Pequena história da Internet

 

 

 

 

A Internet nasceu em 1969, nos Estados Unidos. Inicialmente, interligava os diversos laboratórios de pesquisa e chamava-se ARPAnet (ARPA: Advanced Research Projects Agency).  Era uma rede do Departamento de Defesa norte-americano cujo principal objectivo era atender necessidades militares. Assim, a função desta rede era que em caso de ocorrência de guerras ou catástrofes que pudessem afectar os meios de comunicação dos EUA, continuassem activas as ligações entre universidades e órgãos principais do governo mesmo que parte de rede fosse destruída. Era então necessário a utilização de um protocolo de comunicação que assegurasse tais funcionalidades, foi assim que começou a ser desenvolvida a arquitectura TCP/IP.

 

O nome Internet propriamente dito surgiu bem mais tarde, quando a tecnologia da ARPAnet passou a ser usada para interligar  universidades e laboratórios, primeiro nos EUA e depois noutros países. Actualmente a Internet consiste num conjunto de várias dezenas de milhar de redes cujo a única semelhança que possuem reside no protocolo de comunicação que partilham, o TCP/IP que permite que umas máquinas comuniquem com outras.

 

Durante cerca de duas décadas a Internet ficou restrita ao ambiente académico e científico, somente a partir de 1987 esta rede passou a ser  comercializada nos EUA.  Porém, foi em 1992 que a sua utilização passou a ser generalizada. Começaram a aparecer nos EUA várias empresas provedoras de acesso à Internet e centenas de milhar de pessoas passaram a colocar e a consultar informações na Internet, tornando-se talvez na maior fonte de informação de massas. A normalização do protocolo TCP/IP chegou após a utilização em massa da Internet.

 

 

Algumas datas Importantes no desenvolvimento da Internet:

 

·         1968 Foi desenvolvido pela ARPA (Advanced Research Projects Agency) o primeiro backbone. O objectivo desse projecto era interligar várias universidades e a área militar.

 

·         1975 A ARPA deu lugar ao DARPA (Defence Advanced Research Projects Agency) e começou a desenvolver os protocolos TCP/IP.

 

·         1979 Foi formado comité ICCB (Internet Control and Configuration Board) para gerir o desenvolvimento do TCP/IP.

 

·         1983 A DARPA cedeu os direitos do código dos protocolos TCP/IP à Universidade da Califórnia para que fosse distribuído na versão UNIX. A DARPA exigiu que todos os PCs ligados ao ARPANET usassem os protocolos TCP/IP. Esses protocolos difundiram-se rapidamente, visto não serem produtos comerciais.

 

·         1985 A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF) criou a NSFNET, que era uma rede de alta capacidade destinada a atender, tanto nos EUA como noutros países, as entidades científicas e de pesquisa.

 

·         1987 A Internet passou a ser comercializada nos EUA

 

·         1989 A ARPANET deu lugar à NSFNET e o ICCB foi substituído pela IAB (Internet Advisory Board). A IAB possuía dois grupos principais: o IRTF (Internet Research Task Force) e o IETF (Internet Engeneering Task Force).

 

·         1992 Começaram a aparecer diversos ISP (Internet Service Provider) dando-se início à  massificação da Internet o serviço responsável pela massificação foi o www que surgiu neste ano.

 

·         A partir de 1992 Muitas redes foram desenvolvidas sobre o TCP/IP, novas aplicações criadas e um conjunto de serviços desenvolvidos de forma a melhorar e a diferenciar o tráfego que circula na Internet.

 

 

 

O Modelo TCP/IP

 

 

 

 

Antes da internet se tornar tão popular os protocolos de comunicação mais importantes eram o TCP/IP, NETBEUI, IPX/SPX, Xerox Network System (XNS)  e o Apple Talk. De salientar que para dois equipamentos de rede poderem comunicar entre si é essencial que ambos entendam as mesmas regras ou seja, ambos têm de usar o mesmo protocolo de comunicação.

