Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores

 

Guia para o estudo dos

AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS E MULTIANDAR

 

Franclim F. Ferreira

Pedro Guedes de Oliveira

Vítor Grade Tavares

 

Março 2004

 

 

AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS E MULTIANDAR

 

INSTRUÇÕES Ir para as Instruções

Leia as Instruções para saber como melhor pode explorar este trabalho. Saiba como está organizado e quais as facilidades de navegação de que dispõe. Veja como pode complementar o estudo com a simulação de alguns dos circuitos aqui apresentados.

 

ÍNDICE Ir para o Índice

Veja a lista das matérias que pode encontrar neste trabalho. Essa lista está organizada através dum menu desdobrável que se revela quando passa com o cursor sobre os vários títulos. Através do Índice pode aceder directamente a qualquer das secções e exercícios deste trabalho.

 

ANEXOS Ir para os Anexos

O texto principal deste trabalho está complementado por um conjunto numeroso de textos, com vista a esclarecer o leitor sobre matérias que não são tratadas directamente aqui. Trata-se de assuntos supostamente abordados numa fase anterior do estudo ou que serão objecto de análise posterior. Ao longo do texto principal existem várias ligações a esses textos, mas pode também acedê-los directamente através do índice dos Anexos, organizado através dum menu semelhante ao do Índice principal.

 

1. Introdução

O uso de amplificadores operacionais (AmpOps) com realimentação negativa permite realizar montagens amplificadoras muito versáteis e, particularmente, com ganho muito estabilizado. Realmente, hoje em dia, os amplificadores que se usam são praticamente sempre com realimentação.

Por exemplo, a montagem inversora da fig. 1 tem um ganho vo / vi muito aproximadamente igual a –R2 / R1, requerendo-se, simplesmente, que o ganho do AmpOp seja muito grande, ainda que possa variar significativamente (i.e. A >> R2 / R1), que a resistência de entrada seja também elevada, em particular que Ri A >> R2, e que a resistência de saída seja baixa (Ro << R2). (Nota: A, Ri e Ro são parâmetros do modelo equivalente do AmpOp)

fig. 1 - Montagem inversora

Tomando como referência as montagens básicas, seja com BJTs, seja com FETs, põe-se, naturalmente, a questão: Como realizar um amplificador que permita atingir aquele objectivo, i.e., que apresente um ganho suficientemente elevado, resistência de entrada alta e baixa resistência de saída, por forma a dar “suporte” ao AmpOp?

Das montagens básicas, é a montagem de emissor comum (EC) com BJT [ou de fonte comum (FC) com FET] que permite obter um mais elevado ganho de tensão, simultaneamente com um Ri não muito baixo.

Assim, poder-se-ia realizar o amplificador de cima, com um só transístor, como indicado na fig. 2. As resistências R2 e R1 são as que definem o ganho. Por análise directa, é fácil verificar que se obtém um ganho vo / vi @ -9,1 (verificar como exercício), razoavelmente próximo de - R2 / R1 = - 10.

fig. 2 - Montagem de emissor comum

Contudo, é notório que a montagem EC, por si só, não tem condições para poder realizar satisfatoriamente as características do AmpOp.

Por exemplo, não tem entrada diferencial (logo, não serve para implementar a montagem não inversora), tem resistência de entrada relativamente baixa e resistência de saída elevada (Ri @ rp e Ro @ 100 kW // 10 kW).

A resistência de entrada pode aumentar-se inserindo uma resistência no emissor; todavia isso reduz o ganho (e aumenta ainda mais a resistência de saída, embora marginalmente). Em alternativa (realista) podem colocar-se FETs na entrada - com o custo de terem menores gm e conduzirem, por isso, a menores ganhos. E, de qualquer maneira, nenhum malabarismo permite conferir entrada diferencial, com alguma simetria, à montagem EC.

A solução é recorrer a uma montagem composta (com mais de um transístor) para obter entrada diferencial: o par diferencial.

Notemos, entretanto, que outras características do AmpOp deverão ainda ser procuradas: ganho muito elevado, resistência de entrada grande, resistência de saída baixa, desvio de tensão e de corrente próximos de zero, etc. Isto, sem perder de vista a melhoria de outras características como a largura de banda e a taxa máxima de variação (slew-rate), que podem ser mais ou menos importantes.

2. Par diferencial

Considere-se a montagem da fig. 3, em que o par diferencial é realizado com dois BJTs.

Se vB1 = vB2 = vCM , tensão de modo comum, as tensões vC1 e vC2 mantêm-se inalteradas mesmo quando vCM varia (dentro de certos limites, impostos pela necessidade de os transístores funcionarem no modo activo).

Por outro lado, se vB1 ¹ vB2, as tensões vC1 e vC2 serão diferentes.

Assim, dizemos que o par diferencial (idealmente) responde a sinais diferenciais (i.e., a diferença das tensões de entrada) e rejeita o modo comum, i.e., não reage a sinais idênticos.

fig. 3 – Par diferencial bipolar

 

2.1. Variação das correntes

 

2.1.1. BJT

Sendo idênticos os transístores, como a soma das correntes de emissor é constante, quando se varia a tensão diferencial vD = vB2 - vB1, a corrente transfere-se de um para o outro transístor. Essa variação das correntes em função da tensão diferencial pode ver-se na fig. 4.

A expressão das correntes pode ser dada por:

O funcionamento só é aproximadamente linear para pequenas tensões diferenciais, zona em que a exponencial tem um comportamento aproximadamente linear. Pode ver-se que, para vD = VT @ 25 mV, o ganho varia cerca de 20%.

fig. 4 – Correntes do par diferencial BJT

Por outro lado, basta uma entrada diferencial de cerca de ±100 mV para que um dos transístores tome praticamente toda a corrente.

2.1.2. FET

O esquema básico é semelhante ao do par diferencial bipolar, como se mostra na fig. 5, para um par diferencial com JFETs.

A análise do funcionamento é também semelhante à do par diferencial bipolar. Tendo em conta que

designando      

e impondo       

obtém-se:

fig. 5 – Par diferencial com JFETs

A distribuição das correntes, em função de vid, pode ser vista na fig. 6, para um exemplo em que os parâmetros dos FETs são os indicados.

As principais conclusões, relativamente ao par diferencial com BJTs, são, por um lado, a muito maior gama de valores de vid e, por outro lado, a muito menor inclinação da característica na vizinhança da origem.

fig. 6 – Correntes do par diferencial JFET

A análise dum par diferencial com MOSFETs (ver fig. 7, onde se representa um par diferencial com MOSFETs de enriquecimento - canal n) não só é semelhante como as conclusões são as mesmas, em relação ao par diferencial JFET.

De facto, a equação de transferência é a mesma dos JFETs, embora se escreva, habitualmente, com a forma:

Em consequência, as equações das correntes são as mesmas, embora com a forma:

fig. 7 – Par diferencial com MOSFETs

2.2. Funcionamento para pequenos sinais

Tomando como referência o caso do par diferencial BJT, se, à volta de vD = 0, calcularmos:

           obtém-se          

Um ponto de vista alternativo para chegar a este resultado consiste em considerar o esquema da fig. 8 em que se considera apenas o funcionamento para pequenos sinais.

A resistência de entrada diferencial é Rid = 2 rp, uma vez que olhando da base de qualquer dos transístores vemos rp + (1+bre = 2rp .

Tendo em conta, por exemplo, que:

resulta para os ganhos diferenciais, relativamente às três saídas possíveis:

fig. 8 – Funcionamento para
     pequenos sinais

Este último ganho corresponde a um amplificador com entrada e saída diferencial (fig. 9).

Há ainda uma outra possibilidade de olhar a questão:

Se considerarmos que estamos em presença de um amplificador idealmente diferencial (em que o ganho em modo comum é essencialmente zero), podemos analisar a resposta a um sinal vi de acordo com o circuito da fig. 10, considerando que se coloca a base de T2 à massa: o que se passa no colector de T2 não influencia T1. Neste, o que temos é uma configuração de emissor comum com resistência de emissor RE, em que esta vale re2 = 1/gm2. Assim, o ganho será, aproximadamente

Se, contudo, se quisesse ver o que acontecia com a outra saída, basta pensar que as duas correntes (de sinal) dos dois colectores são necessariamente iguais, para ver que o ganho é o simétrico do que está acima indicado.

Entretanto, chama-se desde já a atenção para o facto de esta configuração corresponder a uma variante do circuito conhecido por cascode que adiante será estudado.

fig. 9 – Amplificador de entrada
     e saída diferenciais

fig. 10 – Método alternativo de
     cálculo do ganho
     do par diferencial

Exercício 1: Se no esquema da fig. 3, inserir resistências nos emissores, como se vê na fig. 11, determine o ganho e a resistência de entrada diferencial.


fig. 11 – Par diferencial com resistências nos emissores

Resultado

Resolução

 

A análise para pequenos sinais pode também fazer-se recorrendo à equivalência entre o par diferencial e a montagem EC.

Mesmo admitindo que a fonte de polarização não é ideal (ver fig. 12) , em funcionamento rigorosamente diferencial, i.e., vB1 = vd / 2 e vB2 = - vd / 2, o nó comum aos emissores é uma massa virtual, em que um transístor “apanha” um sinal + vd / 2 e o outro - vd / 2. Assim, cada um dos transístores é equivalente a uma montagem EC com emissor à massa, como se mostra na fig. 13.

