Sistemas de Informação na Construção:Das origens do CAD aos primeiros modelos paramétricos

Da wiki WIQI GEQUALTEC
Ir para: navegação, pesquisa

Adaptado a partir de[1].

Apresenta-se, no presente subcapítulo, uma breve perspectiva histórica acerca do tema dos modelos de informação na construção, partindo das primeiras aplicações com interface gráfico e terminando nos primeiros modelos de informação paramétricos. Esta perspectiva será retomada no capítulo sobre Sistemas e Modelos de Informação, onde se descreve a evolução de alguns modelos de informação para a construção (BIM) considerados mais relevantes no contexto actual.

Os computadores são usados na engenharia desde meados da década de 50, para o cálculo automático de funções matemáticas. Seguiram-se as primeiras aplicações de apoio ao procurement e à facturação (Eastman 1999).

Surgiram depois as primeiras aplicações geométricas simples, cujos resultados eram produzidos por periféricos – plotters. A utilidade prática desta tecnologia era limitada pela ausência de monitores com capacidades gráficas que servissem de interface com o utilizador.

O primeiro sistema de desenho assistido por computador – incluindo software e hardware – foi desenvolvido por Ivan Sutherland, no âmbito da sua tese de doutoramento (Sutherland 1963). As primeiras aplicações práticas desta tecnologia só surgiram a partir da década de 70, quando a produção em massa de monitores de CRT permitiu a disseminação da tecnologia CAD. Os primeiros anos de vida da tecnologia CAD, a partir de 1970, foram caracterizados por uma dispersão de formatos de representação distintos que eram desenvolvidos e copiados por entidades diferentes. Alguns formatos sobreviveram a esta primeira fase, outros desapareceram (ver Sistemas e Modelos de Informação).

As indústrias automóvel e aeronáutica foram as primeiras a tirar partido da tecnologia CAD enquanto uma entidade distinta da simples automatização dos processos de desenho. As aplicações CAD permitiam a representação de superfícies curvas, o que não acontece, de forma satisfatória, nos desenhos bidimensionais. Outras indústrias impulsionaram o desenvolvimento de algumas das características que são encontradas nas aplicações CAD actuais, nomeadamente a indústria electrónica, que passou a utilizar computadores para automatizar alguns processos de projecto e de fabrico de componentes e a indústria de software, cujas aplicações SIG – Sistemas de Informação Geográfica – estabelecem a ligação entre bases de dados de grandes dimensões e a sua representação geométrica sob a forma de superfícies. A indústria de construção continua a depender, ao longo de todo o seu processo produtivo, de representações bidimensionais, pelo que não faz uso de todas as vantagens oferecidas pelas aplicações CAD.

Os avanços tecnológicos das décadas de 80 e 90 permitiram a consolidação e a expansão do mercado de aplicações CAD. Os formatos de representação actuais permitem a modelação paramétrica de sólidos, condição necessária para a elaboração de um modelo de informação que contenha informação geométrica acerca dos produtos de construção.

Os primeiros modelos de informação para a construção surgiram na década de 70. Inicialmente funcionavam como formatos de representação padrão de produtos da construção (alguns com âmbito muito específico) mas alguns destes modelos evoluíram até se tornaram sistemas CAD comerciais. Entre estas iniciativas contam-se quatro projectos britânicos: OXSYS CAD, CEDA, HARNESS e Scottish Special Housing Authority Housing System e três Norte Americanos: o modelo da Techcrete, o ARCH-MODEL e o CAEADS. As características destes projectos são apresentadas com algum detalhe por Eastman (Eastman 1999). Estes modelos não interagiam, em geral, com as aplicações usualmente utilizadas no sector da construção e tinham dificuldade em coordenar os esforços dos diversos projectistas de especialidades, pelo que a sua aceitação pela comunidade técnica foi limitada e os formatos de representação nunca chegaram a ser adoptados como padrão.

Bibliografia

  1. POÇAS MARTINS, J. P. 2009. Modelação do Fluxo de Informação no Processo de Construção - Aplicação ao Licenciamento Automático de Projectos. PhD Thesis, Universidade do Porto.