Versão Portuguesa (English Version bellow)

À CONVERSA COM… LILIANA I. DUARTE ( Embaixadora Alumni FEUP na Suíça)

Liliana I. Duarte nasceu no Porto, mas vive em Zurique. Em 2002 licenciou-se em Engenharia Metalúrgica e de Materiais pela FEUP e é atualmente investigadora no Paul Scherrer Institute.  Fique a conhecer melhor, nesta entrevista, a portista de gema, apaixonada por caminhadas e pelo mar português.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
A oportunidade de vir para o estrangeiro surgiu no meu 4° ano de licenciatura com a possibilidade de fazer o estágio do curso no Laboratório de Análise de Textura de Materiais em França, isto em 2002. Nesse mesmo ano regressei a Portugal e fiquei como Assistente no DEMM. No ano de 2005 surgiu novamente a possibilidade de ir para o estrangeiro, mas desta vez para realizar o Doutoramento na área de metais/intermetálicos na ETH em Zurique. Foi o Prof. Luís Filipe Malheiros (DEMM) que me deu a conhecer a vaga para a posição de aluna de Doutoramento e eu decidi concorrer.
O processo de recrutamento foi muito rápido e fui chamada de imediato para uma entrevista na Suíça. A entrevista correu muito bem e fui aceite no mesmo dia para o lugar de Doutoramento. Para mim foi uma surpresa agradável e depois de muito refletir decidi aceitar esta nova aventura.
A experiência no estrangeiro tem sido excelente pois tem-me oferecido a possibilidade de conhecer diferentes grupos de investigação nos mais diversos institutos suíços e também noutros países como Alemanha, França, Áustria e EUA.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Ainda como aluna da FEUP tive a oportunidade de realizar o meu estágio em França, o que me preparou para esta experiência mais longa.
A Alemanha, a Áustria e os Estados Unidos foram outros dos países, em que tive oportunidade de trabalhar e de conhecer depois de ter deixado a FEUP.

Como correu a integração na Suíça? Quais foram os principais desafios?
A minha integração na Suíça foi fácil, isto também porque já conhecia a Suíça e muita da sua cultura.
No entanto há sempre muitos desafios a superar e sem dúvida que a língua alemã é um deles. A Suíça tem 4 línguas oficiais (alemão, francês, italiano e reto-romano) e na região de Zurique o alemão é a língua oficial. Como eu já tinha algumas bases de alemão, essa barreira foi atenuada.
Todavia o inglês, mesmo não sendo a língua oficial da Suíça, é a língua mais utilizada nas universidades, institutos e em muitas empresas visto que a Suíça tem uma percentagem elevada de emigrantes de muitas nacionalidades.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Na verdade, a minha ideia inicial não era ficar cá tanto tempo, visto que já estou na Suíça há 12 anos. Quando vim para a Suíça, vim com um objectivo traçado de fazer o Doutoramento e regressar a Portugal. Quero contribuir para o crescimento do meu país e retribuir o investimento na minha formação.
Sempre desejei participar de forma ativa na construção de um Portugal melhor.
Contudo as oportunidades aqui na Suíça foram surgindo naturalmente e por isso fui ficando. Logo a seguir ao Doutoramento recebi um bolsa como jovem cientista para desenvolver novas ligas de brasagem para ligas intermetálicas.
Neste momento os meus planos futuros passam por solidificar a minha carreira sobretudo a nível europeu. Atualmente temos projetos com universidades europeias e também nos Estados Unidos para além de outros países.
O regresso a Portugal não está fora de questão.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
O que recordo com mais saudade é o bom ambiente que se vive na FEUP entre professores/investigadores e alunos.
Um ambiente onde se promove um bom relacionamento é a chave do sucesso. Saber ouvir as ideias dos jovens alunos, motivá-los e apoiá-los para chegarem mais longe é sem dúvida a melhor maneira para alcançar o sucesso.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Esta pergunta é difícil. É claro que queremos sempre fazer melhor, mas não mudaria nada no meu percurso. Antes da Faculdade de Engenharia estive na Faculdade de Ciências e foi sem dúvida lá que comecei as minhas bases de estudo de matemática e física. E foi a Faculdade de Engenharia que me mostrou a aplicação prática dos problemas teóricos, a forma prática de resolver problemas. Em seguida, tive a oportunidade de realizar o meu estágio em França e foi aí que tive a oportunidade de realizar investigação entre a Universidade Francesa e uma grande empresa de turbinas. A aplicação prática dos problemas de investigação foi o que despertou a paixão pela investigação nos materiais.
Não faria nada de diferente, mas é com agrado que sigo de perto a evolução da FEUP e a adaptação aos novos tempos e é de louvar todas as dinâmicas criadas por toda a comunidade da FEUP.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Ser Embaixadora é ter a oportunidade de continuar ligada à Faculdade/Universidade, mas também de reaver o espírito Alumni Português aqui na Suíça e criar novos laços entre Alumni que trabalham na Suíça nas mais diversas áreas. Está a ser uma oportunidade excelente de ter contacto com muitos talentos e de ver que há tantos bons exemplos espalhados pelo mundo.
Todos nós, Alumni, queremos crescer, mas também mostrar a todo o mundo que em Portugal temos excelentes universidades que formam excelentes profissionais e que temos um grande orgulho em representar a FEUP.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
O desafio que gostaria de colocar à FEUP e/ou UP é que se promova e que se realizem mais workshops que envolvam a investigação/indústria dos ex-alunos da FEUP/UP e dos atuais alunos da FEUP/UP. Não só dos que estão em Portugal, mas dos que estão por todo o mundo e que a FEUP se promova mais nas instituições internacionais e para isso nós, Embaixadores, podemos desempenhar um papel crucial nessa promoção.

