Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM…  Pablo Jimenez-Calvo (Embaixador Alumni FEUP Em França)

Nasceu na Costa Rica e adora viajar. O Embaixador Alumni FEUP em França, Pablo Jimenez-Calvo, terminou em 2014 o Mestrado Integrado em Engenharia Química na FEUP e é atualmente Investigador de Pós-doutoramento no Laboratory of Physics of Solids na Universidade de Paris Sud. Aos 30 anos já tinha visitado 30 países, mas foi na FEUP que se apaixonou por uma “linda portuguesa”… Nós sabemos porquê Pablo… 🙂

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Na minha última semana de exames na FEUP recebi um e-mail a anunciar três vagas para estágios profissionais Erasmus +, e o prazo final para envio das candidaturas era dentro de 3 dias. Apesar do stress dos exames, naquele momento decidi dedicar um pouco do tempo de estudo para preparar todos os documentos necessários (CV, carta de motivação). Esse esforço deu bons frutos e passados poucos dias contactaram-me da Procter & Gamble (Bruxelas) para marcar a primeira entrevista por Skype. Uma semana depois da entrevista confirmaram o interesse em contratar-me.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Sim, Bélgica e atualmente França.
Depois da FEUP parti para a Bélgica. Já tinha estado no país antes, mas na altura apenas passei pelo aeroporto e cidade de Charleroi que ficam a sul de Bruxelas. Esses momentos tão breves roubados entre transferências de voos não foram suficientes para entrar em contacto com a cultura Belga. Mas tive muitas oportunidades para aprender com os Belgas durante o meu estágio de um ano na P&G. Durante este estágio morei muito perto da emblemática praça de Flagey situada na região da Valónia e trabalhei no P&G Brussel Innovation Center que ficava perto do monumento “Atomium” situado na região da Flandres.
Estas duas regiões tão distintas dentro da mesma cidade ensinaram-me que a Bélgica é um país de contrastes culturais. Para mim, toda a experiência cultural e linguística acabou por ser muito enriquecedora e por servir como importante complemento à minha experiência profissional.
O centro de inovação da P&G é também um dos maiores do país com mais de 1600 funcionários, 1100 dos quais cientistas. Testemunhar como é que a P&G gere as suas inúmeras equipas e incontáveis projetos também me ensinou muito sobre liderança e gestão. E essas foram lições que mais tarde, me serviram para conduzir melhor os meus próprios projetos de investigação.

Como correu a integração em França? Quais foram os principais desafios?
Como não foi a primeira vez que mudei de país, já tinha descoberto alguns truques para me ajustar mais rapidamente a novas realidades. Quando vim para França dei prioridade àquilo que tinha sido crucial para a minha integração em Portugal e na Bélgica: aprender a língua.
Nos primeiros meses nunca faltei aos eventos de “Language Exchange” e aproveitei também para me matricular em cursos de francês. Para além disso, procurei integrar-me em vários grupos locais diferentes incluindo grupos de desporto, estudantes, costarriquenhos, latinos, etc.
Nessa altura percebi que os desafios de integração são similares independentemente do país que nos acolhe.
Mas os mais difíceis para mim são sempre a nível burocrático e administrativo. Não sendo europeu isso também me trouxe desafios acrescidos nomeadamente a preparação de documentos para submeter às Universidades e organismos públicos (visto, segurança social, etc.). Na maior parte das vezes os sites das instituições não estão atualizados, então sempre tinha surpresas na hora de submeter os meus pedidos. Na maioria das vezes faltavam-me documentos. E esses, tinha que os pedir ao meu país, e isso atrasava o processo algumas semanas ou meses.
Com o tempo percebi que é sempre melhor levar documentos a mais do que a menos. E desde que vim para França aprendi a prever que tipo de documentos adicionais eles me poderão pedir. Isso tem-me ajudado numa transição mais leve entre cidades (Estrasburgo para Paris) dentro deste país!

