Numismática

Inovações

Nos seus esforços para cativarem os coleccionadores e, consequentemente, aumentarem as suas vendas, as casas da moeda utilizam de há muito técnicas especiais de fabricar moedas. A técnica mais antiga e ainda hoje muito utilizada é o acabamento denominado "proof". Tanto quanto consegui verificar, já se produzem moedas proof desde os princípios do séc. XIX.

Os cunhos, cuidadosamente gravados, são polidos, a cunhagem é feita peça a peça e as moedas são retiradas manualmente (com luvas, claro). O resultado são moedas com um fundo espelhado e com o relevo baço.

Se a esta técnica acrescentarmos desenhos de alta qualidade estética, podem obter-se peças de beleza extraordinária, como é o caso desta moeda de 100 xelins, de prata, cunhada na Áustria, em 1994. Faz parte de uma série que celebra 1000 anos da dinastia dos Habsburgos e representa o célebre imperador Francisco José.

Entretanto, as técnicas de fabrico das moedas têm evoluído de tal modo que a moeda à esquerda representada (ampliada), de 20 rappen (centavos), Suíça, 1992, de cupro-níquel, apesar de ser uma moeda corrente, apresenta a efígie mate e o fundo brilhante, como se fosse uma moeda proof!

Outra técnica de fabrico visando conquistar os favores dos coleccionadores é a produção de moedas com acabamento mate, uma especialidade da reputada Franklin Mint!

A moeda, de 1 dólar, foi cunhada em cupro-níquel, em 1974, para a Trindade e Tobago.

É claro que o processo mais óbvio de impressionar os possíveis compradores é, simplesmente, recorrer à beleza da realização. Desde há séculos que se cunham moedas com alto valor estético. No passado, essa qualidade resultava principalmente da elegância das efígies reais ou da magnificência dos brasões. Modernamente, a variedade dos motivos é tão grande que se torna difícil escolher. Optei por esta expressiva moeda de 50 coroas, Noruega, prata, 1978. Mas, ... é só uma amostra!

Na última década do séc. XX, desenvolveram-se as técnicas mais delirantes de produzir moedas! Umas, só para coleccionar, mas outras para uso corrente.

Assim, em 1990, uma empresa privada de cunhagem de moedas, a Pobjoy Mint Ltd., realizou a primeira moeda (e até agora a única, que eu saiba!) cunhada em cupro-níquel "Pearl Black". Como o nome sugere, é uma moeda com acabamento negro. A moeda, cunhada para a Ilha de Man, de 1 coroa, destinou-se a celebrar os 150 anos da emissão do primeiro selo do mundo, o famoso Penny Black, do Reino Unido.

Em 1992, o mundo numismático foi abalado por outra louca realização: uma moeda com uma das faces coloridas! Trata-se de uma aplicação plástica, mas não se nota, parece impressão directa.

O país emissor foi outra surpresa: Palau, um país constituído por cerca de 1000 ilhas e ilhéus no mar das Filipinas, autónomo desde 1980 e independente desde 1995! Duvido que muita gente conhecesse a sua existência! Trata-se de uma moeda de 1 dólar, cunhado em cupro-níquel. Outras se lhe seguiram.

Esta moeda é de 1992, mas faz parte de uma série iniciada em 1990 no âmbito da história da aviação.

É uma moeda do Canadá, de 20 dólares, cunhada em prata de 925 milésimas, com um medalhão coberto com ouro puro. O efeito é surpreendente.

Confesso que fiquei admirado quando se começou a produzir moedas bimetálicas (creio que em 1982, pela Itália). Não tanto pela inovação, mas, sobretudo, pela justificação: combater as falsificações! Não supunha que, nos tempos correntes, fosse rendível falsificar moedas de circulação normal!

Em 1992, a França foi mais longe ao realizar uma moeda trimetálica! A moeda representada é de 1993, de 20 francos, e tem, de fora para dentro, liga de cobre- alumínio-níquel, níquel e alumínio-bronze.

Em 1993, outra inovação muito interessante, também destinada a moedas correntes com o objectivo, portanto, de dificultar a falsificação: a inclusão de um pequeno holograma no círculo em cima, à direita (infelizmente, não perceptível na fotografia).

A moeda é de Espanha, de 500 pesetas, cunhada numa liga de cobre-alumínio- níquel.

Esta moeda (em imagem ampliada) ilustra a inovação mais espectacular, embora só parcialmente perceptível na fotografia: um belíssimo holograma, no círculo interior! Trata-se de uma realização da Casa da Moeda Britânica, The Royal Mint, para celebrar o Campeonato do Mundo de Râguebi de 1999.

A moeda, de 2 libras, é um piefort (espessura dupla) e foi cunhada para o Reino Unido, em prata de 925 milésimas. O círculo externo é revestido a ouro fino de 999 milésimas. Existe uma moeda semelhante, bimetálica, para uso corrente.

 

Todas as imagens desta secção reproduzem moedas minhas e foram digitalizadas directamente (i.e., simplesmente pousadas sobre a janela do scanner) por mim. Todos os direitos de utilização destas imagens estão reservados.

Ó 2002-2006 Franclim Ferreira.

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