Filatelia

 

A filatelia é o coleccionismo dos selos postais e, por extensão, de outras peças relacionadas como carimbos, cartas circuladas, inteiros postais, etc. Tendo começado como um passatempo, adquiriu atributos de arte e até características de ciência.

Tudo começou na Grã-Bretanha, em 1837, com a reforma do sistema de correio proposta por Rowland Hill. No essencial, a sua proposta consistia na adopção de uma taxa única bastante baixa, que não tivesse em conta a distância e as despesas de transporte e que fosse paga antecipadamente pelo remetente.

Realmente, o sistema em uso, não só naquele país, como um pouco por todo o lado, era injusto, complicado e permitia diversas fraudes, como a que está no cerne da anedota que se conta estar na base das ideias reformistas de Hill. Ainda que verdadeira, os seus pormenores são inexactos e, de facto, não se passou com ele mas sim com Coleridge.

Segundo ela, Hill teria presenciado uma cena entre uma camponesa e o carteiro, que lhe trazia uma carta vinda de Londres. Como a distância entre a capital e esse local, situado na região dos lagos da Escócia, era considerável, o preço a pagar era elevado. A jovem mirava a carta de um e outro lado, parecendo lamentar não poder pagar a alta taxa, pelo que Rowland Hill, apiedado, se ofereceu para pagar o porte. Contudo, a rapariga recusou firmemente e despediu o carteiro. Intrigado, Hill interrogou-a e conseguiu apurar que, afinal, a carta só trazia uma folha em branco e a jovem se limitava a identificar uns pequenos sinais que o seu noivo, operário em Londres, colocava no verso do sobrescrito e lhe permitiam concluir que estava bem de saúde e continuava fiel. Desta forma, sem qualquer despesa, os dois jovens conseguiam trocar as suas mensagens.

          (reprodução)

A proposta de Rowland Hill não implicava necessariamente a criação do selo postal e a verdade é que até ao seu surgimento ainda haveriam de passar cerca de três anos.

Quando, a 6 de Maio de 1840, se começaram a usar os primeiros selos postais, com as taxas de 1 penny, preto (o famoso "pennyblack) e 2 pence, azul, iniciava-se uma verdadeira revolução dos serviços postais. O sucesso da inovação está bem patente nos seguintes números: de 73 milhões de cartas enviadas em 1838 passou-se para 642 milhões em 1863. Mais impressionante é ainda o lucro obtido, que subiu, no mesmo intervalo de tempo, de 1,66 para 1,79 milhões de libras e isto apesar da drástica redução do valor dos portes.

A Rowland Hill ficámos pois a dever, senão a invenção do selo postal e das medidas inovadoras que o acompanharam, pelo menos, e não é pouco, o mérito de ter pugnado pela sua implantação.

Não tardou muito que o bom exemplo britânico fosse seguido, pois em 1 de Março de 1843 o cantão suíço de Zurique aderiu ao novo sistema, emitindo dois selos.

Trata-se, porém, de uma emissão local, uma vez que se destinavam apenas a circulação interna.

           (reprodução)

Assim, é o Brasil, ao fazer a sua primeira emissão, em 1 de Agosto de 1843, o segundo país a emitir selos postais para uso em todo o território nacional e estrangeiro.

(reprodução)

Trata-se dos famosos "olho-de-boi", nome sugerido pelo seu desenho. É curioso notar que estes selos, à semelhança dos britânicos, não indicavam o nome do país emissor. Com o tempo, todos os países passaram a fazê-lo à excepção da Grã-Bretanha que, até hoje, se limita a exibir no selo a efígie do soberano como elemento indicativo do Estado responsável pela emissão. Diz-se que os britânicos, na sua qualidade de inventores do selo postal, consideram que apenas os outros países têm necessidade de indicar a nacionalidade dos seus selos!

Em Setembro de 1843, outro cantão suíço, o de Genebra, emitiu os seus primeiros selos e, em 1 de Julho de 1845, o cantão de Basileia entrou para a história filatélica ao emitir os primeiros selos do mundo com mais de uma cor, as célebres "pombas de Basileia".

            (reprodução)

A partir de 1847, sucedem-se as emissões pelo mundo inteiro. Em Julho de 1853, foram emitidos os primeiros selos portugueses, durante o reinado de D. Maria II, cuja efígie constitui o motivo principal.