Com o acesso crescimento e vulgarização da Internet e com a necessidade de as redes internas das empresas se ligarem cada vez com mais frequência à Internet e de serem obrigadas a utilizar o protocolo já usado na internet,  o protocolo TCP/IP expandiu-se também a estas redes empresariais tornando-se actualmente no protocolo padrão de comunicação.

 

O TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) representa um conjunto de protocolos que permitem que diversos equipamentos que constituem uma rede possam comunicar entre si. É um protocolo estruturado por camadas na qual cada camada utiliza e presta serviços às camadas adjacentes. Cada camada apenas trata das informações que correspondem à sua função.

 

O modelo TCP/IP quando comparado com o modelo OSI, tem duas camadas que se formam a partir da fusão de algumas camadas do modelo OSI, elas são: as camadas de Aplicação (Aplicação, Apresentação e Sessão) e Acesso à Rede (Ligação de dados e Física).

 

Existem 5 camadas distintas que formam o TCP/IP:

 

 

 

 

 

 

·         APLICAÇÃO: Esta camada é formada por um vasto conjunto de protocolos os quais permitem o correcto funcionamento dos diversos Serviços/Aplicações do modelo TCP/IP. Esta camada não possui um padrão comum para todas as aplicações, ou seja, consoante o serviço em questão irá depender também o protocolo que o vai atender. Por exemplo o serviço e-mail utiliza o protocolo SMTP, sempre que este serviço é solicitado ao TCP/IP (envio ou recepção de e-mail), é este protocolo que se encarrega do atender. De igual modo sempre que é solicitado ao TCP/IP o serviço www o protocolo que se encarrega de o atender é o HTTP. Ou seja, por trás de cada aplicação existe um protocolo específico seja ele o FTP,TELNET, HTTP, SMTP, POP3, DNS, etc.

 

·         TRANSPORTE: Pela figura, pode-se verificar que a Camada TCP do Modelo TCP/IP corresponde à Camada de Transporte do Modelo OSI. Desta forma, o TCP é responsável pelas funções de transporte nas quais se incluem os mecanismos necessários que garantem a entrega sequencial de dados, sem erros e sem falhas. O acesso das diversas Aplicações a esta camada  é feito através de portas as quais  têm associados números inteiros distintos para cada tipo de Aplicação. Podem ser utilizados dois protocolos distintos para o transporte, o TCP e o UDP. O TCP é orientado à conexão enquanto que o UDP não. O UDP funciona como segunda opção da camada de transporte uma vez que não oferece garantias de entrega de pacotes, nem da sua correcta sequência de envio. Normalmente o UDP só é utilizado em aplicações que geram elevados volumes de tráfego na Internet.

 

·         CAMADA IP ou INTERNET: As Funções da Camada de Rede do Modelo OSI, são aqui realizadas pela Camada IP e pela consequente utilização do Protocolo IP.  A Camada IP é uma camada normalizada em que o único protocolo utilizado é o protocolo IP. Esta camada é responsável pelo endereçamento,  roteamento e controlo de envio e recepção dos dados. A comunicação é realizada por datagramas. O protocolo IP é não orientado à conexão, não garantindo que os pacotes IP cheguem ao seu destino nem se chegam pela ordem com que foram enviados. O IP é o protocolo responsável por definir o caminho que um pacote de dados deverá percorrer desde o host de origem até ao host destino, passando por uma ou várias redes onde poderá encontrar protocolos de conexão como o IP, o ICMP, o ARP e o RARP.

 

·         ACESSO À REDE: Esta camada tem como principal função a adaptação do Modelo TCP/IP aos diversos tipos de redes (X.25, ATM, FDDI, Ethernet, Token Ring, Frame Relay, PPP e SLIP). É a camada de abstracção de hardware e devido à enorme variedade de tecnologias de rede possíveis, é uma camada não normalizada pelo modelo TCP/IP. É possível a interligação e interoperação com redes heterogéneas. Nesta camada são utilizados gateways ou routers.

