Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… José Calejo (Embaixador Alumni FEUP na Dinamarca)

Este mês viajamos até à Dinamarca para conhecer melhor o Embaixador Alumni FEUP, José Calejo, que completou em 2015 o Mestrado Integrado em Engenharia Civil.
O Engenheiro Geotécnico, atualmente a trabalhar na Cowi A/S, cresceu junto ao mar, em Leça da Palmeira, mas descobrimos que as montanhas são a sua grande paixão!

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Desde que fui de Erasmus fiquei com vontade de trabalhar fora de Portugal, integrado em novas culturas. Quando chegou a altura de pensar na tese de mestrado entrei em contacto com professores, que por fim me levaram a entrar num acordo de desenvolver a minha tese em ambiente empresarial na COWI, onde trabalho neste momento. Terminada a tese, fui convidado a ficar a trabalhar nesta empresa como engenheiro Geotécnico, onde estou desde 2015.
Viver e trabalhar no estrangeiro dá-me a oportunidade de me integrar numa cultura diferente, aprender uma nova língua e ganhar novos (e melhores) hábitos. De um modo geral, está a ser uma experiência muito enriquecedora a nível profissional e pessoal.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Depois de deixar a FEUP fiquei logo pela Dinamarca. Mas durante o meu percurso académico fiz um semestre de mobilidade em Trondheim na Noruega. Esta foi uma experiência que agora reconheço indispensável para o meu desenvolvimento interpessoal e aconselho-a vivamente a todos os estudantes da FEUP.

Como correu a integração na Dinamarca? Quais foram os principais desafios?
A integração num país nórdico não é de modo geral fácil, considerando a língua, sociedade e clima. Na Dinamarca, aprender a língua é um desafio constante. O dinamarquês é uma língua com uma fonética bastante diferente da língua portuguesa, com sons que demoram anos a “masterizar”.
A sociedade, bastante mais fechada que a portuguesa, consegue criar muita frustração no processo de integração.
O clima frio e de pouco sol traz saudades do calor de Portugal. Foi um desafio reaprender a aproveitar a cidade nos dias de 0 graus…

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Por agora, tenho projetos profissionais e pessoais que passam pela Dinamarca. Cada vez mais vou ganhando responsabilidade dentro da empresa, com projetos em toda a Escandinávia que me vão dando mais conhecimento e expertise nos vários campos da geotecnia. Mas, sendo a COWI uma empresa global, tenho interesse em fazer mobilidade para escritórios em países como Índia, Singapura ou Noruega.
A médio/longo prazo, tenho uma grande vontade de voltar para Portugal e ajudar no desenvolvimento do país. Tenho um especial interesse em desenvolver projetos inovadores na área da agricultura, apesar de não ter suficiente conhecimento técnico. Mas penso que Portugal tem um potencial económico enorme, que não está a ser explorado, e faz parte da minha responsabilidade como jovem português ajudar no crescimento do país.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Recordo com bastante saudade o ambiente do DEC, o ponto de encontro dos estudantes de engenharia civil onde partilhávamos conhecimento, um café e boas histórias. Recordo também com carinho o tempo para me envolver nas atividades na IACES e todo o ambiente académico.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Sinceramente, os meus tempos de estudante foram tão intensos e fiz tanto de tanta coisa, que não consigo pensar em algo específico que fizesse diferente. Penso que as decisões que tomei ao longo do meu período académico foram as decisões que faziam sentido na altura e até ver nenhuma me levou a mau-porto. Mas pensando duas vezes, talvez fizesse um esforço extra para me envolver em atividades de investigação com os laboratórios do departamento.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Ser Embaixador Alumni foi um desafio que aceitei para poder continuar a sentir a FEUP como parte da minha vida. É um prazer ver a evolução da Faculdade ao longo dos anos e estar de certo modo ativamente ligado à instituição faz-nos sentir ainda mais orgulhosos. A FEUP é feita de pessoas e da memória das pessoas. E sinto que este desafio é mais um passo para manter a memória dos Alumni viva, partilhando histórias que dão vida aos nossos bons momentos na faculdade (apesar da distância espacial e temporal). Como embaixador Alumni são estes pequenos pedacinhos de FEUP que procuro retribuir à (memória da) Faculdade.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U. Porto?
Um desafio que coloco à FEUP é tornar-se a vanguarda da Engenharia na Europa, investindo na investigação e desenvolvimento para procurar soluções para os problemas que o futuro apresenta. E desafio ainda a que isto seja feito envolvendo mais os estudantes nos projetos de investigação ainda durante o curso. É crucial que os engenheiros que a FEUP cria se sintam parte das soluções do futuro e que tenham a oportunidade de explorar as suas capacidades nesse sentido. Quer seja por maior participação em projetos de R&D extracurriculares, quer seja por mais incentivos à execução de projetos curriculares, o importante é que os estudantes e graduados da FEUP se sintam capazes de por mãos-à-obra para serem a solução do futuro.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
A natureza, a vida ao ar livre e em especial as montanhas fascinam-me muito. Fazer um hike a subir uma montanha para ter uma vista inesquecível lá do alto é uma experiência incrível. Só é pena que a Dinamarca seja uma “panqueca” e tenha sempre que me deslocar a outro país para fazer uns bons hikes na montanha.
Adoro viajar em “budget mode”, simplesmente pôr a mochila às costas e ir. Conhecer novas e diferentes culturas interagindo com os locais é para mim a melhor maneira para viajar. É uma maneira de me desligar do mundo onde vivo e por uns dias viver inserido numa cultura específica. Ultimamente, tenho feito viagens de alguns dias de bicicleta como treino para uma possível volta ao país neste Verão. Quiçá, daqui a uns anos estarei a pedalar de volta a Portugal.

