Filatelia

Mammalia

3. Nós, os Mamíferos (3ª parte)

Ordem PRIMATES

Os Primatas, a ordem a que pertencemos, compreende cerca de 181 espécies, desde os pequenos lémures até aos grandes antropóides e, claro, o Homem.

Família Cheirogaleidae

Família Lemuridae

As dez espécies de lémures-grandes, incluídas nesta família, são exclusivas de Madagáscar e das vizinhas ilhas Comores. A maioria vive em zonas de floresta.

Lémur-mangusto

(Lemur mongoz)

Lémur-gentil-cinzento

(Hapalemur griseus)

Lémur-de-colar

(Varecia variegata)

Família Indriidae

Existem apenas quatro espécies na família dos indris e das sifacas, todas nativas de Madagáscar. Todos estes lémures têm focinho curto e sem pêlo, pelo que são parecidos com os macacos.

Sifaca-de-diadema

(Propithecus diadema)

Sifaca-de-Verreaux

(Propithecus verreauxi)

Indri

(Indri indri)

Família Daubentoniidae

O ai-ai, única espécie desta família, é um animal extraordinário, exclusivo da floresta densa de Madagáscar. Como o seu habitat está cada vez mais ameaçado, o futuro deste raro primata é progressivamente mais sombrio. Todos os seus dedos são longos e finos, mas o dedo médio das mãos é particularmente comprido e utilizado para retirar larvas de insectos do interior dos troncos.

Ai-ai

(Daubentonia madagascariensis)

Família Lorisidae

A família dos loris integra cerca de 14 espécies que ocorrem em África e no Sudeste Asiático. Os loris e os potos têm caudas curtas ou mesmo ausentes e são lentos; ao contrário, os galagos têm membros e caudas compridos e são exímios saltadores.

Loris-preguiçoso-pigmeu

(Nycticebus pygmaeus)

Poto

(Perodicticus potto)

Galago-do-Senegal

(Galago senegalensis)

Galago-de-cauda-espessa

(Otolemur crassicaudatus)

Galago-de-garras-finas-ocidental

(Euoticus elegantulus)

Galago-de-garras-finas-oriental

(Euoticus inustus)

Galago-de-Demidoff

(Galagoides demidoff)

Família Tarsiidae

As três espécies de társios ocorrem na Indonésia e nas Filipinas. Têm cauda longa e nua e são os melhores saltadores de todos os primatas.

Társio-das-Filipinas

(Tarsius syrichta)

Família Callithricidae

Os titis e os tamarins, com cerca de 18 espécies, constituem uma das duas famílias americanas desta ordem que, em conjunto, recebem o nome de platirrinos. Essencialmente arborícolas, estes pequenos primatas - só os lémures-anões são menores - têm a particularidade de não terem polegares oponíveis como a maioria dos primatas.

Titi-leão

(Leontopithecus rosalia)

Família Cebidae

Os cebídeos ou macacos do Novo Mundo são a segunda família de platirrinos americanos, com cerca de 35 espécies. Na sua maioria, apresentam a particularidade típica dos platirrinos de terem narinas afastadas abrindo para os lados, ao contrário dos macacos do Velho Mundo, cujas narinas abrem para a frente. Os seus polegares também não são oponíveis, mas os dedos grandes dos pés são-no.

Viuvinha

(Callicebus torquatus)

Macaco-esquilo-amarelo

(Saimiri sciureus)

Macaco-uivador-vermelho

(Alouatta seniculus)

Macaco-aranha-negro

(Ateles paniscus)

Família Cercopithecidae

Os cercopitecídeos, ou macacos do Velho Mundo, que juntamente com os antropóides são denominados catarrinos, integram cerca de 78 espécies que ocorrem em África e no Sudeste Asiático. Os macacos catarrinos são aqueles em que o tabique nasal é estreito e em que as narinas estão orientadas para a frente ou para baixo. São organizados em duas subfamílias.