 

·         FÍSICO: Esta camada descreve as características físicas da comunicação tais como a natureza do meio usado para a comunicação (cobre, fibra-óptica ou links de rádio) e todos os detalhes relacionados com os sinais (modulações, comprimentos de onda, níveis de sinal, sincronizações, distâncias máximas, etc)

 

Uma das maiores limitações da arquitectura TCP/IP é quanto a sua capacidade de endereçamento, que já está se tornando limitada, devido ao crescimento exponencial da Internet.

 

 

 

O Protocolo TCP

 

 

 

 

O TCP é um protocolo da camada de transporte confiável em que existe a garantia que os dados são integralmente transmitidos para os hosts de destino correctos na sequência pelo qual foram enviados. O TCP segmenta a informação proveniente da Camada Aplicação em pequenos blocos de informação (datagramas) inserindo-lhes um cabeçalho de forma a que seja possível no hoste de destino fazer a reassemblagem dos dados. Este cabeçalho contém um conjunto de bits (checksum) que permite tanto a validação dos dados como do próprio cabeçalho. A utilização do checksum permite muitas vezes no hoste de destino recuperar informação em caso de erros simples na transmissão (nos casos da rede corromper o pacote). Caso a informação seja impossível de recuperar ou o pacote TCP/IP se tenha perdido durante a transmissão, é tarefa do TCP voltar a transmitir o pacote. Para que o hoste de origem tenha a garantia que o pacote chegou isento de erros é necessário que o hoste de destino o informe através do envio de uma mensagem de "acknowledgement".

O TCP corresponde a um conjunto de rotinas instaladas nos hosts de origem e destino as quais são utilizadas pelas várias aplicações (e-mail, http, FTP, telnet, etc) quando necessitam de executar o transporte de dados entre hosts.

 

Para que seja possível identificar a que serviço um determinado datagrama pertence, o TCP utiliza o conceito de portas. A cada porta está associado um serviço. Após determinada a porta, toda a comunicação com a aplicação é realizada e endereçada através dela.

 
Características do protocolo TCP:

 

·         Transferência de dados: transmissão ponto-a-ponto de blocos de dados no modo full-duplex.

 

·         Transferência de dados com diferentes prioridades: transmite em primeiro lugar os datagramas que contenham sinalização de prioridade superior.

 

·         Estabelecimento e libertação de conexões

 

·         Sequenciação: Ordenação dos pacotes recebidos.

 

·         Segmentação e reassemblagem: O TCP divide os dados a serem transmitidos em pequenos blocos de dados, identificando-os de forma a que no host de destino seja possível reagrupá-los.

 

·         Controle de fluxo: o TCP é capaz de adaptar a transmissão dos datagramas às condições de transmissões ( velocidade , tráfego ... ) entre os diversos sistemas envolvidos.

 

·         Controle de erros: A utilização de checksum permite verificar se os dados transmitidos estão livres de erros. É possível, para além da detecção a sua correcção.

 

·         Multiplexagem de IP: Uma vez que é utilizado o conceito de portas, é possível enviar dados de diferentes tipos de serviços (portas diferentes) para o mesmo hoste de destino.

 

 

 

Funcionamento de uma Ligação TCP:

 

 

 

Uma comunicação utilizando o TCP é realizada em três fases:

 

1.      Estabelecimento da ligação

2.      Troca de dados

3.      Libertação da ligação

 

 

 

O Estabelecimento da ligação é realizado pelo envio de 3 mensagens de acordo com é descrito pelas figuras:

 

 

Um pacote TCP tem a seguinte estrutura:

 

Significado dos campos:

 

·         TCP SOURCE PORT: Porta origem da mensagem

 

·         TCP DESTINATION PORT: Porta destino da mensagem

 

·         SEQUENCE NUMBER: número de sequência dos dados sendo transmitidos face ao conjunto total de dados já transmitidos. Este número indica a posição do primeiro byte de dados sendo transmitido em relação ao total de bytes já transmitidos nesta conexão. O primeiro número de sequência utilizado não é zero ou um, mas começa de um valor aleatório. O sequence number num sentido da ligação (máquina A para B) é diferente do sequence number do sentido inverso, já que os dados transmitidos por um e outro lado são completamente distintos.

