Versão portuguesa (english version below)

À CONVERSA COM… Rui Guimarães (Embaixador Alumni FEUP na Nova Zelândia)

Rui Guimarães partiu para a Nova Zelândia à procura de um desafio. Natural do Porto, o engenheiro vive em Christchurch com a família onde é Software Development Manager na Verizon Connect. Apesar de ter ingressado na FEUP em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, o nosso Embaixador Alumni na Nova Zelândia terminou em 2005 Engenharia Informática e de Computação. Natureza e família são duas das suas paixões. Conheça melhor o engenheiro e o seu percurso!

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
A oportunidade surgiu porque queríamos tomar conta do nosso destino. Na altura éramos só dois e queríamos uma experiência de vida diferente daquela que estávamos a ter. Encontrar uma cidade no mundo que desse boas oportunidades profissionais para duas pessoas em áreas tão destintas como Engenharia Civil e Informática não era fácil.
Consideramos muitas alternativas e acabamos por formar um plano com 3 alternativas principais: Países Baixos, Canadá e Austrália. Para a primeira, fizemos um curso de Neerlandês durante um ano. Para as duas últimas alternativas fomos a Londres a uma feira de emprego em Março de 2012 para conhecer as potenciais condições de emigração e carreira profissional para esses países, acabamos por descobrir uma outra oportunidade – Nova Zelândia – pois era o lugar que oferecia a melhor combinação para ambos. Fizemos reset a tudo e apostamos o nosso tempo a pesquisar para Christchurch onde tinha acontecido um grande terramoto em Fevereiro de 2011. Acabamos os dois com ofertas de trabalho antes de termos alguma vez visitado a Nova Zelândia. Ah, e acabamos o curso de Neerlandês com sucesso já com o voo comprado para a Nova Zelândia e tudo orientado. O que seria uma experiência de dois anos tornou-se em mais de 7 e neste momento temos a cidadania da Nova Zelândia, o que acho que por si só diz muito desta experiência.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Sim, acabei o curso em Erasmus, nos Países Baixos, e quando acabei tive uma oferta para lá ficar a trabalhar e assim o fiz. Foi a primeira experiência profissional após acabar o curso. Ainda guardo a cidade de Delft como o meu terceiro lugar favorito no mundo, a seguir ao Porto e Christchurch.

Como correu a integração na Nova Zelândia? Quais foram os principais desafios?
Ignorando o sotaque “engraçado” no Inglês da Nova Zelândia não houve muitos desafio iniciais. Principalmente depois de ter vivido fora nos Países Baixos houve muitas lições aprendidas. Quando nos mudamos para Christchurch a cidade estava devastada por causa dos terramotos e ainda havia réplicas que se faziam sentir todas as semanas, ou várias vezes por semana. Mas porque ja sabíamos ao que íamos,  estávamos preparados para o pior dos piores cenários, o que não veio a acontecer e por isso ficamos muito bem desde o início (e também ficamos adaptados a terramotos).

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Aprendemos a não planear com muito tempo de avanço. Vai sempre haver alguma coisa que vai acontecer e que vai trocar os planos. Estamos bem e felizes, o que não quer dizer que não consideremos alguma troca. Neste momento há poucos países para os quais nos mudaríamos, para sair da Nova Zelândia, e se não houver condições ideais não ha razão para troca. Temos a nossa lista de “condições ideais” mas para já o plano é Christchurch. Daqui a uns anos, quem sabe onde será?

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Para mim a faculdade é e deve ser muito mais do que as aulas. São as pessoas que se conhecem, os projectos que se fazem em conjunto e todas as atividades que se fazem ligadas à faculdade. No meu caso foram as muitas horas a fazer projectos de Informática nos laboratórios com vários grupos diferentes. Foi um professor que é mais que um professor, vejo-o como um amigo, que foi o meu orientador de projecto de final de curso e Erasmus, o Professor António Augusto de Sousa. E foram sobretudo as muitas horas passadas com o Orfeão Universitário do Porto, onde aprendi muitas das habilidades interpessoais que hoje uso no meu dia a dia.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Fora aproveitar uma ou outra coisa de melhor forma, fiquei muito satisfeito com o meu percurso académico e não o mudava drásticamente. Fiz Erasmus, que considero fundamental. Viajei muito em representações da Universidade do Porto com o Orfeão. Aprendi muito tecnicamente e fiz bons contactos. Possivelmente, hoje teria feito tudo de uma forma mais relaxada, mas teria feito as mesmas coisas.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
É bom partilhar experiências. É bom de alguma forma poder dar de volta e comunicar com aqueles que estão agora a começar o seu percurso. Sempre tentei manter as ligações à faculdade, mesmo antes de ser Embaixador Alumni, e espero continuar a fazê-lo. A nossa alma mater também acaba por ser parte de quem somos como pessoas.

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U.Porto?
Fazer programas de intercâmbio com as universidades da Nova Zelândia. Em particular com a universidade da minha cidade, a Universidade de Canterbury. Seria bom que os alunos da UP fossem de tal forma globais que pudessem ter intercâmbios com a cidade mais distante fisicamente da UP.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-la melhor.
Ski e família… os dois juntos se possível. A vida fora do trabalho é essencial para mim. É isso que define a minha qualidade de vida. Ter tempo para a família e poder ir facilmente esquiar é fundamental. A minha filha mais velha testou os skis aos dois anos de idade, aos três anos já esquiava e aos quatro já subia a montanha na cadeira sozinha. A mais nova não deve ter muitas outras hipóteses a não ser seguir os mesmo “trilhos”, pelo menos para já.
Vivemos a uma hora e meia de algumas estâncias de ski, e no Inverno, durante o fim de semana, temos sempre de ir lá um pouco. Nem que seja umas horas.
Falávamos numa pergunta anterior de planos para o futuro. Onde quer que sejam, tem de ter a família e o ski por perto.

