Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… Hélder Gonçalves (Embaixador Alumni FEUP no Reino Unido)

Hélder Gonçalves nasceu em Braga, terminou o Mestrado Integrado em Engenharia Civil na FEUP em 2012 e trabalha atualmente na Jacobs Engineering onde é Senior Highways Engineer. O Engenheiro Civil vive em Manchester e é um dos Embaixadores Alumni FEUP no Reino Unido. Gosta de viajar, de relógios, de bricolage, de golfe e de carros… uma paixão que vai mais longe, quando diz que o seu “plano para a reforma é ter uma oficina de restauro de carros clássicos.”

Como surgiu a oportunidade de ir para fora?
Em 2004 vim fazer um estágio de verão para Portsmouth através da Escola Profissional de Braga, tinha ainda 16 anos, e visitei várias cidades mas fiquei decididamente fascinado por Londres. Tendo a maioria da minha família emigrado a certo ponto, pensei durante vários anos que seria interessante viver e trabalhar no Reino Unido. Depois de visitar Londres quatro vezes acabei por me mudar para Doncaster, uma pequena vila no norte de Inglaterra, aos 27 anos.
Após concluir a faculdade, o meu objectivo era ganhar dois anos de experiência em Portugal e depois procurar emprego no Reino Unido, e assim o fiz. Não me deram emprego na primeira entrevista que tive pelo Skype, mas através de um recrutador lá consegui uma outra entrevista noutra empresa que acabou por me dar a oportunidade.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Depois da FEUP e antes de vir parar a Inglaterra estive dois anos em Coimbra a fazer investigação no Departamento de Engenharia Civil da FCT da Universidade de Coimbra no ramo da Acústica, que tinha sido o tema da minha tese de mestrado.

Como correu a integração no Reino Unido? Quais foram nos principais desafios?
Eu levei a integração sempre como um desafio e sabia de antemão que não seria tudo dias de sol… No que respeita à profissão, a aprendizagem tem sido decididamente exponencial, every day is a school day como dizia um colega meu inglês, mas claro que isso exige um esforço pessoal enorme. Olhando para trás, as maiores dificuldades foram na adaptação a um meio diferente e o querer evoluir rápido enquanto aprendia maioritariamente por mim próprio como tudo funcionava no país, indústria, etc. Aprender a língua e os aspectos culturais do país e da região também é sempre um desafio, especialmente quando não há portugueses, espanhóis ou italianos à nossa volta.
No entanto, regra geral, quanto maior é o desafio maior é o meu interesse em agarrá-lo. Isso foi algo que sinto que a FEUP reforçou na minha personalidade.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Neste momento penso que chegou o ponto de priorizar a família um pouco mais em relação à aventura e carreira, mas confesso que se conseguir convencer a minha esposa a mudar para a Califórnia isso possa vir a tornar-se  uma realidade. Profissionalmente, gostaria de num futuro próximo vir a ingressar num MBA e progredir de forma lateral na minha carreira. Um bom desafio é sempre bem-vindo!

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Depois das amizades e espírito de equipa entre colegas, tenho também saudades de todos os dias aprender imenso com todos os professores e dos desafios que cada disciplina despoletava em mim e da minha ambição em ultrapassá-los.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Se voltasse a ser estudante provavelmente tentaria interagir mais com os professores e aprender ainda mais, mas também teria certamente concorrido ao programa Erasmus.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Ser embaixador Alumni permite-me não só manter o contacto directo com outros que passaram pela FEUP e espero contribuir com algum conhecimento que tenha adquirido ao viver e trabalhar numa outra cultura.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Inovação é hoje o “drive” das consultoras que querem fazer a transição de prestadores de serviços para prestadores de soluções, para que resolvam não só o problema momentâneo, mas que providenciem uma solução para um problema. Seria interessante ver em cursos de Engenharia Civil uma componente que instigue a inovação.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
O meu percurso pessoal, escolar e universitário é possivelmente um dos mais improváveis. O meu pai e a minha mãe têm respectivamente a 4a e a 6a classe, eu fiz o ensino secundário numa escola profissional e o meu sonho era um dia ser Engenheiro Civil. Fiz a minha licenciatura na Universidade de Évora (porque não conseguia entrar na FEUP), terminei com o Mestrado Integrado na FEUP com uma média de 14.3 valores, e já mudei de carreira três vezes. Hoje trabalho para a multinacional americana Jacobs Engineering (52 000 funcionários, $13B de revenue), a segunda maior consultora de engenharia do mundo e lidero neste momento projectos de auto-estradas no valor de várias centenas de milhões de libras. Os meus gostos pessoais são muito variados, mas decididamente destacam-se o gosto por carros, relógios, bricolage, golfe e em viajar. O meu plano para a reforma é ter uma oficina de restauro de carros clássicos, mas ainda tenho que aprender mecânica até lá. 🙂

 

English Version

Talking to… Hélder Gonçalves (FEUP Alumni Ambassador in the UK)

Hélder Gonçalves was born in Braga, completed the Integrated Master in Civil Engineering at FEUP in 2012 and currently works at Jacobs Engineering where he is Senior Highways Engineer. The Civil Engineer lives in Manchester and is one of the FEUP Alumni Ambassadors in the United Kingdom. He likes to travel, watches, DIY, golf and cars … a passion that goes further, when he says that his “plan for retirement is to have a workshop and restore classic cars.”

