Versão Portuguesa (English version below)

À CONVERSA COM… Pedro Vasconcelos (Embaixador Alumni FEUP na Irlanda)

Pedro Mesquita Vasconcelos é um dos Embaixadores Alumni FEUP na Irlanda. Nasceu no Porto, concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica em 2017 na FEUP, mas sempre teve curiosidade em “explorar o mundo e trabalhar num país diferente”. O destino escolhido foi Dublin onde atualmente trabalha como Process Engineer na Intel Corporation. Apaixonado por desporto, trocou o judo pelo andebol e juntou-se à equipa “Dublin International”.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Eu sou do Porto e sempre vivi no Porto e sempre tive como objetivo ser independente, tendo também muita curiosidade de explorar o mundo e trabalhar num país diferente. Curiosamente a Irlanda nunca esteve nos meus planos, mas a Mariana, minha namorada, é enfermeira e veio para cá em 2016. Vim visitar o país e a cidade, Dublin, duas vezes e gostei bastante, assim decidi mudar-me em abril de 2017. A experiência está a ser fantástica, é um excelente país para trabalhar, com muitas oportunidades e com uma cultura fantástica, as pessoas são muito acolhedoras. O país cresceu e desenvolveu-se muito após a crise de 2008, conseguindo que muitas empresas Americanas estabelecessem a sua sede Europeia aqui. Dublin é uma cidade muito tecnológica, mas ao mesmo tempo rústica, é considerada a “Silicon Valley” da Europa, mas curiosamente não existem muitos prédios, os irlandeses dão muito valor às suas casas e jardins. O sentido de comunidade é uma das coisas que mais gostamos ao viver por cá e durante a Pandemia foi possível sentir perfeitamente esta união. Contudo, sentimos muito a falta do calor, do Sol e da comida portuguesa!

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Mudei-me para a Irlanda imediatamente após acabar o curso, mas a minha tese foi realizada em ambiente empresarial, na Frezite. Para mim, essa foi a minha primeira experiência de trabalho e “fora” da FEUP. Consegui ter a realidade de trabalhar em Portugal e guardo com muito carinho os 5 meses que lá estive, uma empresa familiar numa indústria tradicional como a metalúrgica.

