Versão Portuguesa (English version below)

À conversa com Mariana Masteling (Embaixadora Alumni FEUP nos Estados Unidos da América)

Está a fazer um doutoramento na Universidade do Michigan e é Embaixadora Alumni FEUP nos Estados Unidos. Mariana Masteling nasceu em Oliveira de Frades e concluiu o Mestrado Integrado em Bioengenharia na FEUP em 2016. Desde aí tem perseguido o sonho de construir uma carreira na investigação. Conheça melhor a engenheira, apaixonada pela natureza e pela gastronomia portuguesa! 

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Durante o meu percurso FEUP usei todas as oportunidades que encontrei para ganhar experiência internacional: fiz dois estágios de verão na Alemanha, fiz ERASMUS estágio na Semmelweis University em Budapest, Hungria e a tese de mestrado nos Estados Unidos ao abrigo de uma bolsa Fulbright para investigação. 
Em outubro de 2017 regressei à Universidade do Michigan e ao mesmo grupo de investigação (University of Michigan Pelvic Floor Research Group) onde me encontro atualmente a fazer o doutoramento. O foco do meu doutoramento é reduzir o número de lesões maternas durante o parto. A minha experiência no estrangeiro tanto na Europa como nos Estados Unidos é muito positiva. Sair de Portugal, dá-nos outras perspetivas e aprendemos a ver o mundo de outra forma.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Após terminar o mestrado trabalhei durante um ano no Porto antes de regressar aos Estados Unidos.

Como correu a integração nos Estados Unidos? Quais foram os principais desafios?
 A integração nos Estados Unidos foi suave e positiva. O meu orientador aqui valoriza muito o bem-estar dos alunos e faz-nos sentir em casa assim que chegamos, o que ajudou muito na minha integração tanto no laboratório, com socialmente. A Universidade do Michigan tem cerca de 45 mil alunos, num universo de 120 mil pessoas na cidade (Ann Arbor). Há sempre muitos eventos a acontecer, o que ajuda a conhecer pessoas e a fazer amigos. Como vivo numa cidade universitária, a maior parte das pessoas está aqui temporariamente pelo que tens de estar sempre a fazer novas amizades, porque há sempre pessoas a ir embora.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Os meus planos são acabar o meu doutoramento e fazer carreira em investigação.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Dos meus tempos FEUP, recordo com saudade a minha passagem pelo BEST (Board of European Students of Technology).  Através do BEST tive a oportunidade de conhecer pessoas de todos os cursos, de participar em atividades internacionais e de ter cargos de liderança. No BEST também estive envolvida em workshops de formação não formal, que continuo a desenvolver nos Estados Unidos.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Eu teria passado mais tempo a esclarecer as minhas dúvidas com professores. No meu tempo na FEUP, eu sentia-me intimidada pelo estatuto do professor, mas agora com a minha experiência académica, científica e internacional vejo que essa intimidação não faz sentido.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Penso que é importante promover a nossa alma mater num contexto internacional. Portugal tem uma grande capacidade científica e, muito provavelmente, há alunos e professores na Universidade do Michigan que gostavam de colaborar com a FEUP. E esse o meu papel, servir de elo entre a FEUP e partes interessadas na Universidade do Michigan.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Maior promoção de atividades de investigação para estudantes de licenciatura e mestrado integrado. E dar a possibilidade que os trabalhos de investigação possam ser avaliados para crédito curricular, como acontece nalgumas instituições americanas. Por exemplo, em determinado semestre um aluno pode usar 3 créditos para fazer investigação num laboratório acreditado na Universidade. Penso também no contexto internacional em que vivemos, realizar um semestre fora do país deve ser “quase obrigatório” de forma a dar a conhecer aos estudantes outras culturas de trabalho e aprendizagem que de outra forma dificilmente terão acesso.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Eu gosto de passar tempo ao ar livre, o estado do Michigan é rodeado pelos Grandes Lagos e tem grandes extensões de floresta. O verão aqui, é muito quente e húmido, pelo que sabe bem refrescar num lago depois de uma caminhada; no Outono, podemos ver grandes extensões de floresta com as folhas a mudar de cor; no Inverno podemos fazer ski (e bonecos de neve) e na primavera sabe bem ver tudo a crescer novamente depois de um longo inverno.
Apesar de morar na cidade, tenho um jardim, pelo que no verão faço uma horta que me faz lembrar a aldeia em que cresci. Como gosto muito de cozinhar, faço regularmente jantares de comida portuguesa tanto para amigos internacionais como para a pequena comunidade Portuguesa em Ann Arbor (somos cerca de 5).

