Versão Portuguesa (English version below)

À CONVERSA COM… Hugo Ribeiro (Embaixador Alumni FEUP em Angola)

Quis o destino que Hugo Ribeiro nascesse no Porto, no mesmo dia em que Universidade do Porto (a 22 de março), mas hoje divide o seu tempo entre Lisboa e Luanda, onde é Embaixador Alumni FEUP em Angola.  O engenheiro, que já passou por Espanha, terminou o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores em 2007 e atualmente é Secretário Fiscal do Comité Angolano de Barragens.  Adora a cor azul, é amante de xadrez e de um bom vinho… fique a conhecê-lo melhor nesta entrevista.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora?
Por vezes as oportunidades para ir para fora aparecem quando menos esperamos, a minha apareceu num dia normal de trabalho. Recebi uma mensagem no LinkedIn de um headhunter que me questionou sobre a minha disponibilidade para ir para fora. Após uma troca de mensagem e um telefonema o processo de recrutamento prosseguiu e assim embarquei nesta aventura.

Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Esta é a minha segunda experiência no estrangeiro. Comecei a minha carreira profissional em Espanha, assim já tinha algum conhecimento do que podia enfrentar. No entanto cada local é diferente e posso dizer que Angola é muito diferente. Como diferente não digo difícil, Angola é um país muito agradável, as pessoas na sua essência são muito afetivas e amigáveis.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Como já referi comecei a trabalhar em Espanha onde tive a oportunidade de trabalhar em mais que uma cidade. No regresso a Portugal fui trabalhar para Lisboa. Mais tarde estive no Arquipélago dos Açores e agora Angola. A empresa trabalha noutros países o que já me fez viajar para a Tanzânia.

Como correu a integração em Angola? Quais foram os principais desafios?
Angola é um país que primeiro se estranha, mas depois se entranha, comigo não foi diferente. A chegada a Angola deixa a sua marca, saídos do avião sentimos logo o calor e o cheiro de África. Depois temos as filas para o passaporte que, digamos, leva o seu tempo. Aqui podemos contar com uma grande comunidade Portuguesa que facilita em muito a nossa integração, rapidamente conhecemos os melhores locais para visitar, bons restaurantes e sem darmos conta já estamos integrados na comunidade Portuguesa. Mas nem tudo é fácil. Temos de lidar com situações que, vivendo aqui em Portugal, não são fáceis de imaginar. Se a pobreza em Angola é bastante conhecida assim como as longas filas de trânsito, o mesmo não se pode dizer de sentirmos a liberdade “condicionada”. Apesar de não me sentir inseguro é necessário pensar sempre na localização do nosso destino, assim como e por onde vamos.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Continuar emigrado é um plano para manter, aqui somos colocados fora da nossa zona de conforto e assim conseguimos crescer e continuar a aprender. Gosto muito de Angola e de África, sinto-me confortável aqui em Angola. Moçambique é um país onde gostava de abraçar uma oportunidade. Quando estudante tinha o objetivo de ir trabalhar para a Alemanha ou Reino Unido que ainda mantenho hoje.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Quando entrei na FEUP a Faculdade ainda se encontrava na Rua dos Bragas. Passei dois anos num lugar cheio de história que muitas saudades deixaram. A escadaria do Edifício central onde nos juntávamos para a praxe, a sala de convívio onde se juntavam alunos de todos os cursos, o Lago de Minas, o Parque Alto, o Edifício Garret e o Ginásio nas instalações do antigo liceu, e o estarmos no centro da cidade proporcionaram momentos que recordo com mais saudade.  Já nas novas instalações guardo com saudade momentos mais recatados, a entreajuda entre colegas nos trabalhos ou o contacto mais próximo com os professores.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Não digo que fizesse muitas alterações, mas acredito que teria feito o programa Erasmus.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
É com muito prazer que encaro a posição de Embaixador Alumni. Tenho a oportunidade de continuar ligado à Faculdade, uma instituição que muito admiro. Grande parte do que sou hoje devo ao tempo que passei na FEUP, não é apenas o local onde me formei, mas também onde cresci.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Um grande desafio que proponho seria a equivalência de cursos, muitos expatriados precisam de fazer processos que podem ser mais que simples processos administrativos para exercerem a sua posição de engenheiro.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Gosto de jogar xadrez, sou capaz de passar horas a olhar para o tabuleiro a pensar numa jogada.
Adoro a cor azul, todos os dias tenho sempre algo em azul comigo.
Nasci a 22 de Março, no mesmo dia que a Universidade do Porto.
Adoro provar vinhos, sempre com moderação.