 

·         ACKNOWLEDGE NUMBER: número que significa o reconhecimento dos dados recebidos até então no sentido inverso. O ACK contém o número do próximo byte do fluxo de dados recebido, que a origem deste pacote espera receber da outra máquina. Este valor leva em consideração o  SEQUENCE NUMBER inicial. O valor de ACK informa sempre o próximo byte ainda não recebido do conjunto contíguo de bytes recebidos do transmissor.

 

·         CODE BITS: São formados por seis bits, URG, ACK, PSH, RST, SYN e FIN, cuja sua utilização é a seguinte:

 

1.      URG "bit de Urgência" : significa que o segmento sendo carregado contém dados urgentes que devem ser lidos com prioridade pela aplicação. A aplicação origem é responsável por activado este bit e fornecer o valor do URGENT POINTER que indica o fim dos dados urgentes.

 

2.      ACK "bit de Reconhecimento": indica que o valor do campo de reconhecimento está carregando um reconhecimento válido.

 

3.      PSH "bit de PUSH": Este mecanismo pode ser activado pela aplicação, informa ao TCP a origem e destino que a aplicação solicita a transmissão rápida dos dados enviados, mesmo que ela contenha um número baixo de bytes, não preenchendo o tamanho mínimo do buffer de transmissão.

 

4.      RST "bit de RESET": Informa o destino que a ligação foi abortada neste sentido pela origem

 

5.      SYN "bit de Sincronismo": É o bit que informa que este é um dos dois primeiros segmentos de estabelecimento da conexão.

 

6.      FIN "bit de Terminação": Indica que este pacote é um dos pacotes de finalização da ligação.

 

·         WINDOW: Este campo informa o tamanho disponível em bytes na janela de recepção da origem deste pacote. Por meio deste valor, o TCP pode realizar um controle adequando de fluxo para evitar a sobrecarga do receptor. Quando este valor é igual a zero, o transmissor não envia dados, esperando receber um pacote com WINDOW maior que zero. O transmissor sempre vai tentar transmitir a quantidade de dados disponíveis na janela de recepção sem aguardar um ACK. Enquanto não for recebido um reconhecimento dos dados transmitidos e o correspondente valor de WINDOW > 0, o transmissor não enviará dados.

 

·         OPTIONS: O campo de opções só possui uma única opção válida que é a negociação do MSS (Maximum Segment Size) que o TCP pode transmitir. O MSS é calculado através do MTU ou através do protocolo ICMP Path MTU Discovery.

 

 

 

O Protocolo IP

 

 

 

 

Este protocolo define os mecanismos de expedição dos datagramas. É um protocolo não orientado à conexão em que cada pacote IP é tratado como uma unidade independente de informação, não possuindo qualquer relação com qualquer outro. Neste datagrama são colocadas informações relevantes para o envio do pacote até o destino.

O Protocolo IP é responsável pela comunicação entre hosts em redes TCP/IP. Ele é responsável pela comunicação entre cada elemento da rede para permitir o transporte de uma mensagem de um host de origem até a um host de destino, podendo o datagrama passar por várias sub-redes (a origem e o destino são hosts identificados por endereços IP) . O protocolo IP é não-confiável, sendo esta uma responsabilidade dos protocolos das camadas superiores, nomeadamente do TCP. Assim, não é utilizado nenhum mecanismo de controlo de fluxo ou de controlo de erros de dados, verificando-se apenas, através de um checksum a integridade do cabeçalho de forma a garantir que os gateways encaminhem correctamente os datagramas.

 

 As funções mais importantes realizadas pelo protocolo IP são a atribuição de um esquema de endereçamento independente do endereçamento da rede utilizada e independente da própria topologia da rede, além da capacidade de rotear e tomar decisões de roteamento para o transporte das mensagens entre os elementos que interligam as redes.