Subfamília Cercopithecinae

Cercocebo-preto

(Cercocebus aterrimus)

Babuíno-niani

(Papio anubis)

Babuíno-amarelo

(Papio cynocephalus)

Babuíno-hamadrias

(Papio hamadryas)

Babuíno-da-Guiné

(Papio papio)

Mandril

(Mandrillus sphinx)

Gelada

(Teropithecus gelada)

Macaco-de-face-negra ou Macaco-verde

(Cercopithecus aethiops)

Macaco-de-bigodes

(Cercopithecus cephus)

Macaco-diana

(Cercopithecus diana)

Macaco-cara-de-coruja

(Cercopithecus hamlyni)

Macaco-de-L'Hoest

(Cercopithecus lhoesti)

Simango ou Macaco-de-diadema

(Cercopithecus mitis)

Macaco-mona (Cercopithecus mona)

Macaco-de-Brazza

(Cercopithecus neglectus)

Macaco-vermelho

(Erythrocebus patas)

Subfamília Colobinae

Colobo-preto-e-branco-oriental (Colobus guereza)

Colobo-preto-e-branco-ocidental

(Colobus polykomos)

Langur-de-François

(Presbytis francoisi)

Família Hylobatidae

Estes ágeis e elegantes antropóides, os gibões, eram anteriormente incluídos na família Pongidae, mas os zoólogos preferem agora considerá-los à parte. As seis espécies existentes são todas nativas do Sudeste Asiático, onde habitam as florestas, sendo talvez os mamíferos melhor adaptados para a locomoção nas árvores.

Gibão-preto

(Hylobates concolor)

Família Pongidae

A família Pongidae integra as quatro espécies de macacos antropóides mais robustos e que são também os primatas mais próximos do Homem: os orangotangos, os chimpanzés e os gorilas. Na verdade, o ADN do orangotango apenas difere nuns 3,6% do nosso, o do gorila em cerca de 1,8% e do chimpanzé só em 1,6%.

Orangotango (Pongo pygmaeus)

Chimpanzé-anão

(Pan paniscus)

Chimpanzé (Pan troglodytes)

Gorila (Gorilla gorilla)

Família Hominidae

Se investigar as origens de qualquer grupo zoológico é uma tarefa apaixonante, que dizer das nossas próprias origens? Saber como eram as espécies que precederam a nossa! Que aspecto tinham? Que semelhanças e que diferenças tinham relativamente a nós? Um mundo de interrogações a que é difícil, muito difícil responder!

Embora cada vez se vá sabendo mais, parece ainda tão longe a resposta a tantas dúvidas! Presentemente, deposita-se uma grande esperança nos exames de ADN. Mas as amostras de antigos hominídeos são relativamente escassas e nem sempre o seu ADN está em bom estado!

Apesar de tudo isto, as etapas chave da evolução da nossa família parecem já estabelecidas. Assim, com origem no continente africano, no período entre 4,2 e 1 milhão de anos atrás, consideram-se nove espécies repartidas por três géneros, Australopithecus, Paranthropus e Kenyanthropus. Dominavam já razoavelmente a bipedia, eram dotados de cérebros de volume muito variável (dos 380 aos 600 cm3) e os seus hábitos de vida bem como o seu aspecto pouco diferia ainda dos do chimpanzé.

(Australopithecus)

(Homo habilis)

Entre há cerca de 2,5 e 1,6 milhões de anos atrás situam-se as duas primeiras espécies atribuídas ao género Homo, os Homo habilis e os Homo rudolfensis. Com uma capacidade craniana de 550 a 750 cm3, tinham dentadura mais delicada e face mais plana do que os Australopitecos. Inventores da primeira técnica de talhar a pedra, atribuem-se-lhes as primeiras cabanas.

A sua filiação no género Homo é contudo contestada, negando-se-lhes assim o estatuto de primeiros homens. Entretanto, coabitando com eles, a partir de há cerca de 1,9 milhões de anos, assinala-se a presença dos Homo ergaster e dos Homo erectus, ainda na África Oriental. E quanto a estes parece haver consenso - trata-se de verdadeiros homens! Com uma caixa craniana entre 800 e 1100 cm3, silhueta erecta, são tão semelhantes que, por vezes, são agrupados na mesma espécie Homo erectus.