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
In 2004 I came for a summer internship in Portsmouth organised by Escola Profissional de Braga, I was 16 years old, and visited various cities but London definitely fascinated me the most. Most of my family emigrated at some point in their lives, therefore I thought during several years that would be a great experience for me to live and work in the UK. After visiting London four times I ended up moving to Doncaster, a small town in the north of England, at the age of 27.  After graduating my priority was to get two years of experience while in Portugal to then look for a job in the UK, and that was what happened. I couldn’t get a job from the first skype interview, but through a recruitment agency I took another interview and they made me a job offer.

Did you go to other places after leaving FEUP?
After graduating with FEUP and before moving to the UK I spent two years in Coimbra doing research in Acoustics within the Department of Civil Engineering of the FCT of University of Coimbra. This actually happened because Acoustics was the subject of my Master Thesis.

How was the integration in the UK? What were the main challenges?
I took my integration in the UK as a challenge and knew in advance that it wouldn’t be just sunny days… In regards to the profession my learning curve was absolutely exponential, every day is a school day, like a British colleague use to say, but off course that came at a great personal effort. Looking backwards now, the most difficult for me was actually trying to adapt to a new environment but still with anger to grow fast while learning mainly by myself how everything works in the country, industry, etc. Also, learning a language and the cultural aspects of the country and region is always a challenge, especially if there are no other Portuguese, Spanish or Italian around. Nevertheless, as a general rule, the bigger the challenge the more interesting it is for me to overcome it. I believe that FEUP had a great influence in strengthening that on my personality.

What are your future plans?
It got to a point where I feel that I need to prioritise the family a bit more in comparison to adventure and career, although I must confess that if I convince my wife to move to California that can become a reality. Professionally, I would like to take an MBA and progress laterally on my career. A good challenge is always welcome!

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
After the friendship and team spirit between colleagues, I miss to go home feeling that I learnt a lot everyday with all the professors, but also the challenges posed by each subject and my ambition in overcoming them.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
If the time could go back, I would probably try to interact more with professors and learn even more, and I would definitely apply for the Erasmus programme.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
Becoming an Alumni Ambassador allows me not only to remain in touch with other Alumni from FEUP but also contribute with knowledge that I have acquired in living and working on a different culture environment.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
Innovation is today’s drive for engineering consultancies to be able to transit from service providers to solutions providers, so that they can provide solutions for the actual problems instead of providing quick fixes for current issues. It would be interesting to see civil engineering degrees with a component that instigates innovation in future professionals.

Alumni, professional, ambassador… what else should we know about you?
Share with us a curiosity so we can know you better.
My personal, scholar and academic path is a very unlikely one. My father and my mother have respectively the 4th and 6th class, I made my secondary school at a professional school and my dream was one day to become a Civil Engineer. I have made my bachelor’s degree at University of Évora (as I couldn’t go to FEUP), finished my Integrated Masters at FEUP with 14.3 out of 20, and I have changed my career already three times. Currently I work for the multinational American company Jacobs Engineering (52,000 staff, $13B revenue), the second largest engineering consultancy company in the world and I have been leading motorway projects worth several hundred of million pounds. My personal interests are varied, but I can highlight my special interest for cars, watches, DIY, golf and for travelling. My plan for retirement is to have a workshop and restore classic cars, but I need to learn mechanics before that. 🙂

The advice to FEUP students (On Video)
Hello everyone. My name is Hélder, I am Alumni Ambassador in Manchester, United Kingdom, and as future engineers in a world that is constantly changing, please make the most of your time at FEUP, it is a unique learning time in your lives. Take the opportunity to interact with teachers and researchers and this will allow you to learn more and faster and also to create your networks as students. Soft Skills are something that you should give as much time as possible, whether it is working in associations, groups or anything else that allows you to develop your soft skills. If you still have the opportunity to participate in the Erasmus program, definitely go for it because it will be extremely valuable for your future. When you start your career don’t be afraid to take risks, to move country, change careers or any other type of change. All of this will allow you to develop on a professional and personal level and I am sure you will be successful. I wish you good luck for the future! See you around!