 

Características do protocolo IP:

 

·         Serviço de datagrama não confiável;

 

·         Endereçamento hierárquico;

 

·         Facilidade de fragmentação e de reassemblagem de pacotes;

 

·         Campo especial indicando qual o protocolo de transporte a ser utilizado no nível superior;

 

·         Identificação da importância do datagrama e do nível de confiabilidade exigido de forma a oferecer prioridade na transmissão;

 

·         Descarte e controle de tempo de vida dos pacotes a circular na rede.

 

 

 

O pacote IP possui o formato descrito abaixo:

 

 

Significado dos campos :

 

·       VERSION : Informa qual a versão do protocolo IP que está a ser utilizado. Pode ser o IPv4 ou Ipv6.

 

·       HEADER LENGTH : Informa qual o comprimento do cabeçalho IP, grupos de 4 bytes.

 

·       TYPE OF SERVICE : Informa como o pacote deve ser tratado, de acordo com sua prioridade e o tipo de serviço desejado. Para o tráfego de Internet, este campo não é carregado.

 

·       IDENTIFICATION : Identifica o pacote IP unicamente entre os outros transmitidos pela máquina. Este campo é usado para identificar o pacote IP no caso de haver fragmentação em múltiplos datagramas

 

·       FLAGS (3 bits) : um dos bits (MF - More Fragments) identifica se este datagrama é o último fragmento de um pacote IP ou se existem mais. Outro bit (DNF - Do Not Fragment) informa os routers do caminho se a aplicação exige que os pacotes sejam ou não fragmentados.

 

·       FRAGMENT OFFSET : Informa o posicionamento do fragmento em relação ao pacote IP do qual faz parte.

 

·       TIME-TO-LIVE : Este valor é decrementado a cada 1 segundo que o pacote passa na rede e a cada router pelo qual ele passa. Serve para limitar a duração do pacote IP a circular na rede. Este valor serve para evitar que um pacote caia num ciclo e se encontre a circular eternamente entre routers. Quando atingir o valor nulo, o pacote IP é descartado.

 

·       PROTOCOL : Informa qual o  protocolo de mais alto-nível que está a ser carregado no campo de dados. O IP pode carregar mensagens UDP, TCP, ICMP, etc.

 

·       HEADER CHECKSUM : Valor que ajuda a garantir a integridade do cabeçalho do pacote IP

 

·       SOURCE ADDRESS : Endereço IP do host de origem do pacote IP

 

·       DESTINATION ADDRESS : Endereço IP do host de destino do pacote IP

 

·       OPTIONS : Opções com informações adicionais para o protocolo IP. Consiste num byte com a identificação da opção e numa quantidade de bytes variável com as informações específicas. Um pacote IP pode transportar várias opções simultaneamente.

 

 

 

 

AS OPÇÕES IP

 

 

As opções IP são utilizadas como uma forma de verificação e monitoração duma rede IP. As opções que especificam a rota até o destino não são utilizadas normalmente pois o IP é baseado na técnica de Next-Hop Routing. Ainda assim, estes mecanismos são pouco utilizados como ferramenta de testes e verificação, sendo raros os programas que os implementam.

 

O formato das opções IP é descrita no quadro abaixo:

 

 

 

OS ENDEREÇOS IP

 

 

Um endereço IP serve para identificar univocamente cada um dos elementos que compõe uma rede ligada à Internet. Um endereço IP é um conjunto de 32 bits, normalmente escritos em décimal e distribuídos por 4 octetos.

A definição de um endereço IP segue uma série de especificações definidas pela NIC "Network Information Center", que atribui e controla os endereços IP pelo mundo de forma a garantir segurança e unicidade dos endereços.

Associado ao endereço IP de cada host está também associada a máscara de Rede. Ambos, são utilizados para a comunicação entre hosts e permitem identificar o host e a rede.

Devido a existirem redes de vários tamanhos, é utilizado o conceito de Classe de Endereçamento.

Assim é possível distinguir as seguintes classes:

 

·         Classe A: suporta 128 redes com a possibilidade de endereçar 16 milhões de hosts;

 

·         Classe B: suporta 16384 redes com a possibilidade de endereçar 64 mil hosts;

 

·         Classe C: suporta 2 milhoes de redes com a possibilidade de endereçar 256 hosts;

 

·         Classe D: permite que um datagrama seja distribuído por um conjunto de hosts;

 

·         Classe E: São endereços que começam por 1111 e está reservado para uso futuro.