Como correu a integração na Irlanda? Quais foram os principais desafios?
Cheguei à Irlanda sem trabalho, vim à aventura. A Mariana ao ter chegado primeiro ajudou-me a ambientar e a apresentar alguns amigos. O maior desafio para mim foi não conhecer ninguém na minha área e não ter uma rede de contactos neste país. Admito que no início foi complicado, as realidades profissionais e culturais são muito diferentes e senti uma grande dificuldade em adaptar-me. Tinha como objetivo trabalhar em indústria, sendo que aqui este setor é muito distinto do resto da Europa por ser maioritariamente composto pela indústria Farmacêutica e Agricultura.
Foram alguns meses a enviar currículos com quase nenhuma resposta, até que surgiu a oportunidade de trabalhar na Intel, numa das maiores e mais avançadas fábricas do mundo. Já passaram 3 anos e tenho aprendido muito, aplico conceitos de diversas áreas de Engenharia todos os dias, um desafio fantástico.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Tal como muitos emigrantes temos como desejo, um dia, voltar a Portugal. Quando cheguei cá dizia que iram ser 2-3 anos no máximo, os 3 anos já passaram, agora digo que poderão ser outros 2 ou 3 outra vez. Gostava muito de voltar e ajudar o meu país a crescer e retribuir um pouco do que me deu, contudo, as oportunidades continuam a ser melhores cá fora, sentimo-nos valorizados e nós vamos acabando por ficar.
Para já estamos muito felizes aqui, as oportunidades e desafios são muitos e ainda nos sentimos a aprender e a crescer. Tenho aproveitado também para continuar a estudar e estou neste momento a fazer uma pós-graduação em Análise de Dados.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Acho que de tudo. A FEUP para mim foi como uma casa, durante os 5 anos académicos passei mais tempo na faculdade do que na minha própria casa, a qualquer hora a FEUP estava aberta. Sinto falta das amizades, de passar pelos corredores e reconhecer sempre alguém, das tardes nos jardins ou bar da biblioteca, dos copos e de todas as noitadas de estudo no Departamento de Mecânica.
Fiz e ainda faço parte da TEUP (Tuna de Engenharia da Universidade do Porto) que me deu tanto e pediu tão pouco. É deste grupo que sinto mais saudades, muitas horas passadas com um grupo fantástico que chega a ser quase família. Foram muitos ensaios, atuações, festivais e viagens, aprendi muito e todas as experiências, que tive enquanto membro deste grupo, trouxeram-me muitas mais valias que ainda hoje aplico em contexto de trabalho.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Foram tempos incríveis, consegui aproveitar ao máximo aquilo que a vida académica proporciona, não mudaria nada. Fiz parte de grupos académicos, de uma tuna, fiz Erasmus e estive envolvido em projetos na Faculdade que de outra forma não teria possibilidade, todas estas experiências enquanto estudante enriqueceram-me muito e foram muito úteis para o meu crescimento pessoal e profissional.
Com o tempo fui-me apercebendo que talvez tivesse dado mais importância a algumas unidades curriculares e aproveitado mais o contacto com os professores. Enquanto aluno existia algum receio de falar com os professores, se o tivesse feito, talvez tivesse ficado mais esclarecido sobre algumas matérias e tivesse estabelecido contactos profissionais para o futuro.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
É excelente poder continuar ligado à FEUP e poder ajudar, sinto que é exatamente isso, poder retribuir de alguma forma tudo aquilo que me proporcionou. Qualquer Alumni FEUP, ao longo da sua carreira, tem sempre associado o nome FEUP e isso é uma responsabilidade extra que temos. Ser Embaixador dá-me a oportunidade de poder contribuir para que a alegria da comunidade FEUP aconteça mesmo depois de concluído o curso e longe de casa. É um sentimento fantástico sempre que realizamos um evento, vemos muitas caras familiares e partilhamos experiências e muitas histórias antigas à gargalhada, tal e qual como se ainda fossemos estudantes.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
A FEUP é uma instituição reconhecida internacionalmente, formando excelentes profissionais. O desafio que lanço à FEUP é o de usar a sua rede Alumni e os Embaixadores para facilitar parcerias com empresas estrangeiras, desta forma, poderiam surgir parcerias de estágios ou até projetos de investigação.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
O desporto sempre fez parte da minha vida, comecei no Judo aos 4 anos mas acabei por deixar aos 15 anos. Sempre tive muita vontade de experimentar desportos de equipa e com 16 anos mudei para o Andebol. Foi uma mudança tardia em que senti uma grande desvantagem por falta de formação desde criança, contudo gostei muito do desporto e acabei por ficar. Quando entrei na FEUP acabei por abdicar de praticar regularmente e juntei-me à equipa da Associação de Estudantes para praticar apenas por gosto. Na Irlanda o Andebol é um desporto quase desconhecido, mas acabei por encontrar uma equipa no país, neste momento existem 6. A minha equipa chama-se Dublin International, totalmente amadora e é constituída por jogadores de cerca de 15 países diferentes e sem irlandeses. A grande curiosidade é que atualmente sou Bi-campeão Nacional 🙂

English Version

Talking to… Pedro Vasconcelos (Alumni FEUP Ambassador in Ireland)

Pedro Mesquita Vasconcelos is one of the FEUP Alumni Ambassadors in Ireland. Born in Porto, he completed the Integrated Master in Mechanical Engineering in 2017 at FEUP, but was always curious to “explore the world and work in a different country”. The chosen destination was Dublin where he currently works as a Process Engineer at Intel Corporation. Passionate about sport, he changed from playing judo to playing handball and joined the “Dublin International” team.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
I am from Porto and I have always lived in Porto, therefore I’ve always wanted to be independent, also having a lot of curiosity to explore the world and to work in a different country. Interestingly, Ireland was never in my plans, but Mariana, my girlfriend, is a nurse and went to work in Ireland in 2016. I visited Dublin twice and I really liked it, so I’ve decided to move to Ireland in April 2017. The experience is being amazing, it is a great country to work in, with many opportunities and an amazing culture, people are very welcoming as well. The country grew and developed after the 2008 crisis by being able to attract many American companies that established their European headquarters here. Dublin is a technological city, but at the same time rustic, considered the “Silicon Valley” of Europe, but there are not many high buildings, the Irish people value a lot their houses and gardens. The sense of the community is one of the things that we appreciate the most while living here, and during the Pandemic it was possible to feel this union perfectly. However, we miss a lot the heat, the sun and the Portuguese food!

