Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… Marcela Fukumori, Alumni FEUP Fellow no Brasil

Marcela Fukumori tem ascendência japonesa mas nasceu em São Bernardo do Campo, uma localidade de São Paulo, no Brasil. A sua vida mudou em 2012, quando veio para a FEUP estudar Engenharia Química ao abrigo de um programa de mobilidade. Atualmente é Líder de Experiência ao Cliente na GE Healthcare. Conheça a FEUP Fellow apaixonada pelo lifestyle e pela gastronomia do Porto.

Como surgiu a oportunidade de ir estudar fora? Como foi esta experiência em Portugal?
Durante a faculdade aqui no Brasil, estava em busca de uma oportunidade de mobilidade académica como uma experiência para aprender sobre temas da engenharia que não eram foco na minha universidade (especialmente Biotecnologia ligada a Engenharia), além da oportunidade de viver em outro país como experiência pessoal, isto é, para conhecer outra cultura, costumes.
Nesta busca, concorri a vagas de alguns programas de bolsas, privado e público, e acabei sendo aprovada por um programa do governo brasileiro à época, chamado Ciência sem Fronteiras, para estudar em Portugal por um ano (2012/2013). O resultado saiu entre final de maio e começo de junho de 2012. Tínhamos que enumerar nossas opções de cursos e universidades, e esperar o resultado. A FEUP foi minha primeira opção no curso de Mestrado Integrado em Engenharia Química, equivalente à graduação em Engenharia Química que cursava no Brasil. Com muita felicidade, fui aceita pela FEUP em junho e então o relógio começou a correr para conseguir toda a documentação e preparativos principalmente emocionais para estar no Porto para as aulas em setembro. Foi tudo muito intenso. Todas as despedidas e planeamento da mudança em tão pouco tempo, foi muito difícil na partida, mas não demorou muito para logo me apaixonar pelo Porto. 🙂
Outro ponto bastante positivo foi a parceria que existia da UP com a minha universidade no Brasil (UNIFESP) o que facilitou muito na equivalência de matérias e nas documentações entre as universidades.
Os primeiros dias foram desafiantes. Documentação, encontrar um local para morar, arrumar tudo. Morava com os meus pais no Brasil e de repente, estar sozinha em Portugal foi um desafio. Este processo foi um amadurecimento e tanto! Tinha a sorte de ter um amigo da faculdade comigo e nos ajudávamos.
A adaptação à língua foi engraçada. O idioma era o mesmo, mas me perdia bastante. O que mais estranhava era o “percebes?!”, pois no Brasil não o utilizamos da mesma forma. 🙂 Fora as palavras com diferentes significados/ sentidos. Um outro exemplo, no Brasil é habitual ir a um restaurante e se chamar a funcionária de “moça”, o que não é bem visto em Portugal. Muitas funcionárias devem ter pensado mal de mim… 😉
A FEUP foi fantástica. Desde o primeiro dia fiquei encantada com a estrutura e com os professores. Nunca esqueço de alguns momentos: quando entrei na biblioteca, quando entrei pela primeira vez numa sala de aula, e no primeiro laboratório de destilação. No primeiro tinha vontade de percorrer todas as prateleiras e levar vários livros para casa. No laboratório fiquei boquiaberta e tirando fotos da torre de destilação, totalmente encantada.
Fiz matérias de base da engenharia e também aproveitei para pegar disciplinas, que não teria no Brasil, de Biotecnologia. Foi incrível. Os professores eram excelentes e em geral, receberam a mim e colegas brasileiros muito bem.
Ainda tive a oportunidade de ser aceite para um projeto extracurricular de iniciação científica no laboratório da professora Maria Pilar Gonçalves com a orientação da Hileia Souza, junto também a profissionais e pessoas muito queridas do laboratório que me acolheram muito bem (Manuela Moreira Alves e Cristina Rocha).
A parte triste foi que acabou. O ano em Portugal mudou a minha vida. Como pessoa cresci muito e de forma muito intensa, e como engenheira química ganhei uma bagagem tamanha.
Ademais, tive a oportunidade de conhecer muito da cultura e história desse país incrível, que é Portugal e que sempre terá um espaço do lado esquerdo do meu peito.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Após sair do Porto, vivi julho e agosto em Düsselford, na Alemanha, a estudar a língua alemã.