 

Normalmente a Internet utiliza a classe C para endereçamento das suas redes e hosts, assim quando um novo ISP "Internet Service Provider" se liga à internet, recebe no mínimo um conjunto de 256 endereços para serem utilizados pelos seus hosts permitindo um acesso simultâneo à Internet de 256 utilizadores. Normalmente um ISP tem muitos mais clientes que o número de endereços que tem disponíveis, a forma de contornar esta situação é em vez de ter endereços IP fixos atribuídos a cada host ter um processo de alocação dinâmica de Ips.

 

Como o crescimento da Internet foi exponencial, os endereços IP disponíveis diminuíram drasticamente e uma forma de resolver o inevitável esgotar de endereços IP consistiu em criar o conceito de sub-redes.

 

 

 

Inter-Operação entre as camadas TCP e IP

 

 

 

 

 

O TCP recebe mensagens da camada Aplicação, divide-as em datagramas de tamanho fixo e inserindo-lhes um cabeçalho e enviando-os de seguida para a camada IP. Estes dados não são tratados pela camada IP sendo que a principal função do IP consiste em encontrar um caminho que faça com que o datagrama chegue ao extremo da ligação. Para que os sistemas intermédios da rede retransmitam o datagrama, é adicionado um cabeçalho no pacote IP, que consiste principalmente num endereço IP de origem e de destino do datagrama e um número que corresponde ao protocolo usado na camada de Transporte. Os pacotes IP à medida que passam por sub-redes são fragmentados em unidades menores.

Quando os pacotes IP chegam ao destino, são eventualmente reassemblados (quando ao passarem por sub-redes necessitaram de ser fragmentados) e enviados à camada TCP que é responsável pela verificação da integridade dos dados. Caso o checksum do pacote não coincida com o valor esperado e não seja possível recuperar o pacote, este é descartado e é enviada uma mensagem ao host de origem a pedir o reenvio desse pacote.

De referir que o TCP e o IP têm checksums separados por razões de eficiência e segurança.

 



 

O IPv4 e o IPv6

 

 

 

 

Embora os protocolos TCP/IP sejam os pilares fundamentais da Internet, oferecendo um conjunto de serviços bastante vasto, eles não foram desenvolvidos para serem protocolos seguros. Uma vez que as mensagens transportadas pelo TCP/IP são trocadas em cleartext, as aplicações são por isso vulneráveis a ataques passivos (utilização de sniffers) e a ataques activos (roubo de sessões). Teoricamente, um computador de uma rede interna de uma empresa que se liga à Internet pode ser acedido por qualquer utilizador da Internet,  representando um elevado risco na segurança de informações e de aplicações/serviços da própria empresa. 

Além do problema de segurança da versão actual do TCP/IP existe um outro problema que tem a ver com a capacidade de endereçamento. A versão actual utiliza um campo de 4 bytes (32 bits) sendo de esperar que dentro de alguns anos estejam esgotados todos os endereços ainda disponíveis. Um endereço IPv6 tem um comprimento de 128 bits, tornando o espaço de endereço tão longo que cada pessoa do planeta poderia ter uma interligação em redes tão grande quanto a actual Internet.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para resolver as limitações do IPv4, a partir de 1990, a IETF "Internet Engineering Task Force", começou a trabalhar numa nova versão do TCP/IP, o IPv6 (ou IPSec).

Os objectivos principais do IETF são:

 

·            Maior Capacidade de Endereçamento - Os endereços são formados por 128 bits de comprimento implicando um aumento extremamente elevado no número de hosts. É possível assim suportar mais níveis de endereçamento hierárquico, um número muito maior de nós e autoconfiguração mais simples de endereços.

 

·            Arquitetura de endereçamento melhor estruturada.

