Versão Portuguesa (English version below)

À CONVERSA COM… Tiago Ribeiro (Embaixador Alumni FEUP no Vanuatu)

Desta vez vamos até ao Vanuatu para conhecer Tiago Ribeiro, Embaixador Alumni FEUP neste pequeno país situado no azul do Oceano Pacífico. Em 2011 concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Civil e, em 2016, partiu de Portugal para este paraíso de areias brancas para integrar a VATE INDUSTRIES – TEOUMA GROUP como Manager. E parece que a aventura não vai ficar por aqui… Próximo destino: Ilhas Fiji!

Como surgiu a oportunidade de ir para fora? Como está a ser esta experiência no estrangeiro?
Iniciei a minha carreira profissional na área da Engenharia Civil em 2010 e face à situação difícil do setor em Portugal, sem perspetivas de melhoria, decidi apostar na emigração tendo em vista uma oportunidade de me realizar a nível profissional. A vinda para o Vanuatu surgiu como resultado de uma busca específica por oportunidades de trabalho na região do Pacífico Sul, através de candidaturas espontâneas para as empresas de maior dimensão no Vanuatu, Samoa, Ilhas Salomão, Nova Caledónia, Tonga, Fiji, Ilhas Cook e Polinésia Francesa. Por incrível que pareça, ao fim de duas ou três semanas recebi uma proposta de trabalho no Vanuatu e depois de acertar vários pormenores do contrato decidi aceitar.

Passou por outras paragens depois de ter deixado a FEUP?
Sim, desde 2010 além de me ter movimentado entre várias cidades portuguesas, a minha carreira profissional já me levou, por breves períodos, à França e Guiné Equatorial, bem como viagens esporádicas a outros países.

Está no Vanuatu. Porquê esta escolha inusitada?
A escolha pelo Pacífico Sul surgiu pelo interesse de explorar a cultura, clima tropical, paisagens idílicas e sobretudo pela possibilidade de abrandar o ritmo frenético que exigia horas extra de trabalho e pouco tempo dedicado ao lazer e à família. Outro fator também determinante foi a possibilidade de viajar pelo Pacífico e conhecer países como Austrália e Nova Zelândia, não esquecendo ainda o benefício a nível financeiro e fiscal.

Como correu a integração neste país? Quais foram os principais desafios?
A adaptação foi muito natural! Os ni-Vanuatu são um povo muito simples e acolhedor. A vida corre devagar, de forma informal e descontraída e, para a maior parte da população, o tempo é dedicado à agricultura e pesca de subsistência, à família e à kava, bebida típica do Pacifico Sul.
Não obstante, como desafios apresento o ritmo lento a que ocorrem os trabalhos e as frequentes ausências dos trabalhadores, a falta de mão-de-obra especializada e a dificuldade de encontrar peças/materiais a que estamos habituados na Europa o que abranda muitíssimo o ritmo de resposta que conseguimos dar aos clientes. Dada a situação, tive que me adaptar e ser criativo em relação às soluções construtivas e utilização de materiais.
Contudo, o principal desafio foi certamente o período de tempo entre a minha chegada e o tempo que decorreu até a minha esposa se ter juntado a mim, um ano depois.
Em relação à cidade em si, Port Vila, a capital onde resido e trabalho, tem cerca de 30.000 habitantes. Não existem muitas formalidades, a sinalética vertical e luminosa é quase inexistente, as vias de comunicação começam agora a ser alvo de requalificações. A isto somo a inexistência cadeias internacionais de fast food que são substituídas por boa (mas dispendiosa) restauração e refeições caseiras com produtos orgânicos da época, provenientes do mercado, este último tomo como um dos aspetos positivos da vivência aqui. Também me tornei menos consumista, o que mudou a minha perspetiva do que é realmente necessário, outro ponto a favor na minha visão.
Back to the basic. Keep it simple.

Por onde passam agora os seus objetivos/planos futuros?
Neste momento estou em mãos com uma nova oportunidade de trabalho nas Fiji, a qual terá início muito em breve. Irei trabalhar para uma empresa de construção neozelandesa, na direção de obra (Site Engineer) de uma nova ponte na capital Suva, com duração estimada de 18 meses.
A longo prazo gostaria de me fixar com a minha esposa e filha, num país melhor servido de infraestruturas, cuidados de saúde, educação e atividades culturais, como a Austrália ou Nova Zelândia.