Os erectus e os ergaster são os primeiros a dominar o fogo, adquirem uma bipedia semelhante à nossa libertando-se da vida exclusivamente arborícola, aprendem a produzir instrumentos de pedra (bifaces) com os quais podem mais facilmente esquartejar a caça e constroem as primeiras habitações resistentes ao frio e à intempérie.

Mas a grande estreia destes homens primitivos consiste no facto de que foram os primeiros a deixar a Mãe África! Através do Médio Oriente, instalam-se na Europa e na Ásia sem, contudo, deixar de habitar o continente de origem. Em vários locais destes três continentes têm sido encontrados restos fósseis destes hominídeos como é o caso dos inicialmente designados por Pithecanthropus erectus e Sinanthropus pekinensis, mas hoje agrupados na espécie Homo erectus.

(Pithecanthropus erectus)

(Sinanthropus pekinensis)

Terá sido a partir dos descendentes dos erectus e dos ergaster que, entre há 200 000 e 150 000 anos atrás, se terá desenvolvido a nossa espécie, o Homo sapiens.

O Homo sapiens caracteriza-se por um esqueleto mais leve, um tamanho médio de 1,70 m, queixo proeminente e crânio redondo com uma capacidade média de 1600 cm3. As arcadas supraciliares proeminentes foram desaparecendo ao longo do processo evolutivo, enquanto a face e os dentes foram diminuindo de tamanho.

Mas a origem geográfica dos sapiens e a forma como substituiram os seus antepassados não estão ainda esclarecidas. Alguns cientistas defendem uma evolução relativamente rápida e localizada dos erectus para os sapiens, que depois se teriam estendido a todo o mundo. Outros, contudo, pensam que a evolução terá sido gradual e em várias regiões, seguida de miscenização progressiva com as espécies anteriores.

Estas mesmas dúvidas estendem-se a uma forma particular, designada por Homem de Neandertal, que terá vivido entre há 150 000 e 34 000 anos atrás. Assim, enquanto há quem o considere uma espécie diferente, o Homo neanderthalensis, outros, atendendo às diferenças mínimas relativamente a nós, atribuem-lhe o estatuto de subespécie, Homo sapiens neanderthalensis, sendo a nossa Homo sapiens sapiens.

Homem de Neandertal

A extinção dos neandertais é outra fonte de controvérsia. Na verdade, enquanto no Próximo Oriente os neandertais conviveram muito tempo com os primeiros sapiens modernos, na Europa terão desaparecido de repente aquando da chegada daqueles. Para uns, os neandertais sucumbiram à competição com os sapiens modernos, enquanto, para outros, simplesmente misturaram-se com eles.

Uma das formas mais antigas do sapiens moderno, registadas na Europa, é o Homem de Cro-Magnon, assim chamado devido à primeira descoberta desses fósseis se ter verificado naquela localidade francesa, em 1868. Apareceu, posteriormente, em várias jazidas europeias do Paleolítico superior (c. 40 000 a 8 000 a. C.).

Homem de Cro-Magnon

A expansão do Homem foi-se fazendo gradualmente até ocupar todos os continentes, excepto a Antártida. Depois da África, Ásia e Europa, a América foi colonizada rapidamente a partir da Sibéria oriental, há cerca de 12 000 anos atrás e, finalmente, entre há 4 000 e 1 000 anos atrás completou-se a ocupação das ilhas do Pacífico. Aliás, a última vaga de polinésios (os Maoris) a chegar à Nova Zelândia verificou-se apenas no séc. XIV.

A dispersão geográfica e as diferentes condições do habitat determinaram uma grande diversidade das características exteriores do Homem: estatura, tipo e cor dos cabelos, cor da pele, etc. As diferenças genéticas são, contudo, insignificantes e nem sequer são consistentes com as diferenças exteriores. Por isso, não tem sentido falar em raças, há só uma:

A RAÇA HUMANA!

 

 

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Ó 2003 Franclim Ferreira.

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