Como correu a integração em Portugal? Quais foram os principais desafios?
A integração correu muito bem. Recebi ajuda e orientação de pessoas locais e também de brasileiros que foram essenciais para esclarecimentos. Havia muitos brasileiros no meu ano, o que ajudou bastante na integração. O principal desafio para mim foi a língua, pois embora fosse a mesma era muito diferente na forma falada.
O dia a dia era muito tranquilo. Os sistemas de transporte funcionam muito bem. O Porto é uma cidade com menor densidade populacional quando comparada a São Paulo, o que me passava muita tranquilidade, segurança. Pode-se aproveitar a cidade, sua cultura e suas belas paisagens… vive-se muito bem. Sinto falta até hoje de percorrer a orla do Castelo do Queijo à Ribeira, e de ir a Gaia para ver o pôr do sol à beira do rio Douro.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Hoje trabalho numa multinacional no Brasil na área de equipamentos médicos, e com muito prazer tenho a oportunidade como fellow em São Paulo de compartilhar a minha experiência no Porto com outros brasileiros e sempre torço para que tenham a oportunidade de estudar na FEUP como eu. 

Dos tempos que passou na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Gostava muito do tempo da equipa do laboratório de pesquisa. O clima e integração eram incríveis. Aprendi e me diverti muito! Tenho um carinho muito especial por esta equipa!

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Talvez teria me preocupado um pouco menos com as provas e trabalhos, e tivesse aproveitado por mais vezes a cidade, mas como um bom estudante de engenharia, sempre estamos com muitas listas de exercícios a fazer. Não sei se teria escolhido diferente, foi tudo muito bom no final.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Por quê continuar ligada à FEUP?
Com certeza! Ser embaixadora fellow da FEUP é retribuir à FEUP e à UP a experiência incrível que tive e que mudou a minha vida e muito do que sou, e também é uma oportunidade de compartilhar a minha experiência com estudantes brasileiros que podem também ter uma experiencia como a que tive.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U. Porto?
Gostaria que a FEUP considerasse a abertura de mestrados voltados à Engenharia Química, Processos e Produtos.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Uma curiosidade – em 2013 pouco antes de concluir a mobilidade, fui convidada pela FEUP para fazer um ensaio fotográfico na faculdade e em 2016, fui surpreendida por colegas que encontraram fotos minhas no site da FEUP. Foi bastante engraçado, pois não imaginava que as fossem usar.
Outra curiosidade engraçada, é que sou descendente de japoneses por parte de mãe e pai. No período de mobilidade, quando entrava em lojas chinesas em Portugal, sempre vinham falar comigo em chinês e eu ficava sem entender nada. Alguns ainda perguntavam como eu teria aprendido a falar português tão bem! Me divertia!

Vídeo (Razões para escolher a FEUP)

Olá, eu sou a Marcela Fukumori.
Fui estudante de mobilidade na FEUP, há alguns anos atrás, no curso de Engenharia Química.
Sou de São Paulo, Brasil, e estou aqui para partilhar convosco a minha experiência.
A FEUP é uma faculdade de excelência e qualidade. Os professores têm muita experiência, o que é fundamental para o desenvolvimento de um engenheiro. As infraestruturas locais são excelentes e os laboratórios e as aulas práticas são impressionantes. Há muitas oportunidades para aprender acerca das diferentes áreas de investigação e também de inovação. Os estudantes e o ambiente são muito acolhedores, o que é muito importante quando nos mudamos para uma nova faculdade e um novo país. Vais encontrar estudantes provenientes de todos o mundo… de África, Ásia, Europa, o que também contribui para o crescimento pessoal e profissional.
Além disso, o Porto é uma cidade fantástica. Tem edifícios históricos, atrações turísticas, como o Rio Douro e a Ribeira e também tem muita natureza. A comida portuguesa é muito saborosa. O lifestyle é uma mais valia! Também há festivais regionais que são muito enriquecedores culturalmente e estou certa de que será muito divertido.
Para mim, estudar na FEUP e viver no Porto foi uma experiência que mudou a minha vida e eu tenho muitas saudades desse ano e do Porto.
Eu recomendo esta experiência fantástica que eu passei na FEUP e estou certa que te irás apaixonar como eu por este local e pela Universidade.
Fique à vontade para me contactar através do LinkedIN ou do meu email, se tiver alguma questão. Ficarei muito feliz em poder ajudar! Até breve!

 

English Version

Talking to Marcela Fukumori, Alumni FEUP Fellow in Brazil

Marcela Fukumori is Japanese descendant but was born in São Bernardo do Campo, a city located in São Paulo, Brazil. His life changed in 2012 when she came to FEUP to study Chemical Engineering under a mobility program. Nowadays, she is a Customer Experience Leader at GE Healthcare. Meet the FEUP Fellow, who is in love with Porto’s lifestyle and gastronomy.