Do esquema da fig. 13 obtém-se:

ou, se ro do transístor não puder ser ignorado:

Como Ad1 = vc1 / vd resulta:

    

fig. 12 – Fonte de polarização não ideal              fig. 13 – Montagem EC

       equivalente

     e, naturalmente,           Ad2 = - Ad1   e   Add = 2  Ad1.

A análise dum par diferencial FET faz-se, compreensivelmente, de forma semelhante. A única diferença relevante é que a gama de funcionamento linear é significativamente maior no caso do par diferencial com FETs, podendo atingir alguns volt, enquanto no par bipolar é limitada a cerca de ± 25 mV.

Obtém-se assim:

  ,                  e       

Se não for possível ignorar a resistência ro, teremos de substituir a resistência RD pelo paralelo R// ro.

2.3. Funcionamento em modo comum

O funcionamento em modo comum está ilustrado na fig. 14.

Devido à simetria e a ser vB1 = vB2, basta analisar metade do circuito, como se mostra na fig.15 (note-se que, para sinais de modo comum, podemos substituir a resistência R por duas resistências 2R, em paralelo, o que nos permite analisar cada transístor separadamente).

   

fig. 14 – Funcionamento em modo comum              fig. 15 – Montagem EC equivalente

para o modo comum

Se RC « ro, teremos:

  e por analogia     e   

O coeficiente de rejeição do modo comum é, por definição,

pelo que, para saída única (vc1 ou vc2), teremos      .

e para saída diferencial CMRR = ¥, excepto, evidentemente, se não houver simetria perfeita. Verifique que, por exemplo, se RC1 = RC e RC2 = RC + D RC, teremos:

A fig. 16 ilustra a definição de resistência de entrada em modo comum.

Considerando apenas meio circuito, a resistência vista por vCM será 2 RiCM .

fig. 16 – Resistência de entrada em modo comum

Exercício 2: Verifique que

e explique porque é que neste contexto (em que R é muito grande, em geral) faz sentido não esquecer o valor de rm ,em geral desprezado por ser muito grande.

Resolução

 

2.4. Funcionamento com tensões de entrada arbitrárias

Convém agora (re)introduzir a questão de recomposição dos sinais de entrada, vB1 e  vB2, em duas novas variáveis:
vD = vB1  vB2   e    vCM = (vB1 + vB2)/2 (fig. 17).

Como é evidente, isto conduz a vB1 = vCM + vD /2 e vB2 = vCM ‑ vD /2. Designemos por v1 e v2 as componentes de sinal de vB1 e vB2. Em geral, as tensões de entrada dum par diferencial, v1 e v2, não correspondem nem a modo diferencial nem a modo comum.

fig. 17 – Sinais de entrada

Do que se disse acima, resulta:

            e            

Desde que a amplitude dos sinais permita que o funcionamento seja considerado linear, a saída será poderá ser expressa como vo = A1 v1 + A2v2, o que pode ser transformado em     

e teremos então   Ad = (A1A2)/2     e     Acm = A1 + A2.

Reescrevendo a expressão de vo, obtemos:

(onde o CMRR é expresso na forma não logarítmica) que demonstra portanto que, se o CMRR for suficientemente grande, o sinal de saída depende somente da componente diferencial da entrada.

Como o funcionamento desejável seria precisamente este, a parcela

constitui o erro do modelo do circuito meramente diferencial.

2.5. Outras características não ideais

 

2.5.1. Desvio de tensão à entrada

Se o par diferencial for perfeitamente simétrico, ligando as duas entradas à massa, a tensão de saída tomada entre os dois colectores (ou os dois drenos) será vO = 0. Como a perfeita simetria é impossível, verifica-se que vO ¹ 0.

Assim, define-se desvio de tensão à entrada:

A assimetria do par pode resultar da dissemelhança das resistências de carga e/ou da dissemelhança das características dos transístores. Assim, se as resistências de carga diferirem de DRC (ou DRD), isto é, se

   ou    

resulta para um par de BJTs:      

e para um par de MOSFETs:     

As características dos transístores, relevantes para a existência de desvio de tensão à entrada, são, para o caso dos BJTs, a corrente inversa de saturação IS, e, para o caso dos FETs, o factor K (ou IDSS) e a tensão limiar Vt (ou VP).

Assim, para um par de BJTs, resulta um desvio:

e, para um par de MOSFETs:

   e         respectivamente.

 

2.5.2. Corrente de polarização e desvio de corrente à entrada

As correntes de entrada são pouco relevantes no caso de pares diferenciais com FETs, dado o seu valor muito baixo, pelo que apenas consideraremos o caso de um par diferencial com BJTs.

Num par simétrico, as correntes de entrada, em repouso, são iguais:

A este valor comum chamamos corrente de polarização à entrada (IB). Devido à inevitável assimetria, as correntes são diferentes e à diferença chama-se desvio de corrente à entrada:

Em particular, se os b dos transístores diferirem de Db, resulta um desvio:

Até aqui, indicámos a fonte de corrente usada para polarizar o par diferencial através de uma representação simbólica. Interessa agora ver como se pode realizar essa fonte de corrente.

Distinguiremos os casos dos circuitos discretos e dos circuitos integrados.

 

3. Circuitos de polarização dos pares diferenciais

3.1. Circuitos discretos

O circuito típico para a realização de uma fonte de corrente constante (FCC) com componentes discretos, está ilustrado na fig. 18, para o caso de se utilizarem BJTs.

Um exemplo concreto permite mais facilmente avaliar o projecto e as características do circuito.

Admitiremos VBB = 12 V e -VEE = -12 V e que desejamos IC = 1 mA. Para o transístor suporemos b = 100 e VA = 100 V.

Tomando VB = -8 V, para IE @ 1 mA, resulta R3 = 3,3 kW.

Então, admitindo IB @ 0, teremos:

fig. 18 – Circuito discreto de
               polarização do par
               diferencial

    e    R1 = 5 R2

Escolhendo a corrente em R1 e R2 como sendo aproximadamente 10% de IC, (para podermos desprezar IB) teremos:

    donde    R2 = 40 kW    e    R1 = 200 kW.

Exercício 3: Determine a resistência de saída da fonte, R, tendo em atenção o valor de ro e que o transístor tem uma resistência R3 no emissor.

Resultado

Resolução

 

3.2. Circuitos integrados

Os valores requeridos para as resistências da montagem anterior são impraticáveis em circuitos integrados. Por outro lado, é fácil e económico fabricar transístores com características muito próximas. Além disso, os circuitos integrados usando exclusivamente tecnologia MOS (particularmente CMOS), de utilização crescente, dispensam mesmo o uso de resistências.

Desta forma, a técnica normalmente usada em circuitos integrados, para a realização de FCC é a de espelhos de corrente. O espelho básico com MOSFETs toma a forma ilustrada na fig. 19.

Se os dois transístores forem exactamente iguais, uma vez que têm a mesma tensão VGS, as suas correntes serão iguais. De facto, tendo em conta o efeito de modulação do comprimento de canal, essa igualdade só se verifica se VDS2 = VDS1 = VGS. Desta forma, a resistência de saída do espelho, ro2, é um parâmetro de qualidade da montagem.

Se se utilizarem transístores com tensões limiar iguais, mas com factores K diferentes, uma vez que será:

fig. 19 – Espelho básico
               com MOSFETs

    e    

resulta:

expressão que mostra que se podem obter relações de transferência de corrente IO / IREF diferentes da unidade actuando simplesmente na geometria dos transístores.

O esquema do espelho de corrente básico com BJTs está representado na fig. 20, onde:

Admitindo T1 º T2, desprezando o efeito de b e de ro, como VBE1 = VBE2, resulta IO = IREF .

fig. 20 – Espelho de corrente
               básico com BJTs

Se tivermos em conta o efeito de b, é fácil verificar que

que mostra que o erro é tanto menor quanto maior for b.

Simultaneamente, a resistência de saída deste circuito utilizado como fonte de corrente é apenas ro, cujo valor pode ser insuficientemente elevado. Assim, as modificações que são usualmente introduzidas no esquema básico do espelho de corrente visam estas duas limitações, resultantes de um b e de um ro finitos.

O uso de um transístor extra (T3, na fig. 21) ou das configurações de Wilson e de Widlar respectivamente das figs. 22 e 23, procuram melhorar as características referidas.


fig. 21 – Espelho com compensação de
corrente de base        


fig. 22 – Espelho de Wilson



fig. 23 – Fonte de Widlar

Exercício 4: Determine Io e/ou Ro para as configurações seguintes:

a) fig. 21

b) fig. 22

c) fig. 23.

Resultado

Resolução

 

4. Melhoria da largura de banda

Recordemos que a designação largura de banda de um amplificador se refere à banda de frequências dentro da qual o ganho permanece praticamente constante. Chamamos frequências de corte (inferior e superior) às frequências limite dessa banda. O critério usual para a definição dessas frequências corresponde a aceitar uma diminuição máxima de 3 dB, i.e., cerca de 30%, do valor do ganho (3 dB corresponde reduzir a potência a metade, o que, do ponto de vista da tensão, corresponde a 1 /   @ 0,707).

No limite inferior, às baixas frequências, a diminuição do ganho resulta de se usar acoplamento capacitivo. Assim, quando se usa acoplamento directo entre os andares, como é o caso dos AmpOps integrados, não há, em geral, qualquer diminuição do ganho às baixas frequências, pelo que a frequência inferior de corte é zero.

Às altas frequências, a diminuição do ganho é inevitável pois resulta dos efeitos capacitivos intrínsecos dos transístores, o que deriva, afinal, do facto de frequências infinitas corresponderem a acelerações infinitas dos electrões (ou outros portadores, como será o caso das lacunas, nos semicondutores tipo p) e que por sua vez corresponderia a forças infinitas, obviamente impossíveis na Natureza. A frequência superior de corte depende não só das características dos transístores utilizados e dos seu ponto de funcionamento, mas também das configurações de circuito utilizadas.