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
A curto prazo, pretendo continuar a consolidar o meu perfil como investigador internacional na melhor universidade de França, Université Paris-Saclay (#37 ranking mundial). A longo prazo ainda não decidi se quero dedicar-me exclusivamente à investigação no CNRS (Centre Nationale de Recherche Scientifique) ou conjugar a investigação com o ensino numa Universidade (CNU-Galaxie).
Por isso, por agora estou focado em publicar estudos sólidos e a participar em conferências internacionais onde possa continuar a expor o meu trabalho relacionado com combustíveis solares obtidos por métodos de foto catálise. Suspeito que a minha decisão vai depender muito dos resultados que obtenha durante os próximos 2-3 anos.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
As tardes em que íamos a beber uns copos (baratos) à Associação de Estudantes, e as noites que começavam no “Piolho” e que acabavam nas “Galerias de Paris”. Estas atividades eram sempre animadas e sempre acabava por conhecer mais estudantes e desconectar dos estudos.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Não sei, sempre fui muito ativo e dinâmico. Desde adolescente que frequentei cursos de música e de desporto (guitarra, karaté, taekwondo, etc.). Esses hábitos desenvolveram o meu espírito de equipa e aguçaram o meu sentido competitivo. Mesmo enquanto estudante da FEUP consegui continuar a cultivar esses hábitos. Isso fez com que as minhas rotinas sempre fossem muito equilibradas. Por isso, quando olho para trás faço-o com orgulho porque sei que aproveitei ao máximo a minha vida de estudante.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Para mim, o facto de ter um diploma da FEUP é um emblema de orgulho. Sempre considerei que a educação portuguesa fosse de alta qualidade e depois de ingressar na FEUP confirmei isso mesmo. Por isso, indiferentemente de estar mais ou menos ligado há minha alma mater, penso que tenho a oportunidade de demonstrar a qualidade da formação que a FEUP possui através do meu trabalho todos os dias. Penso que, como eu, outros alumni têm sentido que a FEUP nos prepara muito bem para a transição para o mundo profissional.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Penso que se o relacionamento da FEUP/U.Porto com a indústria ou outras instituições públicas fosse mais estreito, talvez a quantidade de vagas de emprego disponíveis para recém-graduados fosse maior. Penso também que se devia pensar em incluir mais cursos obrigatórios relacionados com a gestão de projetos. Estes cursos são verdadeiramente fundamentais na área da engenharia. E eu apenas tive a oportunidade de ganhar essas competências durante o meu estágio profissional.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Estou casado com uma linda portuguesa (como podem ver na foto). Temos uma história de amor científico que começou num laboratório de investigação da FEUP durante o período em que desenvolvi o trabalho para minha tese de mestrado. Devo muito do meu sucesso pessoal e profissional a Portugal. Este país foi a minha porta de entrada na Europa e foi nele que encontrei a minha cara-metade!
Por último, mas não menos importante, aos 30 anos já tinha estado nos 5 continentes e visitado 30 países diferentes, por isso me sinto grato e privilegiado.

 

English version

Talking to… Pablo Jimenez-Calvo (FEUP Alumni Ambassador in France)

He was born in Costa Rica and loves to travel. The FEUP Alumni Ambassador in France, Pablo Jimenez-Calvo, completed in 2014 the Integrated Master in Chemical Engineering at FEUP and he is now a Postdoctoral Researcher at the Laboratory of Physics of Solids at the University of Paris Sud. At the age of 30 he had already visited 30 countries, but it was at FEUP that he fell in love with a “beautiful Portuguese”… We know why Pablo… 🙂

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
In the last week of exams at FEUP I received an email announcing three places for Erasmus + graduated internships, and the deadline for submitting applications was within 3 days. Despite the stress of the exams, at that moment I decided to devote some of my study time to prepare all the necessary documents (CV, letter of motivation). This effort paid off and after a few days they contacted me from Procter & Gamble (Brussels) to schedule the first interview by Skype. A week after the interview, they confirmed their interest in hiring me.