Alumni, profissional, embaixadora… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Eu sou e sempre fui muito curiosa, mas a ciência, tecnologia e astronomia são os temas que me apaixonam.
Adoro estar em contacto com a natureza, dar passeios e desfrutar de belas paisagens, tais como as montanhas suíças, mas confesso que o mar é sem dúvida a minha paisagem favorita e é do mar de Portugal que mais saudades sinto.
Para além disso, sou uma Mãe orgulhosa de duas crianças incríveis. Um corajoso e engenhoso Pedro de 8 anos e uma princesa muito criativa Maria de 4 anos. Ambos nasceram em Zurique e todos os dias me desafiam para dar o meu melhor não só como Mãe, mas também como pessoa.
Sou uma portista de gema e adoro a minha cidade assim como o clube! Mesmo estando longe acompanho de perto tudo o que se passa em Portugal e com uma atenção especial ao Porto.

 

English Version

Talking to… Liliana I. Duarte (FEUP Alumni Ambassador in Switzerland)

Liliana I. Duarte was born in Porto, but lives in Zurich. In 2002 she graduated in Metallurgical and Materials Engineering from FEUP and she is now a researcher at Paul Scherrer Institute.  Get to know her better, in this interview, the Porto Football Club Fan, that loves to go for walks and the portuguese sea.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
The opportunity to go abroad happened in 2002 during the 4th year of my undergraduate studies. It was an internship at the Material Texture Analysis Laboratory (LETAM) in Metz, France. In the same year, I returned to Portugal and I worked as an assistant at DEMM (Metallurgical and Materials Engineering Departement). Again in 2005 the possibility of going abroad came about, this time to do a Ph.D. in the metals/intermetallics field at ETH in Zurich. Professor Luís Filipe Malheiros (DEMM) was responsible for showing me this open Ph.D. student position. And I decided to apply because it was a really interesting position at one of the most prestigious universities.
The recruitment process was really fast, and I was called immediately to an interview in Switzerland. The interview went very well, and I was accepted on the same day for this open position. It was a pleasant surprise to me, and after much thinking, I decided to take this new adventure.
The experience abroad has been excellent, because it has given me the opportunity to get to know different investigative groups in several different Swiss institutes as well as in other countries such as Germany, France, Austria and United States.

Did you go to other places after leaving FEUP?
While I was a student at FEUP, I had the opportunity to do my internship in France, which prepared me for this longer experience.
Germany, Austria and the United States were some of the countries, where I had the opportunity to work and get to know after I left FEUP.