Num amplificador de acoplamento directo, a largura da banda coincide pois com a frequência superior de corte.

4.1. Largura de banda da montagem de emissor comum

O comportamento da montagem de emissor comum às altas frequências interessa especialmente para o estudo do par diferencial, na medida em que, como vimos, o par diferencial é de certo modo equivalente a um emissor comum. Das três montagens básicas é justamente o emissor comum que apresenta pior largura de banda, i.e., menor frequência superior de corte.

A razão deste pior comportamento às altas frequências pode facilmente ver-se através duma análise simplificada do esquema equivalente às altas frequências da fig. 24 onde desprezámos ro e, por simplicidade, omitimos a malha de polarização da base.

fig. 24 - Esquema equivalente às altas frequências da montagem de EC

Exercício 5: Verificar através da análise nodal sobre o circuito equivalente, que a expressão do ganho é:

em que  .

Note os seguintes aspectos:

  • o primeiro factor (dentro de parêntesis) é o ganho às MF que, no modelo em causa, corresponde a fazer s = 0;

  • a expressão tem um zero à frequência s = gm / Cm (note que, efectivamente, a essa frequência, vo = 0, já que a corrente em Cm , i.e., s Cm vp , iguala gm vp pelo que não há corrente em RC – ver texto);

  • se pensarmos que a forma do denominador é
          
    é fácil de ver que o primeiro pólo é essencialmente igual ao inverso do coeficiente de s, já que o segundo é muito maior.

Resolução

 

Podemos obter uma parte da resposta indicada no Exercício 5, de um modo simplificado, aplicando o teorema de Miller à capacidade Cm , usando para o ganho, o valor do ganho às médias frequências.


Na verdade, observando a fig. 25, notamos que o ganho, embora decrescente com a frequência, na vizinhança do primeiro pólo, ainda difere pouco do valor do ganho às médias. Assim, podemos usar este valor para determinar, de forma aproximada, a frequência do primeiro pólo. Por outro lado, resulta claro que não fará sentido usar esse mesmo ganho de MF para frequências maiores.

        fig. 25 – Ganho às MF e primeiro pólo

Desta forma, o esquema resultante (fig. 26) é válido para a determinação da largura de banda (wH @ wp1), mas não da totalidade da resposta em frequência. Além disso, é notório o desaparecimento do zero.

Obtemos pois o esquema da fig. 26 em que

  ,                e     

O valor de K é fácil de obter:

      

Como se trata de um valor elevado e negativo, resulta:

   e   


fig. 26 – Esquema equivalente às AF da montagem EC, simplificado
pela aplicação do teorema de Miller                          

Assim, as constantes de tempo associadas às duas capacidades independentes são

     e           com     

e os pólos correspondentes                e         

Como, em geral, w1 << w2, pode-se considerar que o limite da banda coincide com w1 :

Por outro lado, a aproximação utilizada do ganho às médias não nos autoriza a identificar o valor de w2 com o segundo pólo do circuito original.

Pode obter-se uma estimativa mais aproximada, não só do primeiro como do segundo pólo, embora mais laboriosa, usando o método das constantes de tempo.

Note-se, como referência, que Cp e Cm têm valores típicos da ordem das dezenas e unidades de pF, respectivamente. Apesar de Cm ser muito pequena contribui com um valor grande, pois é multiplicada pelo ganho da montagem. Isto é designado por efeito multiplicador de Miller.

Ainda uma referência ao zero. No esquema da fig. 24 a tensão na saída anular-se-á quando a corrente no condensador Cm for igual à da fonte de corrente, i.e., não havendo corrente em RC. Então,

É, portanto, esta a frequência do zero, que condiz com aquela que foi calculada no Exercício 5. Note-se que, com os valores dados para as capacidades e se gm for da ordem de grandeza de 100 mA/V, esse zero coloca-se a frequência muito maior do que as dos pólos. Embora, de momento isso pareça não ter muita importância, chamamos desde já a atenção para o facto de o zero se colocar no semi-plano direito (é positivo), o que leva a que, ao contrário do que é normalmente esperado, ele introduza um atraso de fase e não um avanço, comportando-se deste ponto de vista como se fosse um pólo.

Este efeito multiplicador de Miller não existe, nem na montagem de base comum, nem na de colector comum. Na primeira ambos os condensadores estão à massa e na segunda o condensador Cp está entre dois pontos com ganho positivo e ligeiramente menor do que 1: o efeito de Miller está, portanto, posto fora de causa. Desta forma, estas montagens têm frequência superior de corte bastante maior. É conhecido o efeito, numa dada montagem, de o produto ganho-largura de banda ser aproximadamente constante - se o ganho é aumentado, a largura de banda diminui. Ora, se repararmos, das três montagens consideradas, só a de EC apresenta simultaneamente ganhos de tensão e de corrente maiores do que a unidade. A montagem de CC tem ganho de tensão unitário e a de BC ganho de corrente unitário; assim, de certo modo, é “natural” que a existência de dois ganhos elevados faça diminuir a largura de banda.

Resulta desta análise que o comportamento às altas frequências da montagem de emissor comum (logo, também o do par diferencial) é relativamente pobre, pelo que interessa analisar a possibilidade de o melhorar.

Uma montagem com ganho de tensão equivalente ao emissor comum, mas com maior largura de banda é o par "cascode".

4.2. Par "cascode" EC-BC

A fig. 27 representa (a) o esquema de polarização do par "cascode" e (b) o seu esquema equivalente para sinais, onde RB = R1 // R2.

fig. 27 - Par "cascode" EC-BC; (a) esquema de polarização; (b) esquema equivalente para sinais


A análise, às baixas frequências, do esquema da fig. 27(b) conduz a:

pelo que se vê que o ganho vo / vi é equivalente ao de um emissor comum realizado com um transístor igual e com o mesmo ponto de funcionamento estático.

Há, contudo, uma diferença que pende favoravelmente para o "cascode".

De facto, desejando um ganho elevado, opta-se por um valor elevado de RC. Se este for suficientemente grande, a aproximação ro >> RC pode deixar de ser aceitável, pelo que, para o emissor comum, deveremos considerar:

Se for RC >> ro, vemos que o máximo valor do ganho será – gm ro.

Para ver o que se passa com o "cascode" determinemos Gm e Ro relativos ao modelo equivalente da fig. 28, correspondente ao esquema da fig. 27 (a).

Calculando Gm, vem:

fig. 28 - Modelo equivalente do par "cascode"


Para calcular Ro, usaremos a fig. 29.

fig. 29 - Cálculo da resistência de saída Ro; (a) Desactivação das fontes independentes; (b) Simplificação do esquema

Na fig. 29 (a) impusemos a condição de desactivação das fontes independentes, o que anula o valor da fonte gm1 vp1. Uma vez que ro1 >> rp2 , o seu paralelo é aproximadamente rp2 . Finalmente, a aplicação do teorema de Thévenin conduz ao esquema da fig. 29 (b), onde o cálculo da resistência de saída é imediato, obtendo-se:

onde se considerou ro = ro1 = ro2 (transístores iguais com o mesmo ponto de funcionamento). Resulta, assim, para o ganho de tensão:

pelo que o valor máximo do ganho será – gm b ro , consideravelmente maior do que o do emissor comum.

Como se disse atrás, a largura de banda do "cascode" é maior do que a do emissor comum equivalente. Vejamos porquê através de uma análise qualitativa simplificada.

O segundo andar do "cascode" é um base comum, cuja resposta em frequência é muito boa. Assim, é o primeiro andar, um emissor comum, que vai condicionar, prioritariamente, a resposta às altas frequências. No emissor comum, a baixa frequência superior de corte resulta do efeito multiplicador de Miller sobre a capacidade Cm1 . Contudo, como a carga do primeiro andar é a baixa resistência de entrada (re) do segundo andar, o factor multiplicador de Miller vai ser apenas:

Desta forma, a frequência superior de corte do circuito vai ser apreciavelmente maior do que a do emissor comum.

4.3. Par "cascode" complementar EC-BC

A fig. 30 representa (a) o esquema de polarização do par “cascode” complementar e (b) o seu esquema equivalente para sinais.

fig. 30 - Par "cascode" complementar EC-BC; (a) esquema de polarização; (b) esquema equivalente para sinais

Esta montagem utiliza um transístor npn e um pnp, cujo modelo equivalente para sinais coincide com o da montagem anterior, o “cascode” de transístores não complementares. Aplicam-se, assim, os esquemas das figs. 28 e 29.

Recorde-se que o facto de os transístores serem pnp ou npn em nada altera o seu funcionamento para sinal. A única mudança advém de ser necessário fornecer uma corrente contínua que alimente simultaneamente o colector de T1 e o emissor de T2, mas cuja alteração aos parâmetros de sinal do circuito é desprezável, uma vez que a resistência que lhe estará associada é normalmente muito maior do que re2 com a qual estará em paralelo à massa. Pode, porém, acontecer que IE1 ¹ IE2 o que poderá levar a parâmetros diferentes para os dois transístores.

Quanto ao resto, toda a restante análise para sinal é portanto ainda válida.