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes, Belgium and now France.
After FEUP, I went to Belgium. I had been in the country before, but at the time I just passed through the airport and the city of Charleroi, in the south of Brussels. These brief moments stolen between flight transfers were not enough to get in touch with Belgian culture. But I had many opportunities to learn from the Belgians during my one year internship at P&G. During this internship, I lived very close to the emblematic Flagey square in the Walloon region and worked at the P&G Brussel Innovation Center near the “Atomium” monument, situated in the Flanders region.
These two different regions within the same city have taught me that Belgium is a country of cultural contrasts. For me, all cultural and linguistic experience turned out to be very enriching and an important complement to my professional experience.
P&G innovation center is also one of the largest in the country with over 1600 employees, 1100 of whom are scientists. Witnessing how P&G manages its countless teams and countless projects has also taught me a lot about leadership and management. And these were lessons that later helped me to better conduct my own research projects.

How was the integration in France? What were the main challenges?
Since this was not the first time I moved out from one country to another, I had already discovered some useful tricks to adjust faster to new realities. When I came to France I gave priority to what had been crucial to my integration into Portugal and Belgium: learning the local language.
During the first months I never missed the “Language Exchange” events and also took the opportunity to enroll in French courses. In addition, I tried to integrate into several different local groups including sports groups, students groups, Costa Ricans, Latinos, etc.
At that time I confirmed that the challenges of integration are similar regardless of the country that welcomes us.
But the most difficult for me are always the bureaucratic and administrative level. Not being European brought me additional challenges, like the preparation of documents to submit to Universities and public services (visa, social security, etc.). Most of the time the websites of the institutions were not updated, so I always had surprises when submitting my requests. Most of the time I was missing documents. And I had to ask them from my country and that extend the delay of the procedure in a few weeks or even months.
As time goes by I realized that it is always better to bring more documents than less. And since I came to France I have learned to predict what kind of additional documents they might ask me for. This has helped me in a lighter transition between cities (Strasbourg to Paris) within this country!

What are your future plans?
In the short term, I want to continue to consolidate my profile as an international researcher at the best university in France, Université Paris-Saclay (# 37 world ranking). In the long run I have not yet decided whether to pursue research exclusively at CNRS (Center Nationale de Recherche Scientifique) or to combine research with teaching at a University (CNU-Galaxie).
For now I am focused on publishing solid studies and participating in international conferences where I can continue to exhibit my work related to solar fuels obtained by photo catalysis methods. I suspect my decision will depend a lot on the results I get over the next 2-3 years.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
The afternoons when we had some (cheap) drinks at the Students Association, and the nights that began at “Piolho”and ended in the “Galerias de Paris”. These activities were always fun and I always ended up meeting more students and disconnecting from studies.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
I don’t know, I’ve always been very active and dynamic. As a teenager I attended music and sports groups (guitar, karate, taekwondo, etc.). These habits developed my team spirit and sharpened my competitive sense. Even as a student at FEUP I managed to continue with these habits. This made my routines very balanced. So when I look back, I do it proudly because I know I have made the most of my student life.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
For me, having a degree from FEUP is a badge of pride. I always considered that Portuguese education was high quality education and after joining FEUP I confirmed that. Therefore, regardless of being more or less connected with my “alma mater”, I think I have the opportunity to demonstrate FEUP’s quality of training through my work every day. I think that like me, other alumni have felt that FEUP prepares us very well for the transition to the professional world.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
I think that if FEUP / U.Porto’s relationship with industry or other public institutions could be closer, perhaps the number of vacancies available to recent graduates would be greater. I also think, that we should consider including more mandatory courses related to project management. These courses are truly fundamental in the field of engineering. And I just had the opportunity to gain these skills during my professional internship.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I am married to a beautiful Portuguese (as you can see in the picture). We have a scientific love story that began in a FEUP research lab during the time I worked on my master’s thesis. I owe a lot of my personal and professional success to Portugal. This country was my gateway to Europe and that’s where I found my soul mate!
Last but not least, at the age of 30 I had already been on 5 continents and visited 30 different countries, for that I feel grateful and privileged.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Enjoy the journey as students because it goes by really fast, and then the free time decreases. Therefore, activities out of faculty can have a high impact on the career path after graduation. I recommend that you enroll in language courses, participate in associations and musical groups, etc. All extracurricular activities improve the soft skills that will make the difference during the recruitment process. Normally all applicants will have the same or similar hard skills and that’s why these small details can make the difference. I wish you good luck and lots of success for all.