Dos tempos na FEUP, o que é que recorda com mais saudade?
Há professores e colegas que nunca se esquecem, alguns dos quais ainda mantenho contato!
Foi também na FEUP que conheci a minha esposa, e esses tempos em que estudamos juntos foram muito gratificantes.

E se voltasse ao passado, aos tempos de estudante, faria alguma coisa de diferente?
Por vezes penso que outras profissões poderia ter escolhido e se um dia irei fazer alguma coisa completamente diferente da Engenharia Civil, mas ainda não encontrei essa resposta. Provavelmente irei chegar ao final da vida profissional e poder dizer que não faria nada de diferente. No entanto gostaria de, juntamente com a minha esposa, a médio prazo, desenvolver alguns projetos paralelos noutras áreas.

Ser Embaixador Alumni significa no fundo retribuir algo à Faculdade em particular e à Universidade em geral. Como é que vê esta reaproximação à sua alma mater?
Ser Embaixador Alumni é um orgulho e uma oportunidade de, enquanto se expande a nossa rede de contactos, ser um representante da nobre instituição que nos formou. Sinto-me muito grato por ter estudado na FEUP. Aprendi muito e todos os dias colho os frutos daquilo que a FEUP me deu!

Que desafio gostaria de colocar à FEUP e/ou à U. Porto?
Uma vez que estamos mais do que nunca mergulhados na era digital e da mobilidade, eu gostaria de ver a FEUP disponibilizar oferta de cursos online ou MOOC. Eu costumo frequentemente estudar e participar em cursos online organizados por algumas das melhores instituições de ensino a nível mundial. A formação continua e é muito importante ter uma oferta motivadora em que o aluno possa manter-se atualizado e tenha oportunidade de adaptar os cursos à sua realidade profissional e gestão de tempo. Também seria interessante disponibilizar um canal online – live streaming ou vídeos, com conferências e palestras organizadas pela FEUP. Seria uma ferramenta vital para que os Alumni e outros profissionais se mantenham ligados à FEUP, mesmo quando estão no estrangeiro ou não têm disponibilidade de participar nos eventos.

Alumni, profissional, embaixador… que mais devemos saber sobre si? Partilhe connosco uma curiosidade para ficarmos a conhecê-lo melhor.
Uma curiosidade? Numismática! Uma paixão que tenho há muitos anos. Já passei a barreira das 10.000 moedas diferentes na minha coleção e tenciono continuar a expandir o meu portefólio. Paralelamente possuo coleções de notafilia e filatelia, embora de menor dimensão.

 

English Version

Talking to… Tiago Ribeiro (FEUP Alumni Ambassador in Vanuatu)

This time we go to Vanuatu meet Tiago Ribeiro, FEUP Alumni Ambassador in this small island country, situated in the blue of the South Pacific Ocean. In 2011 he completed the Integrated Masters in Civil Engineering and in 2016 he traveled from Portugal to this paradise to join VATE INDUSTRIES – TEOUMA GROUP, where he was the Manager. And the adventure continues… Next destination: Fiji Islands!

Can you tell us about your experience abroad and how did it happen?
I started my professional career in 2010, in Civil Engineering, and considering the difficult situation of the sector in Portugal – without any perspective of improvement in the short/ medium term, I saw the emigration as a good opportunity to fulfill myself professionally.
Vanuatu came as a result of a specific search for job opportunities in this region in the South Pacific. I made spontaneous applications to the largest companies in Vanuatu, Samoa, Solomon Islands, New Caledonia, Tonga, Fiji, Cook Islands, and French Polynesia.
As incredible as it may seem, after two or three weeks I received a proposal for work in Vanuatu, and after agreeing with several details of the contract, I decided to accept.

Did you go to other places after leaving FEUP?
Yes, since 2010, besides working in some different Portuguese cities, my professional career as lead me, for some short periods, to France, Equatorial Guinea, as well as occasional trips to other countries.