Esta montagem apresenta ainda uma outra vantagem de grande interesse na arquitectura dos amplificadores de vários andares, como é o caso dos AmpOps: o deslocamento de nível entre a entrada e a saída verificado no “cascode” canónico pode ser anulado. De facto, neste último, o deslocamento de nível corresponde a:

,     enquanto no "cascode" complementar é apenas    

4.4. Par "cascode" complementar CC-BC

Esta montagem utiliza um transístor npn e um pnp, cujo esquema equivalente para sinais está representado na fig. 31.

Admitindo transístores com características idênticas e o mesmo ponto de funcionamento estático, a análise conduz a:

     fig. 31 – Par "cascode" complementar CC-BC –
           esquema equivalente para sinais

donde    ,      isto é, o ganho é positivo (circuito não inversor) e metade do ganho do "cascode" EC-BC.

Em compensação, notemos que a resistência de entrada é o dobro da do "cascode" EC-BC:     

Calculemos agora o máximo ganho possível. O cálculo de Gm é trivial e conduz a      .

Para o cálculo de Ro, utilizaremos a fig. 32 onde se representam os dois passos essenciais do processo de determinação da resistência de saída do circuito da fig. 31 (a montante de RC ), usando o método das transformações de circuito. No esquema da fig. 32, admitimos que o valor da resistência da fonte, Rs, era desprezável face a rp1 . Se isso não for verdade, haverá que substituir rp1 por Rs + rp1 , e o valor da resistência de saída resultará um pouco maior. Assim, o valor a seguir deduzido deverá ser encarado como um limite inferior do valor mais geral da resistência de saída.

fig. 32 - Cálculo da resistência de saída Ro; (a) Desactivação das fontes independentes;
(b) Simplificação do esquema anterior                                                               

Exercício 6: Determine a resistência de saída, Ro , usando o método tradicional de cálculo da resistência vista de dois pontos de um circuito.

Resolução


Nestas condições, o ganho máximo será Av = gm ro, equivalente ao do emissor comum.

Quanto à largura de banda, podemos avaliá-la de um modo simples. Notemos que a capacidade Cm1 está à massa, assim como Cp2 e Cm2 (ver fig. 33).

Por outro lado, a capacidade Cp1 liga dois pontos entre os quais o ganho é facilmente determinável como sendo ½ e independente da frequência.

fig. 33 – Capacidades na montagem CC-BC

Esta conclusão facilita-nos o cálculo por aplicação do teorema de Miller a Cp1,de forma rigorosa, i.e., sem a habitual restrição resultante de se utilizar o ganho às médias. Desta forma, resulta o esquema equivalente da fig. 34.

fig. 34 – Esquema equivalente da montagem CC-BC aplicando o teorema de Miller a Cp1

onde, uma vez que - Cp1 e Cp2 se anulam, o circuito apresenta apenas duas capacidades independentes, cujas constantes de tempo associadas são:

                  e                     

Qual dos pólos correspondentes será dominante ou, pelo menos, de frequência mais baixa, dependerá dos parâmetros do circuito, mas é notório que qualquer deles ocorre a frequência muito mais elevada do que no emissor comum e mesmo mais elevada do que na montagem EC-BC.

Podemos chegar a esta mesma conclusão de uma forma qualitativa. Realmente, a montagem CC-BC consta de dois andares, ambos com muita boa resposta às altas frequências; em particular, o primeiro andar, um colector comum, tem frequência superior de corte mais elevada do que a de um emissor comum de baixo ganho, como é o caso do primeiro andar do "cascode" EC-BC; o segundo andar é, igualmente, um base comum com frequência de corte muito elevada.

4.5. Par diferencial "cascode"

As boas propriedades de resposta em frequência do “cascode” complementar são utilizadas no par diferencial “cascode”, cujo esquema se pode ver na fig. 35, e que é utilizado como andar de entrada, por exemplo, do AmpOp 741.

fig. 35 - Par diferencial "cascode"; (a) esquema de ligações simplificado; (b) esquema equivalente simplificado

Para calcular o ganho de tensão, notemos que:

      donde         

e onde concluimos que o ganho é metade do que se obtém com um par diferencial simples. Por outro lado, a resistência de entrada é o dobro:     .

A utilização do "cascode" no par diferencial melhora as características gerais do par, embora pareça reduzir o ganho. Note-se, contudo, que o limite máximo do ganho é o mesmo do par diferencial simples.

Esta discussão sobre o ganho vem levantar a questão de se o valor do ganho permitido pelo par diferencial é suficiente para atingir os valores tipicamente apresentados por um AmpOp de uso geral.

 

5. Maximização do ganho do par diferencial

Como referência, consideremos o par diferencial simples com saída única (fig. 36).

O ganho diferencial, em circuito aberto, é, como vimos:

Não sendo praticável utilizar resistências passivas de valor muito elevado, em geral, será RC << ro, pelo que:

     fig. 36 – Cálculo do ganho do par
          diferencial simples

5.1. Par diferencial com carga activa simples

Poderemos aumentar consideravelmente o ganho se, em vez de uma carga passiva, utilizarmos uma carga activa, i.e., uma montagem de fonte de corrente com resistência de saída Ro que, como já vimos, pode ser várias vezes superior a ro (fig. 37).

A análise conduz a um valor do ganho:

Assim, se, por exemplo, for Ro = 4 ro, obteremos:


     fig. 37 – Esquema equivalente para sinais
             do par diferencial com carga
activa simples             

5.2. Par diferencial com carga activa de espelho de corrente

Podemos conseguir um valor maior do ganho se utilizarmos como carga um espelho de corrente, como se mostra na fig. 38.

O efeito do espelho conduz a:

e se ro2 = ro4 = ro vem:       superior ao que se obtém com carga activa simples.

Podemos ainda melhorar este valor utilizando um espelho com maior resistência de saída (fig. 39).


    fig. 38 – Esquema equivalente para sinais do
           par diferencial com carga activa
de espelho de corrente     


fig. 39 - Par diferencial com carga activa de espelho de corrente; (a) espelho de Widlar simétrico;
(b) espelho com compensação de corrente de base                                                    

Quer utilizando o espelho de Widlar simétrico (fig. 39 (a)), quer o espelho de compensação da corrente de base (fig. 39 (b)), obtemos:

e sendo ro2 = ro4 = ro, como Ro4 > ro virá:      

Por exemplo, se Ro4 = 4 ro vem:   

Concluimos, assim, que o máximo ganho, em circuito aberto, (em carga será menor) é da ordem de grandeza de gm ro / 2 (poderá, apenas, ser um pouco maior). Ora

Se, por exemplo, considerarmos VA = 100 V, resulta:      

Este valor, embora possa ser um pouco aumentado, fica muito longe do valor normal das dezenas a centenas de milhar, característico dos AmpOps.

Mesmo independentemente de outras considerações, como, por exemplo, relativamente a resistência de saída, fica claro que um par diferencial é insuficiente para realizar um amplificador com características equivalentes às de um AmpOp. É necessário um segundo andar (pelo menos) para conseguir o nível de ganho pretendido.

Este segundo andar terá pois de ter ganho razoavelmente elevado (pelo menos, umas boas dezenas) e elevada resistência de entrada a fim de não degradar o elevado ganho do primeiro andar. Seria desejável que também tivesse baixa resistência de saída, como requer a estrutura de um AmpOp. Note-se, entretanto, que este andar não necessita de entrada diferencial.

5.3. Um par diferencial CMOS com carga activa

A fig. 40 mostra um exemplo de um par diferencial CMOS com carga activa.

A tensão contínua de saída é, normalmente estabelecida pelo andar seguinte, como se pode ver no estudo dos circuitos internos dos AmpOps.

O circuito é análogo ao da versão bipolar. Assim, o sinal de corrente é:

       onde       

A tensão de saída será:             

Para           


           fig. 40 - Par diferencial CMOS com
carga activa

o ganho de tensão vem:            

Para obter ganhos elevados, pode usar-se um par diferencial "cascode" e um espelho de corrente "cascode". Isto, contudo, diminui a excursão possível do sinal na saída.

 

O uso de FETs é especialmente interessante pelos valores muito elevados de resistência de entrada que permite obter. O desvio de tensão é da mesma ordem de grandeza (alguns milivolt) dos pares diferenciais bipolares, mas as correntes de polarização à entrada são muito menores do que as possíveis com os BJTs.

O principal inconveniente dos FETs é a baixa transcondutância e, consequentemente, o menor valor do ganho que é possível obter.

Actualmente, fabricam-se AmpOps integrados usando tecnologia CMOS, com boas características gerais e com a particularidade especial de poderem ser utilizados com baixíssimas tensões de polarização (1 V!) e consumindo muito baixa energia.

 

6. Andares de resistência de entrada e ganho elevados

6.1. Par de Darlington - montagem CC-CC

Consideremos a montagem da fig. 41, representada em esquema simplificado de ligações.

Admitindo T1 º T2 e o mesmo ponto de funcionamento estático, calculemos o ganho de tensão e a resistência de entrada:


   fig. 41 - Esquema simplificado de ligações
do par de Darlington      

donde                          

Se b » 2, vem:              


e se gm RE >> 1, resulta finalmente:          

que é o mesmo valor aproximado que se obtém para o ganho de um seguidor simples.

Por outro lado, a resistência de entrada, desde que b >> 1 e RE >> 11/gm é         consideravelmente maior do que o valor b RE, que se obtém para o seguidor simples, em condições equivalentes.

Analogamente, o ganho de corrente em curto-circuito é (b +1)2 muito maior do que o valor (b +1) do seguidor simples.

Finalmente, a resistência de saída é semelhante nos dois casos e aproximadamente igual a 1/gm.