 

English version below

Talking to… José Calejo (FEUP Alumni Ambassador in Denmark)

This month we travelled to Denmark to get to know the FEUP Alumni Ambassador, José Calejo, who completed the Integrated Master in Civil Engineering in 2015.
The Geotechnical Engineer, currently working at Cowi A/S, grew up by the sea, in Leça da Palmeira, but we discovered that he has a great passion for the mountains!

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
Since I did the mobility at the Erasmus Programme, I wanted to work outside of Portugal, integrated into new cultures. When it came the time to think about my master’s thesis, I talked with professors that lead me to make an agreement to develop my thesis in a company environment at COWI, where I work nowadays. When I finished my thesis, I was invited to work at that company, where I am since 2015 as a geotechnical engineer.
To live and work abroad allows me to integrate in a different culture, learn a new language, and gain new (and better) habits. In a general way, it’s an enriching experience in a professional and personal level.

Did you go to other places after leaving FEUP?
After leaving FEUP, I stayed in Denmark. But during my academic studies, I did an outgoing semester in Trondheim in Norway. That has been an experience, that now I recognize as indispensable to my interpersonal development and I strongly recommend it to all FEUP students.

How was the integration in Denmark? What were the main challenges?
The integration in a nordic country it’s not easy in a general way, considering language, society, and climate.  In Denmark, learning the language is a constant challenge. Danish is a language with a quite different phonetic from the portuguese, with sounds that take years to “master”.
The society, much more closed than the portuguese, can create much frustration in the integration process. The cold and the lack of sunny weather makes you miss the warmth of Portugal. It was a challenge to relearn how to enjoy the city on days of 0 degrees.

 What are your future plans?
For now, I have professional and personal projects here in Denmark. I am gaining more and more responsibility within the company, with projects throughout Scandinavia that are giving me more knowledge and expertise in various fields of geotechnics. But since COWI is a global company, I am interested in being stationed at offices in countries like India, Singapore or Norway.
In the medium / long term, I have a great desire to return to Portugal and help in the development of the country. I have a particular interest in developing innovative projects in the agriculture field, although I do not have enough technical knowledge. But I think Portugal has an enormous economic potential, which is not being exploited, and it is part of my responsibility as a young portuguese to help the country grow.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
I remember with great nostalgia the DEC environment, the meeting point of the civil engineering students, where we shared knowledge, a coffee, and good stories. I also remember with affection the time to get involved in the activities at IACES and the entire academic environment.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
Honestly, my student days were so intense, and I did so much of it, that I can’t think of anything specific that I would do otherwise. I think the decisions that I made throughout my academic period were the decisions that made sense at the time and until now none of them led me down a bad path. But thinking twice, I might have made an extra effort to get involved in research projects with the department labs.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
To be an Alumni Ambassador was a challenge that I accepted to continue to have FEUP as part of my life. It’s a pleasure to see the evolution of the Faculty through the years and in a certain way to be actively connected to the institution make us even prouder. FEUP is made of people and their memories. And I feel that this challenge is a step further to maintain Alumni memory alive, sharing stories that bring back to life our good moments at Faculty ( despite the spatial and temporal distance). As Alumni Ambassador, I try to give back this small FEUP pieces to the (memory of the) Faculty.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
One challenge for FEUP is to become the edge of engineering in Europe, investing in research and development to find solutions to the problems that the future brings. And I challenge furthermore this to be done by involving more students in research projects even during the degree. It is crucial that the engineers that FEUP creates feel part of the solutions of the future and that they can have the opportunity to explore their capabilities in this regard. Whether it is for greater participation in extracurricular R & D projects or for more incentives for the execution of curricular projects, the important thing is that students and graduates of FEUP feel capable of putting hands-on to be the solution of the future.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
Nature, life in the open air and especially the mountains fascinate me a lot. Making a hike up a hill to have an unforgettable view from up there is an incredible experience. It’s only a shame that Denmark is a “pancake” and I always have to go to another country to do some good hikes on the mountain.
I love traveling in “budget mode”, simply putting the backpack on and going. Knowing new and different cultures by interacting with locals is the best way for me to travel. It is a way of detaching myself from the world where I live and for a few days live in a specific culture. Lately, I have been traveling for a few days on a bicycle as a workout for a possible trip in the country this summer. Maybe in a few years, I will be pedaling back to Portugal. Who knows?

The advice to FEUP students (On Vídeo)
The advice I give to current FEUP students is to develop their soft skills, which are nothing more than a complement to hard skills, to the knowledge that you acquire during your period of studies. And try to develop these soft skills using the free time they have outside classes, for example, to join student associations, academic organizations and get in touch with people from different areas and with different mentalities. Go in Erasmus, apply for a period of mobility, do not be afraid,  there you will have the best experiences of your life, but also the most enriching experiences on a personal and interpersonal level. Try also to establish contacts with the professors and with the researchers of the Faculty. It is with this type of professionals that you are going to work in the labor market and it is with that type of people with whom we are going to have to deal in the current job market. So, above all, remember to live and to live together, it is the time in the Faculty that will shape you as future engineers.