 

English Version

Talking to… Mariana Masteling (FEUP Alumni Ambassador in the United States of America)

She is doing a PhD at the University of Michigan and is our FEUP Alumni Ambassador in the United States. Mariana Masteling was born in Oliveira de Frades and completed the Integrated Master in Bioengineering at FEUP in 2016. Since then she has been pursuing her dream of building a career in research. Get to know better the engineer, passionate about nature and Portuguese gastronomy!
 

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
During my tenure at FEUP, I used all the opportunities to gain international experience: I did two summer internships in Germany, I did an ERASMUS internship at Semmelweis University in Budapest, Hungary, and my master thesis in the United States supported by a Fulbright research grant.
In October 2017, I returned to the University of Michigan to the same research lab (University of Michigan Pelvic Floor Research Group) where I am currently doing my PhD. My PhD thesis is on injury prevention during childbirth. My international experiences either in Europe or in the US are very positive. Leaving Portugal gives us different perspectives and allows us to see the world in a different way.

Did you go to other places after leaving FEUP?
After graduation, I worked in Porto for one year before returning to the United States.

How was the integration in France? What were the main challenges?
My integration to the US was smooth and positive. My advisor is a big advocate for students’ professional and social well-being and makes us feel like at home as soon as we arrive. The University of Michigan has around 45 thousand students, and the city of Ann Arbor, where it is located, has around 120 thousand. So, there are always events happening that allow you to meet other people and make new friends. As I live in a college town, most of the people are only here temporarily, so you need to cultivate new friendships all the time, since there are always people leaving.

What are your future plans?
My goals are to finish my PhD and establish a career in research

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
From my FEUP times, a highlight is, with no doubt, my time with BEST (Board of European Students of Technology). Through BEST I had the opportunity to meet people from across all majors, participate in international events and hold leadership positions. In BEST I was also involved in non-formal education workshops, which I continue doing in the US.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
I would have spent more time discussing materials with professors. I always felt intimidated with the professor status, but my gained academic, scientific and international experience has shown me that this “fear” does not make sense.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your alma mater?
I believe it is important to promote our alma mater in an international context. Portugal has good scientific capabilities and there are probably students and professors at the University of Michigan that would like to collaborate with FEUP. My role is to be a connection between FEUP and the University of Michigan

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
I suggest a better promotion and advertisement of research opportunities for both undergraduate and graduate students, and give the opportunity for students to do research for class credit, as is common in some US institutions. For example, in a given semester a student can use 3 credits for the research they are doing at an accredited lab in the University. I also believe that in the international context, in which we currently live, it should “almost be mandatory” that a student spends at least one semester abroad in order for them to get to know other work and learning cultures that they will, otherwise, hardly experience

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I love to spend time outdoors, the state of Michigan is surrounded by the Big Lakes and there is a lot of forest as well. The summers are hot and humid, so it feels great to refresh in a lake after a long walk; in the Fall, all the leaves are changing; in Winter we can cross-country ski (and make snowmen) and in Spring it is great to see everything growing after the long winter. Even though I live in a city, I have a garden, and in the summer, I have a vegetable garden that reminds me of the village I grew up in. As I like to cook, I regularly cook Portuguese dinners for international friends as well as for the small Portuguese community in town (we are about 5)

The advice to FEUP students (On Vídeo)
My advice to FEUP students is not be afraid to risk, either through mobility opportunities, through research, whether at FEUP or abroad, through being part of Student Organizations. I also have another great advice that  is not be afraid to talk to teachers, to ask questions, to share with them your career plans, to talk about your research interests, where would you like to do your thesis, where would you like to work. Teachers are sources of wisdom that can help you find all those opportunities or tell you where you can find more information. So don’t be afraid to take a chance, be part of Organizations, go abroad, talk to teachers and this will make your path at FEUP much more valuable and make the most of it.