Did you go to other places after leaving FEUP?
I moved to Ireland immediately after finishing the masters, but my thesis was done in a work environment, at Frezite. For me, this was my first work experience “outside” FEUP. I had contact with the reality of working in Portugal and I cherish the 5 months I was there, a family business in a traditional industry such as the metallurgic.

How was the integration in Ireland? What were the main challenges?
Arriving in Ireland without a job ended up being an adventure. Mariana, who arrived first, helped me to settle in and introduce me to some friends. The biggest challenge for me was not knowing anyone in my area and not having a network in this country. At the beginning was tough, the professional and cultural reality are very different from Portugal and took me a while to adapt. I really wanted to keep working in the industry, and here this sector is very different from other European countries as it is mainly composed by the Pharmaceutical and Agriculture industries.I spent a few months submitting resumes with almost no response, until the opportunity arose to work at Intel, in one of the largest and most advanced factories in the world. It has been 3 years so far and I have learned so much, while being able to apply concepts from different areas of Engineering every day, it is a fantastic challenge and a great place to work.

What are your future plans?
Like many emigrants, we wish, to return to Portugal someday. When I got here I though it would be for 2 or 3 years, the 3 years have passed, now I say that it could be another 2 or 3 again. I would love to come back and help my country to grow and give back a little of what it gave me, however, the opportunities continue to be better outside, we keep feeling valued and we end up staying.
For now, we are very happy here, the opportunities and challenges are many and we still feel we are learning and growing. I have also taken the opportunity to continue studying and I am currently doing a Higher Diploma in Data Analysis.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
Everything, I think. FEUP for me was a second home, during the 5 academic years I spent more time in faculty than in my own home, FEUP was open at any time. I miss all the friendships, going through the corridors and always recognizing someone, the afternoons in the gardens or library bar, the nights out and all the study nights at the Department of Mechanical Engineering.
I was and still am part of TEUP (Students Musical Group of the Faculty of Engineering of the University of Porto) that gave me so much and asked for so little. It is this group that I miss the most, many hours spent with a fantastic group that became close to being called “family”. There were a lot of rehearsals, performances, festivals and travels, I learned a lot and all the experiences I had, as a member of this group, brought me many skills that I still apply at work.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
These were incredible times. I managed to make the most of what academic life provides, I wouldn’t change anything. I was part of academic groups, musical groups, I did Erasmus and I was involved in projects in the Faculty that otherwise would not be possible, all these experiences as a student enriched me a lot and were very useful for my personal and professional growth.
Over time, I realized that maybe I could have given more importance to some curricular units and made more use of the contact with the professors. As a student there was some fear of talking to the professors, if I had done it, I might have been more enlightened about some subjects and had established professional contacts for the future.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
It is great to be able to stay connected to FEUP and to be able to help, I feel that it is exactly that, to be able to give back in some way all that it has provided me. Any FEUP Alumni, throughout their career, will always have the name FEUP associated and that is an extra responsibility that we have. Being an Ambassador gives me the opportunity to contribute so that the FEUP community’s joy continues even after the course is completed and away from home. It is a fantastic feeling whenever we organize an event, we see many familiar faces and we share experiences and many old stories with laughs, just as if we were still students.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
FEUP is an internationally recognized institution, training excellent professionals. I challenge FEUP to use its Alumni network and the Ambassadors to manage and develop partnerships with foreign companies, leading to internships, partnerships or even research projects.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
Sport has always been part of my life, I started in Judo at the age of 4 but ended up leaving at 15. I always wanted to try team sports, when I was 16 I started to play handball. It was a late change, in which I felt a great disadvantage due to lack of training practice from childhood, however I really liked the sport and ended up playing it. When I joined FEUP I ended up giving up from practicing regularly and I joined the Student Association team to play for fun. In Ireland, handball is nearly unknown, but I ended up finding a team in Dublin, there are only 6 in Ireland. My team is called Dublin International, amateur and constituted by players from around 15 different countries. The great curiosity is that I am currently a two times National Champion 🙂

The Advice to FEUP Students (On Video)
Hi, my name is Pedro, I am a FEUP Alumni Ambassador in Ireland and my advice for students is to make the most of their academic time. The Faculty offers us a lot. Take the opportunity to meet new people, enroll in projects with people of different nationalities, from different parts of the country and also try to join academic groups, this is where you will meet completely different people, you will develop projects that otherwise you would not be able to, and you will also gain many soft skills, which will be very important to you in your professional future. This is currently highly valued in companies and will bring you much value for the future.  Good luck to all! A big hug from Ireland.