Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… Rui Gaião (Embaixador Alumni FEUP no Reino Unido)

Rui Gaião nasceu em Viana do Castelo e é um dos Embaixadores Alumni FEUP no Reino Unido. Completou o curso de Engenharia Civil na FEUP em 2002 e em 2015 aceitou um desafio profissional em Londres para onde partiu com a família. Vamos conhecer melhor o Engenheiro, Planning Manager na Balfour Beatty Highays, que adora cozinhar e receber amigos em casa.

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
A oportunidade surgiu de repente, demorando cerca de 6 meses a concretizar-se. Desde pequeno que sempre imaginava viver e trabalhar no estrangeiro. Descendente de uma família de emigrantes de vários cantos do Mundo (Portugal, França, Macau e México), sempre tive uma atração por conhecer diferentes culturas e a experiência em si fascinava-me.
No início de 2015, recebi um contacto no LinkedIn, porque o Reino Unido estava a entrar numa fase de grandes investimentos e estavam a procurar profissionais com a minha experiência.
Depois de várias conversas com este contacto, e de ponderar mudar de rumo na carreira, novamente, pois o meu envolvimento em projetos de infraestruturas tinha terminado em 2011, decidi fazer uma viagem a Londres e ir a 4 entrevistas que me propuseram. No final, pude decidir pelo projeto que mais me interessava e iniciei esta aventura em agosto de 2015.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Comecei por fazer ERASMUS pela FEUP em Manchester e iniciei a minha experiência laboral numa empresa estrangeira (Impregilo) mas no projeto do Metro do Porto.
Mudei-me posteriormente para Viana do Castelo, para construir a A28 Viana do Castelo/Caminha.
Cheguei a ter uma pequena experiência em Espanha, numa empresa espanhola, mas o projeto era em Lugo e aos fins de semanas voltava sempre a casa em Viana do Castelo. Voltei passado poucos meses, para direcionar vários projetos nos diferentes cantos de Portugal, desde a Bemposta até aos Açores.
Mas com o encerramento da empresa para qual trabalhava em 2011, iniciei um projeto por conta própria, na área da remodelação urbana.

Como correu a integração no Reino Unido? Quais foram os principais desafios?
A integração não foi muito difícil, pois já tinha tido uma experiência de 6 meses, graças ao programa ERASMUS, embora Manchester seja uma cidade bastante diferente de Londres. Fui também muito bem acolhido e bem tratado por todos e isso ajudou muito, ao fim de 6 meses, mudei-me com malas e bagagem e trouxe a família toda, a minha esposa e dois filhos. A Flor com 4 anos, entrou para a escola, para a “Reception year“ e o João tinha acabado de fazer 1 ano.
Aos poucos todos se habituaram e agora tenho de manter a aprendizagem dos meus filhos do português e da cultura portuguesa.
No início, o mais difícil foi o inglês, neste caso porque estava a trabalhar num projeto com mais de 100 técnicos, de todas as diferentes regiões do Reino Unido, com todos os seus diferentes sotaques. Todos eles bastante diferentes do inglês, ao estilo americano, a que estamos habituados a ouvir nos filmes, televisão ou música. Acompanhar reuniões de 2 horas, em que era o único não britânico deixava-me exausto. Agora já estou habituado.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Considero que eu e a minha esposa estamos bem estabelecidos, sentimo-nos integrados no trabalho que fazemos e bastante recompensados e apreciados. Por isso pensamos em continuar por aqui por muitos e bons anos, por agora.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Posso dizer que vivi os meus tempos académicos com muita intensidade e não posso deixar de ter saudades da camaradagem e alegria que vivi em muitos momentos com todos os meus colegas e amigos. Aprendi muito e cresci nessa casa, é algo que não deixo de recordar e comemorar com todos eles quase todos os anos. Com saudade, em 2012, fizemos um jantar na Praça Carlos Alberto e conseguimos convencer os seguranças da Rua dos Bragas a fazerem-nos uma visita “guiada” ao edifício da “nossa” Faculdade na Rua dos Bragas.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Aquilo que mais me arrependo, foi de não ter tido um maior contacto pessoal com os meus professores, tratava-os com muito respeito e a maior deferência, só no último ano aprendi que eles também são humanos e superei um pouco a minha timidez. Agora penso que poderia ter tirado mais partido dessa ligação.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
A FEUP foi uma Escola que me formou como técnico, mas também como ser humano e ser seu representante e promotor é uma maneira de retribuir, mas também uma forma de manter a ligação viva.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Gostava de ver a FEUP promover-se mais, nacional e internacionalmente, através dos seus Alumni, penso que todos os Alumni têm orgulho do tempo que passaram nesta Escola e não se importariam de ser o veículo dessa promoção. Esta promoção traria benefícios para todos os alunos, mas também seria um passo na direção da sua autonomia financeira.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Gosto de cozinhar e de entreter amigos em casa em Inglaterra, sempre que posso, encho a casa de gente e preparo algo especial. No último Natal organizei um jantar em minha casa para 19 pessoas sentadas (adultos e crianças), tudo família de Engenheiros portugueses no projeto da M4.