 

·            Formato de cabeçalho simplificado - Alguns campos do cabeçalho do Ipv4 foram retirados ou foram marcados como opcional, de forma a permitir um mais rápido processamento de pacotes nos routers e uma diminuição da Largura de banda do cabeçalho do IPv6.

 

·            Implementação de apoio para extensões e opções - Mudanças do modo que são codificadas as opções do cabeçalho IP permitem um encaminhamento mais eficiente, menos restrições no tamanho das opções, e maior flexibilidade por introduzir opções novas no futuro.

 

·            Possibilidade de associar tráfegos a Fluxos - Uma capacidade nova é adicionada para habilitar o etiquetamento de pacotes pertencendo a fluxos particulares para o qual, o remetente fez pedido de manipulação especial, como qualidade de diferente do default de serviço ou serviço "real-time". Passa a ser possível o suporte a aplicações multimédia em tempo-real.

 

·            Suporte para `Jumbo datagrams’ -  Possibilidade de  envio de pacotes de diferentes tamanhos, o IPv4 suporta apenas pacotes de 64Kb.

 

·            Mobilidade- Permitir que um host mude de lugar sem precisar mudar o endereço.

 

·            Configuração Plug-and-Play.

 

·            Suporte para multicasting e anycasting

 

·            Mecanismos de segurança, incluindo Criptografia e autenticação

 

·            Autenticação e Privacidade e Criptografia- Mecanismos para apoiar a autenticação, integridade e confidência de dados, bem como o envio de mensagens encriptadas.

 

·            Redução das tabelas de roteamento

 

·            Permitir a coexistência entre o novo e o antigo protocolo durante anos.

 

 

O IPv6 divide os endereços em tipos, do mesmo modo que o IPv4 os divide em classes, assim cada datagrama pode ser do tipo:

 

-          Unicast – O endereço de destino especifica um único computador. O Datagrama deverá ser roteado para o destino ao longo do caminho mais curto possível.

 

-          Cluster – O destino é um conjunto de computadores que juntos dividem um único prefixo de endereço. O datagrama deverá ser roteado para o grupo ao longo de um caminho o mais curto possível e, então, entregue a exactamente um membro do grupo.

 

-          Multicast – O destino é um subconjunto de computadores, possivelmente em diversos locais. Uma cópia do datagrama será entregue a cada membro do grupo usando hardware multicast ou broadcast, conforme o caso.

 

O IPv6 não usa os termos broadcast ou difusão directa para se referir à entrega a todos os computadores de uma rede física ou sub-rede lógica IP. Em vez disso, usa o termo multicast e trata difusão como uma forma especial de multicast.

 

 

O IPv6 trata especificações de comprimento de datagrama de um modo novo. Primeiro, visto que o tamanho do cabeçalho básico é fixado em 40 octetos, o cabeçalho básico não inclui um campo de comprimento de cabeçalho. Segundo, o IPv6 substitui o campo de comprimento de datagrama do IPv4 por um campo comprimento de carga (payload) de 16 bits que especifica o número de octetos transportados em um datagrama, excluindo o próprio cabeçalho. Assim, um datagrama do IPv6 pode conter 64K de octetos de dados.

 

Um novo mecanismo no IPv6 aceita a reserva de recursos e permite que um router associe cada datagrama a uma dada alocação de recursos. A abstração considerada, um fluxo, consiste em um caminho de uma interligação em redes, ao longo do qual os routers intermédios garantem uma qualidade específica de serviços.

 

O campo rótulo de fluxos do cabeçalho básico contém informações que routers usam para associar um datagrama a um fluxo e prioridade específicos. O campo está dividido em 2 subcampos: classeT de 4 bits e identificador de fluxo de 24 bits.

O campo Classe T especifica a classe de tráfego para o datagrama. São usados valores de 0 a 7 para especificar a sensibilidade ao tempo de tráfego controlado por fluxo. O campo restante contém um identificador de fluxo. A origem escolhe um identificador de fluxo ao estabelecer um fluxo. Não há conflito potencial entre computadores porque um router usa a combinação de endereço de origem de datagrama e o identificador de fluxo , ao associar um datagrama a um fluxo específico.