 

English Version

Talking to… Hugo Ribeiro (FEUP Alumni Ambassador in Angola)

Hugo Ribeiro was born in Porto, on the same day the University of Porto was founded, (on March 22nd), but today he divides his time between Lisbon and Luanda, where he is FEUP Alumni Ambassador in Angola. The engineer, who has already been in Spain, completed the degree in Electrical and Computers Engineering in 2007 and he is currently working as Fiscal Secretary of the Committee of Dams of Angola. He loves the blue color, and he is passionate about chess and good wine… get to know him better in this interview.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
Sometimes opportunities to work abroad come when we least expect it, mine came on a normal workday. I received a LinkedIn message from a headhunter who asked me about my willingness to go abroad. After an exchange of messages and a phone call the recruitment process continued and so I start this adventure.

How is the experience abroad?
This is my second experience abroad. I started my professional career in Spain, so I already had some knowledge of what I could face. However each location is different and I can say that Angola is very different. As different I don’t say difficult, Angola is a very pleasant country, the people in its essence are very affectionate and friendly.

Did you go to other places after leaving FEUP?
As I mentioned I started working in Spain where I had the opportunity to work in more than one city. On my return to Portugal I went to work in Lisbon. Later I was in the Azores Archipelago and now Angola. The company works in other countries which has already made me travel to Tanzania.

How was the integration in Angola? What were the main challenges?
Angola is a country that is strange at first, but later on, it enters in our hearts and it was no different with me. The arrival in Angola leaves its mark, leaving the plane and feeling the heat and smell of Africa. Then there are the lines for the passport which, let’s say, takes its time.
Here we can count on a large Portuguese community that greatly facilitates our integration, we quickly know the best places to visit, good restaurants and without realizing it, we are already integrated into the Portuguese community.
But not everything is easy. We have to deal with situations that, living here in Portugal, are not easy to imagine. If poverty in Angola is well known, as well as the long lines of traffic, the same cannot be said of the feeling of “conditioned” freedom. Although I don’t feel insecure, it is always necessary to think on the location of our destination, and on how to get there.

What are your future plans?
Continuing to emigrate is a plan to maintain, here we go outside our comfort zone and so we can grow and continue to learn. I really like Angola and Africa, I feel comfortable here in Angola. Mozambique is a country where I would like to embrace an opportunity. When I was a student I had the goal of going to work in Germany or the UK, which I still have today.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
When I entered FEUP, the Faculty was still in “Rua dos Bragas”. I spent two years in a place full of history that I missed a lot. The staircase of the central building where we used to gather for the freshman arrival activities, the social room where students from all courses gathered, “Lago de Minas”, “Parque Alto”, “Edifício Garret” and the gym in the facilities of the former high school, and being in the downtown provided moments that I remember with more nostalgia. In the new facilities, however, I look forward to more demure moments, the mutual help between colleagues at work or closer contact with the teachers.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
I’m not saying I made many changes, but I believe I would have made Erasmus Program.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
It is with great pleasure that I face the position of Alumni Ambassador. I have the opportunity to remain connected to the Faculty, an institution that I greatly admire. A large part of what I am today is due to my time at FEUP, not only where I graduated, but also where I grew up.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
A major challenge I propose would be the equivalence of courses, many expatriates need to do processes that can be more than simple administrative processes to exercise their position as an engineer.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I like to play chess, I can spend hours looking at the board thinking of a move.
I love the blue color, every day I always have something blue with me.
I was born on March 22, the same day as the University of Porto.
I love tasting wines, always in moderation.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Hi, I’m Hugo, I’m FEUP Alumni Ambassador in Angola. I was challenged to give some advice for the student community. Here they go. The first advice is to learn a different language. In addition to Portuguese and English, a third language will make a big difference during your professional life. So take advantage of all the tools that the University of Porto gives you to learn and master a third language that, believe me, will make a difference throughout your professional life. The second advice is related to not being afraid to leave your comfort zone and face challenges. As FEUP students and future FEUP engineers, believe that you are capable of overcoming each and every challenge that is placed in front of you. Finally, if you want to immigrate, count on the help of all the Ambassadors and the entire FEUP community around the world to help you. I hope to see you around!  Thank you!