English Version

Talking to… Rui Gaião (FEUP Alumni Ambassador in the UK)

Rui Gaião was born in Viana do Castelo and is one of the FEUP Alumni Ambassadors in the United Kingdom. He graduated in Civil Engineering from FEUP in 2004 and in 2015 accepted a professional challenge that made him move to London with his family. Let’s get to know better the Engineer, Planning Manager at Balfour Beatty Highays, who loves to cook and entertain friends at home.

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
The opportunity came up suddenly, taking about 6 months to take place. Since I was a child, I always imagined living and working abroad. Descending from a family of emigrants from all over the world (Portugal, France, Macau and Mexico), I have always had an attraction for knowing different cultures and the experience itself fascinated me.
In early 2015, I received a contact on LinkedIn, because the UK was entering a phase of major investments and they were looking for professionals with my experience.
After several conversations with this contact, and considering changing my career path, again, as my involvement in infrastructure projects had ended in 2011, I decided to travel to London and go to 4 interviews that they proposed. In the end, I was able to decide on the project that interested me the most and I started this adventure in August 2015.

Did you go to other places after leaving FEUP?
I started by going on the ERASMUS program to Manchester and started my work experience in a foreign company (Impregilo) but at the Porto Metro project.
I later moved to Viana do Castelo, to build the highway A28 Viana do Castelo / Caminha.
I even had a small experience in Spain, in a Spanish company, but the project was in Lugo but on weekends I always returned home to Viana do Castelo. I returned after a few months, to manage several projects in different corners of Portugal, from Bemposta to Azores.
But with the closure of the company for which I worked for in 2011, I started a project on my own, in the area of urban refurbishment.

How was the integration in Denmark? What were the main challenges?
The integration was not very difficult, as I had already had a 6 month experience, thanks to the ERASMUS program, although Manchester is a city quite different from London. I was also very well received and treated by everyone and that helped a lot, after 6 months, I moved with suitcases and luggage and brought the whole family, my wife and two children. Flor with 4 years old, went to school, to “Reception year” and João had just turned 1 year old.
Gradually everyone got used to it and now I have to keep my children learning Portuguese and Portuguese culture.
In the beginning, the major difficulty was the English, in this case because I was working on a project with more than 100 technicians, from all different regions of the United Kingdom, with all their different accents. All of them quite different from American English, which we are used to hear in movies, television or music. Attending 2-hour meetings, when I was the only non-British, left me exhausted. Now I am already used to it.

What are your future plans?
I believe that my wife and I are well established, we feel integrated into the work we do and very rewarded and appreciated. So we thought about staying here for many good years, for now.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
I can say that I lived my academic times to the most and I can’t help but miss the friendship and joy that I experienced in many moments with all my colleagues and friends. I learned a lot and grew up in this Faculty and that is something that I remember and celebrate with them almost every year. Missing the old times, in 2012, we organized a dinner at Praça Carlos Alberto and we convinced the security guards at Rua dos Bragas to make us a “guided” visit to the building of “our” Faculty at Rua dos Bragas (the old Faculty facilities).

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
What I regret most was not having had a more personal contact with my teachers, I treated them with great respect and the greatest deference. I only learned in the last year that they are also human and I overcame my shyness a little. Now I think I could have taken more advantage of that connection.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
FEUP was a School that trained me as a technician, but also as a human being and be its representative and promoter is a way of giving back, but also a way of keeping the connection alive.

What challenges would you like to propose to FEUP and U.Porto?
I would like to see FEUP promote itself more, nationally and internationally, through its Alumni, I think that all Alumni are proud of the time they spent at this Faculty and would not mind to be the vehicle for this promotion. This promotion would bring benefits to all students, but it would also be a step towards its financial autonomy.

Alumni, professional, ambassador… what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
I like to cook and entertain friends at our home in England, whenever I can, I fill the house with people and prepare something special. Last Christmas I organized a dinner at my house for 19 people seated (adults and children), all family of Portuguese Engineers in the M4 project.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Hello. My advice for all FEUP students is in addition to all the tools you will learn in FEUP classes and studies, take the opportunity to develop and accelerate the growth of the so-called soft skills. FEUP is a Faculty of excellence that will give you all the scientific tools and thoughts you will need for your professional journey. Also, as a community, FEUP is able to provide you much more. Participate in the activities of the academic association, talk to FEUP Professors, make friends along the way, who will stay with you and help you for the rest of your life. Go to freshmen rituals, learn a new language, go abroad with the Erasmus… all this will help you to develop the so-called soft skills, to manage your time and resources, to manage conflicts, to know to work as a team. All this will help you to make the transition to professional life and, for sure, it will bring you the greatest success. Enjoy! I am sure that we will meet in the future. Success!