Provavelmente, o resultado mais interessante é que a montagem dos dois transístores pode ser vista como um único transístor, com a base correspondente à base de T1, o colector correspondente ao nó comum aos colectores de T1 e T2 e, finalmente, o emissor correspondente ao emissor de T2.

Este conjunto, designado transístor Darlington, pode ser usado como um transístor comum, com a interessante característica de possuir um b muito elevado, aproximadamente igual a b 2 dum transístor simples. Na realidade, não é bem assim já que é vulgar usar esta configuração com transístores muito diferentes, por exemplo, um transístor de b elevado a atacar um outro transístor de potência, com baixo valor de b.

Desta propriedade decorre a ideia de utilizar um transístor Darlington em montagem de emissor comum. Vejamos quais as características de tal montagem.

6.2. Transístor Darlington em emissor comum

Admitiremos, por simplicidade de análise, transístores idênticos e com o mesmo ponto de funcionamento. Teremos, assim, para sinais, o esquema da fig. 42.

Resistência de entrada:  

Ganho de tensão:
                   


       fig. 42 - Esquema equivalente para sinais
                    
do transístor Darlington em EC      


donde       

Concluimos que a montagem apresenta, aproximadamente, o mesmo ganho do emissor comum e uma resistência de entrada muito maior (b vezes).

Entretanto, como a resistência de saída é apenas metade (ro / 2), o valor máximo do ganho é inferior ao do emissor comum simples.

Assim, esta montagem preenche as características requeridas pelo segundo andar dum AmpOp: ganho razoavelmente elevado e grande resistência de entrada. Notemos entretanto, que a resposta às altas frequências não é, seguramente, satisfatória. De facto, a capacidade Cm do transístor T1 sofre de efeito de Miller pronunciado, já que está derivada entre a entrada e a saída do circuito, que tem ganho elevado.

6.3. Montagem CC-EC

A fig. 43 representa a montagem CC-EC e o seu esquema equivalente para sinais. É muito aproximadamente igual à anterior, excepto que os dois colectores não estão ligados.



fig. 43 - Montagem CC-EC; (a) esquema de ligações; (b) esquema equivalente para sinais


Uma vez mais, por simplicidade, admitiremos T1 º T2 e o mesmo ponto de funcionamento estático.

Resistência de entrada:        

Ganho de tensão:
                                           

donde                                 

Esta montagem apresenta pois sensivelmente o mesmo ganho e a mesma resistência de entrada do transístor Darlington em emissor comum. Porém, o ganho máximo é superior (duas vezes), uma vez que a resistência de saída (ro) é dupla da da montagem anterior.

Contudo, a vantagem mais significativa refere-se à largura de banda. De facto, o primeiro andar, por ser um colector comum, tem, como já vimos, boa resposta às altas frequências; no segundo andar, o efeito multiplicador de Miller é apreciável mas, como a capacidade de Miller é multiplicada por uma resistência fortemente diminuída pela baixa resistência de saída do primeiro andar (CC), resulta uma frequência superior de corte muito maior do que a do transístor Darlington em emissor comum.

Estas razões justificam que a montagem CC-EC seja a montagem geralmente utilizada no segundo andar dos AmpOps de uso geral.

A análise do valor do ganho das duas montagens anteriores mostra que se RL for elevada, o ganho pode realmente ser muito grande.

Contudo, por várias razões, utilizam-se habitualmente pontos de funcionamento muito baixos. Por exemplo, se IC = 20 mA, vem:      .

Para obtermos um ganho global de, por exemplo, 100 000, com 2 000 no par diferencial de entrada, precisamos de 50 no segundo andar, logo:       .

Como garantir que um amplificador, constituído pelos referidos dois andares, é utilizado com cargas de resistência superior a 62,5 kW? Obviamente, tal exigência não tem sentido! Além disso, é inconveniente que o ganho dum amplificador dependa tão fortemente da carga. Por outras palavras, é necessário que o amplificador global tenha baixa resistência de saída.

Nenhuma das montagens analisadas tem essa característica.

É pois indispensável que o amplificador global tenha mais um andar. Este, deverá ter elevada resistência de entrada para não degradar o ganho do segundo andar, viabilizando assim o elevado ganho global.

A resistência de saída deverá ser baixa, pelas razões já aduzidas. E quanto a ganho de tensão? Não é preciso mais, i.e., basta que seja unitário!

Estas características são justamente as dum seguidor de emissor! Mais, um seguidor de emissor tem grande capacidade de fornecimento de corrente, que é também uma característica desejável para o andar de saída dum amplificador do tipo de um AmpOp.

 

7. Andares de saída

O seguidor de emissor simples apresenta as características atrás referidas como sendo desejáveis para o andar de saída, mas tem um sério inconveniente: um rendimento muito baixo, importante quando estão em jogo potências significativas.

De facto, esta montagem, como aliás todas as estudadas até aqui, tem um tipo de funcionamento que se caracteriza por o ponto de funcionamento se manter na região activa (saturação para os FETs) durante toda a excursão do sinal.

Em regime sinusoidal, dizemos que o ponto de funcionamento se mantém na região activa durante todo o período. A este tipo ou classe de funcionamento, em oposição a outras em que o dispositivo poderá estar cortado em partes do período, chama-se classe A.

A classe A tem a vantagem de apresentar a menor distorção, mas o seu rendimento máximo é, como veremos, apenas 25%, apesar de com configurações especiais poder ser elevado até 50%.

Este baixo rendimento da classe A é muito inconveniente para o andar de saída dos amplificadores, já que a dissipação de potência do amplificador se verifica predominantemente no andar de saída.

Assim, os andares de saída são preferivelmente concebidos para funcionar noutra classe de funcionamento que permite um rendimento bastante superior, a classe B.

Em classe B, o transístor funciona na região activa, em regime sinusoidal, durante meio período. É possível, desta forma, elevar o rendimento para cerca de 78,5% (p/ 4 ´ 100%).

Naturalmente, uma montagem com apenas um transístor em classe B seria fortemente penalizada com a distorção que inevitavelmente estaria presente. Veremos adiante como minimizar a distorção.

Há ainda outras classes de funcionamento, das quais referiremos, para já, duas delas:

  • Diz-se que o transístor trabalha em classe AB quando o ponto de funcionamento está na região activa mais do que meio período e menos do que o período (em regime sinusoidal).

  • Em classe C, o ponto de funcionamento permanece na região activa menos do que meio período, em regime sinusoidal. Naturalmente, a distorção é muito elevada. Assim, esta classe de funcionamento, que se caracteriza por ter um elevado rendimento (mais do que 90%) só tem interesse em aplicações em que o espectro do sinal a amplificar tem largura de banda relativa muito estreita, isto é
                                
    Utilizando uma carga sintonizada para a frequência central do espectro, é possível reduzir apreciavelmente a distorção. Uma aplicação típica são os amplificadores de radiofrequência, onde a potência em jogo pode ser considerável.

7.1. Montagem seguidora de simetria complementar

A montagem tipicamente utilizada nos andares de saída dos AmpOps é uma configuração seguidora que utiliza dois transístores complementares (um npn e outro pnp) ligados simetricamente.

Cada um dos transístores funciona em classe B, mas a forma como estão ligados assegura que na carga há fluxo contínuo de corrente.

Apesar de os esquemas práticos desta montagem poderem apresentar variações, o esquema da fig. 44 é bastante típico e ilustrativo.

Para compreendermos o funcionamento deste circuito amplificador começaremos por uma abordagem idealizada.


       fig. 44 – Esquema típico do par seguidor
                      de simetria complementar      

7.1.1. Situação ideal

Consideremos a montagem da fig. 45 em que T1 e T2 são idênticos, à excepção de um ser npn e o outro ser pnp.

Suporemos que a componente contínua VI de vI é tal que a componente contínua VO de vO é zero e ainda que os transístores têm características de transferência ideais (ver fig. 46).

Admitindo um regime sinusoidal, vemos que se vi = 0 nenhum dos transístores conduz (ic1 = ic2 = 0), pelo que iO = io = 0 e, portanto, vO = vo = 0.

Quando vi > 0, o transístor T1 conduz enquanto T2 está em corte e quando vi < 0 inverte-se a situação.


       fig. 45 – Esquema idealizado do par seguidor
                      de simetria complementar      

Como iO = iC1 - iC2 na carga flui sempre corrente. Desde que nenhum dos transístores entre em saturação, a saída será uma réplica da entrada.

Tendo em conta que    e  ,    estas tensões terão uma variação sinusoidal idêntica à de vO em torno do valor médio VCC.

A fig. 47 mostra as formas de onda das tensões e corrente relevantes da montagem.



                  fig. 46 – Características de transferência
                                 real e ideal de um transístor 



fig. 47 – Formas de onda das tensões e correntes do par seguidor de simetria complementar

Vemos, assim, que a configuração especial utilizada permitiria, no caso ideal, que, apesar de cada um dos transístores funcionar em classe B, conduzindo apenas durante meio período, a saída fosse uma réplica do sinal de entrada, i.e., o circuito no seu conjunto comporta-se como um seguidor de tensão. Devido ao funcionamento alternado dos dois transístores, esta montagem é também conhecida por push-pull.

7.1.2. Funcionamento real

O funcionamento real do circuito afasta-se da situação ideal atrás exposta, uma vez que os transístores têm uma característica de transferência diferente da que considerámos idealmente. É necessário que a tensão vBE ultrapasse um dado valor Vg (cerca de 0,55 V para transístores de silício de baixa potência) para que a corrente de colector comece a assumir valores significativos.

Admitiremos, por simplicidade de análise, uma aproximação por tramos lineares da característica, como se mostra na fig. 48.