English Version

Talking to… Rui Guimarães  (FEUP Alumni Ambassador in New Zealand)

Rui Guimarães left to New Zealand looking for a challenge. Born in Porto, the engineer lives in Christchurch with his family where he is Software Development Manager at Verizon Connect. Despite having joined FEUP in Electrical and Computers Engineering, our Alumni Ambassador in New Zealand, finished in 2005 Informatics and Computing Engineering . Nature and family are two of his passions. Get to know better the engineer and his career!

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
The opportunity showed up because we wanted to take care of our destiny.At the time, we were only two and we wanted a different life experience than the one we were living. Finding a city in the world that would provide good professional opportunities for two people in areas so distinct as Civil Engineering and Informatics was not easy. We considered many alternatives and ended up with a plan for 3 main alternatives: the Netherlands, Canada and Australia. For the first option, we took a Dutch course for a year. For the other two alternatives, we went to London for a job fair in March 2012 to learn about the potential conditions of emigration and professional careers in these countries and we ended up discovering another opportunity – New Zealand – it was the place that offered the best combination for both. We reset everything and spent our time researching for Christchurch where a major earthquake happened in February 2011. We ended up, with job offers for the both of us, even before we ever visited New Zealand. Oh, and we finished the Dutch course successfully with the flight booked to New Zealand and everything well guided.
What we thought that would be a two-year experience has now become more than seven, and right now we have the New Zealand citizenship, which I think it speaks a lot about this experience. 

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes, I finished my degree during the Erasmus Program in the Netherlands, and when I finished it I had an offer to stay there and I accepted it. It was the first professional experience after finishing the course. The city of Delft is my third favorite place in the world, after Porto and Christchurch.

How was the integration in New Zealand? What were the main challenges?
Ignoring New Zealand’s “funny” English accent, there weren’t many initial challenges. Especially after living abroad in the Netherlands, there were many lessons that I’ve learned. When we moved to Christchurch the city was devastated by the earthquakes and there were still aftershocks felt every week, or several times a week. Since we were prepared for the worst case scenario and that didn’t happened, we adapted ourselves very well from the start (and now we are also adapted to earthquakes).

What are your future plans?
We learned not to plan things in advance. There will always be something that will change plans. We are well and happy, which does not mean that we do not consider any move. Right now there aren’t a lot of countries that we would move to, to leave New Zealand, and if there are no ideal conditions there is no reason to do this switch. We have our list of “ideal conditions” but for now the plan is Christchurch. A few years from now, who knows where it will be?

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
For me, Faculty is and it must be much more than classes. There are the people who know each other, the projects that are done together and all the activities that are linked to the faculty. In my case, there were many hours doing IT projects in the labs with several different groups. It was a teacher that for me is more than a teacher, I see him as a friend, who was my final project and Erasmus advisor, Professor António Augusto de Sousa. And it were mainly the many hours spent with the Orfeão Universitário do Porto, where I learned many of the interpersonal skills that I use today in my daily life.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different?
Apart from taking advantage of one thing or another in a better way, I was very satisfied with my academic path and I would not change it drastically. I did Erasmus, which I think is fundamental. I traveled a lot in representations of the University of Porto with Orfeão. I learned a lot technically and made good contacts. Possibly, I would have done everything in a more relaxed way, but I would have done the same things.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
It is good to share experiences. It is good to be able to give back and communicate with those who are now beginning their journey. I have always tried to maintain connections with the Faculty, even before becoming an Alumni Ambassador, and I hope to continue doing so. Our alma mater also ends up being part of who we are as people.

What challenge would you like to propose to FEUP and / or to U.Porto?
Exchange programs with universities in New Zealand. In particular with the university of my town, the University of Canterbury. It would be good that the UP students were so global that they could have exchanges with the UP’s most distant city, physically speaking.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
Ski and family … the two together if possible. Life outside of work is essential for me. This is what defines my quality of life. Having time for the family and being able to go skiing easily is essential. My eldest daughter tested skies at the age of two, at the age of three she was already skiing and at four she was already climbing the mountain on her chair by herself. The youngest will not have many other options than to follow the “same track”, at least for now.We live an hour and a half from some ski resorts, and in winter, during the weekend, we always have to go there for a while. Even if, only for a few hours. We were talking about plans for the future on a previous question. Wherever you are, you have to have your family and the ski close by.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Make the most of your time, take your time to know your teachers, make the most of the work that gives you training for the future, take the opportunity to engage in academic activities, to meet people, these experiences are essential for your future. Take the opportunity to learn more, take the Erasmus program. Increase your networking, this network will be very important for your future and for your professional career. When you finish your degree, don’t be afraid to explore, don’t be afraid to try different things, you can go to other countries, there are several opportunities around the world. Don’t be afraid to change if you don’t like what you are doing. Choose what you really like and use it to the fullest throughout your career. Your future is what do with it. There will be many ups and downs. Learn to fight. The Faculty provides you weapons for that. Travel whenever you can, meet other people, use the Faculty’s and University’s academics groups to travel, to discover these new worlds, to make contacts with the teachers. And, that’s all! Enjoy your time in the Faculty of Engineering!