Why to chose Vanuatu?
The choice for the South Pacific came with the interest to explore its culture, the tropical climate, the idyllic landscapes and the possibility of slowing the frenetic pace that required extra hours of work and little time for leisure and family. Other determining factors were the chance to travel through the Pacific and visit Australia and New Zealand, as well as the financial and tax advantages.

How was the integration? What were the main challenges?
The adaptation was very natural. The ni-Vanuatu are very simple and welcoming people. Life goes slowly, in an informal and relaxed way, and for most of the population, time is dedicated to agriculture and subsistence fishing, to family and to drink kava, a South Pacific traditional beverage.
Nevertheless, as for challenges, I present the slow pace of work and the frequent absences of workers, the lack of skilled workers and the difficulty of finding parts/materials to which we are used to in Europe, which slows down significantly the response that we have been able to give to our customers. Given the situation, I had to adapt and be creative with regard to constructive solutions and use of materials.
However, the main challenge was certainly the period between my arrival and the time that elapsed until my wife joined me, a year later.
Concerning the city itself, Port Vila, the capital where I live and work, has about 30,000 inhabitants. There are not many formalities, vertical and luminous signage is almost nonexistent, the communication routes are now beginning to be requalified. To this I add the lack of international fast food chains that are replaced by good (but expensive) restaurant and homemade meals with organic seasonal products, coming from the market. This one I take as one of the positive aspects of living. I have also become less consumeristic, which has changed my perspective of what is really needed, another plus point in my vision.
Back to the basic. Keep it simple.

What are your plans?
At this moment I have a new job opportunity in Fiji, which will start very soon. I am going to work for a New Zealand construction company as a Site Engineer of a new bridge in the capital Suva, with an estimated duration of 18 months.
In the long run, I would like to move with my wife and daughter to a country better served by infrastructure, health care, education and cultural activities, such as Australia or New Zealand.

About the times in FEUP, what do you remember with more nostalgia?
Some professors and colleagues are never forgotten, and I still keep in touch with some of them!
It was in FEUP that I met my wife, and these times that we studied together were very rewarding.

And if you go back to the past, when you were a student, would you do something different? 
Sometimes I think what other careers I could have chosen and if one day I will do something completely different from Civil Engineering, but I didn’t found out that answers yet. Probably I will finish my career saying that I wouldn’t do anything different. However, I would like in a medium term, to develop some projects with my wife, in other areas.

Being an Alumni Ambassador means to give something back to the Faculty in particular and the University in general. How do you see this closer connection to your “alma mater”?
Being an Alumni Ambassador is a pride and an opportunity to while expanding our network, represent this noble institution, that graduated us. I feel very grateful to have studied in FEUP. I learned a lot, and every day I reap the rewards of what FEUP has given me!

What challenge would you like to propose to FEUP and to U.Porto?
Since we are more than ever immersed in the digital era and mobility, I would like that FEUP could provide online or MOOC courses. I often study and participate in online courses organized by some of the best educational institutions in the world. The training continues and it is very important to have a motivational offer in which the student can keep up to date and have the opportunity to adapt the courses to their professional path and time management.
It would also be interesting to provide an online channel, with live streaming or videos, where you can attend the conferences or lectures organized by FEUP, would be a vital tool for Alumni and other professionals, to maintain the Alumni connected to FEUP activities, even when they are abroad or have no availability to attend the events.

Alumni, professional, ambassador … what else should we know about you? Share with us a curiosity so we can know you better.
A curiosity? Numismatic! A passion that I have for many years. I have already crossed the 10 000 different coins in my collection, and I intend to continue to expand my portfolio. At the same time, I also have smaller collections of notaphily and philately.

The advice to FEUP students (On Vídeo)
Good morning. My name is Tiago Ribeiro and I’m Ambassador FEUP in Vanuatu. My advice is: to travel a lot, to know new cultures, to bet on good friendships and to learn as much as possible. Speak fluently some foreign languages, get out of your comfort zone and do not be afraid to risk. Having professional experience abroad is a great way to complement your training.  Don’t submit to low paid jobs or companies that do not recognize your skills and the quality of your work. Never give up trying to do what you like and specialize yourself in the kind of work that challenges you the most. Market niches are always a great escape when there is a lack of opportunities. Thank you!