(Reimpressões de 1953)

Criado o selo postal, não demorou muito a aparecerem os primeiros coleccionadores. O primeiro teria sido o Dr. John Edward Gray, que iniciou a sua colecção ainda em 1840! Por isso, é conhecido como o "Pai dos Filatelistas". Já em 1841 aparecia no Times um anúncio em que uma jovem pedia selos usados! Em 1850, apareceu o primeiro comerciante de selos, o sr. J. B. Moëns, em Bruxelas. A primeira publicação filatélica surgiu em 1861, com a edição do Catalogue de Timbres Poste - 1861, em Estrasbugo, da autoria de Potiquet. A primeira revista de Filatelia, "Stamp Collector's and Monthly Advertiser", foi editada em Liverpool, em 1862, e, no mesmo ano, os alemães lançaram o primeiro álbum de selos, por G. Wuttig, em Leipzig.

A palavra Filatelia, derivada da combinação de duas palavras gregas (filos - amigo e atéleia - franquia, ou mais exactamente, isenção de imposto), foi inventada pelo francês G. Herpin, no nº 15 do "Collectioneur de Timbres-Poste", de Novembro de 1864.

Rapidamente, a filatelia foi-se expandindo e ganhando características de ciência. O primeiro estudo, dedicado a falsificações, tinha já sido publicado em 1860. Outros se lhe foram sucedendo e, quando em 1884, o Dr. Emílio Diena tentou reunir uma bibliografia de literatura filatélica de todo o mundo, mas teve de desistir, tal a quantidade de publicações já existentes! Depois, vieram os clubes e associações (o primeiro foi fundado em 1869, em Londres) e as exposições filatélicas. Até 1894 já se tinham realizado 15 exposições!

Os primeiros filatelistas colecionavam, exclusivamente, selos obliterados mas cedo devem ter começado a preferir os selos novos! Na verdade, os primeiros carimbos eram usados com o propósito deliberado de impedir que os selos fossem utilizados novamente. Assim, eram marcas densas que obliteravam fortemente os selos. Além disso, as tintas utilizadas, à base de óleo, manchavam os selos como se vê bem no meu exemplar do 25 réis de D. Maria II, ao lado.

Apesar de alguns puristas defenderem que só tem sentido coleccionar selos usados, pois só destes se pode dizer que cumpriram a sua função de franquiar as correspondências, a verdade é que a generalidade dos coleccionadores, hoje, prefere os selos novos. Acresce que, em geral, sendo mais raros, são mais difíceis de obter e atingem valores mais elevados.

25 réis, D. Maria II

Os primeiros coleccionadores começaram por coleccionar selos de todo o mundo, mas depressa concluíram que se tratava de uma tarefa impossível de prosseguir. Reduziram o seu objectivo a alguns poucos países e, mesmo apenas ao seu país natal. Mais tarde, até o propósito de coleccionar todos os selos de um só país se tornou muito difícil e acessível apenas às bolsas (muito) bem recheadas! Por esta razão, e sem prejuízo de outras motivações, surgiram as colecções temáticas, com as quais se pretende coleccionar selos com motivos subordinados a um tema definido. Neste tipo de colecção, embora a raridade e, portanto, o valor dos selos seleccionados não deixe de desempenhar papel de relevo, existe uma larga margem de realce para a originalidade do tema, a forma como é desenvolvido, a pluralidade das peças filatélicas, etc., deixando assim a possibilidade de, com talento e sensibilidade, se realizar uma colecção muito interessante mesmo quando não se dispõe de uma carteira muito abonada.

O meu percurso como filatelista seguiu exactamente esta tendência geral. Comecei por querer coleccionar selos de todos os países, depois restringi-me a Portugal e Ultramar e, finalmente, ainda que não abandonando os selos portugueses, deixei-me seduzir pelas temáticas de Mamíferos e de Aves. Não são muito originais, devem ser mesmo dos temas mais coleccionados, mas aí interveio outro factor decisivo: tem de se gostar muito do tema! Ora, eu sinto-me especialmente atraido por estas duas classes animais! Devoro tudo quanto encontro que me fale destes animais e extasio-me com as séries televisivas sobre eles.

 

 

Veja uma amostra da minha colecção de selos:

Índice da secção Filatelia:

Classe: Aves   

A extraordinária beleza e imensa variedade das aves levou-me a usar a filatelia para ilustrar o fascínio que sinto por elas.

 

Mammalia   

Para quem gosta de animais é difícil não gostar dos mamíferos! Afinal, nós também somos, não é verdade?

Selos de Portugal    

Coleccionar selos do nosso país foi, naturalmente, a minha primeira inclinação filatélica.

 

Todas as imagens desta secção, salvo as que exibem a menção "reprodução", ilustram peças filatélicas minhas e foram digitalizadas por mim. Todos os direitos de utilização destas imagens estão reservados.

Ó 2002-2006 Franclim Ferreira.

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