito tempo a nossa segunda casa era a FEUP. Fizemos bons amigos e colegas de trabalho. Representar uma instituição, que nos formou e da qual temos orgulho, é uma oportunidade de fortalecer laços e partilhar experiências.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
A FEUP além-fronteiras. Com intercâmbios e acordos com Universidades estrangeiras bem como com empresas. A possibilidade de viabilizar maiores linhas de contacto profissionais entre alumni FEUP em Portugal e no estrangeiro, com e entre empresas, de modo a fomentar oportunidades de trabalho, troca de experiências e conhecimentos de mercado.  

Alumni, profissional, embaixadora… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Gosto demasiado de viajar e tento fazê-lo assim que surge uma oportunidade. Chego mesmo a ir menos a Portugal para ir visitar o mundo. Adoro ter contacto com outras culturas, pegar num mapa e simplesmente redescobrir tudo, conhecer e interagir com as pessoas e costumes. Outra das minhas paixões é a música. Que vai servindo de pretexto para muitas viagens também.
Quando chego ao Porto não fico realmente contente até me deliciar com umas Tripas à Moda do Porto, uma francesinha e umas bifanas cheias de molho!

 

English Version

Talking to… Diana Lopes (FEUP Alumni Ambassador in Republic of Ghana)

Diana Lopes completed civil engineering at FEUP in 2007, but soon realized that her career would take her away from Porto, where she was born. Adventurous by nature, she has been in Ghana, Africa, for 7 years, where she is Project Manager at Vamed. Know more about the engineer who could not live without music, traveling and typical cuisine from her hometown.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
By the time I graduated, I wanted to go abroad. I stayed a few months in Portugal, followed by an internship experience with Martifer, in Europe, more specifically in Romania. After this internship I went  back to Portugal and the desire continued, but I stayed in Porto for a few more years. The economic crisis, also in the construction sector, has made it easier to open doors, and even “push” many Portuguese to offers abroad. At the time, I was at Ferreira Build Power, a company that was investing and starting projects in Libya, Ghana and Brazil. Actually, what I really wanted was the Libyan project, a military museum, but…unfortunately the war came, and it was all very unsure. With the remaining options, I had the opportunity to be invited to a new challenge and to be able to choose Ghana. I regret nothing. I have been working and living with people and colleagues from different countries and cultures, living in a small local globe. Now I’m working in an Austrian health care company, Vamed, and we are building hospitals here. This experience has been extremely positive at all levels.

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes. When I left FEUP, I continued in Porto for a year. Between interviews and work, I had the opportunity to embrace the Inov Contacto Program in Romania. I strongly advise anyone interested or curious about an adventure abroad to apply. It was a very enriching and positive experience.

How was the integration in Ghana? What were the main challenges?
In fact, much better than I was expecting.
When I came to Ghana, many colleagues were saying, “Are you going to Africa? God! ”,“ Ghana is Africa for beginners… it’s African Switzerland. ” There were comments from the most enthusiastic to the most demotivated. In fact it is all that and more. We learn to value everything differently, even concluding that we do not need half of what we find so indispensable in everyday life. I was not the first Portuguese… I was just one more… the country is full of castles and landmarks of our ancestors.
The biggest challenge and discovery is the ability to interact with a completely new culture, customs, language and habits. Create new friends and shape our expectations to the reality around us. The Ghanaians are nice people and welcome expatriates positively, they believe in the development of the country and that we can all help. (Of course, there are always exceptions). However, as everything has a less fantastic side… people are very “slow” in general! Patience is a skill that has to be developed here. Everything has its own pace. From procedures with institutions, from project implementation, to daily work, to a simple task. In the interior of the country, skilled labour is almost nonexistent, which makes the progression of the work very difficult. The most commonly used phrases here are “i’m coming oo” and “i dey go come oo”, always referring to several hours and never minutes. 🙂
Pleasant weather, even when a storm falls and floods everything. The chaotic traffic. Much cleaner than what I expect to find. The food is getting better. Seven years ago supermarkets had a very limited supply and were very few, and now there is much more. I only bring in my suitcase our Portuguese cheese and sausages and the traditional cod and wine. The house rents are prohibitive and many still have access by dirt roads. Everything can be a constant challenge.

What are your future plans?
When I came to Ghana, the idea was to stay one, two years… in fact, on November 3rd, it made seven years and it looks like I arrived yesterday. And new challenges are emerging every day. I don’t know how much longer I will stay here or move to another country in the near future, since my company is represented all over the world, and mobility doesn’t scare me that much.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
From FEUP on Rua dos Bragas… where it all began. The freshmen rituals, the friends, the proximity between the different courses, the availability and sense of humor of many teachers, the hallway conversations, Mr. Jorge’s “panikes” and playing cards at the bar of parcauto, Mrs. Beatriz’s good mood, all the little things that make us smile whenever we remember them.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
I usually don’t regret much of what I did, maybe sometimes of what I didn’t do. I don’t think I would change much or almost nothing. A little more study and commitment might not have been a bad idea, but I enjoyed doing many things at the same time and being involved in even more… and… I still like it, and I still look the same. However, being realistic is what shaped me and got me here.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
Of course. For a long time, our second home was FEUP. We made good friends and co-workers. Representing an institution that formed us and of which we are proud, is an opportunity to strengthen ties and share experiences.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
FEUP across borders. With exchanges and agreements with foreign universities as well as companies. The possibility of enabling higher professional contact lines between FEUP alumni in Portugal, abroad, with and between companies, to promote job opportunities, exchange of experiences and market knowledge.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I enjoy travelling too much and try to do it as soon as an opportunity arises. I even go less to Portugal so that I can visit the world. I love having contact with other cultures, taking a map and simply rediscovering everything, getting to know and interacting with people and customs. Another of my passions is music, which is being an excuse for many trips as well. When I get to Porto I am not really happy until I delight myself with some “Tripas à Moda do Porto” a “francesinha” and some “bifanas” full of sauce!

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Hi, my name is Diana. I’m an alumni ambassador in Ghana. My advice to you is to make the most of your Faculty time. Take it easy, enjoy the friends you make during the breaks and in your study groups. Take the opportunity to enrich your communication skills, take part in extracurricular activities, go abroad if you have the opportunity with the Erasmus Program and take advantage of the faculty, which is full of outstanding professionals.
I’m here for any questions, any curiosity about Ghana, even a visit… good luck everyone! Merry Christmas!