How was the integration in Switzerland? What were the main challenges?
My integration in Switzerland was easy, because I already knew Switzerland and much of its culture and traditions.
Although, there are always many challenges to overcome, and without a doubt, the German language is one of them. In Switzerland, there are four official languages (German, French, Italian and Romansh ) where German is the official language in the Zurich region. As I already had some German knowledge, that barrier was mitigated.
However, even though English  is not an official language of Switzerland, it is one of the more commonly used languages in universities, institutes and in many companies, because Switzerland has a high percentage of migrants of many nationalities.

What are your future plans?
In fact, my initial idea was not to stay here for so long, however, I’ve now already been in Switzerland for 12 years. When I came to Switzerland, I came to do a Ph.D. and return to Portugal. I wanted to contribute to the development of my country and contribute back the investment in my education.
I have always wanted to participate actively in building a better Portugal.
Nevertheless, the opportunities here in Switzerland naturally appeared, and I stayed.
After the Ph.D., I received a scholarship as a young scientist to develop new brazing alloys for intermetallic alloys.
At this moment, I decided to solidify my career, particularly at the European level. We currently have projects with European universities as well as in the United States and other countries.
The return to Portugal is not out of the question, but when is not yet decided…

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
I remember  the excellent atmosphere that is felt in FEUP between teachers/researchers and students with most nostalgia .
An environment where good relationships are promoted is the key to success. Being able to listen to young students’ ideas, motivate them and support them to reach further is undoubtedly the best way to achieve success.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
That’s a hard question. Of course, we always want to do better, but I would not change anything on my path. Before the Faculty of Engineering I was in the Faculty of Sciences where  I undoubtedly began my bases of study of mathematics and physics. And it was the Faculty of Engineering that showed me the practical application of theoretical problems, and practical ways of solving such problems. Then I had the opportunity to do my internship in France which is where I had the chance to do a research between the French University and a large turbine blades company. The practical application of research problems arose a passion for research into materials. I wouldn’t do anything different, but it is with pleasure that I follow closely the evolution of FEUP and the adaptation to the new times. And as well it is to praise all the dynamics created by the whole Engineering Faculty and the community.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
To be an ambassador is to have the chance to continue connected to the Faculty/ University, but also to recover the Alumni Portuguese spirit here in Switzerland and to create new bonds between the Alumni that work in Switzerland in the different areas. It is an excellent opportunity to network with many talents and to see that there are so many great examples across the world.
All of us, Alumni, want to grow up, but also to show the whole world that in Portugal we have excellent universities that graduate outstanding professionals and that we are very proud to represent FEUP.

What challenge would you like to propose to FEUP and to U.Porto?
I would like to challenge FEUP and UP to promote itself and to do more workshops that involve investigation and Industry from alumni FEUP/UP and from the former students. Not only from the Alumni that are in Portugal, but also from the ones that are all over the world. Additionally, I would like that FEUP promotes itself more at international institutions in which the ambassadors, could play a crucial role.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I am and have always been very curious, but science, technology, and astronomy are the themes that I love. I love being in contact with nature, taking walks and enjoying beautiful landscapes, such as the Swiss mountains, but I confess that the sea is without a doubt my favorite landscape and it is the sea of ​​Portugal that I miss the most.
Besides, I am a proud Mother of two amazing children. A brave and resourceful eight year old Pedro and a very creative four year old Maria. Both were born in Zurich, and every day they challenge me to give my best, not only as Mother but also as a person. I love my city, Porto, as well as the Porto Football Club! Even though I am far away, I closely follow everything that is happening in Portugal with special attention to Porto.

The advice to FEUP students (On Video)
During your coursework, make the most of it. To make the most of it, is to have fun and also question your teachers, ask intelligently, of course, but challenge them! The advice that I would like to give is to apply for internships, summer internships, internships in companies, institutes outside the country, but also in the country. This will surely bring you excellent know-how, great networking with people. Take advantage of this time, this opportunity to meet other cultures, other people, other countries, different ways to learn or other ways to work. I wish you all the greatest success! Thank you and see you next time!