Nestas condições, a montagem seguidora de simetria complementar terá uma característica de transferência não linear com uma zona morta, como se vê na fig. 49.



fig. 48 – Aproximação por tramos lineares da característica
de transferência de um transístor               



fig. 49 – Característica de transferência do par
           seguidor de simetria complementar

Consequentemente, em regime sinusoidal, a saída não será sinusoidal, como se mostra, exageradamente, na fig. 50. Aparece uma clara distorção, à volta do valor zero, que se designa por distorção de travessia (crossover).


fig. 50 – Distorção de travessia no par seguidor de simetria complementar

A fim de reduzir esta distorção, os transístores devem ser polarizados por forma a, em repouso, estarem no limiar de condução. Note-se que, desta forma e em rigor, o funcionamento de cada transístor já não é em classe B, mas sim em classe AB.

Contudo, trata-se duma classe AB muito próxima da classe B, pelo que não há diferenças significativas. Em particular, o rendimento é inferior ao da classe B, mas pouco.

7.1.3. Compensação da distorção de travessia

São várias as soluções possíveis para assegurar a polarização do par seguidor no limiar da condução. A mais popular e versátil é talvez o, assim designado, multiplicador de VBE (fig. 51).

Desprezando a corrente de base de T3 face à corrente em R1 e R2, vem:

Escolhendo convenientemente R1 e R2 pode obter-se o desejado valor para a tensão V.


         fig. 51 - Multiplicador de VBE

Exercício 7: Determine os valores de VBE e de IC  dos transístores T1 e T2 do circuito da fig. 51, admitindo que I = 200 mA, b = 200, Is3 = 10 –14 A, Is1 = Is2 = 3´ 10 –14 A, e R1 = R2 = 7,5 kW.

Resultado

Resolução

Uma variante do multiplicador de VBE, mais frequente nos AmpOps modernos é o circuito da fig. 52, utilizado no circuito do AmpOp 741.


     fig. 52 - Variante do multiplicador de VBE

7.1.4. Comportamento do multiplicador de VBE

Vimos que o papel do multiplicador de VBE era o de garantir uma tensão de polarização entre as bases dos transístores do par seguidor de saída, i.e., o papel de uma fonte de tensão constante. Este papel será pois muito aproximadamente realizado se a resistência vista entre os terminais do multiplicador for muito pequena. Note-se que isto só é importante para conseguir que, do ponto de vista de sinal, as duas bases estejam curto-circuitadas.

Calculemos então o seu valor para o primeiro circuito apresentado (fig. 51) e com os dados do Exercício 7. O esquema equivalente para a determinação dessa resistência será o da fig. 53.


fig. 53 - Determinação da resistência de saída do multiplicador de VBE

Obtém-se ( verificar como exercício):

e, com os referidos valores, resulta Ro @ 432 W, que é um valor razoavelmente pequeno, comparado com os elevados valores de rp de T1 e T2.

Exercício 8: Determine a resistência de saída do multiplicador de VBE da fig. 52, admitindo que b = 200, IC4 = 16 mA, IC3 = 160 mA e R = 40 kW , utilizando o modelo equivalente simplificado para os transístores.

Resultado

Resolução

Desta forma, é uma aproximação aceitável admitir que o multiplicador de VBE se comporta como uma fonte de tensão ideal, pelo que o par seguidor pode ser visto como se de um simples seguidor de emissor se tratasse. Assim, diremos que o seu ganho de tensão Av @ 1 e Ri = rp + (b + 1) RL.

Na verdade, a situação real afasta-se um pouco desta conclusão ideal, sobretudo porque o andar de saída não trabalha, frequentemente, em regime de pequenos sinais, mas de grandes sinais. Isto significa que, quer o ganho, quer a resistência de entrada, variam pronunciadamente ao longo da excursão do sinal, pois quer rp, quer b, dependem do ponto de funcionamento.

Note-se, entretanto, que a variação da resistência de entrada também afecta o ganho do andar anterior, mas na proporção inversa. Há, assim, alguma compensação no ganho global, pelo menos no que respeita à variação de rp. Resta a variação de b, que é muito menos significativa.

A associação em cadeia dos três andares cuja configuração analisámos: par diferencial, andar suplementar de ganho (por exemplo, CC-EC) e par seguidor de simetria complementar, permite obter um amplificador global com características do tipo das de um AmpOp (fig. 54).



fig. 54 - Diagrama de blocos dum amplificador do tipo dum AmpOp

Há, contudo, uma característica que merece atenção especial e que só de leve foi abordada: a resistência de entrada. De facto, qualquer um dos andares referidos deve ter resistência de entrada elevada.

 

8. Obtenção de resistência de entrada elevada

Comecemos por passar em revista as montagens básicas com transístores no que respeita à obtenção de resistência de entrada elevada.

A montagem de base comum (com BJT) e a de porta comum (com FET) são imediatamente de excluir, uma vez que têm inevitavelmente Ri baixa (@ 1/gm).

Das restantes, as montagens com FETs afiguram-se ser as que permitem maior Ri; têm, contudo, o inconveniente de um menor ganho. Deixá-las-emos para mais tarde.

A montagem de colector comum permite Ri elevada, embora o ganho seja unitário. Assim, e como vimos, esta montagem utiliza-se em associação com um emissor comum (caso da montagem CC-EC) ou no andar de saída, quando já não é necessário mais ganho de tensão.

A montagem de emissor comum com resistência de emissor também permite elevada Ri, embora isso implique a diminuição do ganho. Assim, é uma solução que se utiliza quando são suficientes valores moderadamente elevados do ganho e da resistência de entrada.

A montagem de emissor à massa tem uma resistência de entrada que calculámos como sendo igual a rp. Ora, o par diferencial simples, sendo constituído por dois transístores em emissor comum, tem uma resistência de entrada diferencial igual a 2 rp. E mesmo o par diferencial cascode não vai além de 4 rp para a Rid. Será isto suficiente?

8.1. Resistência de entrada do emissor comum

A resistência rp é, como sabemos, dada por:

o que significa que o seu valor concreto depende essencialmente da corrente de colector no ponto de funcionamento estático. Assim, se for usado um valor suficientemente pequeno para IC, podem obter-se valores razoavelmente elevados para rp .

Por exemplo, com b = 200 e IC = 10 mA, obtém-se:

Desta forma, um par diferencial, constituído por dois transístores com essas características terá Rid = 1 MW e um par diferencial cascode terá mesmo Rid = 2 MW.

Deve, contudo, ter-se presente que o valor Ri = rp foi obtido usando o modelo em p-híbrido simplificado do transístor, desprezando, em particular, o papel de rm. Tal procedimento é legítimo quando a resistência de carga do transístor tem valores moderados. Todavia, quando se procura maximizar o valor do ganho, recorrem-se a valores elevados da carga. Será ainda legítimo ignorar rm? Vamos ver.

Consideremos a fig. 55 para o cálculo de Ri.

fig. 55 - Cálculo da resistência de entrada do emissor comum

Obtém-se (verificar como exercício):                  

onde seguramente             

pois gm R’L corresponde aproximadamente ao ganho de tensão duma montagem de elevado ganho. Por exemplo, com IC = 10 mA, VA = 100 V, b = 200 e admitindo RL = ro, resulta gm R’L = 2000.

Desta forma                 

Pode mostrar-se que rm ³ b ro e para BJTs integrados modernos, rm @ 10 b ro.

Assim, admitindo uma elevada resistência de carga para maximizar o ganho, seja por simplicidade RL = ro, vem:

        e, portanto,              


Contudo, para o limite mínimo de r
m, i.e., rm = b ro, vem:

        e, assim              

Concluimos, portanto, que em circuitos de elevado ganho, o valor elevado da carga faz diminuir a resistência de entrada, por efeito da realimentação interna do transístor, realizada pela resistência rm.

Deve notar-se, entretanto, que este efeito que acabámos de verificar no emissor comum não pode ser generalizado para outras montagens, como, por exemplo, as montagens cascode.

Assim, para o cascode canónico, o efeito da carga sobre a resistência de entrada é desprezável e, portanto, esta continua a ser Ri @ rp. É um resultado que se pode derivar facilmente por via qualitativa. Como o segundo andar é um base comum e, logo, tem resistência de entrada baixa, o primeiro andar, um emissor comum, “vê” uma resistência de carga baixa, logo Ri @ rp.

Já para o cascode complementar CC-BC, que nos interessa especialmente uma vez que é muito usado no par diferencial de entrada, a carga influencia a resistência de entrada, mas ... em sentido contrário!

De facto, se a carga é moderada, em particular, se RL << ro, como sabemos Ri @ 2 rp. Com carga elevada, por exemplo, para o caso particular de RL = ro, encontra-se Ri @ rp (verificar como exercício), i.e., aumenta a resistência de entrada.

Também qualitativamente se chega facilmente a esta conclusão. Na verdade, o primeiro andar é um colector comum cuja resistência de entrada ( rp + (b + 1) RE ) é fortemente dependente da carga. Assim, qualquer pequeno aumento da resistência de carga traduz-se num aumento significativo da resistência de entrada.

8.2. Diminuição da resistência de entrada do seguidor de emissor devida às resistências de
       polarização

A questão que vamos levantar seguidamente não é muito relevante nos AmpOps integrados, cujos andares são polarizados com fontes de corrente, geralmente através dum sistema de espelhos. Todavia, é um problema que se põe, em geral, nos circuitos discretos com polarização por divisores de tensão.