Can you tell us about how did it happen to study abroad, and how was the experience in Portugal?
During the university here in Brazil, I was looking for an opportunity of academic exchange as an experience to learn about engineering topics that were not the focus at my university (especially Biotechnology, connected to Engineering), and the experience to live in another country as a personal experience, that is, to get to know another culture and their way of living.
In this search, I applied for vacancies of some scholarship programs, private and public, and ended up being approved by a program of the Brazilian government at the time, called Science without Borders, to study in Portugal for a year (2012/2013). The result came out between late May and early June 2012. We had to list our course and university options and wait for acceptance. FEUP was my first option in the Integrated Master in Chemical Engineering degree, equivalent to the Chemical Engineering degree in Brazil.
Fortunately, I was accepted by FEUP in June, and then the clock started ticking to get all the documentation and especially emotional preparation to leave my family and friends, and be in Porto for classes in September. It was all very intense. All the farewells and home moving planning in such a short time were very difficult at the departure, but it didn’t take long to fall in love with Porto. 🙂
Another positive point was the partnership that existed between UP and my university in Brazil (UNIFESP) which greatly facilitated the recognition process and documentation between universities.
The early days were challenging. To prepare the documentation, to find a place to live, arrange everything up. I lived with my parents in Brazil and suddenly being alone in Portugal was a challenge. This process was quite a ripening! I was lucky to have a class friend with me, and we helped each other.
The adaptation to the language was funny. The language was the same, but I got lost … a lot. The strangest was the “percebes?!” that means “do you understand?!” because in Brazil we do not use it the same way. 😀 And other words with different meanings. Another example is: in Brazil, it is normal to go to a restaurant and call the worker “moça”, which is not well regarded in Portugal. Many attendants must have thought badly of me… 😉
FEUP was fantastic. From day one, I was delighted with the structure and the teachers. I will never forget some moments: when I first entered the library, when I first came in a classroom and the first distillation laboratory. At the library, I wanted to go through all the shelves and bring several books home. In the lab, I gaped and took pictures of the distilled tower. I was totally enchanted.
I learned the basics of engineering and also had the opportunity to take subjects of Biotechnology that I would not have in Brazil. It was amazing. The teachers were excellent and generally welcomed my Brazilian colleagues and me exceptionally well.
I still had the opportunity to be accepted for an extracurricular project of scientific initiation in the laboratory of Professor Maria Pilar Gonçalves with the guidance of Hileia Souza, along with very kind professionals and people from the laboratory who welcomed me very well (Manuela Moreira Alves and Cristina Rocha).
The sad part was, that it was over. The year in Portugal has changed my life. As a person, I grew a lot and very intensely, and as a chemical engineer, I gained such knowledge.
Moreover, I had the opportunity to know a lot of the culture and history of this beautiful country, that is Portugal, and that will always have a space on the left side of my chest.

Did you go to other places after leaving FEUP?
After leaving Porto, I lived July and August in Düsselford, in Germany, studying the German language.

How was the integration in Portugal? What were the main challenges?
The integration went very well. I received help and guidance from local people and also from Brazilians who were important for clarifications. There were many Brazilians in my year, that helped a lot. The main challenge for me was the language, as said, because although it was the same, it was very different in the spoken form.
The day to day was very quiet. Transport systems work very well. Porto is a city with less population density when compared to São Paulo, which gave me a lot of tranquility, security. You can enjoy the city, its culture and its beautiful landscapes… you live very well. I still miss going from Castelo do Queijo to Ribeira and going to Gaia to watch the sunset by the Douro river.

What are your future plans?
Today I work in a multinational company in Brazil in the area of ​​medical equipment, and with great pleasure, I have the opportunity as a FEUP Fellow in São Paulo to share my experience in Porto with other Brazilians and I always hope that they have the chance to study at FEUP as me.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
I really liked the time I passed with the team from the research lab. The environment and integration were amazing. I learned a lot and had a lot of fun! I have a very special affection for this team!

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
Perhaps I would have been a little less concerned with the exams and projects and enjoyed the city more, but as a good engineering student, we always have many to-do lists. I don’t know if I would have chosen differently, it was all perfect in the end.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this rapprochement to your “alma mater”?
For sure! Being a FEUP Fellow Ambassador is to give back FEUP, and UP the incredible experience I had, that changed my life and much of what I am, and it is also an opportunity to share my experience with Brazilian students who may also have the same experience.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
I would like for FEUP to consider a new  Master Degree focused on Chemical Engineering, Processes and Products.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
A curiosity – in 2013, shortly before completing the mobility, I was invited by FEUP to a photoshoot at FEUP, and in 2016, I was surprised by colleagues who found photos of me on the FEUP website. It was pretty funny because I didn’t think they would use them.
Another funny curiosity, I am descended from Japanese by mother and father. When I was in exchange, and I went to Chinese stores in Portugal, people always came to talk to me in Chinese and I didn’t understand anything. Some even wondered how I would have learned to speak Portuguese so well! I had so much fun!