Seja, então, o circuito da fig. 56, em que o transístor T representa um transístor simples, mas que podia também ser um transístor Darlington.


    fig. 56 - Resistência de entrada do seguidor
de emissor                          

A resistência de entrada do transístor, RiT , sendo       

pode, realmente, ser muito elevada. Por exemplo, se b = 100, IC = 1 mA e RE = 10 kW, resulta:    

Todavia, a verdadeira resistência de entrada do circuito é:      

pelo que se quisermos que seja Ri @ RiT , terá de ser RB >> RiT . Por exemplo, se escolhermos RB = 10 MW, não só as resistências R1 e R2 teriam de ser exageradamente grandes, como também

teria um valor inconvenientemente grande!

Com vista a ultrapassar esta dificuldade, consideremos o circuito da fig. 57(a) e o seu equivalente para sinais na fig. 57(b), onde RB = R1 // R2.


fig. 57 - Seguidor de emissor com efeito bootstrap; (a) esquema de ligações;
(b) esquema para sinais                                                               

Aplicando o teorema de Miller à resistência R3 resulta o esquema da fig. 58, em que Av corresponde justamente ao ganho da montagem, ligeiramente inferior à unidade, i.e., .
Desta forma, a resistência
  será uma resistência muito elevada, pelo que Ri @ RiT.


    fig. 58 - Aplicação do teorema de Miller ao esquema da fig. 57 (b)

Este efeito, quando Av ® +1, é conhecido por efeito bootstrap ou de bootstrapping.

A expressão é aplicada a este efeito tendo em conta que quando a tensão num dos terminais de R3 sobe, a tensão no outro terminal sobe exactamente da mesma quantidade.

Deve notar-se que o cálculo do ganho e da resistência de entrada deve ter em conta que a carga efectiva do emissor é não só RE, mas também RB e . Esta última resistência é também muito elevada e ... negativa!

Recordemos que o paralelo de uma resistência R, positiva e finita, com uma resistência R’, que pode assumir qualquer valor de ‑¥ a +¥, obedece ao gráfico da fig. 59.



fig. 59 - Variação do paralelo de uma resistência positiva e finita com outra de qualquer valor

Assim, como RE // RB tem, certamente, um valor moderado, o seu paralelo com aquela resistência muito elevada e negativa é, simplesmente, muito aproximadamente igual a RE // RB .

Deve notar-se que valores de resistências positivos e negativos não são tão estranhos desde que estejamos a falar de resistências dinâmicas ou se o conceito for de impedância em vez de resistência. O valor infinito obtém-se, por exemplo, quando num paralelo de duas impedâncias, uma é igual ao simétrico da outra, como acontece com L e C no circuito ressonante paralelo.

A aplicação de bootstrapping permite, pois, repor o valor da resistência de entrada do circuito no valor possível para a resistência vista na base do transístor.

Interessa investigar até que ponto é possível elevar o valor dessa resistência. Designando simplesmente por RE a carga do emissor, teremos o esquema equivalente da fig. 60.

Daqui concluimos facilmente:

          
onde se vê que a resistência r
m coloca um limite ao máximo valor de resistência de entrada.


    fig. 60 – Resistência de entrada do colector comum
com efeito bootstrap                    

Da análise que fizemos, podemos retirar as seguintes conclusões quanto aos procedimentos a adoptar para conseguir elevada resistência de entrada diferencial para o amplificador global com estrutura do tipo do AmpOp:

  • Sendo a resistência de entrada do amplificador global afinal a resistência de entrada do 1º andar, trata-se de conseguir realizar um par diferencial com elevada resistência de entrada diferencial.

  • Usando BJTs, a forma mais óbvia de o conseguir é adoptar pontos de funcionamento baixos. Esta é, de facto, uma prática comum. No 741, o ponto de funcionamento estático dos transístores de entrada é cerca de 10 mA.

  • O uso de um par diferencial cascode permite não só melhorar a largura de banda, como também aumentar a resistência de entrada diferencial.

  • O recurso a resistências de emissor também permite aumentar a resistência de entrada, além de aumentar a gama dinâmica linear. Todavia, o facto de reduzir o ganho não aconselha a sua utilização no par de entrada. Refira-se, contudo, que nos AmpOps de precisão que, além dos andares atrás referidos, utilizam um segundo andar diferencial, é comum usar pequenas resistências de emissor. Uma outra alternativa seria utilizar transístores Darlington em vez de transístores simples. Contudo, a menor resistência de saída e a menor largura de banda prejudicam a sua utilização.

  • Uma solução parecida e utilizada no segundo andar diferencial dos AmpOps de precisão consiste em atacá-lo com seguidores de emissor com carga activa (fig. 61).
    Obtém-se, assim, elevada resistência de entrada e boa largura de banda.


  • Finalmente, usando FETs em vez de BJTs obtêm-se valores muito mais elevados para a resistência de entrada e é comum, mesmo na tecnologia bipolar, ter o primeiro andar realizado com JFETs ou MOSFETs.


    fig. 61 - Exemplo dum 2º andar diferencial usado em
AmpOps de precisão                     

9. Análise de um AmpOp bipolar típico de três andares (mA741)

O mais típico de todos os AmpOps de três andares, usando tecnologia bipolar, é sem dúvida o mA741, criado pela Fairchild mas hoje produzido por vários outros fabricantes. É um AmpOp de uso geral, de elevado ganho, adequado para aplicações de baixa frequência.

O seu esquema interno usa extensivamente as configurações características da tecnologia integrada como se pode apreciar na fig. 62.

O primeiro andar é constituído por um par diferencial composto de pares cascode complementares (T1 a T4) com carga activa consistindo num espelho de corrente com compensação de corrente de base (T5 a T7).



fig. 62 – Esquema interno do AmpOp
mA741

A utilização da configuração cascode permite uma maior largura de banda e, a escolha da versão complementar (CC-BC), confere ao par diferencial e, portanto, ao AmpOp, menor capacidade de entrada.

Também a resistência de entrada resulta maior - cerca do dobro da que se obteria com um par diferencial simples, polarizado no mesmo ponto de funcionamento. Todavia, em contrapartida, a transcondutância diferencial é apenas metade. Por outro lado, a utilização de carga activa com espelho de corrente, compensa esse inconveniente.

O andar intermédio utiliza a montagem CC-EC (T16 e T17), com elevado ganho, elevada resistência de entrada e boa largura de banda. De notar, o condensador de 30 pF, ligado entre a entrada e a saída deste andar, que, como veremos adiante, realiza uma compensação de Miller, garantindo um pólo de frequência muito baixa e, portanto, estabilidade incondicional.

O andar de saída do mA741 apresenta uma configuração com as características requeridas para o andar de saída: elevada resistência de entrada, baixa resistência de saída e grande capacidade de fornecimento de corrente.

Assim, a célula fundamental deste andar é o par seguidor de simetria complementar (T14 e T20), com compensação da distorção de travessia realizada pela montagem T18, T19 e R10. O andar dispõe ainda, na entrada, de um colector comum (T23), que garante um maior isolamento entre o andar intermédio e a carga.

A polarização do circuito utiliza um sistema de espelhos de corrente, como é habitual nos circuitos de AmpOps integrados. O ramo constituído por T11, T12 e R5 estabelece uma corrente de referência que é espelhada para T10. A ligação às bases de T3 e T4 e o espelho T8 e T9, cuja corrente de entrada é a corrente soma do par, garante a polarização do par diferencial através de uma malha de realimentação negativa.

A corrente de referência é também espelhada de T12 para o transístor T13 de duplo colector. Este transístor especial pode ser visto como dois transístores independentes, em que T13A polariza o andar de saída e T13B polariza o andar intermédio.

O esquema do mA741 dispõe de um circuito limitador da corrente de saída com vista a prevenir um eventual curto-circuito da saída a um dos terminais da fonte de alimentação. Este circuito é constituído pelos transístores T15, T21, T24 e T22 que, normalmente, estão em corte. Na verdade, T15 e T21 têm as suas junções de emissor polarizadas pelas quedas de tensão nas resistências R6 e R7. Assim, no caso de elevação anormal da corrente de saída, T15 e T21 entram em condução, fazendo também conduzir T24 e, consequentemente, T22 que, desviando corrente da base de T16, limita drasticamente a corrente de saída.

Outra forma de protecção do circuito refere-se à utilização dos transístores T3 e T4 no par diferencial cascode do andar de entrada. Estes são transístores laterais pnp que, apesar do seu mau comportamento às altas frequências, não comprometem a resposta do andar de entrada, por estarem em montagem de base comum. Por outro lado, como a tensão de rotura da sua junção de emissor é elevada (cerca de 50 V), comparada com a dos transístores npn T1 e T2 (cerca de 7 V), asseguram a protecção destes no caso de, por exemplo, a tensão de alimentação ser ligada, inadvertidamente, aos terminais de entrada do AmpOp.

Os terminais A e B destinam-se à compensação do desvio de tensão à entrada. Os fabricantes recomendam a utilização de um potenciómetro de 10 kW, ligado entre os terminais A e B e com o ponto médio ligado ao terminal de .

Na análise que se segue, admitiremos que os transístores T13, T14 e T20 são especiais e os restantes normais. Assim, para os transístores normais, consideraremos para valor da corrente de saturação IS = 10-14A. Os transístores T14 e T20 têm área tripla dos normais, pelo que a sua corrente de saturação é IS = 3 ´ 10-14 A.

O transístor T13 tem área igual à dos transístores normais, mas a área de um dos colectores é tripla da área do outro. Assim, teremos:

IS13A = 0,25 ´ 10-14 A      e      IS13B = 0,75 ´ 10-14 A.

Para todos os transístores npn, consideraremos:

                            b = 200     e      VA = 125 V
e para ps pnp

                            b = 50     e       VA = 50 V

Finalmente, quer na análise de corrente contínua, quer na análise para sinais, embora nos cinjamos à análise do circuito interno, admitiremos que o AmpOp está realimentado negativamente. Desta forma, na análise de corrente contínua, poderemos admitir que a saída está estabilizada em 0 V e, na análise para sinais, que todos os transístores estão no modo activo. Dado o valor muito elevado do ganho do AmpOp, só assim têm sentido as análises que vamos fazer.

9.1. Análise de corrente contínua

Nesta análise, suporemos ainda que ambas as entradas estão ligadas à massa e que a tensão de alimentação é ± 15 V.

Assim, na fig. 63, vemos que a corrente de referência é:

     e    I11 = IREF .

Donde:

Por simetria   IC1 = IC2 = I   e, como bN >> 1, resulta:


    fig. 63 - Corrente de referência

Agora, da fig. 64, concluímos    I9 @ I8 @ 2I

e      

logo    I1 = I2 @ I3 = I4 = 9.5 mA.

Os transístores T1 a T4, T8 e T9 formam uma malha de realimentação negativa que estabiliza a corrente I num valor aproximadamente igual a I10 / 2. De facto, se admitirmos que, por qualquer razão, o valor de I tende a aumentar, então, sucessivamente, verifica-se:
          I8  ­ Þ    I9   e como I10 é constante, vem
          IB3 = IB4  ­ Þ    I3 = I4 = I1 = I2 = I 


 fig. 64 - Corrente soma do par

Passando às correntes do espelho que constitui a carga do par diferencial, vemos na fig. 65 que, desprezando IB16, I6 @ I e, desprezando IB7, I5 @ I.

Por outro lado:

    
onde
 

Este valor mostra que IB7 é, realmente, desprezável.


           fig. 65 - Correntes na carga do par

Vejamos agora o segundo andar (fig. 66).

Desprezando IB23,

temos        I17
 @ I13B

e como      I13A + I13B = IREF     e    ISB = 3
 ´ ISA, vem

                 I13B @ 0.75 IREF = 550 mA = I17    donde

e          

Notemos que IB16 << I, como admitíramos.


       fig. 66 - Correntes do segundo andar

Finalmente, calculemos as correntes do andar de saída (fig. 67, onde ignorámos as resistências R6 e R7, dado o seu pequeno valor).

Desprezando IB14 e IB20, resulta I23 @ 0,25 IREF = 180 mA, donde IB23 = 3,6 mA, que é muito menor do que I17 = 550 mA, como admitíramos.

De        

resulta          donde

VBE18 = 588 mV,   I18 = 165 mA,   IR10 = 14,7 mA   e

I19 = 15,5 
mA.


      fig. 67 - Correntes do andar de saída

Então          

pelo que a tensão entre as bases de T14 e T20 é         VBB = 0,588 + 0,529 = 1,117 V

Como        

resulta finalmente            I14 = I20 = 152 mA.

9.2. Análise para pequenos sinais

Na análise para pequenos sinais, calcularemos o ganho diferencial, a resistência diferencial e a resistência de saída. Para o cálculo do ganho, admitiremos que o AmpOp está carregado com RL = 2 kW, pois é nessas condições que, normalmente, é especificado o ganho pelos fabricantes.

A fig. 68 mostra o esquema equivalente para sinais onde o efeito da carga activa de espelho de corrente do par diferencial de entrada está traduzido pela fonte controlada vd / re.



fig. 68 – Esquema equivalente para sinais do AmpOp
mA741

Notemos ainda que o par seguidor está representado por uma montagem CC em que o transístor T14,20 corresponde ao transístor simples supostamente equivalente. Na verdade, esta equivalência é apenas aproximada. Nesta equivalência, está também subentendido que a pequena resistência do circuito de compensação da distorção de travessia, bem como as resistências R6 e R7, podem ser ignoradas.

Realmente, o par seguidor funciona em regime de grandes sinais, pelo que o seu ganho é muito dependente do ponto de funcionamento dinâmico. Além disso, um dos transístores é npn e o outro é pnp, o que acarreta assimetrias. Analisemos as variações que o ganho do par seguidor pode sofrer. Temos:

Assim, por exemplo, para IC = 5 mA, será ro14 = 25 kW, ro20 = 10 kW e re = 5 W, para ambos os transístores, donde:

A14 = 0,997      e       A20 = 0,997

Enquanto, para IC = 150 mA, com ro14 = 833 kW, ro20 = 333 kW e re = 167 W, para ambos os transístores, resulta:

A14 = 0,923      e       A20 = 0,923

Uma vez que a variação não é muito grande, admitiremos que A14,20 @ 1.

O seguidor de emissor T23 funciona com pequenos sinais, mas com carga variável. Esta, para os casos extremos atrás considerados, poderá variar entre:

                             Ri20 = 85 kW  -  T20 a conduzir com IC = 5 mA
e
                             Ri14 = 435 k
W  -  T14 a conduzir com IC = 150 mA.

Tendo em conta que Ro13A = ro13A = 278 kW, ro23 = 278 kW e re23 = 139 W, vem

logo para
                             Ri14,20 = 85 k
W        obtemos        A23 = 0,997
e para
                             Ri14,20 = 435 k
W        obtemos        A23 = 0,999.

Podemos pois considerar, com boa aproximação, A23 @ 1.

Notemos que, para os mesmos casos limite:

                                            Ri23 = 51 (139+139k//85k) = 2,70 M
W
e
                                            Ri23 = 51 (139+139k//435k) = 5,40 M
W

Vamos tomar o menor destes valores, o que nos dará alguma compensação para a aproximação de ganho unitário que assumimos para o par seguidor.

Para o T17, que está em montagem EC com resistência de emissor, o ganho é

onde          Ro13B = ro13B = 90,9 kW          e          re17 = 45 W.

Para o cálculo da resistência Ro17, necessitamos da resistência Ro16 e, para o cálculo desta, de Ro4 e de Ro6 .

Para o cálculo de Ro4, admitiremos que o nó correspondente às bases de T3 e T4 é uma massa virtual para sinais. Esta suposição só é válida para modo diferencial, mas uma vez que estamos a calcular o ganho diferencial, é justamente esse o caso.

Assim, tendo em conta que          gm4 = 380 mA/V,          rp4 = 132 kW          e          ro4 = 5,26 MW,
a fig. 69 mostra como, utilizando o método das transformações de circuito, se obtém facilmente o valor:

                                            Ro4 = 5M26+5M13+2k57
@ 10,4 MW



fig. 69 - Cálculo da resistência de saída Ro4

O cálculo de Ro6 é semelhante. Na verdade, a resistência do circuito de base de T6 , i.e., a resistência vista para o circuito exterior é muito pequena (cerca de 19 W - verificar como exercício), comparada com rp6 . Desta forma, uma vez que        gm6 = 380 mA/V,          rp6 = 526 kW          e          ro6 = 13,2 MW,
obtém-se
                               Ro6 = 18,2 M
W.

Podemos agora calcular Ro16 , que é a resistência de saída dum CC, cuja resistência do circuito de base é Ro4 // Ro6 e rp16 = 309 kW:

Finalmente, para o cálculo de Ro17, tendo em conta que

                             gm17 = 22 mA/V,          r
p17 = 9,09 kW          e          ro17 = 227 kW,

e que a resistência do circuito de base é Ro16 // 50k = 19,9 k
W, a fig. 70 mostra como obter o seu valor por transformações sucessivas:

                                            Ro17 = 100+157k+227k = 384 k
W



fig. 70 - Cálculo da resistência de saída Ro17

Obtemos assim          A17 = -493 V/V.

Interessa também o valor:

                               Ri17 = 9k09+201
´100 = 29,2 kW

O transístor T16 está em montagem CC, mas como a sua corrente é muito baixa, tem re elevado. Assim, convém verificar se o seu ganho se afasta da unidade.

onde                 ro16 = 7,72 MW            e            re16 = 1,54 kW,

pelo que            A16 = 0,923.

A sua resistência de entrada é:

                               Ri16 = 201 [1k54+(7M72//50k//29k2)] = 4,00 M
W

Finalmente, para o par diferencial, temos:

onde          re = 2,63 kW          (aproximadamente comum aos transístores T1 - T4).

Então                      A1 = -474 V/V

e, finalmente, resulta

                               Ad = -474
´ 0,923 ´ (-493) = -216 000 V/V.

O cálculo de Rid é trivial. Reportando-nos à fig. 68, vemos que

                               Rid = 4 (
bN + 1) re = 2,1 MW.

Por outro lado, o cálculo de Ro, i.e., a resistência de saída do par seguidor de simetria complementar não pode ser feito senão de forma aproximada. De facto, não só o par seguidor é constituído por dois transístores complementares, como funciona em grandes sinais. Assim, a resistência de saída dependerá de qual dos transístores estiver a conduzir, como do valor da corrente. Vamos, pois, simplesmente, fazer uma estimativa.

Assim, admitindo que T20 está a conduzir, teremos

com                     

Como ro18 é desprezável face a ro13A (278 kW), resulta

                               Ro = re20 + 34 + 27

A resistência re20 depende criticamente do valor da corrente.

Para            IC = 150 mA            re = 167 W

e para          IC = 5 mA               re = 5
W, como vimos atrás.

Assim, teremos um valor compreendido entre 66 e 228 W. Os fabricantes especificam um valor de 75 W.

 

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